quarta-feira, 19 de junho de 2013

"Unir o povo, denunciar a direita, disputar a mudança!



                                  "Unir o povo, denunciar a direita, disputar a mudança!


Mao dizia que basta uma fagulha para incendiar uma pradaria. Nunca sabemos quando um fato, um símbolo, acenderá as paixões das ruas. Quando isso acontece, dias valem anos de aprendizado e de tempo histórico, a realidade muda rápida e impressionantemente, e sempre se coloca a questão de como dirigir essa grande luta às vitórias.

Por Paulo Vinícius*


Mao dizia que basta uma fagulha para incendiar uma pradaria. Nunca sabemos quando um fato, um símbolo, acenderá as paixões das ruas. Quando isso acontece, dias valem anos de aprendizado e de tempo histórico, a realidade muda rápida e impressionantemente, e sempre se coloca a questão de como dirigir essa grande luta às vitórias.

No Brasil, tal quadro se agudiza. No ano anterior às eleições, em meio à crise capitalista, é inevitável, diante do fato novo das mobilizações, a necessidade de disputar a agenda da sociedade, e o quadro atual impõe que essa disputa seja feita no plano da comunicação e com a imprensa golpista e a direita.

O fato central é que o nosso povo está na ruas! Isso é básico, a nossa responsabilidade de nos vermos como parte dos anseios mais avançados de luta expressos nas mobilizações, que tem quatro preocupações principais:

O povo não aguenta mais ser massacrado pelo transporte público, e exige o direito à cidade, em especial para os mais pobres, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, e quer o massivo financiamento do transporte público, a preço baixo, subsidiado, o que recoloca o debate da força do estado no tema;

A prioridade do gasto público com saúde e educação. São bandeiras nossas. Lutamos pelos 10% do PIB para a Educação e para a Saúde, que sofreu dura derrota quando a direita impediu que a CPMF destinasse 50 bilhões à saúde pública. Dilma reapresentou o Projeto de Lei que assegura 100% dos Royalties do Pré-Sal para a Educação. O povo apoiará com certeza as NOSSAS bandeiras, que são as formas concretas de atender ao anseio das manifestações;
Questiona os grandes eventos esportivos que o Brasil conseguiu, porque efetivamente se menosprezou a necessidade disputar o sentido avançado dessa vitória. E há que publicizar a transparência com o gasto público, e punir qualquer desvio.

Mas, principalmente, pouco se defendeu a importância desse investimento. Por 40 anos, em grande medida, as arenas esportivas ficaram em clara degradação, lembrem do dramático desabamento no Estádio da Fonte Nova, em Salvador, que cobrou vidas. Em tão poucos anos se renovarem as arenas, melhorar o transporte e as malhas viárias e aeroportos, precisa ser justificado diante do povo, que canta o Hino Nacional e leva as bandeiras do Brasil para os protestos.O que esse mesmo povo acharia, se soubesse que há um gasto muito pior, quase metade do orçamento reservado ao imposto do capital financeiro que a mídia defende? Como enfrentar os gargalos ao investimento e aos serviços públicos se não mudarmos essa realidade? Como disputar a legitimidade do investimento público?

Questiona a política brasileira, na crítica à corrupção e aos partidos. Diante dos dilemas de dez anos de governos de centro-esquerda, essa crítica não tem apenas a versão que interessa à direita, que descaradamente assume ares golpistas e quer dirigir o movimento. Temos de denunciar que a imprensa golpista e da ditadura quer disputar a agenda de luta do povo, denunciar seu golpismo! Mas também temos de ouvir a exigência de maior nitidez na aliança política que leve o Brasil à solução efetiva dos dilemas do desenvolvimento, incluindo o bem estar do povo como sua prioridade.Temos que enfrentar o tema da Reforma Política e da construção de maioria, disputando de modo mais nítido a consciência da Nação. Desse modo, é indispensável a máxima amplitude e unidade do nosso campo, e uma Reforma Política que dê poderes ao povo nas eleições, e não apenas aos ricos.

O povo tem sua agenda, e ela também se expressa, de modo mais nítido em três linhas:

Na luta do movimento Passe Livre, das Entidades Estudantis e do Movimento Comunitário pela melhoria e gratuidade do transporte público para o povo, agenda histórica e permanente, que assume importância central e que pode constituir uma grande vitória política;

Na pauta da Marcha das Centrais Sindicais que reuniu 50 mil em Brasília esse ano;

Na pauta de reivindicações entregue pela Jornada de Lutas da Juventude Brasileira à Presidenta Dilma.

Conhece o povo essas bandeiras, essa luta? O bloqueio midiático impede o povo de saber o que querem as tantas marchas que temos feito ao longo dos anos. Há uma tremenda luta política em curso e a imprensa golpista disputa em tempo integral a direção e as bandeiras do movimento, assim como vendeu, por mais de dez anos, a sua própria agenda.

É preciso separar o nosso povo em luta da pretensão da direita e da imprensa golpista dirigirem o movimento. É preciso ter humildade para estar junto com o povo e a juventude nessa hora de aprendizado, muitos pela primeira vez conhecem manifestações públicas. É preciso acompanhar como o povo faz a sua própria experiência, e por isso é preciso estar com o povo e a juventude. Eles já percebem que as marchas organizadas por nós são SEMPRE pacíficas! Nós somos os que temos as propostas para resolver as demandas! É esse experiência que pode ajudar esse movimento, afirmando uma luta massiva, unida, com propostas que levem a vitórias!

A juventude e os estudantes, por sua denúncia da imprensa golpista são deliberadamente ocultados de toda a cobertura jornalística. O PIG – Partido da |Imprensa Golpista – quer assumir a voz do movimento. É um escândalo! Eles querem eleger os líderes e a agenda, a direita e a imprensa golpista quer tomar de assalto o movimento. Digamos não! Como é importante apoiar as entidades estudantis e a juventude nessa hora!

Cabe-nos entrar na disputa com toda a nossa força, organização, didática, propostas e apontar um rumo de vitória para o povo, demarcando com a imprensa hipócrita da Ditadura, com os provocadores de direita e irresponsáveis que desejam o caos. Apontemos saídas que unifiquem o campo das mudanças pela sua aceleração, por uma nova arrancada, nas propostas, na utopia e na mobilização de massas pelas mudanças de sentido avançado do Brasil. E, por isso mesmo, os nossos governos tem de ter a coragem de propor saídas que signifiquem a nossa própria vitória e do movimento.

Nunca saímos das ruas, e o nosso povo quer o melhor para o nosso país, falemos com ele, disputemos apaixonadamente a agenda de mudanças no Brasil. É preciso apresentar as nossas ideias para o povo nas ruas!

*Sociólogo e Bancário, coordenador da Juventude trabalhadora da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e membro do Conselho Nacional de Juventude. 


(título original "Unir o povo, denunciar a direita, disputar a nova arrancada pelas mudanças!" alterado por redação Vermelho)

Protestos sacodem as Ruas de Todo Brasil

                                 O povo na rua sempre abre  possibilidades


As manifestações ocorridas em 11 capitais do Brasil na última segunda-feira (17), mobilizando 250 mil pessoas e que ainda prosseguem pelo país afora, devem ser registradas na história da vida política brasileira como alvissareiras, como uma oportunidade e, como tal, repleta de possibilidades.

Por Divanilton Pereira


Uma grande mobilização nacional, justa e popular como esta propicia desdobramentos objetivos e subjetivos numa sociedade. Geralmente a partir de algum fato catalisador – neste caso os reajustes das passagens dos transportes públicos – ela provoca articulações, pautas, ensinamentos, confrontos e apreço pela luta social. 

Portanto, contribui para a formação de uma consciência social avançada de um povo, condição indispensável para se alcançar as transformações maiores de uma nação.

Legitimidade a toda prova
Para o pensamento progressista, esses elementos por si só dão completa legitimidade aos movimentos em curso no país. Além disso, por conseguirem sintetizar e aglutinar demandas sociais populares represadas há décadas, amplia-se ainda mais essa condição.

A juventude brasileira e sua forte capilaridade social
A juventude brasileira – a grande protagonista política dessas manifestações – mais uma vez é depositária histórica de anseios populares. Através de novos instrumentais, mas, sobretudo com sua ousadia e maior mobilidade política, conseguiu aglutinar imensas camadas sociais e nacionalizou uma pauta que não é só sua e a fez vê-la de uma forma viva perante o país.
Confrontou um modelo que nos últimos tempos e em grande parte prevalece no país: a via pela negociação parlamentar e governamental, uma arena movediça que tem represado a solução dessas e outras demandas populares. O movimento deslocou a agenda para as ruas e exige um novo ritmo à sua superação.

Gargalos concretos de uma geografia concreta
A mobilidade urbana e a qualidade dos serviços públicos estão em crise em todos os centros no país e foram postos no centro do debate nacional. Não à toa, o epicentro dessas jornadas ocorre nas capitais. Uma situação que só não é mais dramática do que os efeitos da seca sobre o semiárido nordestino.


"A gente não quer só comida..."
Apesar da concretude objetiva de suas reivindicações, o movimento em grande parte se nutre – e também por isso tem amplo apoio popular – por expressar uma repulsa contra o status quo das representações políticas e sociais do país. Mesmo que isso seja resultado de um projeto midiático da elite para afastar o povo da vida política, é um fato que exige depuração e requer de uma forma crítica e autocrítica uma análise por todos nós.

No entanto, essa circunstância de alcance político limitado, pode ser o fator que mais condicione os resultados desse processo. O espontâneo assemelha-se a uma reação instintiva: tem impulso e fôlego curto, e se instrumentalizado por interesses escusos e contra o povo, possibilita-se a retomada de retrocessos no Brasil.

Desenvolver o movimento programaticamente e de uma forma ampla são condições para a conquista de melhorias imediatas e futuras. 

Oportunidade para um novo projeto de desenvolvimento
O Brasil, mesmo sob a égide de um novo ciclo político em curso, carece de um novo projeto nacional de desenvolvimento que consiga aglutinar as forças democráticas e populares. Isso requer convicção e liderança para conduzir essa estratégia. 

Essa plataforma deve enfrentar no atacado e não no varejo os obstáculos que impedem o progresso social do Brasil. As flutuações do governo Dilma em torno desse necessário caminho precisam ser disputadas em novo patamar. 

Pouco provável não haver um agente político e social no país que não esteja neste momento refletindo sobre o recado dessa manifestação popular. 

Aos comprometidos com o povo e o futuro da nação espera-se que concluam em assumir para si o exemplo da luta ora em curso, pois esta dá efetiva centralidade política às ruas e relativiza o exercício exclusivamente institucional.

Mãos à obra.

*Divanilton Pereira é membro do comitê central do PCdoB, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do SINDIPETRO-RN.