segunda-feira, 11 de março de 2013

Ahmadinejad e o Hugo Chávez


Ahmadinejad: Chávez é pilar dos movimentos revolucionários



O falecido mandatário da Venezuela, Hugo Chávez, “já não é uma pessoa, mas uma cultura, um caminho para salvar a humanidade”, afirmou na última sexta-feira (8) o presidente da República Islâmica do Irã, Mahmud Ahmadinejad.


Depois de participar do funeral de Estado de Chávez, realizado nesse mesmo dia na capital venezuelana, Caracas, Ahmadinejad declarou que Chávez é “um coração repleto, cheio de amor ao próximo (...) um grande homem pleno de características humanas e grandes valores, era como um manancial transparente, natural e puro”.

O chefe do Executivo iraniano asseverou que o presidente bolivariano se esforçou muito pela independência de seu país com o fim de dar desenvolvimento e bem-estar ao povo venezuelano e que neste caminho “enfrentou todo tipo de pressões”.

Ahmadinejad assegurou que a nação sul-americana continuará com valentia e amor à justiça o caminho que Chávez abriu.

“O futuro será mais brilhante do que hoje, porque sempre existe um destino e estou seguro de que o povo venezuelano assim o fará. Chávez foi um povo e pertenceu aos povos (...) Foi ele que conseguiu posicionar a Venezuela em escala mundial”, concluiu o mandatário persa.

Mahmud Ahmadinejad indicou que as relações entre o Irã e a Venezuela se enraízam na história, e disse que Chávez amava o Irã. Declarou também que foi ao seu funeral para expressar solidariedade e transmitir a mensagem da nação persa.

Ele contou que nas reuniões que manteve com as autoridades iranianas, Chávez sempre se referia a seu amor pelo Irã. Disse que inclusive sua mãe comentou isso com ele durante a cerimônia. 

“Chávez se perpetuará na historia”, disse o líder persa, destacando que alguns, em particular os inimigos, consideravam que a morte de Chávez frearia o avanço dos movimentos revolucionários, mas a cerimônia evidenciou que os movimentos pela unidade e solidariedade seguirão adiante.

Na opinião do presidente iraniano, Chávez é o pilar e o abandeirado dos movimentos revolucionários devido a sua resistência, valentia, amor pelo povo, religiosidade e seu arrojo diante do hegemonismo.

Em outra parte de suas declarações, Ahmadinejad assinalou que quando as nações latino-americanas lutavam contra o colonialismo para obter sua independência, foram violentamente reprimidas. Não obstante, agrega, depois da vitória da Revolução Islâmica do Irã, se levantou uma nova onda de movimentos revolucionários da América Latina, cujo líder foi Chávez, um verdadeiro revolucionário.

Sobre a visão de mundo de Chávez, Ahmadinejad sublinhou que este pretendia estabelecer a justiça, a amizade, a irmandade e os valores humanos; metas, por outra parte, que são também da Revolução Islâmica do Irã.

Ahmadinejad participou junto com mais de 30 chefes de Estado e 55 delegações internacionais de todo o mundo, da cerimônia que teve lugar na Academia Militar de Caracas para render homenagem ao líder da Revolução Bolivariana.

O líder foi calorosamente aplaudido. Visivelmente emocionado, beijou o féretro em que estava o corpo de Chávez coberto com a bandeira nacional venezuelana e fez uma saudação com o punho cerrado.

Com Hispan TV

Organizações sociais de 19 países discutem o Brics em Moscou


Organizações de 19 países emergentes (Rússia, China, Brasil, Índia, África do Sul, Argélia, Argentina, Egito, Indonésia, Irã, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Mongólia, Nigéria, Tajiquistão, Turquia, Vietnã e Uzbequistão) participaram em Moscou nos dias 4 e 5, de um encontro promovido pela Federação Internacional pela Paz e Conciliação, entidade sucessora do antigo Comitê Soviético pela paz.


O encontro, de dois dias, contou com a participação de uma delegação do Cebrapaz, liderada pela presidente nacional da entidade, Socorro Gomes, e composta ainda por Thomas Toledo e Wevergton Brito, membros da direção nacional.

Clima frio, debate quente

A temperatura média por volta de 10 graus abaixo de zero não impediu que diferentes opiniões expressassem suas visões sobre o Brics e seu papel no mundo. Uma das primeiras a falar, Socorro Gomes iniciou sua intervenção caracterizando o Brics como "um agrupamento no qual cinco grandes nações de quatro continentes, com povos culturalmente diversos e economias em desenvolvimento, num quadro internacional marcado por crises, instabilidade, ameaças de guerra e contradições geopolíticas, compartilham diálogos e convergem opiniões na busca de cooperação para um mundo mais justo, pacífico e solidário."

Depois de discorrer sobre os desafios das nações da América do Sul e do Caribe, Socorro denunciou que "a situação internacional atual é marcada por conflitos, intervenções militares, violações dos direitos das nações e povos, ofensiva generalizada do imperialismo para saquear as riquezas nacionais daqueles, atropelos ao direito internacional, tudo com o objetivo das potências imperialistas de impor sua hegemonia no mundo. Os países do Brics, na medida em que sejam dirigidos por forças políticas voltadas para outros objetivos, podem ajudar a construir uma nova ordem internacional, onde haja respeito pleno à soberania e à autodeterminação dos povos, cooperação, desenvolvimento e paz".

Os demais membros da delegação do Cebrapaz também intervieram, sustentando que estamos caminhando para um mundo multipolar, mas que existem constantes violações ao direito internacional, quase todas cometidas pelo imperialismo estadunidense, e os Brics não ignoram esta realidade, contribuindo para um ambiente internacional mais plural e democrático.

Depois de um encontro com estudantes da Universidade de Moscou (encontro onde Socorro Gomes foi uma das palestrantes) foi realizada, na Duma Estatal (o parlamento nacional russo) uma reunião com um representante do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa. Como que confirmando os pontos principais da análise do Cebrapaz, o representante do governo Putin afirmou, entre outras coisas, que "após o fracasso do neoliberalismo e o advento da crise do capitalismo, que é uma crise sistêmica, os Estados Unidos têm mais dificuldades de sustentar o papel de gendarme de um mundo unipolar, apesar de sua condição de maior potência econômica e militar, o que abre caminho para uma ordem internacional mais justa e democrática, sendo o Brics um instrumento para acelerar a construção de um mundo multipolar."

O documento final, que será divulgado brevemente pela entidade anfitriã, abordará a necessidade de fortalecer os laços econômicos, políticos e culturais entre os países do Brics, tendo como agentes importantes neste processo as organizações da sociedade civil de cada país. Além disso, defenderá o direito do Irã desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos e a existência de um Estado palestino soberano (proposta do Cebrapaz), entre outros temas que dão uma conformação progressista ao exitoso encontro de Moscou.

Com informações do Cebrapaz

As lutas no mundo árabe à luz do feminismo anticolonial



                   Ali, vale salientar, um movimento bastante presente entre elas, que emerge com força, é do chamado feminismo anticolonial, que tem questionado o próprio regime capitalista que mantém sua exploração, ao exigir mudanças na economia, bem como o imperialismo e o colonialismo.


Na Tunísia, em que teve início a onda de revoluções no mundo árabe, ao final de 2010 - levando, no começo do ano seguinte, à queda do ditador Ben Ali -, as mulheres não abandonaram seus postos. Pelo contrário, sua presença foi marcante no ascenso resultante da insatisfação generalizada, inflamado com o assassinato em 6 de fevereiro último do líder de oposição Chocri Belain. Ao continuarem a se manifestar para que se façam cumprir as tarefas da revolução, elas estão lutando por seus direitos também. No Dia Nacional da Mulher na Tunísia, em agosto de 2011, suas vozes protestavam contra a possibilidade de perda de conquistas históricas, já que no projeto constitucional o objetivo seria instituir a complementaridade dos sexos, não a equidade de gênero. “As mulheres tunisianas são uma parte inteira, iguais aos homens, são independentes e trabalhadoras. Nunca aceitaremos ser consideradas complementares a eles”, teria afirmado uma jovem engenheira presente ao ato, segundo divulgado na imprensa internacional. O projeto seria a evidência de tentativa de captura do processo revolucionário, num país em que as mulheres conquistaram uma legislação bastante avançada. Para se ter uma ideia, o aborto ali é legal e a igualdade de direitos é garantida em estatuto desde 1956.

No Egito, desde o início do processo em 25 de janeiro de 2011 – que levou à queda do ditador Hosny Mubarak em 11 de fevereiro do mesmo ano - as mulheres estão na linha de frente, enfrentando uma arma poderosa, típica dos tiranos em relação ao gênero feminino: a violência sexual. Porém, como afirmou em entrevista à imprensa a ativista feminista egípcia Nawal Saadawi, as mulheres têm tido ganhos. 

“Nós escutamos sobre aquelas que venceram nos tribunais contra a realização pelos militares dos testes de virgindade (aos quais presas pelo regime eram submetidas).” Além disso, ela aponta que a fragmentação do movimento feminista levada a cabo sob a ditadura agora pode ser revista. Segundo afirma, essa divisão com o objetivo de dominar foi levada a cabo pela então primeira-dama Suzanne Mubarak, que queria liderar a organização de mulheres, “como todas as rainhas e esposas de presidentes no resto dos países árabes”. 

Sob seu comando, lamenta Saadawi, foram fundadas várias ONGs, ou pelo governo ou com dinheiro estrangeiro. Agora, a ativista vislumbra a possibilidade de criar uma União de Mulheres Egípcias, independente, para organizar a luta.

Derrubando estereótipos
Seria o feminismo anticolonial contemporâneo, o qual questiona movimentos de mulheres que se baseiam na contradição inventada Oriente-Ocidente para ditar regras de comportamentos às árabes e muçulmanas e, portanto, em ideias que mantêm o colonialismo e o imperialismo. 

Entre essas, as de que as ditas “ocidentais” seriam a civilização a ser levada àqueles povos atrasados. Mostra disso são feministas que veem na vestimenta a opressão, quando pode ser uma característica cultural. Caso específico do véu islâmico, que, em si, não significa submissão. Tanto é que mulheres na Turquia e na França, por exemplo, protestaram quando tentaram lhes impedir o direito de cobrir os cabelos. O problema não é o uso, mas a imposição. Contra essa, sim, deve-se lutar contra. 

De novo é Nawal Saadawi quem ensina, desta vez em seu único livro traduzido para o português, intitulado “A face oculta de Eva – as mulheres do mundo árabe”: a religião tem sido usada como meio de dominação, mediante distintas interpretações, de modo a favorecer o grupo hegemônico e manter a opressão de classe. 

Portanto, é questão política, não tem a ver com religião, menos ainda com os preceitos indicados no Islã.

Tal representação está a serviço de determinados interesses tanto quanto a invisibilidade da luta histórica das mulheres. Não há nenhuma novidade na participação feminina nesses processos revolucionários. Seu protagonismo nas batalhas anticoloniais e anti-imperialistas é histórico em toda a região. 

No Egito, por exemplo, como conta Saadawi, as mulheres foram as primeiras a deflagrar greves, ocupar fábricas e marchar por direitos, ainda no início do século XX. Na Palestina, foram pioneiras em protestar contra a instalação dos primeiros assentamentos sionistas o final do século XIX, com fins coloniais – e têm se colocado há mais de 60 anos na linha de frente contra a ocupação israelense.

Ela salienta: “As árabes mostraram resistência ao sistema patriarcal centenas de anos antes que as americanas e europeias se lançassem a essas mesmas lutas.” Sistema esse que passou a predominar a partir do surgimento da noção de propriedade privada e divisão de classes, como ensina em sua obra. 

Em tempos ancestrais em que predominava o nomadismo e a agricultura de subsistência, as mulheres detinham a igualdade em questões sociais, econômicas e nas esferas públicas. Diante disso, Saadawi é categórica: “Enquanto os assuntos do Estado ou do poder administrativo forem delegados à mulher dentro de uma estrutura social de classes, baseada no capitalismo e no sistema familiar patriarcal, homens e mulheres hão de permanecer vítimas da exploração.

” Mudar esse estado de coisas, ao que o feminismo anticolonial é fundamental, mantém-se na ordem do dia no mundo árabe.

*Soraya Misleh é jornalista, membro da diretoria do ICArabe, da Ciranda Internacional da Informação Independente e do Mopat (Movimento Palestina para Todos)

                                                                                                                               

Hezbolá lamenta perda do "amigo leal" dos oprimidos, Hugo Chávez


Hezbolá lamenta perda do "amigo leal" dos oprimidos, Hugo Chávez 


O Hezbolá, partido libanês de resistência islâmica, emitiu uma declaração oficial na quarta-feira (6), sobre a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez: “O mundo livre, os oprimidos do mundo e nós, diretamente, perdemos amigo e apoiador leal e amado, que dedicou a vida à defesa dos povos oprimidos e perseguidos, firme defensor dos países do Terceiro Mundo e de nossos direitos a progredir e prosperar”. 


“O Hezbolá e todo o Líbano jamais esqueceremos o apoio que o falecido presidente Chávez ofereceu ao Líbano, quando enfrentamos o inimigo sionista na guerra de julho de 2006. Os povos árabes e islâmicos jamais esqueceremos a firme posição do falecido presidente Chávez na defesa dos direitos do povo palestino e dos direitos da República Islâmica do Irã ao uso pacífico de tecnologia nuclear,” continua a declaração.

“O presidente Chávez foi uma fortaleza de defesa contra as políticas imperialistas, sem jamais ceder a sucessivos governos dos EUA ou se deixar submeter às suas pressões, provando que nossos países podem perseverar na trilha da independência e do progresso social, sem depender da custódia dos EUA." 

“O Partido da Resistência libanesa manifesta as mais sinceras condolências à família e aos camaradas do falecido grande comandante e a todo o valente povo venezuelano, e posiciona-se ao lado deles, nessa hora triste, de tão grande perda.” 

“O Hezbolá espera que os camaradas e companheiros do presidente Chávez consigam completar o seu trabalho e o seu legado, na defesa da liberdade, da independência e do bem-estar do povo venezuelano. Que continuem a apoiar os povos oprimidos em todo o mundo. E que não desistam da luta à qual o presidente Chávez dedicou a vida, contra as conspirações dos sionistas e dos EUA," conclui a declaração. 

Fonte: Al-Manar