quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma odisseia soviética


Uma odisseia soviética

Uma viagem fotográfica pelo programa espacial da URSS, que quase sempre superou os americanos

1. O pai das viagens espaciais
Os ianques podem idolatrar Robert Goddard e o alemão Wernher Von Braun, mas o 1º sujeito a desenvolver a ciência de foguetes foi o camarada Konstantin Tsiolkovsky. Em 1903, ele inventou o negócio todo, propondo como veículos poderiam atingir o espaço, a velocidade para entrar em órbita e até a construção de foguetes a hidrogênio e oxigênio líquidos.


2. Primeiro satélite, cão e homem no espaço
A era espacial começou com o Sputnik, primeiro satélite artificial, com 58,5 cm de diâmetro, lançado em outubro de 1957. Um mês depois, outro choque, com o primeiro animal no espaço: a cadela Laika, no Sputnik 2. Em 12 de abril de 1961, o planeta Terra tomou conhecimento da palavra cosmonauta com Yuri Gagarin, que deu uma volta em torno do planeta em 104 minutos e voltou vivo. Enquanto isso, onde estava a Nasa? Ah, foram os primeiros a mandar um chimpanzé ao espaço...


3. O lado oculto da Lua
Todo mundo sabe que, ao olhar para a Lua, sempre vemos a mesma face. Isso acontece porque a rotação e a translação do satélite estão em exato sincronismo - um lado fica sempre voltado para a Terra. Os soviéticos foram os primeiros a ver o que havia do outro lado graças à sonda Luna 3, que em 1959 tirou as primeiras fotografias ali.


4. A nave confiável
Em julho de 2011, a agência espacial russa proclamou: "Começa agora a era da Soyuz, a era da confiabilidade". Não, não foi nesse ano que a Soyuz foi inventada. O primeiro modelo - criado numa tentativa de vencer os americanos na conquista da Lua - foi lançado em 1967. Desde então, vem sendo usado consistentemente e, agora, com a aposentadoria dos ônibus espaciais americanos, é a única forma de acesso tripulado à Estação Espacial Internacional.
5. Robôs sobre rodas
Muito antes que os americanos fizessem sucesso com seus jipes espaciais, os soviéticos pavimentaram a estrada, com o Lunokhod, veículo não tripulado sobre rodas que passeou pela superfície lunar em 1970. Ele operou por quase um ano e andou 10,5 km. Um segundo modelo, mais avançado, pousou na Lua 3 anos depois, percorrendo impressionantes 37 km em 4 meses. Ainda é recordista em distância da categoria.
6. Conquista de Vênus
Qual o único país a colocar uma sonda para enviar fotos da superfície venusiana? Viva a União Soviética! As sondas Venera venceram desafios quase insuperáveis para conquistar Vênus, como a pressão atmosférica cerca de 100 vezes maior que a da terra e as temperaturas de 480 oC. As primeiras tentativas resultavam em sondas esmagadas. A Venera 7, em 1970, foi a 1ª a pousar em outro planeta. A 1ª a enviar fotografias do solo foi a Venera 9, em 1975.


7. A mãe de todas as estações

Os americanos gostam de comemorar a Estação Espacial Internacional (ISS). Mas ela jamais existiria se não tivesse seguido os passos da soviética Mir. Suas operações foram iniciadas em 1986 e o complexo foi crescendo, com a adição de novos módulos. Até hoje, o recorde de permanência de um cosmonauta no espaço é o que foi conquistado a bordo da Mir, aposentada (e derrubada no Pacífico) em 2001.


8. Parece, mas não é
Você acha que este é um ônibus espacial americano? Não é. Trata-se do Buran, a versão soviética. É verdade que os Estados Unidos saíram na frente nesse negócio. Enquanto o Columbia fez seu primeiro voo em 1981, o Buran só decolou em 1988. Mas a versão soviética era mais sofisticada, tanto que realizou a missão automaticamente, sem tripulação, da decolagem ao pouso. E o que foi mais perspicaz: os soviéticos perceberam que esse negócio de ônibus espacial não era lá essas coisas e abandonaram o Buran depois do primeiro voo. Os equivalentes americanos foram aposentados em 2011, depois de 30 anos e 14 astronautas mortos. E agora ele precisam pegar carona nas velhas naves Soyuz, usadas há mais de 40 anos pelos russos para levar seus cosmonautas ao espaço.

Os "reis no armário"



Conheça os monarcas gays que governaram antes do surgimento do conceito de homossexualidade


Os moralistas da Idade Moderna definiram uma hierarquia para os pecados relacionados à luxúria. Do menos grave ao mais nefasto, a ordem era a seguinte: simples fornicação, prostituição, estupro, adultério, incesto, sacrilégio com um sacerdote, sacrilégio com uma monja e, por último, o pecado que mais ofendia a Deus, a sodomia. O pecado contra natura, ato sexual que não tinha como único fim a procriação, era considerado uma afronta direta ao Criador. Apesar disso, muitos dos monarcas que governaram amparados pelo Direito Divino foram adeptos do mais proibido dos prazeres. Para o historiador Miguel Cabañas Agrela, autor do livro Reyes Sodomitas, além de casos notórios, como o de Jaime I da Inglaterra, existem vários documentos que sugerem que figuras como o francês Luís XIII e Frederico II, da Prússia, também tiveram amores masculinos.
O Renascimento tirou a humanidade da Idade das Trevas ao recuperar referências culturais e artísticas da antiguidade clássica.  Paradoxalmente, “a Idade Moderna foi o período da história ocidental em que a sexualidade em geral, e a homossexualidade em particular, foram mais perseguidas pela Igreja e pelo Estado”, afirma Cabañas. Na Idade Média o “pecado impronunciável” já era considerado um vício atroz, mas as leis para punir quem desafiasse a suposta ordem natural das coisas foram criadas só na Idade Moderna, quando a sodomia passou a ser um crime contra o Estado. Assim como aconteceu com as bruxas, o castigo era a fogueira, para purificar o que era tido como maligno. Mas em tempos de monarcas absolutistas, quem tinha poder para punir o rei? “Nenhum tribunal ousaria comprometer um rei por questões referentes à sua vida privada. Não faltavam fofocas, mas as acusações eram feitas na esfera privada”, diz Cabañas.
O historiador Matt Cook, da Universidade de Londres, ressalta que nessa época não existia o conceito de homossexualidade, que só surgiu no século 19. “Durante a Renascença, muitos homens faziam sexo entre si, sem que isso fosse visto como sinal de identidade diferenciada ou de uma subcultura. A maioria mantinha relações íntimas também com mulheres.” Independentemente do que acontecia entre as paredes dos aposentos reais, quase todos os monarcas honraram sua principal obrigação em vida: casar e gerar descendência. “Mas as relações homossexuais podiam ser usadas para minar o monarca”, afirma Cook.
Em uma sociedade de corte, criar vínculos com figuras do alto escalão era a principal estratégia de ascensão. E contar com o afeto do rei era como ganhar na loteria. Alguns soberanos adotaram essa política de promoção sem disfarçar o favorecimento a cortesãos jovens.
Guilherme III da Inglaterra (1650-1702) (Imagem: Wikemedia Commons)
Jaime I da Inglaterra (1566-1625) (Imagem: Wikemedia Commons)
Os "reis no armário"
Rainha Cristina da Suécia (1626-1689) - O traço mais marcante da soberana foi a necessidade insaciável em ser diferente. Suas peculiaridades sexuais faziam parte desse afã em se distinguir dos demais. Culta e inquisitiva, Cristina usava roupas masculinas e nunca quis se casar para não estar sujeita a nenhum homem. Entre os muitos casos que teve estão um cardeal e uma bela cortesã chamada Ebba Sparre.
Luis XIII da França (1601-1643) - Não existem provas definitivas da preferência sexual de Luis XIII, que aparentava mais ser assexuado do que homossexual. Apesar de sua indiscutível retidão moral, era tímido e inseguro. Essa falta de confiança o levava a buscar refúgio na companhia de homens com personalidade forte. Ciente disso, o cardeal Richelieu tratou de arranjar amizades masculinas que mantivessem o rei distraído enquanto ele tomava as rédeas do governo francês.
Frederico II da Prússia (1712-1786) - O rude Frederico Guilherme I se empenhou em transformar seu filho em um líder viril. Mas os soldados designados para ensinar o herdeiro acabaram tornando-se amigos muito mais próximos do que gostaria o pai. Em tempos de paz, Frederico II quase não saía do Templo da Amizade, palácio frequentado exclusivamente por homens. Exemplo de déspota esclarecido, aboliu a pena de morte para delitos de sodomia.
Papa Júlio III (1487-1555) -  Escandalizou o mundo católico ao nomear cardeal o seu cuidador de macacos, um jovem de 17 anos. Segundo relatos, a total falta de vocação sacerdotal do garoto contrastava com seus óbvios atributos físicos. A nomeação foi a forma encontrada por Júlio III para justificar a presença de seu favorito dentro dos muros sagrados do Vaticano. As más línguas chamavam o jovem cardeal de “o macaco do papa”.
Jaime I da Inglaterra (1566-1625) -  Quase nenhum historiador discute a homossexualidade de Jaime I. Aos 13 anos, teve um romance com seu tio, 24 anos mais velho. Idoso, preferia a companhia de rapazes. Foi visto em público aos beijos e abraços com outros homens e sobrepôs seus sentimentos aos interesses do reino.
Henrique III de Valois (1551-1589) - Entrou para a história como o “rei dos mignons”, como era conhecido o bando de atraentes jovens que estavam sempre ao seu lado. Fez questão de desenhar o vestido e de pentear sua noiva no dia das bodas. Era entusiasta do transformismo e sua corte ficou conhecida como a mais refinada e libertina da Europa.
Guilherme III da Inglaterra (1650-1702) - Criado pela avó, Guilherme de Orange teve ao longo da vida companheiros inseparáveis. Desde a adolescência, manteve uma relação especial com o nobre holandês Hans Bentinck. A amizade de 30 anos foi traída quando Guilherme fez do jovem Arnold van Keppel, de 18 anos, seu novo favorito. A revolta de Bentinck foi tão evidente que os fofoqueiros da corte não tardaram em apelidá-lo de “velho cornudo”.
FONTE AVENTURA NA HISTORIA