terça-feira, 4 de junho de 2013

Doutrina de John Wycliff Idade Media

Int Introdução

Reformador e Tradutor da primeira Bíblia para o inglês.” Nascido na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1329. Atendeu à Universidade de Oxford e terminou o doutorado de Teologia em 1372. Também foi um dos mestres da Universidade de Balliol. Por ser o mais eminente teólogo de seus dias, teve a oportunidade de ser o capelão do rei Ricardo II com acesso ao Parlamento, e de traduzir a Bíblia, junto com seus associados, do Latim para o Inglês. 
A Corrupção Papal na Inglaterra 

Equivocamente, muitas pessoas acham que a volta à Bíblia começou com Calvino e Lutero, os líderes da Reforma. Ao contrário, antes da Reforma houve tentativas de fazer parar o declínio do prestígio e do poder do papa através de reformas de várias espécies. 

Os problemas representados por um papado corrupto e extravagante que morava na França e não em Roma, e pelo cisma que se seguiu à tentativa de levar de volta o papa para Roma, fomentaram o ímpeto que levou os reformadores, os concílios reformadores do século XIV e os humanistas bíblicos, a procurarem formas de produzir um reavivamento espiritual dentro da Igreja Católica Romana. 

Ao povo inglês desagradava enviar dinheiro para um papa em Avignon, que estava sob influência do inimigo da Inglaterra, o rei francês. Este sentimento nacionalista natural aumentou o ressentimento real e da classe média, por causa do dinheiro desviado do tesouro inglês e da administração do estado inglês através dos impostos papais. Naquela época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuia um terço de toda a terra da Inglaterra e era isenta de todos os impostos. Os sete papas que regeram desde Avignon tinham a reputação de lobos ao invés de pastores de ovelhas, por causa de sua conduta, suas políticas e ganâncias pelo dinheiro e poder. Foi em meio a este clima de reação nacionalista contra o eclesiasticismo que Wycliff entrou em cena desafiando o papa. 
Os Intentos de uma Reforma 

Até 1378, Wycliff queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de sua propriedade que, segundo ele, era a fonte da corrupção. Em uma obra de 1376 intitulada “Of Civil Dominion”(Sobre o Senhorio Civil), Wycliff exigia uma base moral para a liderança eclesiástica. Deus concedia aos líderes o uso e a posse dos bens, mas não a propriedade, como um depósito a ser usado para a sua glória. A falha da parte dos eclesiásticos em cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente para a autoridade civil tomar os seus bens. 

Vivendo na época da “Guerra dos Cem Anos” entre a Inglaterra e França, Wycliff começou sua reforma atacando a autoridade papal em 1378, e a se opor aos dogmas da Igreja Romana, afirmando que Cristo e a Bíblia eram a autoridade única para o crente . Por causa disso, ele tornou a Bíblia acessível ao povo comum em sua própria língua. Em 1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento. 


Os Ensinos de Wycliff 

O papa Gregório XI o condenou, mas Wycliff foi protegido por várias famílias nobres do reinado, especialmente pelo Duque de Lancaster, John of Gaunt, filho de Eduardo III. Também na mesma época, refutou a doutrina católica da transubstanciação, evidenciando que o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de Cristo” na comunhão. Ele condenou o dogma do purgatório, uso de relíquias, romarias, venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal. Todos os seus ensinos foram condenados em Londres, em 1382, e foi obrigado a se retirar para seu pastorado em Lutterworth. 

A partir de 1381 até sua morte, Wycliff dedicou-se ao estudo das Escrituras e a escrever algumas obras muito importantes que defendiam a veracidade da Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia. As obras mais proeminentes foram:

A Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, na qual ele retrata a Bíblia como regra de fé e prática, pela qual a Igreja, as tradições, os concílios e inclusive o papa deveriam ser provados. Ele também escreveu que as Escrituras contêm tudo necessário para que o homem seja salvo, sem necessidade de tradições adicionais. Wycliff defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e não somente pelo clérigo.
O Poder do Papa: escrita em 1379, na qual ele descreve o papado como um ofício instituído pelo homem e não por Deus. Ele explica que o poder do papa não se extende ao governo secular, e que sua autoridade não é derivada do seu ofício, mas sim de seu caráter moral e cristão. Ele dizia que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o Anticristo.
Apostasia: escrita em 1379, na qual ele condena a doutrina romana da transubstanciação.
Eucaristia: escrita em 1380, uma extensão da obra anterior, onde ele denuncia esta heresia em vários aspectos como: inovação recente, filosoficamente incoerente e contrária à Bíblia Sagrada. Ele condena a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam no corpo e sangue de Cristo. Em seu livro, Wycliff descreve que o pão e o vinho mantém a sua forma, sendo um sacramento em memória do corpo e do sangue de Cristo.

O Resultado do Trabalho de Wycliff 

O movimento reformador significou também um protesto e uma reação contra os tempos atribulados e contra uma igreja decadente e corrompida. Revoltas sociais e políticas eram comuns no século XIV. A Peste Negra em 1348 e 1349 dizimou pela morte cerca de um terço da população da Europa. A Revolta dos Camponeses em 1381, na Inglaterra, era uma evidência da insastifação social associada com as idéias de Wycliff. 

Para se certificar que o povo inglês não permaneceria nas trevas dos dogmas católicos, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos chamados Lolardos, os quais pregaram os seus ensinamentos por toda a Inglaterra, até que a Igreja Romana em 1401, por força da declaração “De Haeretico Comburendo” pelo Parlamento, introduziu a pena de morte como castigo para os tais pregadores. Entretanto, estes jamais foram aniquilados. Os Lolardos ajudaram a preparar o caminho, ainda que ocultamente, para a grande Reforma na Inglaterra. Os boêmios que estudavam na Universidade de Oxford, ao regressar à sua terra, trouxeram os ensinos de Wycliff, os quais influenciaram a vida de John Huss e a Reforma da Boêmia.


Sua Condenação Após a Morte 

As habilidades de Wycliff influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra. Em 1384, ele morre de derrame. John Huss, influenciado pelos ensinos de Wycliff, foi tido como herege e queimado na estaca em 1415 pelo Concílio de Constança. Como não seria diferente, Wycliff depois de morto, também foi condenado como herege pelo mesmo Concílio, e 45 de seus ensinamentos foram tidos como heresias. Por causa disso, a Igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift em 1428. John Wycliff foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d'Alva da Reforma”.
da primeira Bíblia para o inglês.” Nascido na cidade

A revolta camponesa de 1381 Idade Media

A Revolta camponesa de 1381 foi uma das numerosas revoltas populares da Baixa Idade Média, na Europa, e um dos principais eventos da História da Inglaterra, sob o feudalismo. 

Marca o começo do fim da servidão no país, com a luta por reformas e pelos direitos dos servos. Também conhecida como Rebelião de Tyler, teve lugar durante a Guerra dos Cem Anos e não foi apenas a insurreição mais amplamente difundida e radical da história inglesa, como também a mais bem documentada rebelião popular do Medievo.

 Os nomes dos seus principais líderes - John Ball, Wat Tyler e Jack Straw - ainda são lembrados embora pouco se saiba sobre eles. A revolta foi despoletada em parte devido à introdução de um imposto pago por cabeça (poll tax) de um xelim por adulto, introduzido em 1377 como forma de financiar as campanhas militares no continente - uma continuação da Guerra dos cem anos, travada por Eduardo III. 

Paralelamemte aos aspectos materiais em disputa, existia uma questão ideológica e religiosa: alguns pregadores lollardos estavam ligados à revolta. O neto de Eduardo, Ricardo II, estava agora no trono, e sua presumida atuação tornou a revolta dos camponeses ainda mais memorável. 

O imposto era a última gota para os camponeses, que tinham sua remuneração fixa depois de muitos anos e eram proibidos de procurar trabalho noutros sítios, conforme a antiga lei senhorial de servidão. 

A peste negra tinha reduzido a força de trabalho e, num mercado livre, a remuneração do trabalho teria aumentado. Em Junho de 1381, um grupo de pessoas comuns dos condados orientais ingleses marcharam em direcção a Londres. 

O mais estrondoso dos seus líderes era Walter ou "Wat" Tyler, líder do grupo oriundo de Kent. Quando os rebeldes chegaram a Blackheath, a 12 de Junho, o padre renegado lollardo John Ball pregou um sermão que incluiu a famosa questão que ecoou durante séculos "When Adam delved and Eve span, who was then the gentleman?" ("Nos tempos de Adão e Eva quem era o nobre senhor?"). 

Encorajados pelo sermão, no dia seguinte, os rebeldes atravessaram a Ponte de Londres até ao coração da cidade. Entrementes, os "Homens de Essex" tinham-se reunido com Jack Straw em Great Baddow e marcharam até Londres, chegando a Stepney. Ao contrário do esperado, houve um ataque sistemático a apenas algumas propriedades, muitas delas associadas a João de Gaunt ou com a Ordem dos Hospitalários.

 Em 14 de Junho, supõe-se que eles se encontraram com o próprio rei e apresentaram-lhe uma série de exigências, incluindo a demissão de alguns dos ministros mais impopulares e a abolição efectiva do sistema feudal. Ao mesmo tempo, um grupo de rebeldes tomou a Torre de Londres, tendo provavelmente contado com a aquiescência para o efeito, e executaram sumariamente aqueles que ali se escondiam, como o Lorde Chanceler (o Arcebispo, Simon Sudbury, que estava particularmente conectado com o imposto) e o Lorde Tesoureiro (ministro das finanças). 

O Palácio Savoy, pertencente ao tio do rei, João de Gaunt, foi um dos edifícios de Londres destruídos pelos revoltosos. Ricardo II concordou, então, em introduzir reformas tais como rendas justas e a abolição da servidão. Em Smithfield, no dia seguinte, seguiram-se novas negociações com o rei, mas nesta ocasião, o assassinato de Wat Tyler, apunhalado na presença do rei pelo próprio xerife de Londres, Walworth, levou à dispersão do grupo rebelde mais ligado a ele, pois outros grupos, inclusive o de John Ball, acreditando nos compromissos reais, já se haviam retirado.

 A maioria dos líderes do movimento foi perseguida, capturada e executada, incluindo John Ball. No seguimento do colapso da revolta, as concessões do rei foram rapidamente revogadas e o imposto foi novamente introduzido. Apesar do seu nome, a participação na revolta não se restringiu aos servos ou mesmo às classes baixas e embora os eventos mais significativos tenham tido lugar na capital, houve recontros violentos por todo o leste de Inglaterra. 

No entanto, os envolvidos logo se dispersaram nos meses que se seguiram. Ainda que o movimento em geral seja considerado como um fracasso, teve êxito em mostrar aos camponeses que eles tinham algum valor e poder.

 Após a revolta, o termo poll tax não foi mais utilizado, ainda que os governos ingleses continuassem a coletar subsídios similares até o século XVII. Literatura * Geoffrey Chaucer menciona Jack Straw, nos satíricos The Canterbury Tales. * O poeta John Gower, amigo de Chaucer, no seu "Vox Clamantis", refere-se à revolta como obra do Anti-Cristo e um sinal do mal vencendo a virtude. 

Ver também * Guerra dos camponeses - Uma revolta semelhante, menos de 200 anos depois, na actual Alemanha * Jacquerie - Outra revolta popular do século XIV. * Grande revolta irmandinha de 1467, na Galiza.

O Grande Cisma

O Cisma termo Grande é usado para se referir a dois eventos importantes na história do Cristianismo: a divisão entre o Oriental (Ortodoxa) e (Roman) igrejas ocidentais, e do período (1378-1417) durante o qual a Igreja Ocidental tinha dois primeiros, e depois três, linhas de papas.

Cisma do Oriente

O cisma entre as igrejas orientais e ocidentais é tradicionalmente datada de 1054, embora o ponto preciso em que a separação se tornou uma realidade fixa e duradoura é difícil de determinar. Muitas causas contribuíram para a crescente incompreensão ea alienação entre os dois grupos. Estes foram parcialmente as diferenças de entendimento filosófico, o uso litúrgico, linguagem e costume, mas divisões e rivalidades políticas também foram envolvidos. Ocasiões de atrito, hostilidade e divisão aberta sobre questões doutrinárias, bem como questões de disciplina e prática diária tinha ocorrido muito antes de 1054 - por exemplo, o Photian cisma do século 9.

No Ocidente, a Igreja Latina e, especialmente, assumiu o papado em muitas actividades e competências no padrão de outra autoridade, mas esta acção era frequentemente considerada como usurpação pelo Oriente, onde existia uma relação diferente entre o imperador e da igreja. As disputas acaloradas sobre assuntos como o calendário eclesiástico, o uso de pão fermentado ou ázimo, ou adições ao Creed (nomeadamente a cláusula filioque) atingiu um pico em 1054, quando o Papa Leão IX eo Patriarca Miguel Cerulário excomungou o outro. Tecnicamente, apenas algumas pessoas foram afetadas por essa ação, mas o tom havia sido definido ea direção fixa.

Mais tarde, tentativas de reunificar as igrejas locais naufragou no sentimento, e cresceu com ódio mútuo egoísta atos de ambos os lados durante algumas partes das Cruzadas, o ponto baixo foi o saque de Constantinopla em 1204 durante a Quarta Cruzada. A dissidência continua até o presente, mas as tentativas recentemente graves de compreensão mútua ofereceram a esperança de reconciliação.

Cisma Ocidental

O Cisma do Ocidente começou nos acontecimentos após a morte do Papa Gregório XI, em março de 1378. O povo de Roma estavam determinados a não permitir que o papado - que tinha estado ausente em Avignon por 70 anos e dominada pela influência francesa - a deixar Roma após a eleição do novo papa. O resultado foi uma forte e controversa conclave com gritos de um romano ou, pelo menos, um papa italiano. O homem escolhido, Urbano VI, não era um cardeal, mas ele tinha servido na cúria.

Em breve os cardeais perceberam o erro que eles tinham feito na eleição Urbano. Ele desprezou os conselhos dos outros, poderiam ser implacável contra ou se questionado, e foi autorizada a reforma através de uma extrema redução dos poderes dos cardeais, que durante décadas estiveram quase corulers com os papas em Avignon. O resultado desse embate foi tragédia para a igreja.

Liderados pelos franceses, a maioria dos cardeais gradualmente se retiraram do tribunal papal. Eles se conheceram em Anagni e declarou nula a eleição de Urbano e vazia porque, alegaram, seus votos tinham sido feitas sob pressão e medo por suas vidas. Eles, então, eleito um dos seus como o Papa Clemente VII. Para as próximas três décadas, a igreja foi dividida ao longo de linhas nacionais, políticos e religiosos entre os reclamantes papal - a linha romana de Urbano VI, IX Bonifácio, Inocêncio VII, XII e Gregory, e da linha de Avinhão de Clemente VII e XIII Bento - até que, após várias propostas e repetidos fracassos, os cardeais de ambas as obediências abandonaram seus credores, do desespero de conseguir qualquer cooperação deles para a unidade.

A Época Conciliar, o que levou, eventualmente, para a cura do cisma, começou em 1409 quando os cardeais apelou ao Conselho de Pisa. O conselho deposto ambos Gregório XII e Bento XIII e, em seguida, eleito um terceiro reclamante, Alexander V (para ser bem sucedido pouco depois pelo medieval João XXIII). Os reclamantes Pisan recebeu o apoio da maioria da cristandade latina, mas a cisma continuou até que o Concílio de Constança (1414 - 18) removeu todos os três requerentes e elegeu o papa um aceito por quase todos - Martin V - em 11 de novembro de 1417 . No Concílio de Basileia (1431 - 49) outro cisma ocorrido com a eleição de "Antipapa" Felix V. Ele abdicou, no entanto, em 1449.
Thomas E Morrissey

Bibliografia
CH Dawson, a divisão da cristandade (1971); (Smith JH, O Grande Cisma; Dvornik F, o cisma Photian (1948); Jacob EF, Essays na época Conciliar (1963); Runciman S, O Cisma do Oriente (1955) 1970); RN Swanson, Universidades, Academias, eo Grande Cisma (1979); W Ullmann, As Origens do Grande Cisma (1972).

leis suntuárias da Idade Media de 1363


 Leis suntuárias: regulamentações criadas para evitar o exagero de luxo, ostentação e desperdício seja em roupas, gastos com banquetes, casamentos, enterros etc.

 Enquanto as festividades de reis e príncipes eram consideradas, com todos os seus exageros de gastos, como parte do exercício do domínio político, as festividades privadas – especialmente no âmbito das cidades – foram controladas até a exaustão de detalhes.

Os itens regulamentados iam desde a quantidade de convidados e músicos permitidos até a quantidade e qualidade da comida! Para músicos e comida, dava-se preferência ao local e nacional frente ao estrangeiro (ou, no caso, dos músicos itinerantes) e importado, o que revela certa noção de reserva de mercado de trabalho e bens de consumo. Eram ainda estipulados em leis o número de convidados, o valor dos presentes que estes poderiam dar.

Nesse aspecto podiam interferir diretamente questões religiosas, como na cidade de Bayonne, na qual o número de convidados para as festas de casamento não podia ultrapassar o número de convidados presentes na cerimônia religiosa

. Não há um padrão rígido de restrições e em alguns casos nota-se certa flexibilidade na definição, vinculando o número de convidados ao valor do dote da noiva, o que denota a existência de diferentes modelos para todos os bolsos.

Os motivos para a criação e implementação de um sistema de leis para regular as festividades devem ser buscados tanto no sentimento religioso – as festividades laicas não deviam eclipsar o significado sacro – quanto em considerações político-práticas.

 As cidades medievais, ambiente privilegiado para aplicação e controle da política de contenção da ostentação, eram, como afirma Braudel, catalisadoras de conflitos e de mudanças. A proximidade com que viviam ricos e pobres era fator de constantes rixas que, a partir do século XIV, tendem a se intensificar, transformando-se muitas vezes em revoltas, nas quais o modelo dominante é a substituição total ou parcial do grupo no poder – o patriciado20 – por novos ricos, que logo acabam buscando alianças e copiando o modelo da antiga elite dirigente.

Esse exemplo mostra que, apesar da rigidez com que tratava os profissionais da diversão, bem como dos códigos de vestimenta e regulamentação de festividades, a Idade Média conheceu uma incrível flexibilidade de direitos.

 Evidencia também que o direito à diversão estava bem colocado no que poderíamos chamar uma “hierarquia de direitos”, e que esta diversão não discriminava eventos religiosos de eventos profanos. Ao contrário da separação rígida desses dois planos no âmbito da música, promovida pelos teóricos da igreja, os leigos – a população civil, independentemente de classe social – via a vida na sua integralidade e complexidade, como uma unidade não dicotômica.  Pois a Idade Média foi, em todos esses aspectos e em muitos outros, um período cheio de tensões e contradições, para muito além dos estereótipos.


A Peste Negra de 1346-1350 e além

A Peste de 1346-1350 e além

A Peste Negra da Idade Média era realmente uma série de pragas que assolaram a Europa, entra em erupção depois de morrer volta de 1346 até a década de 1700. A taxa de mortalidade da Peste Negra era horrível.

 Calcula-se, em várias partes da Europa a dois terços a três quartos da população morreu. Na Inglaterra, foi ainda maior durante a primeira onda. Alguns países foram menos seriamente afetada. 

Hecker, o autor de epidemias da Idade Média, calcula que um quarto da população da Europa, ou 25 milhões, morreu em conseqüência da Peste Negra. Não há motivo claro para a propagação da epidemia na Europa na Idade Média era conhecido.

 Fortes suspeitas foram direcionados para os marinheiros e comerciantes envolvidos em atividades comerciais resultantes da grande expansão do comércio durante este período. Aqueles da Ásia e do Oriente Médio, onde a história da praga datada de mil anos, veio sob severas restrições.Quarentenas foram implementadas em muitos portos europeus, mas eles foram ineficazes na prevenção da epidemia.

Muitos relatos foram escritos sobre como isso aconteceu do contemporâneo ao moderno:

No Oriente, duramente pela Grande Índia, em uma determinada província, horrores e inédito tempestades dominado toda a província, no espaço de três dias. A Índia foi despovoada, Tartária, a Mesopotâmia, Síria, Armênia, onde coberto com cadáveres. Os curdos fugiram para o monte. Em Caramania e Caesarea nenhum onde saiu vivo ...

Ninguém sabe exatamente por que, mas no final dos anos 1330s, a peste bubônica 1320 ou início de eclodiu na China deserto de Gobi. Espalhe por ratos infestadas de pulgas, não demorou muito para que a doença para chegar à Europa. Em outubro de 1347, uma frota de navios genoveses voltando do Mar Negro - um elo chave do comércio com a China - desembarcou em Messina, na Sicília. A maioria das pessoas a bordo já estavam mortos, e os navios foram encomendados fora do porto. Mas já era tarde demais. A cidade logo foi superado com a peste, ea partir daí, a doença se espalhou rapidamente ao norte ao longo das rotas de comércio - através da Itália e em todo o continente europeu. Pela primavera seguinte, ele havia chegado tão ao norte como Inglaterra, e dentro de cinco anos, ele havia matado 25 milhões de pessoas - um terço da população europeia. 

A Peste Negra parece ter surgido em algum lugar na Ásia e foi trazida para a Europa a partir da estação de negociação genovês de Kaffa na Crimeia (no Mar Negro). A história diz que os mongóis estavam sitiando Kaffa quando a doença eclodiu entre suas forças e obrigou-os a abandonar o cerco. Como um tiro de despedida, o comandante Mongol carregado algumas das vítimas da peste em seu catapultas e atirou-os para a cidade. Alguns dos comerciantes deixaram Kaffa para Constantinopla, assim como os mongóis tinham partido, e levaram a praga com eles. Espalhou-se a partir de Constantinopla, ao longo das rotas comerciais, causando enorme mortalidade ao longo do caminho.

A maioria dos grandes centros europeus sentiram o impacto da Peste Negra. Chegou a Sicília em 1346, a Itália no início de 1347, e no final de 1347 estava em Marselha, França. Em 1348, ele atacou a Espanha e se espalhou por toda a Alemanha e França. Ele chegou a Londres no início do mesmo ano e por 1349 estava em Oxford e se espalhou por toda a Inglaterra, onde esteve presente até 1359. Escócia foi afetado um pouco mais tarde.

A praga durou em cada área de apenas um ano de cada vez, mas uma grande porcentagem da população de um bairro iria morrer durante esse período. As pessoas tentaram proteger-se de muitas maneiras. Um trazia pequenos sacos cheios de ervas e flores esmagadas mais de seus narizes, mas com pouco efeito. É uma crença popular (talvez errada) que esta última seqüência é lembrado em jogo de uma canção infantil que a maioria das pessoas conhecem e têm tanto tocada e cantada:

Anel em torno do rosie, 
Um bolso cheio de posie, 
Cinzas, cinzas 
Todos cair!

Segundo essa concepção, o anel mencionado no versículo é uma dança circular, ea praga foi muitas vezes retratada como a dança macabra, em que um cadáver meia decomposta foi mostrado puxando um jovem aparentemente saudável ou uma mulher em um anel de dançarinos que incluiu homens e mulheres de todas as estações e dignidades de vida, bem como cadáveres e esqueletos. A Rosie é acreditado para representar a vítima com o seu rosto banhado de sangue, eo posie é o saco supostamente profilática de ervas e flores. Cinzas, cinzas é o som de espirros, e todos caem no chão! é o sinal para renovar a morte que veio com tanta freqüência naqueles tempos. 

Os sintomas da peste

Os flagelantes andava de cidade em cidade em longas procissões. Quando eles chegam em uma aldeia, vila ou cidade, que iria proceder a um lugar público, como um lugar de mercado. Em seguida, eles começam a bater-se que os seus flagelos, acertando suas costas até que o sangue fluía livremente. Desde que foram sempre bem-vindos pela população, que encorajou-os a juntar as auto-agressões. Era comum as pessoas morrem de repente nesta cerimónia. Depois de alguns dias, os flagelantes deixaria a cidade, geralmente em companhia de alguns moradores terem convencido a aderir. Desta forma, seus números foi crescendo e 200 a 300, e às vezes até 1000 por procissão. Sem dúvida, o dano infligido em si não ajudou, mas em vez disso eles carregavam a peste com eles, onde quer que fossem, apenas acelerar o processo. Os flagelantes desprezou todas as autoridades estabelecidas entre Igreja e Estado e seus rituais eram bem quase suicida para os participantes.


Bibliografia

A Nova Enciclopédia Britânica. Robert McHenry, editor., Vol 2. (Chicago; Brittanica Inc, 1992).
Enciclopédia da Collier. Lauren Bahr, Bernard Johnston, editors. (New York; PFCollier, Inc., 1993).
Palestra de Lynn Harry Nelson, professor emérito de História Medieval, The University of Kansas
Philip Ziegler A Peste Negra (1969)
HG Koeningsberger Medieval Europa 400-1500 (1987)
C Warren Hollister Medieval Europa: Uma história curta sexta edição (1990)
Maurice Keen The Pelican História da Europa Medieval (1968) 

ESTATUTO INGLÊS DOS TRABALHADORES, DE 1351 (INGLATERRA, DECRETADO PELO REI EDUARDO III).

ESTATUTO INGLÊS DOS TRABALHADORES, 1351 (INGLATERRA, DECRETADO PELO REI EDUARDO III).

A partir do início do século XIV, uma profunda crise anunciou o final da época medieval. Fome, pestes, guerras e rebeliões de servos atingiram a essência do sistema feudal. Ao final do século XV, as monarquias nacionais estavam consolidadas, a nobreza enfraquecida e as obrigações feudais contestadas pelas constantes rebeliões de servos. O documento revela a escassez de mão-de-obra que assolou a Europa no século XIVV e a reação da nobreza diante dessa situação. A falta de trabalhadores foi um dos aspectos da chama crise do século XIV.

Dado que uma grande parte do povo, e especialmente dos trabalhadores e servidores, morreu ultimamente da peste, e muitos, vendo as necessidades dos senhores e a grande escassez de serviçais, não querem servir sem receber salários excessivos, preferindo outros mendiga no ócio a ganhar a vida pelo seu trabalho; nós, considerando os graves incômodos que podem sobrevir especialmente a falta de lavradores de tais trabalhadores, depois de ter deliberado e tratado com o seu conselho unânime, ordenávamos: Que cada homem e mulher do nosso reino da Inglaterra, de qualquer condição que seja, livre ou servo, apto de corpo e com menos de 60 anos, que não viva do comércio nem exerça qualquer ofício, nem possua de próprio com que possa viver, nem terra própria em cujo cultivo se posso ocupar, nem sirva qualquer outros, se for convocado para trabalhar num serviço que lhe seja adequado, considerada a sua condição, será obrigado a servir aquele que assim o convoca; e levara apenas o soldo, pagamento, remuneração ou salário que era costume serem dados no lugar onde era obrigado a servir no vigésimo ano do nosso reinado em Inglaterra (isto é, em 1347), ou nos cinco dos seis anos comuns anteriores (...) E se qualquer homem ou mulher, sendo assim convocado para servir, não o fizer(...) Será imediatamente preso.

Freitas, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa, Plátano, 1977. V.I, p.179.