segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Michel Foucault e a Trilogia das Razões.

 Michel Foucault ocupa um lugar excepcional na história por três razões.

Primeiro, porque é um dos maiores historiadores novos. Historiador da loucura, da clínica, do mundo do caráter, da sexualidade, introduziu alguns dos novos objetos “provocadores” da história e pôs em evidência uma das grandes viragens da história ocidental, entre o fim da Idade Média e o século XIX: a segregação dos desviados.

Em seguida, porque fez o diagnóstico mais perspicaz sobre esta renovação de história. Faz a sua análise em quatro pontos:

1) “O questionar do documento”: “A história tradicional dedicava-se a “memorizar” os monumentos do passado, a transformá-los em documentos; nos nossos dias, a história é o que transforma os documentos em monumentos e que, onde se decifrava traços deixados pelos homens, onde se deixava reconhecer em negativo o que eles tinham sido, há uma amálgama de elementos que têm de ser isolados, agrupados, tornados eficazes, postos em relação, integrados em conjuntos”.

2) “A noção de descontinuidade adquire um papel de maior relevo nas disciplinas históricas”.
3) O tema e a possibilidade de uma história global começam a perder consistência e assiste-se ao esboçar do desígnio, bem diferente, do que poderia chamar-se uma história geral.

4) Novos métodos. A nova história reencontra um certo número de problemas metodológicos. Podemos citar dentre eles: a constituição de corpus coerentes e homogêneos de documentos, o estabelecer de um princípio de seleção; a definição do nível de análise e dos elementos que para ele são pertinentes; as referências – explícitas ou não – a acontecimentos, instituições e práticas; a especificação de um método de análise; a delimitação dos conjuntos e subconjuntos que articulam o material estudado a determinação das relações que permitem caracterizar um conjunto.

Finalmente, Foucault propõe uma filosofia original da história, estritamente ligada à prática e à metodologia da disciplina histórica. “Para Foucault, o interesse da história não está na elaboração de invariantes, quer filosóficas quer organizadas nas ciências humanas. A história é uma genealogia nietzschiana. Por isso, a história passa por ser filosofia; está, no entanto, muito longe da vocação empirista tradicionalmente atribuída à história.