segunda-feira, 22 de julho de 2013

A Inquisição no Brasil

É com muita ansiedade que todo Brasil se prepara para receber a visita do Papa  Argentino Francisco, motivo este que a euforia toma conta de muita gente por todos os cantos do país.
Não custa lembrar também que o tribunal do santo oficio, desta vez não desembarcará em solo brasileiro, o que já aconteceu no passado muito distante.
Os arquivos dessas investigações ainda não são totalmente conhecidos. Localizados na Torre do Tombo, em Portugal, eles citam 40 mil nomes de pessoas perseguidas, mas sem classificação por local de nascimento. Tão pouco está claro se essas foram as únicas visitações realizadas. Recentemente descobriu-se outra, entre 1627 e 1628, que passou pelo Rio de Janeiro (onde o visitador Luís Pires da Veiga foi ameaçado de apedrejamento pela população), São Paulo e São Vicente. Com certeza, há visitações das quais ainda não se encontraram os livros, fora aqueles livros que se perderam em naufrágios.
O certo mesmo é que a Inquisição da Igreja Católica Apostólica Romana teve grande impacto na vida da Colônia Brasileira. A ação inquisitorial se fez sentir em todo o Brasil desde o início da colonização até o século 18, mesmo em capitanias que nunca receberam visitações, como Minas Gerais e Ceará as pessoas temiam não ser católicas e morrerem na fogueira. Tanto isso é verdade que há registros de processos do Santo Ofício antes da primeira visitação. Já em 1546, o donatário da capitania de Porto Seguro, Pero do Campo Tourinho, foi denunciado por ter afirmado que, em suas terras, ele era o “papa” e que trabalhador nenhum tiraria folga nos domingos e dias santos. Ao longo da década de 1550, em Salvador, o bispo dom Pedro Fernandes Sardinha, o primeiro do Brasil, exerceu funções inquisitoriais.
Bispos, padres, missionários e todos os membros da Igreja Católica Apostólica Romana eram orientados a observar os costumes de seus fiéis e encaminhar os casos suspeitos para instâncias superiores. Mas a rede do Tribunal do Santo Ofício era mais vasta ainda: havia representantes locais escolhidos no clero, os “comissários”, que tinham a obrigação de circular pela região com os olhos (e ouvidos) bem abertos analisando condutas e palavras de cidadãos comuns nas ruas, bares, armazéns… E contavam ainda com a ajuda de informantes, os “familiares”, homens influentes que conseguiam da Igreja um certificado que tinham boa conduta e “sangue puro”, intocado por antepassados judeus ( o poeta Cláudio Manoel da Costa, por exemplo, foi recusado por ter “suspeita de sangue”). Os “familiares” acompanhavam as prisões e o confisco de bens determinado pelos comissários, às vezes antes mesmo da conclusão dos processos. Estes bens eram acrescidos ao patrimônio da Igreja Católica Apostólica Romana. A quaresma era uma época estratégica: todos os habitantes tinham o dever de confessar os pecados – e de entregar os pecados alheios, sob pena de responder como cúmplices caso soubessem de algo e não contassem.
As grandes colônias foram as mais visitadas. Minas Gerais, no auge da mineração, foi alvo preferencial. Assim como o Rio de Janeiro, na medida em que crescia em importância. No fim das contas (ao menos das disponíveis), veio destas duas colônias a maior parte dos acusados. Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente no século 17, tinham um importante número de representantes inquisitoriais. Mas há vítimas espalhadas por boa parte do país, como no Espírito Santo, no Piauí e em Goiás. Só na Paraíba, no século 18, 50 pessoas do mesmo círculo familiar foram presas, acusadas de manter as esnogas (sinagogas secretas). No Mato Grosso, foram cinco viagens de comissários em busca de casos de feitiçaria. O “mandingueiro” Manoel francisco Davida não escapou.
Fonte: Mantenedor da Fé