quinta-feira, 2 de maio de 2013

Retrato do Novo Trabalhador brasileiro



Em 2012, 84,8%     dos empregados encontravam-se no setor privado. Destes, 82,4% possuíam carteira de trabalho assinada. Em 2003, o percentual desses empregados com carteira era de 71,9%, atingindo, portanto, crescimento de 10,5 pontos percentuais ao longo de dez anos.
Analisando o percentual de empregados com carteira assinada no setor privado no universo da população ocupada total (constituída por empregados, empregadores, trabalhadores por conta própria, militares ou funcionários públicos estatutários), de 2003 a 2012, o crescimento foi de 53,6% (de 7,3 milhões para 11,3 milhões), contra um crescimento de 24,0% do total dos ocupados (de 18,5 milhões para 23,0 milhões). Diante dessa evolução, os trabalhadores com carteira no setor privado representavam, em 2012, quase a metade dos ocupados (49,2%), enquanto em 2003 essa proporção era de 39,7%.
Em relação aos trabalhadores domésticos, a proporção de pessoas com carteira assinada passou de 35,3% (494 mil pessoas) em 2003 para 39,3% em 2012 (599 mil pessoas), representando um aumento de 21,2% (105 mil pessoas) no número de trabalhadores domésticos com carteira. No entanto, a participação dos trabalhadores domésticos no total das pessoas ocupadas, 6,6% (1,5 milhão de pessoas), apresentou queda frente a 2011 (1,6 milhão de pessoas), quando havia sido de 6,9%. Em 2003, a participação desses trabalhadores era de 7,6% (1,4 milhão de pessoas).
De 2003 a 2012, rendimento dos empregados com carteira teve ganho de 14,7%
O rendimento médio real habitualmente recebido pela população ocupada com carteira assinada no setor privado cresceu 14,7% de 2003 a 2012, passando de R$ 1.433,01 para R$ 1.643,30. No mesmo período, o rendimento da população ocupada total cresceu 27,2% (de R$ 1.409,84 para R$ 1.793,69).
Cabe ressaltar que, entre 2003 e 2005, o rendimento real dos empregados com carteira no setor privado ultrapassava o da população ocupada. A partir de 2006, essa relação se inverteu, com o valor do rendimento da população ocupada superando o dos empregados com carteira no setor privado. O elevado percentual de aumento do rendimento da população ocupada total foi, fundamentalmente, impulsionado pelo crescimento do rendimento dos trabalhadores por conta própria e dos empregados sem carteira no setor privado que, de 2003 a 2012, alcançaram ganhos de 39,4% e 42,8%, respectivamente.
Participação de trabalhadores com carteira cresce mais no comércio e na construção
Analisando os grupamentos de atividade em 2012, observou-se que a indústria e os serviços prestados às empresas eram os que tinham os maiores percentuais de trabalhadores com carteira assinada dentre seus empregados: 69,7% e 70,4%, respectivamente. No comércio, essa proporção era de 53% e, na construção, os empregados com carteira respondiam por 40,8%. Construção e comércio, que em 2003 registraram percentuais de 25,5% e 39,7% respectivamente, foram as atividades que mais expandiram a participação de empregados com carteira assinada até 2012: 15,4 e 13,3 pontos percentuais, nessa ordem.
Avança a participação de mulheres e pretos e pardos dentre os trabalhadores com carteira
Em 2003, dos ocupados de cor branca, 41,2% tinham carteira assinada, ao passo que, entre os ocupados de cor preta ou parda, essa proporção era de 37,7% - diferença de 3,5 pontos percentuais. Já em 2012, essa diferença passou a ser de 0,2 ponto percentual (49,4% para brancos e 49,2% para pretos ou pardos 49,2%).
Houve também um expressivo crescimento da participação da mulher na condição de empregada com carteira de trabalho no setor privado, pois, enquanto na população ocupada a participação feminina aumentou 2,6 pontos percentuais (de 43,0% em 2003 para 45,6% 2012), a população ocupada feminina com carteira de trabalho assinada no setor privado cresceu 9,8 pontos percentuais (de 34,7% em 2003 para 44,5% em 2012).
68,7% dos empregados com carteira possuem 11 anos ou mais de estudo
Constatou-se ainda que, de 2003 a 2012, a parcela de empregados com carteira de trabalho no setor privado com 11 anos ou mais de estudo aumentou 15,2 pontos percentuais, passando de 53,5% para 68,7%, refletindo o aumento da escolaridade da população ocupada em geral.
Entre os empregados com carteira no setor privado que não completaram o ensino fundamental (sem instrução ou com menos de 8 anos de estudo), houve redução da participação, de 26,8% em 2003 para 15,3% em 2012.
IBGE