quarta-feira, 28 de agosto de 2013

10 coisas que você não deve saber sobre "I have a dream" e Martin Luther King


A Marcha por Trabalho e Liberdade, em   28 de agosto de 63   reuniu em Washington mais de 250 mil manifestantes em frente ao monumento a Lincoln, o presidente que emancipou os escravos e cujo decreto, nas próprias palavras de Luther King, pôs fim aos tempos de cativeiro dos negros. Naquela tarde, foi consagrado um dos discursos mais clássicos de todos os tempos: "I have a dream" (eu tenho um sonho). Conheça dez fatos curiosos que envolvem um dos principais momentos da história recente dos EUA.

1- Luther King não era o líder da Marcha para Washington: o verdadeiro idealizador da marcha foi A. Philip Randolph, negro ligados a movimento sindical norte-americano. Ele tentava organizar o protesto desde 1941. King Jr, é verdade, ajudou na organização, mas nem de longe pode ser considerado o líder da Marcha. Assim como Joan Baez e Bob Dylan, a priori, era apenas mais um orador do dia.

2A frase "I have a dream" (eu tenho um sonho em português) só foi dita no décimo nono parágrafo do discurso de Luther King.

3Nada inédito. A expressão ficou famosa no dia 28 de agosto de 1963. No entanto, Luther King já tinha usado os mesmos termos diversas vezes em discursos anteriores.
4- Marlon Brandon. Eternizado na história do cinema por suas interpretações em Último Tango em Paris e o Poderoso Chefão, o ator foi um dos mais ativos durante o processo de mobilização dos manifestantes.  Reza lenda que chegou a puxar pelo braço outros colegas de Hollywood para participar da Marcha.
5- O presidente Kennedy pediu à organização que o evento não fosse realizado em um fim de semana devido ao medo da proporção que o movimento pudesse tomar. A manifestação foi feita em uma quarta-feira e, mesmo assim, foi uma das maiores da história dos EUA. Cerca de 1.500 ônibus e 30 trens foram fretados por sindicatos e movimentos sociais dos EUA. Algumas cidades, como Nova York, decretaram feriado para que as pessoas pudessem ir ou acompanhar pela TV os manifestantes.
6- Algumas mulheres acusaram a organização de discriminação. Apesar do papel ativo que muitas mulheres brancas tiveram durante o movimento, apenas negras puderam falar no microfone.  Após a Marcha para Washington, muitas que ficaram frustradas partiram para o movimento das mulheres.
7-Lei Seca. As autoridades norte-americanas temiam que a multidão perdesse o controle e partisse para violência. Washington, então, proibiu que bares, restaurantes e supermercados vendessem bebidas alcoólicas.
8- Após a marcha e o famoso "I have a Dream", o presidente Kennedy recebeu os principais nomes do evento. Documentos da época revelam que, afoito, Kennedy falava compulsivamente a King Jr, Randolph, entre outros – que já estavam exaustos por um dia inteiro de caminhada e discursos. Randolph, com um bom teor de ironia, interrompeu o presidente: "Por favor, será que poderíamos tomar pelo menos um leite?", disse. Kennedy serviu lances e bebidas. A reunião prosseguiu logo após.
9- Malcolm X. Um dos principais líderes do movimento negro e com influências dos Panteras Negras fez oposição à Marcha de Washington. Malcolm X afirmou que o movimento estava tomado por "brancos".
10- Sonho virou pesadelo. Outra frase marcante na vida de Martin Luther King veio anos depois. Crítico ferrenho da guerra do Vietña e da política externa norte-americana ele afirmou meses antes de sua morte que "o sonho virou pesadelo" após decepção com engajamento político e social dos afro-americanos nos EUA.
Fonte OM

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Síria apresenta provas sobre uso de armas químicos por mercenários



Damasco- O governo da Síria continua apresentando provas sobre o uso de armamento químico por grupos da chamada oposição armada, enquanto busca desmantelar a campanha mediática em seu contrário que pretende inclusive desatar uma invasão militar.
Ao aplanar ontem um depósito pertencente a mercenários em Jobar, localidade da periferia de Damasco, o Exército Árabe Sírio achou vários barris de agentes tóxicos com a inscrição Feito na Arábia Saudita, além de máscaras antigases e pastilhas para neutralizar os efeitos pela exposição aos ditos químicos, segundo mostrou a televisão nacional.

Durante o operativo, soldados sírios sofreram problemas respiratórios, ardor e coceira na garganta e os olhos, além de apresentar pupilas dilatadas, pulso débil, contrações musculares, pois os extremistas aspergiram vários gases para evitar que ocupassem o lugar, assinalou a rede de televisão.

De acordo com fontes médicas tais sintomas aparecem quando se inalam substâncias químicas ou gás sarim.

Um servidor público do Ministério de Defesa confirmou a Prensa Latina, sob condição de anonimato, que o ataque com as substâncias letais custou a vida de um coronel enquanto 50 soldados permanecem ingressados, alguns em estado grave.

Um comandante na localidade de Jobar detalhou que como parte da intensa ofensiva que ali tem lugar se encontrou um refúgio com artefatos explosivos de até 300 quilos bem como matérias primas para bombas, além de granadas, projéteis de RPG e de morteiro e comandos para detonar os explosivos a distância.

O chefe militar explicou que o uso de substâncias químicas por parte dos terroristas reflete seu desespero ante os sustentados avanços das Forças Armadas, ao mesmo tempo em que assegurou que nos próximos dias Jobar será declarada livre de opositores armados.

O estamento castrense também avança para conseguir o controle de Ghouta Oriental, localidade da província Damasco onde a 21 de agosto foi lançado um suposto ataque químico do qual as forças opositoras culparam ao governo.

Damasco desmentiu as acusações e pelo contrário, responsabilizou os grupos opositores armados de executar o eventual fato para aplanar o caminho para uma eventual invasão contra o país. Tal incidente é qualificado por Rússia, Irã e vários especialistas militares como uma montagem para desviar a atenção da comissão da ONU que, convidada pelas autoridades, se encontra no país para pesquisar várias denúncias sobre o emprego de gases tóxicos.

Neste sábado chegou à capital síria Angela Kane, representante da ONU para Assuntos de Desarmamento que, enviada pelo secretário geral do organismo Ban Ki-moon, busca a autorização do governo para efetuar pesquisas sobre o mais recente incidente.

O governo sírio mostrou-se favorável à investigação; no entanto, a forte presença de irregulares no lugar desaconselha por ora a chegada da equipe, o que poderia significar um risco para suas vidas, explicam servidores públicos.

Meios de imprensa nacionais mostraram na sexta-feira e sábado em diferentes espaços vários depoimentos de mercenários e radicais islâmicos sobre a obtenção e uso de armamento químico em diferentes parte do país.

Não obstante, capitais ocidentais e do Oriente Médio insistem em culpar à administração do presidente Bashar al-Assad do alegado uso de armas químicas e chamam em alguns casos como represália, a iniciar bombardeios contra o país ou uma invasão com forças militares.

Fonte: prensa Latina

Ruanda e o Mito de Abel e Caim


Ruanda
A nordeste da curva do rio Congo estabeleceu-se um conjunto complexo de pequenos reinos interlacustres entre os quais Ruanda. Esse conjunto pode ser definido como tendo elementos históricos comuns, praticamente sem fronteiras políticas rígidas e sem fortes barreiras lingüísticas. Nesse complexo, mais especificamente em Ruanda.

A primeira obra clássica que exemplifica essas considerações é de Philip Gourevitch, Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias. A segunda é o brilhante A enxada e a lança: a África antes dos portugueses, de Alberto da Costa e Silva.

O mito de criação permaneceu recontado por sucessivas gerações apresentando a sociedade de Ruanda como natural quanto à forma como foi constituída. Em Ruanda contava-se que os tútsis tinham origem celeste, assim como o soberano e a monarquia eram sagrados, fazendo parte de tradições oficiais de conformidade com um código secreto do ritual real, cuja sacralidade seria voltada para o benefício do país. Dessa forma, os tútsis eram identificados como pertencentes a uma civilização superior. Já aos hutus e aos tuas cabia aceitar “espontânea e passivamente” sua condição servil, caso contrário, seriam vítimas de sanções divinas.

A literatura sobre Ruanda apresenta várias versões desse mito de origem, embora todas elas coincidam em que os tútsis eram descendentes de Caim e Abel.

No que se refere às relações entre as instâncias de governo e a maioria da população desses reinos, podem ser qualificadas como de dependência pessoa, envolvendo os grupos dominantes integrados pelos tútsis, a grande maioria da população constituída pelos hutus (cerca de três quartos) e um pequeno número de tuas. Estavam organizados nos moldes de sociedade de castas, nas quais a população de trabalhadores agrícolas ficava a serviço dos chefes políticos ou de clãs que tinham controle do gado. As diferenças eram traduzidas em desigualdades pelas quais os clãs eram hierarquizados e o soberano considerado uma divindade infalível e absoluta.

Quando em 1890 os alemães tornaram-se colonizadores de Ruanda, mantiveram todas as justificações míticas, sobretudo a que hierarquizava as três castas.

O período de colonização dos alemães, que durou até a Primeira Guerra Mundial, ficou marcado pela organização da força pública. As desigualdades não só foram mantidas como reforçadas, tanto é que a administração pública continuou a ter seus cargos preenchidos pelos tútsis. Ruanda foi até 1959, o reino interlacustre com maior grau de estratificação etnopolítica: os tútsis, pastores, somavam 14% da população e constituíam a elite dominante; os hutus, trabalhadores agrícolas, eram 85% e os tuas chegavam apenas a 1%.
Entre 1930 e 1932 foi posta em prática uma política de estabilização da mão-de-obra para combater a elevada porcentagem da população que havia migrado para Catanga, no Congo, uma vez que a densidade populacional de Ruanda era baixa, de apenas 6,8 habitantes por km2. A política de repatriação, porém, acabou acarretando uma série de tumultos, pelas más condições de trabalho e pelos baixos salários que dificultavam o pagamento dos imposto de capitação.

A estratificação social era mantida por um sistema monárquico absolutista com certa complexidade social própria da passagem de uma sociedade rural para uma sociedade urbana. Para isso contribuiu a criação de escolas seminaristas, em particular católicas, sendo redigido em março de 1957, por nove seminaristas o Manifeste des Bahutu, representando a primeira manifestação política dos hutus de Ruanda.

Depois de um ano, os tútsis reagiram com um manifesto dos “doze grandes feudais da Corte”. Escreveram os tútsis: “Podemos perguntar como podem os Bahutu reclamar o seu direito à partilha do patrimônio comum... As relações entre nós (Batutsi) e eles (Bahutu) foram em todos os tempos baseadas sobre a servidão; não há portanto entre eles e nós qualquer fundamento de fraternidade”.

A crise chegou a seu ponto máximo com a notícia da morte súbita do mwami Mutara III, o que só fez aumentar o sentimento antibelga dos tútsis reforçada pelos recentes acontecimentos pró-independência do Congo Belga. Os próprios tútsis designaram como sucessor Kigeri V, a 28 de julho, ainda durante o desenrolar da cerimônia fúnebre, excluíram a autoridade belga.

 Nessa conjuntura marcada por uma evidente crise política fundou-se o partido tútsi, o Union Nationale Rwandaise (Unar), a 15 de agosto de 1958. Foi fundado também o conhecido Parmehutu, isto é, o partido hutu, Parti du Mouvement de l´Émancipation Hutu, a 19 de outubro de 1959.

Desde os primeiros dias de novembro de 1959, a característica principal no centro de Ruanda foi a violência política entre os seguidores de ambos os partidos. Foi uma revolta espontânea dos hutus, bastante violenta e com o uso da força em situações públicas.

A 10 de novembro de 1959 Bruxelas resolveu anunciar a decisão de conceder a Ruanda a autonomia interna que tivesse inìcio por “eleições comunais”. Por um
decreto interino de 25 de dezembro de 1959 foram constituìdas “comunas provisórias”. Como consequência, os tútsis fugiram do norte de Ruanda e os Conselhos Interinos foram constituídos majoritariamente por hutus. A pequena elite cultural hutu não hesitou em apoiar a violência política. Assim, em junho, tútsis e hutus recomeçaram as escaramuças.

Na resolução da Assembleia Geral de 20 de dezembro de 1960 foi recomendado que as eleições legislativas fossem transferidas para o verão de 1961 e efetuadas sob seu controle. A partir daì haveria “ uma anistia geral e incondicional”.

As ações terroristas foram reiniciadas, dando ensejo a assassinatos em série, além de incêndios de casas, prisões e expulsão de várias famílias. Instaurou-se um clima de terror que condenou milhares de tútsis à fuga. Significa dizer que passou a haver “[...] a utilização recorrente e ritualizada da força física na definição das identidades pessoais e coletivas [...]”.

Em plena situação de caos social foram realizadas as eleições e, por significativa maioria de votos, adotada a República. Com a revolução precedendo a independência, em 21 de dezembro de 1961, a Bélgica concedeu autonomia interna a Ruanda e, em 28 de junho de 1962, a Assembleia Geral da ONU fixou para 1º de julho a supressão da tutela e a concessão da independência à República Democrática de Ruanda.

É sabido, no entanto, que os acontecimentos posteriores acabaram culminando com um dos mais violentos genocídios do século XX, estimando-se em 1.074.017 mortos, ou seja, um sétimo da população de Ruanda, sendo 93,7% de tútsis.

Esse apartheid etnoistórico, por vezes também considerado racial, condicionou as discriminações raciais, econômicas, sociais e políticas. Foi reforçado o processo de reinvenção das identidades por meio da mudança de critérios de exclusão pelas próprias autoridades belgas, com o apoio da Igreja Católica local e dos franceses, que passaram a apoiar os hutus contra os tútsis.

A NOVA ORDEM POLÍTICA E A QUESTÃO COLONIAL NA ÁFRICA


O período entre - guerras: algumas questões econômico-sociais
Não bastam as condições degradantes de vida para que se constitua um movimento social contestatório do colonialismo. É preciso identificá-las:
– a primeira é predominantemente cultural, voltada para a afirmação de identidades nacionalista como o pan-africanismo;
– a segunda é sobretudo política, contando com a criação de associações e partidos que articulam interesses e organizaram solidariedades no plano das relações internacionais, convergindo para a consecução da independência e da autodeterminação.
Os referidos movimentos resultaram de uma grande experiência histórica compartilhada por colonizadores e colonizados. É possível dizer que as duas guerras mundiais, sobretudo a segunda, acentuaram demandas opostas por parte dos europeus e dos africanos. Criou-se o paradoxo de equalizar colonos e africanos, ao mesmo tempo que para estes se adensou o sentimento das desigualdades, da violência e da exclusão vividas cotidianamente.
Examinando a história da África desde 1914 é difícil dizer o que chama mais a atenção, se as questões econômico-sociais ou as questões políticas. Alguns fatos históricos ajuda a explicitar:
– em parte, a Primeira Guerra Mundial ocorreu na África;
– as operações militares desenrolaram-se em varias partes do solo africano;
– os aliados invadiram o Togo, a Costa do Ouro, Camarões, a África equatorial francesa e o norte do Egito;
– contaram ainda com forças da África do Sul para invadir o Sudoeste Africano Alemão (atual Namíbia) e depois a África Oriental Alemã (atual Tanzânia).

A guerra acarretou um êxodo de europeus com funções administrativas e comerciais, obrigados a somar esforços na frente ocidental ou incorporar-se às unidades que estavam na África. Nas colônias francesas, todos os europeus foram convocados; na África Oriental Inglesa foram todos recenseados ficando à disposição dos esforços de guerra, o que levou à participação de africanos nos quadros das organizações administrativo-jurídicas.
Houve uma forte queda dos preços dos produtos básicos e um aumento, de cerca de 50%, dos preços dos produtos importados. O resultado foi, a organização de empresas especulativas em grande escala que passaram a exercer maior controle quanto ao cultivo dos produtos de exportação considerados estratégicos como a madeira, o algodão e o marfim.
Consequências:
– o agravamento da situação de pobreza para a massa de pequenos trabalhadores do campo que acabaram hipotecando suas terras e tornado-se rendeiros;
– o surgimento de pequenos proprietários de terras e empresários comerciais que aumentaram o ganho graças à miséria e ao endividamento da maioria.
Os países europeus intervieram na vida econômica dos territórios africanos de múltiplas formas, utilizando-se do exercício da autoridade e da subordinação.

A economia de plantations desenvolveu-se contando com dois terços dos investimentos europeus em áreas dominadas pela mineração como na Tanganica, no Quênia, na Rodésia e na totalidade da África ao sul do Congo Belga. O sucesso da exploração mineral trouxe consigo o aparecimento de uma “comunidade industrial e urbana” na África do Sul.

Na depressão dos anos 1929-33 se constata que mesmo aqueles que antes tiveram proveito do colonialismo e da dependência tiveram de enfrentar os baixos preços dos produtos do Terceiro Mundo. Colonialismo e dependência acabaram sendo refutados mesmo por aqueles que se beneficiavam com eles.
O descontentamento fez-se presente base dando base de massa para a mobilização política anticolonial
.
Com a queda dos preços dos produtos agrícolas o governo colonial aumentou os impostos sobre todos os bens manufaturados que acabou sendo incentivo para que as empresas ocidentais começarem a estabelecer algumas instalações para a produção no próprio continente africano que integrou o mundo colonial na “economia do mundo”.

Com todas as dificuldades, a economia apresentava significativas mudanças. Foram feitas as primeiras reformas que iriam dar ensejo à constituição dos primeiros sindicatos e partidos políticos que, em particular nas Áfricas central e setentrional, provocaram as primeiras greves trabalhistas de massa após 1935, começando no cinturão do cobre centro-africano. De 1935 a 1940 foram inúmeras as greves em todo o continente africano, ainda que poucas vezes de sentido anticolonial.

domingo, 25 de agosto de 2013

Operação Médica Brasil Cuba

Pedro Porfirio
Elite corporativista teme que mudança do foco no atendimento abale o sistema mercantil de saúde 
A virulenta reação do CFM (Conselho Federal de Medicina) contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.
Essa não é a primeira investida radical do CFM e da AMB (Associação Médica Brasileira) contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.
A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.
No Brasil, o apego às grandes cidades
Neste momento, o governo da presidente Dilma Rousseff só está cogitando trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.

[Dos 371 mil médicos brasileiros, 260 mil estão nas regiões Sul e Sudeste]
E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.
Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.
Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.
Sem compromisso em retribuir os cursos públicos
Há no Brasil uma grande “injustiça orçamentária”: a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.
Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792 mil para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (UNESP), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais.
Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.
Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.

Os chanceleres Bruno Parrilla (à esq.), de Cuba, e o brasileiro Antonio Patriota, na coletiva que anunciou o acordo
Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades
Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades. Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.
Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho, se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.
A pesquisa “Demografia Médica no Brasil” revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas — uma vaga para cada 12.836 habitantes — e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.
Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46,6 milhões e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354 mil.Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde) é de 144 milhões de pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281 mil.
A falta de atendimento de saúde nos grotões é um dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.
A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença. Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical nos seus índices de saúde.
Cuba é reconhecida por seus êxitos na medicina e na biotecnologia
Em sua nota ameaçadora, o CFM afirma claramente que confiar populações periféricas aos cuidados de médicos cubanos é submetê-las a profissionais não qualificados. E esbanja hipocrisia na defesa dos direitos daquelas pessoas.
Não é isso que consta dos números da OMS (Organização Mundial de Saúde). Cuba, país submetido a um asfixiante bloqueio econômico, mostra que nesse quesito é um exemplo para o mundo e tem resultados melhores do que os do Brasil.
Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo — 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959, quando do triunfo da revolução) — inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos — 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) — é comparável a das nações mais desenvolvidas.
Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total) distribuídos por todos os seus rincões que registram 100% de cobertura, Cuba é, segundo a OMS, a nação melhor dotada do mundo neste setor.
Segundo a New England Journal of Medicine, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.
O Brasil forma 13 mil médicos por ano em 200 faculdades: 116 privadas, 48 federais, 29 estaduais e 7 municipais. De 2000 a 2013, foram criadas 94 escolas médicas: 26 públicas e 68 particulares.
Formando médicos de 69 países
Em 2012, Cuba, com cerca de 13 milhões de habitantes, formou em suas 25 faculdades, inclusive uma voltada para estrangeiros, mais de 11 mil novos médicos: 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.
Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.
Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Elam (Escola Latino-Americana de Medicina). As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas.
Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue. Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.
Presença de médicos cubanos no exterior
Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.
No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.
No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.
Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o CFM adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o regime de Havana, segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Fonte advivo

sábado, 24 de agosto de 2013

Ditadura brasileira planejava criar armas nucleares

Ditadura brasileira planejava criar armas nucleares

A junta militar que governava o Brasil na década de 70 do século passado pretendia desenvolver armas nucleares próprias. Esta informação foi publicada no jornal O Estado de São Paulo, que alega arquivos desclassificados do Estado-Maior General das Forças Armadas do Brasil. O presidente Ernesto Geisel interveio em 10 de junho de 1974 perante o alto comando das Forças Armadas manifestando preocupação com o teste da bomba atômica efetuado pela Índia e com a possibilidade de que a Argentina fizesse o mesmo.

Dois anos depois desta intervenção, em 1976, o Brasil anunciou o início da realização do seu programa nuclear. Os documentos a que naquela época se tinha acesso indicaram que as pesquisas nucleares tinham um caráter pacífico. Todavia, as atuais investigações revelam que nos arquivos secretos existiam documentos que admitiam "desenvolver uma tecnologia para a utilização da explosão nuclear para fins pacíficos, o que nos permitirá, inclusive, se necessário, dispor de nossa própria arma". Foi precisamente este o teor da declaração do presidente Geisel. Quarenta anos depois, esta sua declaração vai passar a ser do domínio público.
Durante os 130 anos da sua história, o Brasil nunca foi implicado em nenhum conflito militar que eclodisse nas proximidades das suas fronteiras. O país nunca teve adversários patentes ou potenciais no continente. Geisel alega as ambições nucleares da Argentina que na década de 70 também era governada por generais. No entanto, existiam grandes dúvidas de que os cientistas argentinos, que trabalhavam sob o controle dos militares, conseguissem criar não apenas uma bomba atômica, mas o processo tecnológico de criação da arma nuclear. Para a economia debilitada da Argentina, em que a inflação chegava a 1.000%, esta tarefa era impossível.
O Brasil receava ou estava de sobreaviso pois a "Argentina tinha acesso mais fácil ao urânio do que o Brasil". Existia também um outro fator: o Brasil simplesmente não queria ceder ao seu vizinho na competição militar. Os arquivos desclassificados revelam que no Brasil foi criada toda uma rede encarregada de recolher informações sobre os países vizinhos. Tudo isso consta do "Plano de Busca Número 1".
A tarefa era clara: fornecer ao governo brasileiro informações estratégicas e secretas sobre os países da América Latina, deixando apenas EUA e Canadá de fora do plano. O documento mostra que essa missão caberia não apenas a adidos militares brasileiros no exterior, mas também ao Itamaraty.
Uma detalhada planilha, chamada de "Apêndice Número 1 ao Plano de Busca Número 1" explica o que cada órgão de inteligência deveria investigar nos países vizinhos.
Fosse qual fosse este plano, uma coisa está clara: os brasileiros temiam muito uma guerra no Cone Sul. Mais uma prova disso é o depoimento do vice-almirante Ibsen Câmara, que era na década de 70 secretário do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas: "O temor grande de uma batalha no Cone Sul não vinha tanto pelo poderio do rival, mas da fraqueza das tropas brasileiras, como admitem na transcrição de suas conversas os militares presentes no encontro de 1978. Talvez o maior proveito desse trabalho de planejamento, na fase em que está, tenha sido o de nos permitir uma visão panorâmica do despreparo militar do Brasil".
As ambições militares do Brasil naquela época eram condicionadas por mais um momento importante: a matriz energética. As grandes jazidas de petróleo ainda não haviam sido prospetadas e a economia do Brasil necessitava de energia. Por isso, a questão da indústria nuclear para a geração de energia estava pendente. A atividade neste plano dos gigantes da envergadura da China e da Índia não permitia à direção político-militar do Brasil dormir tranquilamente.
Em 1976 foi dado início, com a ajuda da Alemanha, à construção de três centrais atômicas. Até o presente momento já foram construídas duas. Mas, neste lapso de tempo, o Brasil assinou o Tratado sobre a proibição de armas nucleares na América Latina e, em 1998, assinou também o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Além disso, a atual Constituição do Brasil proclama a renúncia à possibilidade de desenvolver o seu próprio programa nuclear militar. Porém, o desejo de ser mais forte e de ser um país mais evoluído tecnologicamente impele, por exemplo, a atual direção do país a criar dois submarinos atômicos, que devem ser lançados à água até o ano de 2023.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Toda Verdade sobre os Massacre da Síria que a Mídia não contou

A Rússia declarou que, de acordo com informações de que dispõe, as armas químicas foram usadas (no dia 21 de agosto) pelos combatentes da oposição e não pelo regime de Bashar al-Assad. As acusações de que são alvo as tropas governamentais se baseiam em informações não confirmadas e a campanha agressiva da mídia regional e ocidental só confirma que se trata de "uma provocação planejada com antecedência", diz um comunicado especial do MRE russo. Não é a primeira vez que ocorrem provocações deste género.

É verdade que os combates continuam nos arredores a leste de Damasco, mas, segundo puderam verificar os diplomatas russos, o panorama dos acontecimentos apresentado deturpa completamente a situação.
"A verificação da credibilidade das reportagens das cadeias televisivas regionais", diz o comunicado do MRE, demonstrou o seguinte: "Ao princípio da manhã de 21 de agosto, esse bairro foi alvo, a partir das posições ocupadas pelos combatentes da oposição, do lançamento de um míssil de fabrico artesanal, idêntico ao que foi usado pelos terroristas no dia 19 de março do corrente ano em Khan al-Assal (perto de Aleppo), com uma substância química tóxica ainda por determinar."
A utilização de armas químicas perto de Aleppo deverá ser investigada por uma missão especial de peritos da ONU que iniciou seus trabalhos na Síria a 20 de agosto.
Os peritos russos consideram que o uso de gás sarin por estruturas não-governamentais é perfeitamente possível, tal como o fez, em março de 1995, a seita japonesa Aum Shinrikyo no metrô de Tóquio. Nessa ocasião morreram 12 pessoas. De acordo com informações diversas, mais de 5 mil pessoas sofreram efeitos nocivos irreversíveis para a sua saúde. Isso foi recordado à Voz da Rússia pelo Professor Guennadi Prostakishin, perito do Centro de Medicina de Catástrofes russo:
"Não sei se há ou não gás sarin na Síria. Recordem o que aconteceu com Saddam Hussein. Os norte-americanos também o acusavam de ter sarin e outras substâncias tóxicas, mas não havia lá nada. Provavelmente, o mesmo se passará neste caso."
Alguns peritos ocidentais duvidam que se esteja a falar de sarin. Além disso, eles avisam para desconfiar das imagens colocadas na Internet, alegadamente feitas logo depois do ataque.
"Nelas se vê que as pessoas que prestam os primeiros socorros às vítimas não usam vestuário de proteção", escreveu em seu blog o perito em armas químicas e biológicas Jean Pascal Zanders, do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia. "O sarin não funciona assim. Sem um vestuário de proteção haveria muitas intoxicações secundárias", afirma Zanders.
O incidente ocorrido nos arredores de Damasco teve lugar precisamente quando a Comissão da ONU para a investigação da possível utilização de armas químicas começou seus trabalhos na Síria. Na opinião do MRE russo, tudo isto "aparenta serem tentativas para sabotar a realização da Conferência de Genebra" para a regulação do conflito sírio. A próxima reunião, entre peritos russos e norte-americanos, para discutir a preparação da conferência Genebra 2 está planejada para 28 de agosto.
"A oposição já não tem nada a perder. Ela já não pode vencer e por isso tenta, por quaisquer meios, obrigar o Ocidente a intervir convencendo-o que o regime é "sanguinário e cruel", diz o perito do Instituto de Estudos Estratégicos e Análise Serguei Demidenko. Ele recordou igualmente que as informações sobre "ataques químicos" são sempre veiculadas por televisões financiadas pelos patrocinadores dos combatentes da oposição com origem nos países do Golfo Pérsico:
"Tudo isto já tinha acontecido antes. Basta os Estados Unidos dizerem que vão intervir, que na Síria irão encontrar armas químicas, tal como a televisão Al Jazeera, do Qatar, já anunciou. Bastou ao grupo de peritos da ONU entrar na Síria para verificar as informações sobre as armas químicas que o canal televisivo do Dubai Al Arabiya relatou o seu uso pelas tropas governamentais. É um trabalho realmente muito grosseiro."
O Conselho de Segurança da ONU reuniu de emergência no dia 21 de agosto e apelou à realização de uma investigação exaustiva às informações acerca da tragédia dos arredores de Damasco. A Rússia também considera que uma investigação exaustiva é necessária. Para isso bastam os peritos da ONU que já se encontram na Síria.
Fonte D da Russia


Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/2013_08_22/ataque-com-armas-quimicas-foi-trabalho-grosseiro-da-oposicao-siria-5405/

Irã-Iraque: 25 anos de paz – um bom motivo para otimismo

Há exatamente 25 anos, em 20 de agosto de 1988, entrou em vigor o armistício entre o Irã e o Iraque. Terminou assim a guerra sangrenta de oito anos, chamada no Irã de “Defesa Sagrada” e, no Iraque, mais conhecida como “Qadisiya Saddam”. Todavia, na opinião de peritos, nenhuma das partes beligerantes saiu vencedora absoluta.

Após a vitória da revolução iraniana anti-xá, um dos ilustres teólogos de Najaf, Mohammad Baqir al-Sadr, enviou ao aiatolá Khomeini uma mensagem de felicitações. Referindo-se ao xá, salientou que, devido ao seu exemplo, “os outros tiranos viram o dia da vingança”. Neste caso, o autor da frase tinha em mente, sem sombra da dúvida, os dirigentes de Bagdá. Passado um ano, Saddam Hussein se torna presidente do Iraque. Ele terá procedido à prática de repressões de dirigentes e ativistas da oposição xiita. O Irã não podia deixar de reagir. Deste modo, uma relativa melhoria das relações iraniano-iraquianas cedeu lugar à hostilidade aberta.
Que objetivos perseguiram os dirigentes do Irã e do Iraque quando optaram pela guerra? Claro que cada um contava com a derrota completa do adversário, tendo declarado, em alto e bom som, as suas intenções e a capacidade de alcançar as metas triunfantes traçadas.
Se os seus líderes tivessem refletido melhor, teriam chegado à conclusão de que a comunidade mundial jamais aceitaria tal cenário, permitindo a derrota militar absoluta em pleno sentido da palavra. Nem as superpotências, nem os blocos militares, teriam concordado com tal desenrolar dos acontecimentos, visto que o triunfo de uma das partes teria levado ao estabelecimento do controle sobre os recursos colossais de petróleo e gás na zona do Golfo Pérsico. Este fato, por si só, teria representado ameaça real para a posição das superpotências ocidentais no mercado de agentes energéticos. Para mais, o Irã preconizava princípios programáticos e slogans antiocidentais e anticapitalistas, bem como uma atitude negativa para com o Oriente socialista, almejando um papel de superpotência e a liderança no mundo islâmico.
Em face desse e de outros fatores, pode-se tirar a seguinte conclusão: as superpotências permitiram o início da guerra Irã-Iraque sob a condição de as partes beligerantes não poderem sair vencedoras. Tal opinião foi expressa por Alexander Vavilov, professor catedrático da Universidade Estatal de Moscou:
“A guerra veio revelar a estratégia geopolítica de Washington e de seus aliados no Oriente Médio. Os EUA aceitariam qualquer desfecho no intuito de enfraquecer ambas as partes. Inicialmente, os americanos tinham apoiado o Iraque, disponibilizando-lhe fotos espaciais do teatro de ações militares e fornecendo os componentes para a produção de armas químicas. Mas, quando Bagdá se sentiu certas vantagens, veio à tona o caso Irangate sobre os fornecimentos secretos de armas ao Irã, efetuados por encargo de alguns membros da administração norte-americana.”
Tal foi o veredicto dos jogadores mais potentes da geopolítica global. Note-se que, segundo a Doutrina Carter, o Golfo Pérsico era visto como uma zona de interesses vitais dos EUA e do Ocidente. Isto significa que os EUA não permitiriam alterações do equilíbrio de forças na região. Ora, os dirigentes iranianos e iraquianos não tomaram em linha de conta este fator político importante.
O fator econômico (petróleo) também desempenhou um papel substancial. Conforme disse o perito Fuad Mursi, esta guerra se tornou resultado da política de incitação levada a cabo naquela altura pelas superpotências e por monopólios petrolíferos do Ocidente. Se a guerra árabe-israelita de 1973 contribuiu para o reforço do controle dos países “petrolíferos” sobre seus recursos, o conflito entre o Irã e o Iraque, segundo reputa Mursi, levou a um brusco enfraquecimento dos países membros da OPEP. A extração e as exportações foram significativamente reduzidas e o Ocidente acabou por fortalecer a sua influência no mercado mundial de petróleo.
As perdas humanas foram mais graves do que os danos econômicos. Segundo os dados não oficiais, a guerra Irã-Iraque ceifou a vida de 1 milhão de pessoas. Por isso, o desejo de evitar banhos de sangue no futuro não constitui a única lição tirada por Teerã e Bagdá, constata o cientista político iraniano Hassan Hanizade:
“Naturalmente, os oito anos da guerra deram muitas lições a cada uma das partes beligerantes. A primeira foi o valor da vida humana. Nos anos da guerra, o sofrimento atingiu milhares de habitantes locais. Cumpre recordar o volume dos danos econômicos: foram destruídas cidades e vilas, cuja reconstrução implicou a alocação de meios financeiros astronômicos, avaliados em bilhões de dólares. É importante que, 25 anos depois da guerra, ambas as partes compreendam ser impossível solucionar controvérsias políticas mediante o emprego da força militar. A paz é melhor do que a guerra e os esforços conjuntos em outras esferas da vida trazem mais vantagens do que os litígios.
É bom que o atual regime iraquiano não tenha tido quaisquer contradições sérias com o Irã. Por isso, existem motivos para encarar as relações entre os dois países com otimismo. Creio existirem hoje as condições para criar, sob o patrocínio do Irã e Iraque, uma associação regional eficiente que funcione na área de segurança no Oriente Médio.”
Os primeiros passos nesse sentido estão sendo dados. As forças navais do Exército de Guardiães da Revolução Islâmica e do Iraque celebraram, este ano, um acordo de colaboração entre as Marinhas de Guerra de ambos os países. Teerã e Bagdá estão negociando ainda as vias de solução pacífica dos conflitos sírio e egípcio.

domingo, 18 de agosto de 2013

independência Tanzânia

Tanzânia
Para compreender as lutas de independência da Tanganica tem de ser considerado um conjunto de características:
– a primeira: diz respeito a um espaço geopolítico caracterizado pela plurietnicidade, contando com cerca de 120 grupos lingüísticos, ao lado de minorias indianas e europeias que possuíam por volta de 90% da propriedade urbana;
– a segunda: Tanganica ter sido, desde a Conferência de Berlim até 1914, colônia alemã quando passou para a tutela britânica. Essa mudança encerrava também um projeto britânico de formação de um espaço organizado composto por três unidades: Tanganica, Quênia e Uganda;
– a terceira: abrangia alterações administrativo-jurídicas internas ao território, incidindo mais nas áreas rurais do que nas cidades onde predominavam indianos e europeus.

 Nos campos, onde as populações africanas eram mais sensíveis às mudanças, suas indignações transformaram-se em “siasa”, isto é, em oposição, em reivindicação e em protestos sociais de forte cariz religioso de elites políticas que em geral lideraram manifestações contestatórias e foram imprescindíveis para mobilizar e organizar as massas, tornando-as a base social de apoio do movimento de independência.

Os descontentamentos manifestavam-se em movimentos de acentuada religiosidade das lutas por liberdades na Tanganica desde a época de dominação alemã.

 O exemplo clássico foi a Revolta Maji Maji que, em 1905, foi capaz de unir grupos étnicos historicamente diversos.

É da maior importância destacar que os movimentos proféticos participaram de um duplo processo de construção de identidades. Referido aos valores e às tradições religiosas e ligado às motivações para mudanças sociais.

Foram manifestações de protesto como atestam os movimentos dos akambas e abagussis contra a utilização da força física no confisco de terras; na cobrança de impostos, sobretudo o da “palhota”, no recrutamento de mão-de-obra para formas de trabalho compulsório; e na indignação acarretada pela troca dos chefes proféticos tradicionais por outros. Os movimentos sucederam-se uns aos outros.

 Foi o caso do mumboísmo com o apogeu no século XIX e transformado em movimento político de resistência ao homem branco, na segunda metade do século XX, articulando com nitidez religião tradicional e contestação política.

Foram registrados movimentos milenaristas que se formaram entre 1910 e 1922, com o culto kathambi, desenvolvido entre os machakos.

No que se refere às práticas políticas, já 1956, os canais de participação para os povos africanos ainda se restringiam às relações tradicionais de poder. O Conselho Legislativo da Tanganica não contava com nenhum membro eleito e no Conselho Executivo inexistiam africanos. Ao mesmo tempo que a crise se expandia. Com resposta, em 1957, foi instituído o sufrágio universal acompanhado por uma lei que previa uma representação igualitária entre os europeus, os africanos e os hindus.
 No ano seguinte, realizaram-se eleições, dando ensejo a que a personalidade de Julius Neyerere ganhasse um significativo relevo.

De forma gradual, no decorrer de 1960, foi tomando forma o governo independente, contando com a ocupação de africanos na maioria dos lugares do Conselho Legislativo eleito. Os africanos ocuparam 71 lugares, dos 70 eram do Tanu, os asiáticos 11 e os europeus 10. Quanto a Neyerere, passou a ocupar o cargo de ministro-chefe do governo com maioria africana. Poucos anos depois, em 1964, a ilha de Zanzibar, pondo fim a uma longa dominação árabe, uniu-se à Tanganica que passou a chamar-se Tanzânia, tendo Julius Nyerere como presidente.