domingo, 17 de março de 2013

REVOLUÇÃO SANDINISTA


REVOLUÇÃO SANDINISTA

Nicarágua: uma nova etapa

Em 1979, no centro da América, a história registra o triunfo de um processo revolucionário encabeçado pela Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN). Na época, a simpatia dos democratas e progressistas do mundo foi evidente. Expedições internacionalistas, intercâmbios e as mais variadas formas de solidariedade foram levadas a cabo na idéia de fortalecer e consolidar as mudanças que sepultaram a velha ditadura da família Somoza, amparada desde sempre pelas tropas dos Estados Unidos.
Entretanto, é bom lembrar que a luta dos sandinistas começou muito antes de 1979. Parece-nos oportuno, após o triunfo de Daniel Ortega - que retorna ao governo após 16 anos -, retomar alguns elementos históricos de análise, para assim distinguir as razões de um contundente triunfo eleitoral de hoje e, modestamente, manifestar alguma opinião sobre o que é possível projetar em termos de agenda doméstica, à luz das novas realidades, em benefício da imensa maioria do povo nicaragüense, bem como quais podem ser os elementos centrais da política externa do novo governo.

Da Nicarágua livre à dinastia dos Somoza

Prudentemente, há que reconhecer que outra é a conjuntura. Não há como esquecer que, certamente, Ortega e seu governo deverão se movimentar tendo pela frente oposições internas fortes, em particular a de uma oligarquia ligada ao capital financeiro. Torna-se imperioso um diálogo construtivo com o Movimento de Renovação Sandinista (MRS), que apoiou o candidato Edmundo Jarquín e do qual fazem parte figuras como a do ex-presidente Sérgio Ramirez. Mas - e talvez seja o mais determinante - é preciso uma atitude firme diante da atitude ingerencista dos Estados Unidos.
Há que recordar que o Grande Irmão do Norte tem uma histórica e nefasta presença no país. Com efeito, no começo do século XX, quando a velha estrutura econômica na Nicarágua começou a ser reorientada por novos produtores opostos a latifundiários tradicionais, criou-se uma tensão entre esses setores, resolvida quando o governo liberal de Santos Zelaya sucumbiu - não diante da força dos mais conservadores, mas diante de uma invasão dos marines imperiais em 1912. As tropas norte-americanas permaneceram até 1933, apoderando-se dos recursos econômicos e controlando militarmente o país. A resistência popular foi encabeçada pelo general Augusto César Sandino, que levantou a bandeira da dignidade nacional contra os Estados Unidos e a oligarquia conservadora, vencendo heroicamente em 1933.
No entanto, o projeto de uma Nicarágua livre foi frustrado pela reação. O covarde assassinato em 1934 do general Sandino pela Guarda Nacional da Nicarágua - o novo exército que atuou sob as ordens de Anastácio Somoza Garcia, ex-funcionário das companhias dos Estados Unidos que passou a controlar o país - é o golpe criminal que abre a dinastia dos Somoza, que permaneceria no poder durante 45 anos, até o triunfo da Revolução Sandinista.
Nesses anos, a Nicarágua foi convertida em base militar para as agressões ao governo democrático de Jacobo Arbenz na Guatemala e à Baía dos Porcos em Cuba. Também, ao igual que o restante de países da América Central, foi incorporada à divisão internacional do trabalho como economia primária exportadora. Formou-se uma burguesia agrária ligada à expansão do cultivo do café entre 1920 e 1940 e, após a Segunda Guerra Mundial, ao cultivo do algodão. A maioria das pessoas sobrevivia economicamente, havendo uma estrutura produtiva semifeudal.
O esquema agro-exportador foi sempre dependente das necessidades da economia dos Estados Unidos e das camadas de meio e alto poder aquisitivo dos demais países da América Central, em virtude dos tratados de integração. O comércio era mediado pelo esquema de preços internacionais e sustentado pelas leis da troca desigual, especialmente entre 1960 e 1978, quando, em pleno Estado somocista, a abertura externa chegou a mais do 60% do PIB e a dívida externa superava os 900 milhões de dólares.
A esse quadro temos que somar o tratamento dispensado ao trabalhador, as condições paupérrimas de trabalho, o baixíssimo nível de vida, os elevados índices de desemprego e subemprego, fatores retratados por Carlos Vilar em seu Perfiles de la Revolución Sandinista. Vilar descreve que o excedente extraído de forma brutal aos trabalhadores no conjunto da economia - especialmente na agro-exportação – iria servir, definitivamente, pela via do comércio desigual, das remessas de utilidades, dos serviços do capital estrangeiro e do endividamento externo, ao processo transnacional de valorização do capital controlado pelo imperialismo, através da mediação dos grupos dominantes locais associados a ele.
O Estado somocista não foi somente a condensação institucional de uma dominação de classes, mas, ao mesmo tempo, a expressão da subordinação dessa classe aos Estados Unidos. A dinastia Somoza era subsidiada pela sua atitude reacionária diante de qualquer possibilidade de mudança e sua política externa submissa no contexto centro-americano. Aliás, esta é uma diferença entre o modelo de dominação do século XX entre América Central e América do Sul. Nas primeiras, a estrutura de poder depende em termos político-militares diretamente dos Estados Unidos, enquanto que nos Estados da América do Sul, o modelo de dominação-associação permite uma certa autonomia relativa. Isso se explica pelo baixíssimo grau de desenvolvimento das forças produtivas na América Central e pelas debilidades das burguesias locais em momentos em que ingressa com força a influência dos Estados Unidos.
Sob a ditadura de Somoza, a Nicarágua foi um voto a seu favor nas Nações Unidas, um aliado seguro na região, um território de reserva para um eventual segundo canal inter-oceânico no interesse geopolítico dos Estados Unidos e um terreno fértil para seus investimentos.

A revolução sandinista: ascensão e queda de Ortega

Daniel Ortega assumiu o poder em nome de uma Revolução legítima, popular e democrática, governando durante anos de guerra, em um tempo em que qualquer possibilidade de negociação e de opinião internacional era bloqueada pela diplomacia “americana”. Os anos da Revolução foram os anos do confronto militar, das contínuas pressões financeiras e comerciais, como o desligamento dos organismos internacionais, e da intensa campanha ideológica contra o sandinismo. A influência dessa pressão e, conseqüentemente, de não se poder satisfazer às demandas dos trabalhadores é determinante para a interpretação adequada da derrota da Frente Sandinista na eleição de 1990.
Essa revolução foi asfixiada, ainda que seja justo mencionar as dificuldades, crises e rompimentos da própria Frente Sandinista. O fato é que, em 1990, o Partido Liberal Constitucionalista, com Violeta Chamorro, assume o poder, seguida por Arnaldo Alemán e, finalmente, por Enrique Bolaños, que deixa o governo com 80% da população de 5,5 milhões de nicaragüenses vivendo com menos de dois dólares diários.
Uma das questões que mais impressionam na recente campanha eleitoral da Nicarágua é que os jornais noticiam o apoio explícito dos Estados Unidos a um dos candidatos, o banqueiro Eduardo Montealegre. As ingerências dos Estados Unidos nos países do continente em tempo eleitoral são mais do que conhecidas e já fazem parte da paisagem eleitoral. Mas, na Nicarágua, parecem, salvo melhor juízo, mais descaradas. Adicione-se outra constatação, a de que o conhecido eixo Moscou-Havana-Manágua foi substituído nas grandes redes de comunicação, com veneno costumeiro, por Caracas-Havana-Manágua.

2006: o novo triunfo da Frente Sandinista

E o fato é que o povo nicaragüense votou - a presença nas urnas foi de mais de 75% dos eleitores. E votou contra os 16 anos de governo neoliberal, contra um empobrecimento crescente, que afeta mais do 80% da população; votou pela alternativa que oferece Ortega e porque aguarda uma mudança profunda na economia e na política.
Nas razões do triunfo da Frente Sandinista encontra-se a retomada da campanha nas ruas, casa a casa; o aproveitamento de uma base ampla de votos seguros de velhos e históricos militantes da luta contra Somoza; a prioridade ao setor juvenil. Mas, também, porque, no terreno da pragmaticidade política, a Frente impulsionou uma controvertida aliança, ampla e bastante flexível, com ex-membros dos Contra e com liberais. Um elemento a considerar é que o vice de Ortega é o senhor Morales Carazo, ex-assessor do ex-presidente Alemán, que possui excelentes relações com o Banco Mundial.
Contudo, há um perdedor. E perderam as eleições os grandes empresários e a direita aliada aos Estados Unidos e a outras oligarquias centroamericanas. Perdeu uma direita dividida entre Montealegre e Rizo, até porque a ingerência descarada dos Estados Unidos condenou, aos dois, à rejeição nacionalista de um bom número de nicaragüenses.
Ortega tem pela frente o desafio de corresponder a essa votação. E não pode vacilar, porque a Nicarágua não tem condições de admitir novas frustrações. Seu governo deve, necessariamente, diferenciar-se da lógica que inspirou os três governos anteriores.
Advirta-se que distinguir a estrutura econômica e de classes da Nicarágua de hoje, com o objetivo de explicar algumas das questões mais relevantes da etapa que se abre com o triunfo de Daniel Ortega, das suas possibilidades e perspectivas, é trabalho que não pode ser resumido e extrapola o espaço reservado a estas linhas.

Uma nova conjuntura: os desafios de Ortega

Otimistamente, o governo de Daniel Ortega tem chances de avançar, de encabeçar uma nova etapa, se realizar uma leitura da realidade atual da América Latina e se o seu componente político-ideológico for a rejeição à submissão diante da política externa dos Estados Unidos, cuja história, como temos visto, em nada favorece os interesses da Nicarágua. O novo governo terá todas as possibilidades históricas, se sua projeção, em matéria de relações internacionais, for a redefinição da sua inserção na economia internacional, a partir de uma novo padrão produtivo; tem tudo para vencer se optar pela aproximação aos Estados especialmente na América, que empreendem também o caminho do desenvolvimento com soberania em uma cenário complexo, de pressões internas das direitas mais reacionárias e costumadas com o poder, com meios de comunicação jogando contra o dia a dia, em um intenso debate sobre qual deve ser o ritmo das mudanças necessárias no cenário da esquerda - para não falar de contradições mais de fundo no seio da própria esquerda.
Na Nicarágua, esse confronto não é de modo algum fácil, pois significa uma oposição concreta ao Plano Puebla-Panamá e ao CAFTA, assim como a programas como a privatização da energia elétrica. No entanto, não pode ser outro o rumo. E, para conseguir isso, é necessário criar os espaços de reflexão e, essencialmente, abrir o caminho a uma evolução coletiva de alternativas viáveis, aceitando as idéias variadas, escutando propostas que aprofundem a integração com soberania e diminuam a dependência externa dos Estados Unidos, fraturando a forma de Estado que foi gerada após a interrupção da revolução.
Existe hoje a experiência dos inícios do processo em 1979. É preciso abrir espaços à participação popular, promovendo a construção pela base de uma unidade dos movimentos sociais, insistindo em concretizar um programa alternativo ao neoliberalismo, que deu e ainda dá suporte a uma oligarquia financeira aliada ao imperialismo, neutralizando as forças opositoras com a mobilização popular.
Nos marcos de acordos possíveis, foi dito que o transporte público voltará aos 13 centavos de dólar, por conta do acordo entre transportadores e a prefeitura de Manágua para receber diesel da Venezuela a baixo preço, tendo em vista o acordo entre a PDVSA, a ALBANIC (Alba Petróleo de Nicarágua) e a Associação de Municípios da Nicarágua (AMUNIC). Esse é, no mínimo, um bom começo para uma nova etapa.

Revolução Russia


Rússia Czarista

Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II.
O czar governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com os governo do czar. No ano de 1905, Nicolau II mostra a cara violenta e repressiva de seu governo.
No conhecido Domingo Sangrento, manda seu exército fuzilar milhares de manifestantes. Marinheiros do encouraçado Potenkim também foram reprimidos pelo czar. Começava então a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin. Os bolcheviques começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia.
Bolcheviques – majoritários
Menchevique - minoritários

A Rússia na Primeira Guerra Mundial

Faltava alimentos na Rússia czarista, empregos para os trabalhadores, salários dignos e democracia. Mesmo assim, Nicolau II jogou a Rússia numa guerra mundial. Os gastos com a guerra e os prejuízos fizeram aumentar ainda mais a insatisfação popular com o czar.

Greves, manifestações e a queda da monarquia

As greves de trabalhadores urbanos e rurais espalham-se pelo território russo. Ocorriam muitas vezes motins dentro do próprio exército russo. As manifestações populares pediam democracia, mais empregos, melhores salários e o fim da monarquia czarista. Em 1917, o governo de Nicolau II foi retirado do poder e assumiria Kerenski (menchevique) como governo provisório.

A Revolução Russa de outubro de 1917

Com Kerenski no poder pouca coisa havia mudado na Rússia. Os bolcheviques, liderados por Lênin, organizaram uma nova revolução que ocorreu em outubro de 1917. Prometendo paz, terra, pão, liberdade e trabalho, Lênin assumiu o governo da Rússia e implantou o socialismo. As terras foram redistribuídas para os trabalhadores do campo, os bancos foram nacionalizados e as fábricas passaram para as mãos dos trabalhadores. Lênin também retirou seu país da Primeira Guerra.
Mundial no ano de 1918. Foi instalado o partido único: o PC (Partido Comunista).

A formação da URSS

Após a revolução, foi implantada a URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Seguiu-se um período de grande crescimento econômico, principalmente após a NEP ( Nova Política Econômica ).
A URSS tornou-se uma grande potência econômica e militar. Mais tarde rivalizaria com os Estados Unidos na chamada Guerra Fria. Porém, após a revolução a situação da população geral e dos trabalhadores pouco mudou no que diz respeito à democracia.
O Partido Comunista reprimia qualquer manifestação considerada contrária aos princípios socialistas. A falta de democracia imperava na URSS.
No final de 1922, foi formada a URSS (15 paises) que dourou aproximadamente uma decada (1917 a 1928).

Fundamentos do Socialismo

Fase transição entre a sociedade capitalista e a comunista Comunismo fase final e ideal, verdadeiro potencial individual e social Propriedade privada seria abolida e o estado controlado pelos trabalhadores, estado é para acabar com os vestígios do capitalismo Falhas o estado se tornou extremamente forte e proletariado não assumiu o poder; controle ideológico; mentiras de poder, culto a personalidades, censura à produção cultural e intelectual; perseguição política e execução aos opositores.
Final de 1928 – sistema socialista – planificação da economia – Gosplan (comissão do Plano Geral do Estado):
Estatizou meios de produção- cooperativas agrícolas (kolkozes) e fazendas estatais (sovkhozes), controlados pelo estado – metas a serem alcançadas e o tipo de produção, distribuição comercialização, investimentos.
Melhorou industria de base – extração e transformação de minérios, produção de maquinas e equipamentos industriais e a exploração de recursos energéticos.
Maior investimento em ciência e armamento – 2ª Guerra Mundial (EUA) (ampliar influencia política-econômica ).

Revolução Mexicana


1910

A Revolução iniciada em 1910 foi um grande movimento popular, anti-latifundiário e anti-imperialista, que foi responsável por importantes transformações no México, apesar da supremacia da burguesia sobre as instituições do Estado.

O PORFIRIATO

O período de 1876 a 1911 caracterizou-se pela ditadura de Porfírio Diaz, responsável pelo desenvolvimento do capitalismo mexicano, apoiado no ingresso de capitais e empresas estrangeiras e em uma política anti popular. O governo de Diaz foi dominado por uma burocracia positivista - os científicos - responsáveis pelo desenvolvimento do capitalismo associado e pela política repressiva às camadas populares. Apoiou-se ainda no exército, que possuía a função de polícia do Estado e na Igreja Católica, que apesar de estar proibida de possuir propriedades que não se destinassem ao culto, possuía grande liberdade de ação.
A principal base de apoio da ditadura foi a camada latifundiária; estes os grandes beneficiários da política do governo, que eliminou o ejido ( terras comunitárias de origem indígena ) possibilitando maior concentração fundiária e a formação de grande contingente de camponeses superexplorados.
O último pilar de sustentação do governo foi o capital estrangeiro, que durante a ditadura passou a controlar a exploração mineral, petrolífera, as estradas de ferro, bancos, produção e distribuição de energia elétrica, grande parte das indústrias e do grande comércio.

O INÍCIO DA REVOLUÇÃO

Do ponto de vista institucional, oficial, considera-se a revolução como o movimento que derrubou a ditadura e possibilitou a ascensão de Francisco Madero em junho 1911. Apesar de originário de uma família de latifundiários, Madero passou a liderar a pequena burguesia urbana, nacionalista, que organizou o movimento "Anti Reeleicionista" Perseguido, foi forçado a exilar-se e tornou-se o símbolo da luta contra a ditadura para as camadas urbanas, inclusive o proletariado.
No entanto, o movimento revolucionário possuía outra dimensão: os camponeses do sul, liderados por Emiliano Zapata, invadiam e incendiavam fazendas e refinarias de açúcar, e ao mesmo tempo organizavam um exército popular. Ao norte, o movimento camponês foi liderado por Pancho Villa , também defendendo a reforma agrária.
Os exércitos camponeses ao longo de 1910 e 1911 ampliaram sua atuação, combateram o exército federal e os grandes proprietários, conquistando vilas e cidades em sua marcha em direção à capital.

A REVOLUÇÃO POPULAR

Em novembro de 1911, Zapata define o Plano de Ayala, propondo a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agrária sob controle das comunidades camponesas. O plano defendia a reorganização do ejido, a expropriação de um terço dos latifundiários mediante indenização e nacionalização dos bens dos inimigos da revolução. A existência de um exército popular organizado e armado era visto como uma ameaça pelo novo governo, pela velha elite e pelos EUA. O avanço popular era contínuo, pois apesar das mudanças no governo, as estruturas sócio econômicas permaneciam sem alterações.
A deposição e assassinato de Madero em 1913 e a ascensão do general Vitoriano Huerta, apoiado pelos porfiristas somente fez crescer as lutas camponesas e desencadeou nas cidades um movimento constitucionalista, que levaria ao poder Venustiano Carranza em 1914.
O governo Carranza adotou uma série de medidas para consolidar as estruturas políticas: promoveu intenso combate às forças populares tanto no sul como no norte do país, adotou medidas nacionalistas que levariam a nacionalização do petróleo ao mesmo tempo em que fez concessões às grandes empresas norte americanas e organizou uma Assembléia Constituinte (excluindo a participação camponesa).
Toda essa situação e a nova Constituição de 1917, considerada extremamente progressista, somente foi possível pela grande pressão popular e pelo envolvimento do México e das grandes potências na Primeira Guerra Mundial.
A Constituição de 17, garantia os direitos individuais, o direito à propriedade, leis trabalhistas, reconhecia o ejido e regulava a propriedade do Estado sobre as terras , águas e riquezas do subsolo; e em parte serviu para desmobilizar os camponeses, fato que contribuiu para o assassinato do líder agrarista Zapata.

Queda de Porfírio Díaz

A luta armada começou depois da fraude eleitoral perpetrada em 1910 pelo General Porfírio Díaz Mori, que se tinha mantido de maneira quase ininterrupta na presidência do México desde 1876. A presidência de Díaz se tinha caracterizado por impulsionar a industrialização e pacificação do país a custo da exploração das classes camponesa e operária, concentrando a riqueza, o poder político e o acesso à educação num punhado de famílias possuidoras de grandes latifúndios e em algumas empresas de origem estrangeira, principalmente francesas, britânicas e estadunidenses.
Emiliano ZapataNas eleições de 1910 Díaz tinha tido como adversário Francisco I. Madero, um rico empresário educado no estrangeiro que simpatizava com as reformas sociais que desde fazia vários anos eram promovidas por intelectuais como Antonio Horcasitas ou os irmãos Jesús e Ricardo Flores Magón. Díaz mandou prender a Madero enquanto fazia campanha em Monterrey e posteriomente o transladou a San Luís Potosí, enquanto Diaz pôde reeleger-se novamente à Presidência da República. Madero conseguiu fugir e exilar-se em San Antonio, Texas, onde redigiu o Plano de San Luís no qual convocava um levantamento armado que deveria ter início a 20 de Novembro de 1910 às 18:00 horas. Adicionalmente, o plano declarava nulas as eleições de 1910, não reconhecia o governo de Díaz, nomeava a Madero presidente provisório, restituía aos indígenas as terras que se lhes tinha apreendido mediante a Lei de baldios e estabelecia o princípio de não-reeleição para os postos políticos no país.
Diversos rebeldes e caudilhos populares responderam ao chamamento mas nunca formaram um movimento homogêneo nem compartilharam os mesmos ideais. Brigavam camponeses indígenas encabeçados por Emiliano Zapata, que reclamavam o roubo ancestral de suas terras, e as tropas de Pancho Villa, um foragido que estendeu os conflitos até o território dos Estados Unidos. A 20 de Novembro de 1910 se levaram a cabo treze confrontos em Durango, San Luís Potosí, Veracruz e Chihuahua. A luta contra o exército federal se estendeu por todo o país mas durou pouco, pois o presidente Díaz renunciaria cinco meses depois.
Depois de sua queda se iniciou uma luta fratricida entre rebeldes e ideologias que custaria a vida a um milhão de mexicanos, 10% da população total daquela época.

Francisco I. Madero

Depois da renúncia do presidente Díaz se formou um governo provisório encabeçado por Francisco León de la Barra que entregaria a presidência a Madero em 1911, no entanto dois anos depois Madero seria vítima de um golpe de estado encabeçado pelo general Victoriano Huerta. O efêmero governo maderista tinha sido incapaz de pacificar o país e os caudilhos enfocaram a luta na contramão do novo governo.

Victoriano Huerta

Pancho VillaCom a morte de Madero, subiu ao poder Victoriano Huerta. Esta usurpação de poder seria apoiada pela aristocracia latifundiária, que via em Huerta uma oportunidade de restabelecer o sistema de Díaz. Os líderes locais redirigiram os seus esforços para a luta contra o novo governo e acusando Huerta de assassinar Madero em conluio com o embaixador americano, Henry Lane Wilson. Esta luta era dirigida por Pancho Villa, Zapata, Carranza e Obregón. A pressão dos Estados Unidos, que culminaria na ocupação de Veracruz após o incidente de Tampico, em combinação com as acções dos rebeldes, acabariam por levar à queda de Huerta. Derrotado, exilar-se-ia em El Paso, Texas, onde viria a falecer alguns anos mais tarde


A Revolução Iraniana



1979

A Revolução Iraniana, ocorrida em 1979, transformou o Irã - até então comandado pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi - de uma monarquia autocrática pró-Ocidente, em uma república populista teocrática islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini. Para efeito de análise histórica, a Revolução Iraniana é dividida em duas fases:
na primeira fase, houve uma aliança entre grupos liberais, esquerdistas e religiosos para depor o xá; 
na segunda, freqüentemente chamada Revolução Islâmica, viu-se a chegada dos aiatolás ao poder.

Antecedentes

O xá estava no poder desde 1941, com uma curta interrupção em 1953 quando teve que abandonar o país. Retornou no mesmo ano ao depor o governo democraticamente eleito de Mohammad Mossadeq, com a ajuda de uma operação da CIA, batizada de Operação Ajax. Pahlevi manteve boas relações com os Estados Unidos, porém conflitou com as visões tradicionais do Islão sobre o álcool, o jogo e as relações sexuais antes do casamento, as quais se recusou a banir. O regime era conhecido por sua corrupção política e práticas brutais, as quais, como resposta, suscitavam protestos tanto internos quanto da comunidade internacional.
Uma forte oposição surgiu durante o regime do xá. Particularmente importante era a oposição religiosa, que crescia desde longa data. A Ulema, ou comunidade de estudiosos das leis islâmicas, unia preocupações religiosas e seculares com uma longa história de ativismo social. Assim, mesclava oposição à brutalidade do governo a um forte compromisso em lutar contra a pobreza. Seu ativismo se mostrava conservador dos valores islâmicos e, à medida em que crescia, o governo reprimia violentamente os dissidentes. Em 1963, por exemplo, estudantes islâmicos foram violentamente atacados quando protestavam contra a abertura de um bar.
O aiatolá Khomeini era um líder da oposição que afirmava que o regime do xá era uma tirania. Após sua prisão e seu exílio em 1964, os protestos dos clérigos aumentou. Em resposta, Pahlevi decidiu enfrentar os religiosos com violência, prendendo e matando manifestantes. Não se sabe quantos morreram nesta campanha: o regime de Pahlevi falou em 86 mortos; os religiosos afirmaram que foram milhares.
De 1963 a 1967 a economia iraniana cresceu consideravelmente, graças aos aumentos do preço do petróleo e também com a exportação de aço. A inflação cresceu no mesmo período e, embora a economia crescesse, o padrão de vida dos pobres e das classes médias urbanas não melhorava. Ao invés disso, apenas a rica elite e os intermediários das companhias ocidentais é que se beneficiavam das extravagâncias do xá. O governo também dispendia grandes somas na compra de armamentos modernos, particularmente dos Estados Unidos.
Enfrentando crescente oposição de líderes religiosos e de pequenos empresários, o regime do xá decidiu, em 1975, empreender um novo esforço para controlar a sociedade iraniana. Este esforço visava diminuir o papel do islamismo na vida do reino, ressaltando, para isto, as conquistas das civilizações pré-islâmicas do país, especialmente a civilização persa. Nesta linha, em 1976 o calendário islâmico, lunar, foi banido do uso público e substituído por um calendário solar. Publicações marxistas e islâmicas também sofreram forte censura.
As reformas do xá também ficaram conhecidas como a revolução branca. Também foi abolido o regime feudal (dividindo terras dos líderes religiosos, o que diminuiu suas rendas) e dado direito ao voto às mulheres (o que foi visto pelos líderes religiosos como um plano para "trazer as mulheres para as ruas").

A situação pré-revolucionária no Irã

A população mais pobre do país tendia a ser o segmento mais fervorosamente religioso e o menos ocidentalizado. Os pobres viviam predominantemente no campo, ou habitavam favelas das grandes cidades, especialmente de Teerã. Eles desejavam o retorno aos valores básicos do islamismo, em oposição aos esforços modernizadores do regime, cujas promessas de progresso lhes soavam falsas, e baseadas no crescente distanciamento entre os mais ricos e os mais pobres.
À medida em que a classe média urbana se educava e se expunha aos valores ocidentais, parte dela passou a enxergar o regime do xá como parte do problema. Além disso, após sua restauração em 1953, a posição do xá tornou-se particularmente perigosa. Isto em grande parte devido aos seus fortes laços com o Ocidente, a corrupção interna, as reformas impopulares e a natureza despótica de seu regime, especialmente a repressão da polícia política, conhecida como SAVAK.
No início da década de 1970 o preço do petróleo cresceu rapidamente, e o descontentamento com a corrupção, os gastos supérfluos e a com violenta repressão aumentaram. A decadência interna foi bem ilustrada com a comemoração dos 2500 anos da fundação do Império Persa, ocorrida em outubro de 1971 em Persépolis, com três dias de celebrações a um custo total de US$ 300 milhões. Dentre as extravagâncias havia 1 tonelada de caviar preparada por 200 chefs vindos diretamente de Paris. Enquanto isto, muitos no país sequer tinham comida ou moradia decente.
À medida em que a desigualdade crescia, os protestos por mudanças aumentavam. Até mesmo elementos pró-ocidentais no Irã se incomodaram com a crescente autocracia e a crescente repressão da polícia secreta. Muitos deixaram o país antes da revolução, enquanto outros começaram a se organizar. Ao mesmo tempo, um movimento populista passou a se organizar nas mesquitas, através de sermões que denunciavam a maldade do Ocidente e dos valores ocidentais. O choque entre uma crescente população jovem e um regime que não oferecia nem os avanços de um estado moderno, nem a estabilidade de uma sociedade tradicional, criaram as condições para uma revolução.
FONTE.Psf

O saque imperialista das riquezas da África


O imperialismo planeja dominar os países do Norte da África e desestabilizar a região e todo o continente de forma a perpetuar a pilhagem das riquezas africanas.

Por Carlos Lopes Pereira, no Avante!


A agressão da Otan à Líbia (produtor de petróleo), a intervenção da França no Mali (ouro e urânio), a construção de uma base militar dos EUA no Níger (urânio) e o “cerco” à Argélia (petróleo e gás) são peças dessa estratégia que visa, face à crise do capitalismo mundial, intensificar a exploração dos trabalhadores e o saque dos recursos naturais africanos.

O jornalista Dan Glazebrook, que escreve em jornais como The Guardian, The Independent ou The Morning Star, publicou um artigo no Al-AhramWeekly do Cairo, denunciando esta conspiração.

Começa ele por recordar que o Ocidente drena todos os anos da África bilhões de dólares em pagamentos do “serviço da dívida”, em lucros de investimentos e em empréstimos ligados a esquemas de corrupção de setores das burguesias nacionais.

Outra via de dominação da África é o saque das suas riquezas minerais. É apontado o caso do Congo, onde, no Leste, bandos armados – controlados pelos vizinhos Uganda, Ruanda e Burundi, por sua vez apoiados por potências ocidentais – patrocinam o roubo de minérios e a sua venda a empresas estrangeiras.

A África financia ainda as classes dominantes ocidentais através dos baixos preços das matérias-primas e dos miseráveis salários pagos aos trabalhadores que as extraem ou cultivam.

Em suma, o capitalismo impõe ao continente africano o papel de fornecedor de matérias-primas e mão de obra baratas. E, para que esta situação se mantenha, procura assegurar que a África continue pobre e dividida, flagelada por golpes e guerras. 

Segundo Glazebrook, a criação em 2002 da União Africana (UA), dinamizada por Muamar Kadafi, preocupou os estrategistas ocidentais.

Para Washington, Londres e Paris era inaceitável o plano da UA de criação do Banco Central Africano e de uma moeda única. Era inaceitável a criação do Fundo Monetário Africano. E, sobretudo, era inaceitável a decisão da UA, em 2004, de elaborar a Carta de Defesa e Segurança Comum Africana. E a decisão, em 2010, de avançar com uma força militar unificada.

Nessa altura, face ao seu declínio econômico e à “ameaça” da China, os EUA já tinham traçado planos para recolonizar a África.

Em 2008 surgiu o Africom, comando militar que o presidente G. W. Bush pretendia instalar em território africano. Mas a UA rejeitou a presença de tropas norte-americanas e o Africom teve de montar o quartel-general na Alemanha. 

Maior humilhação para os EUA foi ver Kadafi eleito presidente da UA em 2009 e a Líbia tornar-se o principal suporte da organização pan-africana.

O Império não tolerou as propostas da UA no sentido de um processo de integração africana. Depois de justificar a agressão à Líbia com “um pacote de mentiras ainda maior do que o que servira de pretexto para a invasão do Iraque” – como escreve Glazebrook –, a Otan destruiu o país, reduziu-o “à condição de mais um Estado africano falido” e “facilitou a tortura e o assassinato de Khadafi”, assim se libertando de um seu opositor.

A guerra contra o coronel destruiu o seu regime e também a paz e a segurança no Norte de África.

O dirigente líbio tinha organizado desde 1998 a Comunidade de Estados Sahel-Saharianos, com o foco na segurança regional, travando a influência das milícias salafistas e apaziguando os líderes tribais tuaregues.

Com a queda de Kadafi, os radicais islâmicos da região obtiveram armas modernas – cortesia da Otan – e as fronteiras meridionais da Líbia entraram em colapso. 

A primeira vítima dessa desestabilização regional foi o Mali. O avanço islamita, resultado da agressão à Líbia, foi pretexto para a intervenção militar da França.

A Argélia ficou igualmente na mira do imperialismo. Está hoje “cercada” por radicais islâmicos a Leste (fronteira com a Líbia) e a Sul (fronteira com o Mali), onde se instalou também a legião francesa. 

O imperialismo tem razões para não “simpatizar” com a Argélia, o único país do Norte de África ainda governado pelo partido que lutou pela independência (FLN): Argel apoia a UA, tem assumido posições internacionais dignas e, como o Irã e a Venezuela, vende por um preço justo o seu petróleo e o seu gás.

Este “nacionalismo dos recursos” leva as gigantes petrolíferas ocidentais a não esconder que “estão fartas da Argélia”, como escreve o Financial Times. O mesmo jornal que, um ano antes da agressão da Otan, também acusou a Líbia do “crime” de proteger os seus recursos naturais… Fonte Portal Vermelho

A mentira globalizada


No estudo da História Universal descobrimos omissões e mentiras que sempre favoreceram os poderosos nas suas conquistas e "descobertas" de territórios e povos, que não estavam perdidos até sofrerem as invasões "civilizadoras". 


No século 20 e 21, o pretexto usado para destruir o equilíbrio cultural e social de povos mais tranquilos que o padrão ambicioso e cruel dos invasores foi a "pacificação" ou a defesa dos "direitos humanos". Tudo mentira, fundamentados no conceito adotado pela doutrina fascista de que "uma mentira repetida muitas vezes parece ser uma verdade". E, com as técnicas da publicidade moderna, a velocidade de divulgação das mentiras, por todo o planeta e através de caminhos abertos pela comunicação social que penetram no sistema de ensino e na formação cultural, não há barreira possível aos seus efeitos nefastos fora de uma permanente luta revolucionária em defesa da verdade e da realidade humana.

Na Europa desvendou-se a grosseira mentira das grandes empresas alimentares multinacionais que transformam as mulas proibidas de manterem o transporte tradicional em países sub-desenvolvidos (agora chamados "em desenvolvimento", outra mentira) em bovinos para comporem os produtos elaborados com carne moída. Nada contra a carne dos equinos, mas sim contra a mentira no sistema comercial. Pouco se diz da outra mentira, mais antiga, dos hambúrgueres feitos com minhocas que passam por vacas ou da improvável vigilância sanitária dos novos "bovinos sem pernas ou com cabeça de equino".

Para que a opinião pública esqueça este problema de interesse mais financeiro que de saúde, a União Europeia fez uma nova acusação, agora contra a indústria de cosméticos, por testar os seus produtos em animais. Surpresa! Não são as cobaias sempre usadas pela indústria farmacêutica para testar os medicamentos? O número de mentiras já se confunde no cruzamento de redes. Em geral deixam de ser discutidas porque a velocidade das notícias e a enxurrada de informações afogam o conhecimento público. Em último caso inventam mais uma guerra, um ato terrorista de arrepiar, uma nova moda de esporte de risco, a produção de um cão cruzado com leão para garantir (!!!) a segurança de alguns (e ameaçar a de outros menos protegidos).

A lista de mentiras atuais é enorme, se pensarmos no sistema bancário que tem todo o tipo de taxas e juros adaptados às conveniências imediatas da instituição e seus amigalhaços. Já é bem conhecido o enriquecimento dos intermediários entre os créditos bancários e os Estados "ajudados" pelo FMI ou pela União Europeia. Circulando em torno do dinheiro, como abelhas à volta do mel, há uma corja de vampiros que trabalham politicamente para que os governos financiem os bancos que emprestarão com juros mais baixos às instituições internacionais que vão cobrar juros ainda maiores aos povos para "salvar" o país pobre. Os "endividados" são sempre os países pobres, o povo trabalhador, não os gestores da vida económica que consomem os recursos nacionais em elevadíssimos salários acompanhados de despesas supérfluas astronômicas. 

Mas também podemos citar os "erros" administrativos cometidos pelos Estados que se multiplicam sempre a favor dos mandantes, corroendo salários, impostos, taxas, e todas as operações financeiras que afetam a população. Há empresas concessionárias de serviço público que cobram uma taxa inicial, com a função de matrícula do consumidor, que depois fica incorporada nas mensalidades onerando a conta como se fosse consumo. Quem não sofreu cobranças multiplicadas por "engano" que, no melhor dos casos, quando descobertas ficam resolvidas com um pedido de desculpas. É verdade que estes bilhões de erros alimentam os empregos de profissionais alienados, muitos deles financiados pela rede mafiosa. E o problema do desemprego, que na verdade é criado pelo mesmo sistema que faz girar o capital enriquecendo a elite financeira e a corja política que é a sua parasita natural, aparece como uma ameaça à população que vive do seu trabalho. Tudo aparece como culpa de quem consegue ter um emprego para que a elite enriqueça sem escrúpulos, fazendo o povo desacreditar os profissionais empregados que dão a cara na função pública.

E passamos à especialização da mentira com que os governantes antidemocráticos, como os de Portugal agora, por exemplo, terminam a sua formação de economistas, administradores, juristas, pela cartilha do neocapitalismo. Veem o Estado como uma empresa sempre mal gerida porque tem de atender a vários interesses, desde os eleitores que cobram um lugar com bom salário à população que precisa de escola, médico, previdência social, etc., etc., até aos seus apadrinhados. E deduzem que daí surgem os problemas de má gestão governativa e sem capacidade para fiscalizar os desmandos da sociedade que deixa de produzir e de criar empregos. É uma historinha mal contada mas que está nos compêndios em linguagem empolada e com muita teoria à mistura.

O antigo lider sindical Manuel Carvalho da Silva, da CGTP em Portugal, hoje professor universitário da matéria que conheceu primeiro na realidade dos movimentos sociais e depois no estudo teórico, explica em uma frase simples: o desemprego que cresce na Europa traduz-se no fechamento das empresas nacionais e, consequentemente, na queda da produção que aprofunda a crise. Esta política de austeridade imposta pela UE e o FMI impede qualquer saída democrática aos países. Lembra que para controlar a crise do sistema em 1929, o Presidente Roosevelt dos Estados Unidos criou empregos no Estado para absorver a mão de obra despedida das empresas em falência. Ao contrário, na Europa agora o Estado despede, sugere aos jovens a emigração para os países em desenvolvimento, substitui as empresas nacionais pela multinacionais que compram os países mais pobres que estão em "saldo".

Combine-se esta afirmação de Manuel Carvalho com a do ex-presidente do Banco Europeu, Shroeder, de que a situação europeia hoje "assusta pela semelhança com a dos anos que precederam a Segunda Grande Guerra", e vemos que com ideologias diferentes a lógica dos que analisam com honestidade a situação criada pela elite que domina a União Europeia casada com a do Império norte-americano, é a mesma e aponta o risco de uma terceira guerra. 

Parece absurdo? O planeta está sendo governado por uma elite que põe no chinelo o famoso Maquiavel que definiu o caminho frio e cínico a ser seguido por uma elite soberana em busca de êxito sem estar preocupado com os direitos e necessidades dos seres humanos que compõem os povos. Qual a função das mentiras oficiais que atiram areia aos olhos e transformam as pessoas em alienados dóceis ao comando?

* Zillah Branco é socióloga, militante comunista e colaboradora d
o Vermelho