quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Alto desemprego de jovens na Espanha "é emergência sanitária", diz OMS

O alto desemprego de jovens na Espanha "é uma emergência sanitária" que, se não for resolvido, terá consequências para futuras gerações, afirmou nesta quarta-feira (30/10) em Londres o autor de um estudo para a OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre as desigualdades de saúde na Europa, Michael Marmot. Segundo ele, a falta de emprego é "muito nociva para a saúde".


Diretor do Instituto de Igualdade Sanitária da University College de Londres, Marmot ressaltou que o governo espanhol deve introduzir medidas de proteção social para evitar a deterioração da geração jovem, que enfrenta o risco de problemas mentais e uma taxa de mortalidade mais alta.

"É urgente promulgar políticas econômicas e sociais que deem a estas pessoas um futuro", disse o acadêmico, que em sua apresentação mostrou uma foto de indignados se manifestando nas ruas de Madri.

Estas medidas incluiriam, segundo Marmot, o incentivo ao emprego com formação e acesso adequado a práticas assim como a garantia de renda para os desempregados através de ajudas sociais.

"Me preocupa que as medidas de austeridade impostas a Espanha, Grécia e Portugal estejam aumentando o desemprego entre a população jovem", disse o acadêmico, que ofereceu à Espanha uma receita para prevenir males maiores.

"O governo espanhol deve enfrentar a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) e dizer que deixe de impor medidas que prejudiquem a sua população", declarou.

"Com 52% de desemprego entre jovens, o mais alto da Europa, a Espanha enfrenta uma emergência sanitária", declarou Marmot.



A falta de emprego, argumentou, "é muito nociva para a saúde", com o efeito a curto prazo de "problemas de saúde mental" assim como um maior índice de distúrbios sociais.

A longo prazo, os desempregados sofrem "mais problemas físicos de saúde", até o ponto em que os desempregados têm "um taxa de mortalidade 20% mais alta" que as pessoas empregadas.

Os suicídios, "que são a ponta do iceberg", aumentam de maneira proporcional ao desemprego, disse o especialista.

No caso dos jovens, a falta de emprego nessa faixa de idade "diminui suas perspectivas de uma vida melhor no futuro, o que por sua vez repercutirá em seus filhos, que nascerão na pobreza ou com menos oportunidades".

Segundo o relatório apresentado hoje em Londres, "todos os países da Europa, ricos ou pobres, podem tomar medidas para melhorar a saúde de suas populações, pois é uma questão de prioridade".

"Uma pequena intervenção nos primeiros anos de vida de uma criança, para melhorar seu acesso à educação e a um estilo de vida são, pode ter um grande efeito, pois essa pessoa se desenvolverá melhor em anos posteriores", argumentou a diretora para a Europa da OMS, Zsuzsanna Jakab.

O relatório da OMS analisa as desigualdades de saúde entre 53 países europeus e sugere iniciativas que os governos possam aplicar para reduzir o problema, como a diminuição da pobreza infantil, a melhora da educação sanitária ou um sistema público de saúde de qualidade.

(*) Com Agência Efe

sábado, 26 de outubro de 2013

America do Sul Terra de Santos e Bandidos.


A História da América, nos livros didáticos, carrega uma
cicatriz, difícil de ser apagada, que vai de Cortês a Bolívar,
de Pizarro a Hidalgo, surgindo como sombra na imagem
fantasmagórica de Pinochet, o espectro dessa marca parece
conceder a todo o continente uma imagem de sujeição, de
autoritarismo e de incapacidade de livrar-se da condição
de colônia. 

Em nossos manuais escolares aparece a terra
onde o massacre ocorreu; em que culturas e sociedades
foram mortas a golpes de espada, lugar de veias abertas,
pronto para receber a violência e a dominação estrangeiras,
o continente vitimado. Terra de bons e maus, heróis
e covardes, santos e bandidos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ditaturas da América Latina

A ascensão e a queda dos governos militares

Prof Adail - 
A América Latina viveu como num jogo de War do fim da Segunda Guerra até a década de 80. Para evitar revoluções comunistas, os Estados Unidos apoiaram militares contra a democracia em mais da metade das nações. Esses governos duraram pouco mais que três décadas e marcaram para sempre o destino de países como o Brasil.
1954 - Guatemala e Paraguai
A primeira intervenção direta dos Estados Unidos no continente derruba Jacobo Arbenz, presidente da Guatemala. Em 11 de julho, o chefe do Estado-Maior do Paraguai, general Alfredo Stroessner, comanda um golpe contra o presidente Federico Chávez e assume o poder. Até o fim do ano, 13 das 20 nações da América Latina são dominadas por militares
1962 - Argentina
Em fevereiro, militares argentinos depõem Arturo Frondizi, presidente desde 1958. É apenas mais um golpe na Argentina, que teve depostos todos os seus presidentes desde Perón, que assumiu em 1946, a Isabelita Perón, em 1976
1964 - Brasil
Na madrugada de 31 de março, um golpe militar derruba o presidente João Goulart. O governo não reagiu, assim como os grupos que lhe davam apoio. Em 15 de abril, o general Humberto de Alencar Castelo Branco assume a presidência
1968 - Peru
Uma junta militar liderada pelo general Juan Velasco Alvarado instala-se no poder ao depor o líder Belaunde Terry. O primeiro ato de Alvarado foi polêmico e surpreendente: ele nacionalizou a empresa International Petroleum Company, que detinha a principal concessão de exploração de óleo e que estava com impostos atrasados. O governo Velasco foi a primeira ditadura do continente a promover uma reforma agrária.
1973 - Uruguai e Chile
Em junho, é a vez do governo democrático do Uruguai, liderado pela Frente Ampla, cair perante os militares. Em setembro, no Chile, uma ação militar cerca o presidente comunista Salvador Allende, que se suicida, mas novas pesquisas apontam para um assassinato. Quem assume é o general Augusto Pinochet
1978 - República Dominicana
As ditaduras começam a perder prestígio a partir de 1977, com a política de valorização dos direitos humanos do presidente americano Jimmy Carter. Uma das primeiras a cair foi a da República Dominicana, que teve início em 1965, com a invasão do país por 22 mil soldados da Organização dos Estados Americanos
1979 - Nicarágua
Enquanto a maioria dos países do continente está tomada por ditaduras, uma revolução popular provoca um golpe de esquerda na Nicarágua. Os revolucionários conseguem chegar ao poder em julho, depondo Anastásio Somoza, ditador desde 1967. O novo governo, de Daniel Ortega, passa a enfrentar uma contra-revolução apoiada pelos Estados Unidos
1982 - Bolívia
País campeão em quarteladas e contragolpes em todo o século 20, a Bolívia teve dezenas de presidentes desde 1964, quando foi derrubado o presidente de esquerda Paz Estenssoro (golpista e depois eleito democraticamente), Ele voltou ao cargo em 1985, com a democratização do país, mas enfrentou fortes crises econômicas e não estabilizou a política
1985 - Brasil
O processo de abertura política brasileira já vinha acontecendo desde 1974, com o crescimento da oposição parlamentar. Em 1985, Tancredo Neves, um não-militar da oposição, é eleito pelo Colégio Eleitoral – um dos marcos do fim da ditadura
1990 - Chile
O começo do fim da última ditadura do continente foi em 1988, quando a população disse não num plebiscito à proposta de o ditador Augusto Pinochet seguir no poder até 1997. No ano seguinte, Patricio Aylwin, candidato democrata-cristão da aliança com os socialistas, vence a eleição presidencial. Ele assume em 1990, quando o Congresso é reaberto 1990

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

50 verdades sobre a ditadura de Fulgencio Batista em Cuba

A ditadura de Fulgencio Batista, de 1952 a 1958, precipitou o advento da Revolução Cubana. Alguns mitos, cuidadosamente alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e pelos detratores de Fidel Castro, ainda persistem.

1. O golpe de Estado de 10 de março de 1952, organizado por Fulgencio Batista, que tinha sido presidente da República entre 1940 e 1944, colocou fim à ordem constitucional e derrubou o governo democraticamente eleito de Carlos Prío Socarrás, alguns meses antes das eleições presidenciais de junho de 1952.

2. Antigo sargento estenógrafo, Batista passou a fazer parte da política cubana durante a Revolução  de 4 de setembro de 1933, que foi liderada pelos estudantes e que derrubou a ditadura odiada de Gerardo Machado.
Ele encabeçou uma rebelião de suboficiais e se apoderou do Exército, transformando-se no novo chefe do Estado- Maior. No dia seguinte, 5 de setembro de 1933, Batista visitou o embaixador estadunidense Sumner Welles, que profetizou sua futura traição. Welles estava preocupado com os “elementos extremamente radicais” que acabavam de tomar o poder. O governo revolucionário de Ramón Grau San Martín, conhecido como “A Pentarquía”, tinha o apoio da “imensa maioria do povo cubano”, segundo a embaixada estadunidense.

3. Os Estados Unidos se negaram a reconhecer o novo governo revolucionário e encorajaram Batista a usar a força para derrubar San Martín. Este último defendia, por meio da voz de Antonio Guiteras, verdadeira alma da Revolução de 1933, a soberania nacional e a justiça social. Welles informou a Batista que dispunha do “apoio da imensa maioria dos interesses econômicos e financeiros em Cuba.”

4. Em janeiro de 1934, com o apoio de Washington, Batista derrubou o governo do Grau San Martín, conhecido como o governo dos “cem dias” (127 dias), impôs a figura de Carlos Mendieta e conservou o poder real. O sargento promovido a general tinha acabado de vencer as campanhas da Revolução de 1933. Washington alegrou-se com a situação: “O 4 de setembro de 1933 foi liquidado.”

5. Apesar das incessantes conspirações, da instabilidade política crônica e da hostilidade dos Estados Unidos, a [o governo da ] Revolução de 1933 organizou eleições para o dia 22 de abril de 1934; convocou uma Assembleia Constituinte para o dia 20 de maio de 1934; deu autonomia às universidades; reduziu o preço dos artigos de primeira necessidade; outorgou às mulheres o direito de votar; limitou a jornada de trabalho a oito horas; criou o Ministério do Trabalho; reduziu as tarifas de eletricidade e de gás; acabou com o monopólio das empresas estadunidenses; impôs uma moratória temporária sobre a dívida e, sobretudo, nacionalizou a Cuban Electric Company, filial da American Bond and Foreign Power Company.

6. De 1934 a 1940, Batista reinou nos bastidores até ser eleito presidente da República, em 1940, graças a uma coalizão heterogênea que agrupava as forças conservadoras e os comunistas do Partido Socialista Popular. Segundo Washington, “o volume e o tamanho da corrupção”, o alinhamento com a política exterior estadunidense e a sua dependência do mercado estadunidense marcaram seu governo. Batista permitiu, também, que Washington utilizasse o espaço aéreo, marítimo e terrestre [cubano ], dispusesse de várias bases aéreas e navais [no país]  com uso exclusivo durante a Segunda Guerra Mundial, sem reciprocidade, pondo assim a soberania nacional entre parênteses.

7. Em 1944, Ramón Grau San Martín foi eleito presidente da República e tomou posse em outubro de 1944. Batista deixou uma situação financeira desastrosa para o seu sucessor. O embaixador estadunidense Spruille Braden se deu conta da situação já em julho de 1944 e informou seus superiores: “É cada vez mais evidente que o presidente Batista deseja dificultar a vida da próxima administração de todas as formas possíveis, e, particularmente, do ponto de vista financeiro”. Braden denunciou “um roubo sistemático dos fundos do Tesouro” e disse que “o Dr. Grau vai encontra os caixas vazios quanto tome posse.”

8. Grau San Martín dirigiu o país até 1948 e a sua administração esteve gangrenada pela corrupção e pela dependência dos Estados Unidos. O Departamento de Estado enfatizou a débil situação da nação cubana em um memorando de 29 de julho de 1948: “A economia monocultora depende quase exclusivamente dos Estados Unidos. Se manipularmos os preços ou o contingente açucareiro podemos afundar toda a ilha na pobreza.”

9. Carlos Prío Socarrás, primeiro-ministro de Grau em 1945 e ministro do Trabalho depois, venceu a eleição presidencial de 1948. O nepotismo e a corrupção marcaram a sua administração.

10. No dia 10 de março de 1953, a três meses das eleições presidenciais de 1 de junho de 1952, Batista rompeu a ordem constitucional e instaurou uma ditadura militar. Aumentou o salário das forças armadas e da polícia (de 67 pesos para 100 pesos e de 91 pesos para 150 pesos, respectivamente); outorgou para si mesmo um salário anual maior que o do presidente dos Estados Unidos (passou de 26.400 dólares para 144 mil dólares, enquanto [Harry S.] Truman ganhava 100 mil); suspendeu o Congresso e entregou o poder legislativo ao Conselho de Ministros; eliminou o direito à greve; restabeleceu a pena de morte (proibida pela Constituição de 1940); e suspendeu as garantias constitucionais.

11. No dia 27 de março de 1952, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista. Como apontou o embaixador estadunidense em Havana, “as declarações do general Batista a respeito do capital privado foram excelentes. Fora muito bem recebidas e, eu sabia, sem dúvida alguma, que o mundo dos negócios é dos mais entusiastas partidários do novo regime.”

Wikicommons
12. Em julho de 1952, Washington assinou acordos militares com Havana, ainda que consciente do caráter brutal e arbitrário do novo poder. Cuba está “sob o jugo de um ditador sem piedade”, destacou a embaixada estadunidense em um relatório confidencial de janeiro de 1953, destinado ao Departamento do Estado.
De fato, o general reprimia com mão de ferro a oposição, particularmente a juventude estudantil simbolizada pelo assassinato do jovem Rubén Batista em janeiro de 1953.

13. No dia 26 de julho de 1953, um jovem advogado chamado Fidel Castro encabeçou uma expedição armada contra o quartel Moncada, segunda maior fortaleza militar do país. Foi um fracasso sangrento. O consulado estadunidense de Santiago de Cuba, disse que “o Exército não fez distinção entre os insurgentes capturados ou simples suspeitos”, reconhecendo o massacre cometido pelos soldados depois de receber ordens do coronel Alberto del Río Chaviano. Enfatizou também “o número muito baixo de feridos entre os insurgentes em relação ao número de soldados feridos [...]. Os agressores capturados foram executados a sangue frio e os agressores feridos também foram liquidados.”

14. Em novembro de 1954, Batista organizou uma paródia eleitoral que ganhou sem dificuldade. Os Estados Unidos reconheceram que “as eleições de Batista eram um simulacro destinado à agarrar-se ao poder.”

15. Em novembro de 1955, depois de uma ordem de Washington, o regime militar criou o Bureau de Repressão das Atividades Comunistas (BRAC), que se encarregava de “reprimir todas as atividades subversivas que pudessem afetar os Estados Unidos.”

16. Se os discursos de Batista eram ferozmente anticomunistas, é conveniente lembrar que foi ele quem estabeleceu pela primeira vez relações diplomáticas entre Cuba e a União Soviética, em 1942.

17. Durante toda a ditadura militar, Batista manteve relações comerciais com Moscou, vendendo açúcar. Em 1947, o Diario de la Marina, jornal conservador cubano, se alegrou com estas vendas destacando que “o preço do açúcar tinha melhorado depois de a União Soviética adquirir 200 mil toneladas”. Em nenhum momento Washington se preocupou com as relações comerciais entra a União Soviética e Cuba sob a ditadura de Batista. A história seria outra quando Fidel Castro chegasse ao poder.

18. Em maio de 1955, Batista, que desejava melhorar sua imagem e responder a uma petição popular, concedeu anistia geral e libertou Fidel Castro, assim como todos os outros presos de Moncada.

19.  No dia 2 de dezembro de 1956, depois de organizar uma expedição partindo do México, onde conheceu Che Guevara, Fidel Castro desembarcou em Cuba com 81 homens para dar início a uma guerra internacional contra a ditadura militar de Batista. Surpreendida pelo Exército, a operação foi um fracasso e os revolucionários tiveram de se separar. Fidel Castro se encontrou com outros 11 insurgentes, que tinham um total de apenas 7 fuzis.

20. O embaixador estadunidense Arthur Gardner expressou seu ponto de vista sobre Fidel Castro em um relatório enviado ao Departamento de Estado. O líder do Movimento 26 de Julho era um “gângster” que “ia se apoderar das indústrias americanas” e “nacionalizar tudo”. Quanto ao ditador Batista, “duvido que tenhamos tido melhor amigo que ele”. Faltava, então, “apoiar o atual governo e promover a expansão dos interesses econômicos estadunidenses.”

21. Batista exercia violência feroz contra a oposição. Mas os Estados Unidos se mostraram discretos em relação aos crimes que o seu aliado cubano cometia. Entretanto, a embaixada estadunidense em Havana multiplicava os relatórios sobre o tema: “Estamos convencidos agora de que os assassinatos recorrentes de pessoas a quem o governo qualifica como opositores e terroristas são, na realidade, o trabalho da polícia e do Exército. No entanto, o adido jurídico recebeu confissões indiretas da culpa dos círculos policiais, além de provas da responsabilidade da polícia.”

22. Wayne S. Smith, jovem funcionário da embaixada estadunidense, ficou chocado com os massacres cometidos pelas forças da ordem. Descreveu cenas de terror: “A polícia reagia de maneira excessiva à prisão dos insurgentes, torturando e matando centenas de pessoas, tanto inocentes como culpados. Os corpos são abandonados, enforcados em árvores, nas rodovias. Tais táticas levaram a opinião pública a rejeitar Batista e apoiar a oposição.”

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do The New York Times, permitiu que a opinião pública estadunidense e mundial descobrisse a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde em suas memórias que graças a esse palco jornalístico “Castro começava a ser um personagem de lenda”. Matthews relativizou, no entanto, a importância de sua entrevista: “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, teria podido ter efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. No dia 13 de março de 1957, um comando do Diretório Revolucionário do líder estudantil José Antonio Echeverría, que era composto de 64 jovens, atacou o Palácio Presidencial com o objetivo de executar Batista. A operação foi um fracasso e custou a vida de 40 dos 64 estudantes. Os sobreviventes foram perseguidos pela cidade e assassinados. Echeverría perdeu a vida durante um enfrentamento com a polícia perto da Universidade de Havana.

25. A embaixada francesa em Havana analisou o ataque de 13 de março: “As reações americanas aos acontecimentos em Cuba eram de horror, de simpatia pelos insurgentes, de reprovação contra Batista. Ao ler as reportagens que os principais jornais cubanos dedicaram ao evento, fica claro que o heroísmo dos patriotas cubanos marcou muito os Estados Unidos [...]. Se alguns reconhecem, no entanto, que os insurgentes de 13 de março estavam errados em seus métodos, é verdade, muito mais que em seus objetivos, todos estimam em troca que deram à sua causa a palma do martírio e que este exemplo estimularia a oposição cubana.”

26. Fidel Castro, que fez uma aliança com o Diretório Revolucionário na luta contra Batista, não concordava com o assassinato político: “Estávamos contra Batista, mas nunca tentamos organizar um atentado contra ele e teríamos podido fazê-lo. Era vulnerável. Era muito mais difícil lutar contra o Exército dele nas montanhas ou tentar tomar uma fortaleza que era protegida por um regimento. Quantos estavam no quartel de Moncada, naquele 26 de julho de 1953? Cerca de mil homens, talvez mais. Preparar um ataque contra Batista e eliminá-lo era dez ou vinte vezes mais fácil, mas nunca o fizemos. Por acaso o tiranicídio serviu alguma vez na história para fazer uma revolução? Nada muda nas condições objetivas que geram uma tirania [...]. Nunca acreditamos no assassinato de líderes [...], não acreditávamos que se abolia ou eliminava um sistema quando se eliminava seus líderes. Combatíamos as ideias reacionárias, não os homens.”

27. Nas montanhas de Sierra Maestra, onde aconteciam os combates entre o Exército e os insurgentes, Batista evacuou à força as famílias camponesas para eliminar a base de apoio dos rebeldes e as concentrou em armazéns da cidade de Santiago. Aplicava, assim, os métodos do general espanhol Valeriano Weyler durante a guerra de 1895-1898. Em uma reportagem, a revista Bohemia denunciou uma “situação de tragédia” que lembrava “as épocas mais obscuras de Cuba”. A revista semanal relatou a sorte de cerca de 6 mil vítimas: “É uma história dolorosa, de sofrimentos, de penas intensas. É a história de 6 mil cubanos obrigados a deixarem seus lares, ali, nos rincões inextricáveis de Sierra Maestra, para serem concentrados em lugares onde lhes faltava tudo, onde era difícil ajudá-los, dar-lhes uma cama ou um prato de comida.”

28. No dia 29 de julho de 1957, o assassinato de Frank País, líder do Movimento 26 de Julho no estado de Oriente, desatou uma imensa manifestação que foi reprimida pelas forças de Batista, a ponto de o embaixador estadunidense Earl E. T. Smith se sentir obrigado a denunciar “a ação excessiva da polícia.”

29. No dia 5 de setembro de 1957, o levante de uma parte do Exército contra Batista [na cidade de] Cienfuegos foi afogado em sangue. Segundo o embaixador Smith, “o fator-chave para quebrar a revolta de Cienfuegos” foi o uso de aviões “F-47 e B-26”, fornecidos pelos Estados Unidos.

30. No dia 29 de setembro de 1957, o Colégio Médico Cubano publicou um relatório sobre a situação política cubana durante a XI Assembleia Geral da Associação Médica Mundial. Segundo ele, “os combatentes da luta arma que se rendem são liquidados. Não há prisioneiros, só há mortos. Muitos opositores não são submetidos ao Tribunal de Justiça, são executados com um tiro na nuca ou enforcados. Intimidam os magistrados e os juízes sem que as vozes de protestos sejam escutadas. A desesperança se difunde entre os jovens que se sacrificam em uma luta desigual. Aquele que é perseguido não encontra refúgio. Na embaixada do Haiti, dez solicitantes de asilo foram assassinados pela força pública [...]. A imprensa está totalmente censurada. Não se permite a informação jornalística, nem sequer por parte das agências internacionais [...]. Nos locais do Exército e dos corpos de repressão da polícia os detidos são torturados para arrancar deles à força a confissão de supostos delitos. Vários feridos que estavam em clínicas e hospitais foram levados à força e apareceram várias horas depois assassinados nas cidades ou no campo”. O Washington Post e o Times Herald destacaram que “os médicos cubanos são vítimas de atrocidades, inclusive de assassinato por curar rebeldes cubanos.”

31. Em 1958, além de apoiar o regime de Batista, os Estados Unidos julgaram e prenderam Carlos Prío Socarrás, presidente legítimo de Cuba, refugiado em Miami, sob o pretexto de violar as leis de neutralidade do país, Ele tentava organizar uma resistência interna contra a ditadura.

32. Quanto à liberdade de imprensa, os Estados Unidos apresentaram  a Cuba pré-revolucionária com uma visão positiva. Assim, afirmam, “antes de 1959, o debate público era vigoroso: havia 58 jornais e 28 canais de televisão que proporcionavam uma pluralidade de pontos de vista políticos”. Os documentos da época e os acontecimentos contradizem esta afirmação. De fato, um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, por sua sigla em espanhol), publicado em 1957, chamou de “antidemocrático o governo do presidente Fulgencio Batista de Cuba, já que o governo não respeita a liberdade de imprensa”. De fato, a censura à imprensa se aplicou durante 630 dias dos 759 que durou a guerra insurrecional, entre 2 de dezembro de 1956 e 1 de janeiro de 1959.

33. Sob o mando de Batista, a corrupção era endêmica. “Os diplomatas informam inclusive que se sempre houve corrupção governamental em Cuba, nunca foi tão eficaz e generalizada como durante o regime do presidente Fulgencio Batista”, afirmou o The New York Times.

34. Batista estava intimamente vinculado a criminosos como Meyer Lansky ou Luigi Trafficante Jr. Seus primeiros contatos com a máfia remontavam à 1933, quando ele se autoproclamou coronel e Charles “Lucky” Luciano e Santo Trafficante sênior se aproximaram dele. O mundo do jogo, altamente lucrativo, estava controlado por Lansky, número dois da máfia estadunidense, um dos principais gângsteres dos Estados Unidos”, que “tinha criado para o ditador Batista a organização atual dos jogos de Havana”, de acordo com o jornal francês Le Monde.

35.  Os Estados Unidos e os partidários do antigo regime apresentam ainda a Cuba de Batista como “a vitrine da América Latina” da época. A realidade é sensivelmente diferente. As estatísticas do Banco Nacional de Cuba estão disponíveis para esse período e é possível comparar a situação econômica sob o governo democrático do presidente Carlos Prío Socarrás e sob o regime militar de Batista. Assim, entre 1951 e 1952, o PIB cubano aumentou 2,52%. De 1952 a 1953, sob Batista, o PIB caiu 11,41%, com um aumento de apenas 0,9%, de 1953 a 1954, e de 3,5%, de 1954 a 1955. Apenas em 1956 o PIB voltou a alcançar o nível de 1952, com 2,4  bilhões de pesos. Assim, é impossível falar de crescimento econômico entre 1952 a 1956. Durante dois terços do reinado de Batista não houve crescimento. A melhora só aconteceu a partir de 1957, quando o PIB alcançou a cifra de 2,8  bilhões de pesos e, em 1958, voltou a baixar para 2,6  bilhões.

36. Além disso, as reservas monetária caíram de 448 milhões de pesos, em 1952, para 373 milhões em 1958, os quais foram roubados durante a fuga de Batista e de seus cúmplices no dia 1 de janeiro de 1959. A dívida da nação passou de 300 milhões de dólares, em março de 1952, para 1,3 bilhão em janeiro de 1959, e o déficit orçamentário alcançou os 800 milhões de dólares.
37. A política açucareira de Batista foi um fracasso. Enquanto esse setor gerava entradas na casa dos 623 milhões de pesos em 1952, o montante baixou para 383, 5 milhões em 1953, 412,8 milhões em 1954, 402,1 milhões em 1955, 426,1 milhões em 1956 e 520,7 milhões em 1958. Somente o ano de 1957 gerou mais ingressou que 1952, com 630,8 milhões de pesos.

38. Os trabalhadores e empregados agrícolas pagaram o preço. Enquanto sua remuneração subia para 224.99 milhões de pesos em 1952, caiu para 127,7 milhões em 1953, 128,2 milhões em 1954, 118,9 milhões em 1955, 127 milhões em 1956, 175,3 milhões em 1957, 123,5 milhões em 1955, 114,6 milhões em 1956, 145,7 milhões em 1957 e 141,8 milhões em 1958. No governo de Batista, os trabalhadores e empregados não agrícolas nunca chegaram ao nível de renda de 1952.

39.  Mesmo assim, o regime de Batista se beneficiou da ajuda econômica estadunidense como nunca. Os investimentos estadunidenses em Cuba passaram de 657 milhões de dólares em 1950, no governo de Carlos Prío Socarrás, para mais de 1 bilhão de dólares em 1958.

40. O professor estadunidense Louis A. Pérez Jr. aponta que, “na realidade, a renda per capita em Cuba, em 1958, era mais ou menos semelhante a de 1947.”

41. Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Economia dos Estados Unidos, entre maio e 1956 e junho de 1957, publicado em um relatório intitulado Investment in Cuba. Basic Information for the United States Busing Department of Commerce, o número de desempregados era 650 mil na metade do ano, isto é, cerca de 35% da população ativa. Destes, 450 mil eram desempregados permanentes. Entre os 1,4 milhão de trabalhadores, cerca de 62% recebia um salário inferior a 75 pesos mensais. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, “no campo, o número de desocupados aumentava a cada safra açucareira e podia superar os 20% da mão de obra, isto é, entre 400 e 500 mil pessoas”. A renda anual do jornaleiro não passava dos 300 dólares.

42. Cerca de 60% dos camponeses viviam em barracos com teto de palha e piso de terra, desprovidos de banheiros ou água corrente. Cerca de 90% não tinham eletricidade. Cerca de 85% destes barracos tinham um ou dois ambientes para toda a família. Somente 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne, 2% ovos. 43% eram analfabetos e 44% nunca tinham ido para a escola. O jornal The New York Times ressalta que “a grande maioria deles nas zonas rurais – guajiros ou camponeses – vivem na miséria, em nível de subsistência.”

43. Segundo o economista inglês Dudley Seers, a situação em 1958 era “intolerável. O que era intolerável era a taxa de desemprego três vezes mais elevada que nos Estados Unidos. Por outro lado, no campo, as condições sociais eram malíssimas. Cerca de um terço da nação vivia na sujeira, comendo arroz feijão, banana e salada (quase nunca carne, peixe, ovos ou leite), vivendo em barracos, normalmente sem eletricidade nem latrinas, vítimas de doenças parasitárias, e não se beneficiavam de um serviço de saúde. A situação dos pobres, instalados em barracos provisórios em terras coletivas, era particularmente difícil [...]. Uma importante proporção da população urbana também era muito miserável”.

44. O presidente John f. Kennedy também se expressou a respeito: “Penso que não existe um país no mundo, incluindo os países sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração foram piores que as que aconteceram em Cuba, devido à política do meu país, durante o regime de Batista. Nos negamos a ajudar Cuba em sua desesperada necessidade de progresso econômico. Em 1953, a família cubana média tinha uma renda de 6 dólares semanais [...]. Este nível abismal piorou à medida que a população crescia. Mas, em vez de estender uma mão amistosa ao povo desesperado de Cuba, quase toda a nossa ajuda tomava forma de assistência militar – assistência que simplesmente reforçou a ditadura de Batista [gerando] o sentimento crescente de que os Estados Unidos eram indiferentes às aspirações cubanas a uma vida decente.”

45. Arthur M. Schlesinger, Jr., assessor pessoal do presidente Kennedy, se lembrou de uma estadia na capital cubana e testemunhou: “Eu adorava Havana e me horrorizou a maneira como esta adorável cidade tinha se transformado desgraçadamente em um grande cassino e prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos [...]. Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, se deitavam com garotas cubanas de 14 anos e jogavam fora moedas só pelo prazer de ver os homens chafurdando no esgoto para recolhê-las. É de se questionar como os cubanos – vendo essa realidade – poderiam ver os Estados Unidos de outro modo a não ser com ódio.”

46. Contrariamente às práticas do Exército governamental, os revolucionários davam uma grande importância ao respeito da vida dos prisioneiros. A respeito, Fidel Castro conta: “Na nossa guerra de liberação nacional, não houve um único caso sequer de prisioneiro torturado, nem mesmo quando poderíamos ter usado como pretexto a necessidade de conseguir alguma informação militar para salvar a nossa própria tropa ou para ganhar uma batalha. Não houve um só caso. Tivemos centenas de prisioneiros, depois milhares, antes do fim da guerra; era possível procurar os nomes de todos e não houve um único caso entre essas centenas, estes milhares de prisioneiros que tenha sofrido uma humilhação, ou sequer um insulto. Quase sempre púnhamos estes prisioneiros em liberdade. Isso nos ajudou a ganhar a guerra, porque nos deu um grau de autoridade frente aos soldados do inimigo. Confiavam em nós. No começo, ninguém se rendia; no final, se rendiam em massa”. O New York Times também aludiu ao bom tratamento reservado aos soldados presos: “É o tipo de conduta que ajudou ao Sr. Castro a ter uma importância tão extraordinária no coração e no espírito dos cubanos.”

47.  O embaixador Smith resumiu as razões do apoio dos Estados Unidos a Batista: “O governo de Batista é ditatorial e pensamos que não tem o apoio da maioria do povo de Cuba. Mas o governo de Cuba tem sido um governo amistoso em relação aos Estados Unidos e tem seguido um política econômica em geral sã, que tem beneficiado os investidores estadunidenses. Tem sido um partidário leal das políticas dos Estados Unidos nos foros internacionais.”

48. O jornalista estadunidense Jules Dubois, um dos maiores especialistas da realidade cubana da época, descreveu com Herbert L. Matthews o regime de Batista: “Batista voltou ao poder no dia 10 de março de 1952 e começou então a etapa mais sangrenta da história cubana desde a guerra da independência, quase um século antes. As represálias das forças repressivas de Batista custaram a vida a numerosos presos políticos. Para cada bomba que explodia, tiravam dois presos da cela e os executavam de maneira sumária. Uma noite em Marianao , um bairro de Havana, os corpos de 98 presos foram espalhados pelas ruas, crivados de balas.”

49. O presidente Kennedy também denunciou a brutalidade do regime: “Há dois anos, em setembro de 1958, um grupo de rebeldes barbudos desceu das montanhas de Sierra Maestra, em Cuba, e começou sua marcha até Havana, uma marcha que finalmente derrubou a ditadura brutal, sangrenta e despótica de Fulgencio Batista [...]. Nosso fracasso mais desastroso foi a decisão de dar status e apoio a uma das mais sangrentas e repressivas ditaturas na longa história da repressão latino-americana. Fulgencio Batista assassinou 20 mil cubanos em 7 anos – uma proporção maior da população cubana que a proporção de norte-americanos que morreram nas duas guerras mundiais – e transformou a democrática Cuba em uma Estado policial total, destruindo cada liberdade individual.”

50. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos deram seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opuseram a Fidel Castro. Apesar disso, de seus 20 mil soldados e de sua superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958. A contraofensiva estratégica lançada por Fidel Castro causou a fuga de Batista para a República Dominicana e o triunfo da Revolução em 1 de janeiro de 1959.
Opera Mundi

Brasil precisa de uma Bomba Atômica ?

Com o pré-sal, o Brasil será o quarto maior produtor de petróleo do mundo.

A Arábia Saudita, a primeira, tem a bomba atômica americana para defende-la.

A Rússia tem bomba atômica.

A Rússia bota na cadeia manifestante do Greenpeace que tenta depredar patrimônio russo.

Dá asilo ao Snowden.

E o Putin escreve um artigo no New York Times, manda o Obama deixar o Assad da Síria em paz e o Obama deixa. 

Porque tem bomba.

Os Estados Unidos, o terceiro produtor, têm 32 mil 500 bombas atômicas e de hidrogênio.

Os Estados Unidos reativaram a 4ª Frota para patrulhar o Atlântico, porque o pré-sal brasileiro, provavelmente, se estende até a costa Ocidental da África.

(E não é à toa que o Nunca Dantes vive lá …)

Os Estados Unidos querem montar uma base militar no Paraguai.

Montaram uma na Colômbia que vai permitir que caças voem até o Ártico sem se reabastecer.

Entre 2006 e 2011, os gastos militares americanos corresponderam a 46% da receita de impostos do país.

Se somar os gatos com Energia, Tesouro, Veteranos de Guerra, CIA, NSA, os Estados Unidos devem gastar U$$ 1 trilhão por ano em Defesa.

Os Estados Unidos gastam seis vezes mais em Defesa que o segundo colocado, a China !

Os Estados Unidos gastam metade dos gastos do mundo em Defesa.

(Dados extraídos de “The Capitalism Papers – Fatal Flaws of an Obsolete System”, de Jerry Mander, Editora Counter Point, Berkeley, 2012, Capítulo VIII, “A Propensão à Guerra”.

Com a devida autorização do dos chapéus – correspondente da Amazon no Brasil – em quinze dias esse livro pode chegar à casa do amigo navegante, por uns US$ 20.) 

O Brasil não tem bomba atômica.

O Collor e o Fernando Henrique assinaram o Tratado de Não-Proliferação, ou seja, tiraram os sapatos.

O Brasil tem a maior costa Atlântica, onde se deposita a Amazônia Azul.

O Brasil é a quinta economia do mundo e o décimo país em gastos com Defesa: gasta 1,5% do PIB.

É o país dos BRICs que menos gasta com Defesa.

Clique aqui para ler “Dilma, Amorim e a Defesa Nacional”, sobre  o “Livro Branco da Defesa Nacional”.

O Brasil investe em submarinos movidos a energia nuclear, constrói satélites e veículos lançadores de satélites.

Tem urânio e sabe enriquecer urânio.

Mas, não tem condições de defender o petróleo, militarmente.

E se, como se suspeita, tenha mais libras e mais Santos embaixo da Amazônia Azul ?

E se houver petróleo na Amazônia ?

O Brasil, agora, tem que discutir uma política de Defesa.

Comprar caças – onde os americanos não devem meter o dedo, como disse uma fonte do Mino Carta (quem será, hein ?) – rapidamente.

Exigir transferência de tecnologia e se tornar um produtor e exportador de produtos de Defesa.

Se o Brasil sai, progressivamente, da órbita estratégica dos Estados Unidos – para desespero dos colonistas   e se aproxima da China (em Libra, especialmente) e da Rússia, não pode contar com eles, nem com ninguém, para defender seu patrimônio energético.

Vencida a batalha do pré-sal – breve  tucanos, que o peso da irrelevância lhes se já leve -, chegou a hora de armar o Brasil.



O jogo do petróleo é bruto.

Quantas cabeças rolaram, da Pérsia à Argentina, por causa do ouro negro.

Nossa Defesa tem que ser mais que dissuasória, como diz o Livro Branco do Ministro Celso Amorim.

Ela tem que ser ostensiva.

Para uso imediato.

E expressiva.

Do tamanho do petróleo brasileiro.

Em tempo: enquanto não se tem a bomba.
Fonte: Conversa afiada 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tribunal argentino inicia julgamento de acusados por desaparecimentos na ditadura

Cinco suspeitos serão julgados em Neuquén pelo sequestro de 56 pessoas, incluindo o de um bebê recém-nascido
Cinco suspeitos de participar de crimes contra a humanidade durante a ditadura na Argentina (1966 – 1973) começam a ser julgados nesta quinta-feira (16/10) em Neuquén pelo tribunal local. É o terceiro julgamento contra repressores da época ditatorial realizado na província, que já condenou 21 pessoas com penas de 6 a 25 anos.

Reprodução Projeto Desaparecidos.org
Estarão no banco dos réus Jorge di Pascuele, coronel aposentado e ex-chefe de Inteligência, Jorge Soza, ex-vice-diretor da Delegacia de Polícia Federal de Neuquén, Mario Gómez Arenas, coronel aposentando e ex-chefe de inteligência do Batalhão 192, Luis Alberto Farias Barrera, major aposentado e ex-chefe da Equipe de Comando da Sexta Brigada e Hilarión de la Pas Sosa, médico e ex-chefe da Seção de Saúde da Brigada de Infantaria.

Eles são acusados de participar do desaparecimento de ao menos 56 pessoas na região do Alto Vale de Rio Negro, no norte do país, durante os anos da ditadura argentina.

Entre os casos a serem julgados está o sequestro da psicóloga María Delia Leiva (foto à esquerda) junto de seu filho recém-nascido Gabriel Matías Cevasco em janeiro de 1977. María, de 28 anos, saía da fábrica têxtil San Andrés, onde trabalhava, quando foi abordada por um grupo de pessoas vestidas como civis, mas que se identificaram como policiais. Um mês depois, uma policial entregou Gabriel, batizado de Ramiro Hernán Duarte, a uma família, que não tinha conhecimento de seu passado. Até hoje, não se sabe do paradeiro da psicóloga.

As acusações foram realizadas pela Secretaria de Direitos Humanos da Nação e da província de Buenos Aires, pela Liga Argentina pelos Direitos dos Homens e por familiares das vítimas. Pelo menos 61 pessoas foram convocadas a testemunhar durante o julgamento.

Em 2008, o tribunal de Neuquén julgou e condenou com penas de 25 a 7 anos oito repressores do Estado e em 2012, julgou 21 pessoas, condenando 13 deles com penas de 23 a 6 anos também por crimes contra a humanidade. Tanto Gómez Arenas como Pas Sosa e Farías Barrera foram dispensados do julgamento no ano passado por conta de problemas de saúde, mas devem comparecer nesse novo tribunal.

Neste ano, foi dispensado por razões de saúde o ex-comissário da polícia provincial de Neuquén, Héctor Mendonza, que permaneceu foragido por vários anos até que foi capturado em 2011 no Paraguai e extraditado a Argentina. Di Pasquale, que está detido no complexo penitenciário federal de Marcos Paz, não obteve autorização para participar por teleconferência do julgamento, como havia requerido seu advogado.

Não à prisão domiciliar

A Assembleia de Direitos Humanos de Neuquén solicitou ao tribunal que sejam revogadas as prisões domiciliares de Soza, Farías Barrera, Gómez Arenas e Sosa, condenados, anteriormente, por outros crimes contra humanidade durante a ditadura. Farías Barrera, por exemplo, responsável por atender os familiares de sequestrados e desaparecidos na época, foi condenado a 22 anos de prisão em 2008.

“É arbitrária a concessão do benefício posto que não se fundou, devidamente, a procedência e o risco de interferência no processo”, disse em comunicado a associação. ”Também é questionável a decisão pela segurança dos sobreviventes e testemunhas do julgamento, que se vê ameaçado”, acrescenta.

A Assembleia de Direitos Humanos ainda apontou o perigo de fuga dos réus, lembrando o caso de Soza, que se escondeu na Espanha por muitos anos. Di Pasquale também esteve foragido até fevereiro de 2010, quando foi encontrado por um juiz na região do rio Prata.

De acordo com o jornal argentino Pagina 12, cerca de mil repressores da ditadura argentina foram identificados em junho deste ano em uma investigação. Destes, 201 estavam sendo investigados pela justiça. Organizações de direitos humanos estimam que aproximadamente 30 mil pessoas foram presas e sequestradas durante a ditadura argentina; a maior parte continua desaparecida.  

Construção de colônias israelenses em territórios palestinos aumentou 70% em 2013

De acordo levantamento feito por ONG, grande parte das edificações foi feita sem lançamento de licitações



Foto da construção de novos assentamentos na Cisjordânia;expansão é estratégia de Israel para dificultar criação de estado palestino


A construção de novos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados aumentou em 70% na primeira metade deste ano. O número foi divulgado nesta quinta-feira (17/10) com a publicação dos relatórios semestrais da organização israelense Peace Now, que monitora a expansão dos assentamentos na terra palestina desde 1990, e revelam mais uma ruptura de Israel com os acordos internacionais de paz.

O crescimento ocorre depois de um boom nas licitações lançadas por Israel para o estabelecimento de novas colônias, que quadruplicaram entre os anos de 2011 e 2012. A partir de fotos aéreas da Cisjordânia tiradas ao longo dos primeiros seis meses deste ano, a ONG calculou que Israel iniciou a edificação de 1708 novas casas, o que representou um aumento de 70% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando 995 obras tiveram início.

Dessas, 61% foram construídas em colônias isoladas dos grandes blocos de assentamentos, que Israel espera manter depois de qualquer acordo de paz com os palestinos, representando, portanto, mais um avanço israelense sob terras palestinas. No entanto, não há certeza de que essas medidas são a origem da alta.

Além disso, apenas uma pequena parcela dessas construções foi realizada com o lançamento de licitações públicas, sendo pelo menos 86% fruto de obras onde o processo de partilha da terra é comandado por organizações privadas e não passa por divulgação. Nesses casos, as propriedades são entregues por Israel à Organização Sionista Internacional que as repassa para ONGs pró-assentamentos, como a Amana, e para associações de colonos, que, por sua vez, selecionam os novos residentes.

A informação obtida pela Peace Now revela que o congelamento nas licitações declarado pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em maio deste ano, depois da visita do presidente norte-americano, Barack Obama, não teve muitas consequências na prática. “Isso significa”, diz a organização em comunicado, “que a moratória anunciada pelo governo... não foi um congelamento geral das construções de assentamentos, mas apenas de uma pequena parte”.

Menos transparência 

A prática de construir novos assentamentos sem editais públicos parece ter se tornado uma opção do governo israelense para dificultar o controle de suas edificações no território palestino.

Segundo apuração do jornal israelense Haaretz, o conselheiro do premiê israelense nos assuntos de colônia, Gabi Kadosh, propôs mudar a legislação atual, que exige licitações públicas para novas construções em assentamentos urbanos. Sua ideia é a de mudar o status das colônias urbanas para permitir a distribuição de terra sem editais, reduzindo o risco de uma intervenção internacional.

O plano, de acordo com o Haaretz, foi submetido esta semana ao secretario de gabinete, Avichai Mandelblit.

Um impedimento ao Estado palestino

A construção de assentamentos é considerada uma estratégia das autoridades israelenses para impedir a criação do estado palestino. Apesar de ter se intensificado sob a administração de Netanyahu, governos anteriores já adotavam a prática. Segundo dados oficiais, a população de colonos israelenses mais do que triplicou desde o inicio dos Acordos de Oslo, no final de 1993, passando de 116 mil para 341 mil de pessoas.

Diferentes estratégias foram utilizadas pelas autoridades para aprovar novos assentamentos nos territórios palestinos nos últimos anos, com Netanyahu. Segundo relatório anterior da Peace Now, dez assentamentos construídos por cidadãos israelenses sem autorização legal foram legalizados e outro foi estabelecido com a concessão de uma autorização a colonos para comprar propriedade contestada na justiça.

Além disso, o governo de Netanyahu não faz nada para impedir a construção de novas colônias em território palestino por cidadãos israelenses. Ao menos quatro novos assentamentos foram criados ilegalmente no meio da Cisjordânia e nenhuma medida foi tomada pelas autoridades.

Em vez de remover esses assentamentos ilegais, o premiê israelense anunciou em fevereiro de 2011 que iria tentar legalizar, sempre que possível e por qualquer meio disponível, toda a construção ilegal de colonos.

As autoridades palestinas já afirmaram que podem deixar a recém-estabelecida mesa de negociação caso Israel continue com as construções. Saeb Erekat, líder do time palestino, disse à agência AFPque o crescimento de assentamentos estava “destruindo o processo de paz” e que Israel é “inteiramente responsável por essa situação e suas consequências”. 

Fonte Opera Mundi

América Latina: 23,5 milhões de indígenas são afetadas

Menos de 15% das jovens de 20 a 29 anos conseguiram terminar o nível escolar secundário em 7 dos 9 países analisados
Novo estudo da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) afirma que existem mais de 670 povos indígenas reconhecidos pelos nove Estados analisados e que ao menos 23,5 milhões de mulheres são afetadas pelas desigualdades étnicas e de gênero.

O documento Mulheres indígenas na América Latina: dinâmicas demográficas e sociais no âmbito dos direitos humanos foi apresentado durante a XII Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, realizada nexta sexta-feira (18/10) em Santo Domingo, República Dominicana.

O relatório avalia a situação das mulheres indígenas no Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Nicarágua, Panamá, Peru e Uruguai. O estudo indica que as mulheres indígenas têm capacidades e potencialidades para agir como agentes de mudança e geradoras de bem-estar e de desenvolvimento sustentável de seus povos, mas sofrem discriminações de caráter econômico, étnico, de classe e de gênero, que se manifestam em múltiplas vulnerabilidades.

A CEPAL pede que os países da região coloquem em prática políticas que busquem eliminar os fatores que determinam a situação da desigualdade na qual vivem as mulheres desse grupo, baseadas nos padrões dos direitos humanos e nos princípios acordados nas recentes conferências multilaterais sobre os povos indígenas. Para a Comissão, a garantia do exercício dos direitos individuais e coletivos das mulheres indígenas é indispensável para alcançar a igualdade que a região busca.

Embora tenha havido progressos no âmbito da educação – mais de 90% dos meninos e meninas indígenas de 6 a 11 anos vão à escola na maioria dos países da região – os avanços são insuficientes, afirma o relatório. Menos de 15% das jovens indígenas de 20 a 29 anos conseguiram terminar o nível escolar secundário em sete dos nove países analisados – o Brasil faz parte desses sete.

A perda do idioma original como resultado do processo de escolarização também é um aspecto central da problemática. O documento indica que a maternidade na adolescência (de 15 a 19 anos) continua sendo maior entre as jovens indígenas de todos os países analisados, com um patamar que vai de quase 12% no Uruguai a 31% no Panamá. O índice no Brasil é de 27%.

* Originalmente publicado pela ONU Brasil