domingo, 24 de fevereiro de 2013

Juventude nos Estados Unidos: frustração, incerteza e violência


Havana (Prensa Latina) Os problemas que afetam a sociedade estadunidense, particularmente a deterioração da situação econômica e uma crise sem precedentes dos valores morais, impactam de forma significativa os jovens. O nível de desemprego, que está em quase oito porcento entre a população economicamente ativa dos Estados Unidos, afeta especialmente a juventude, pois segundo um relatório de janeiro do Bureau de Estatísticas do Trabalho, 21% das pessoas entre 16 e 24 anos não está trabalhando. Ao redor de 12% daqueles que concluem seus estudos universitários não conseguem um emprego fixo depois de terminar o curso. Mas para os jovens formados a taxa é mais alta, conclui um relatório especializado do Fundo Monetário Internacional, porque muitos deles terminam seus estudos e vão a outros países dar aula de inglês ou realizar trabalhos de menor envergadura porque não encontram emprego no país. Quanto à deserção escolar, só no estado de Nova York 12% dos estudantes abandonam as escolas secundárias antes de terminar, o que significa que 20% dos jovens entre 17 e 24 anos estejam fora do sistema educacional e além disso sem trabalho, afirma um estudo recente da Unesco. Segundo um artigo publicado a princípios de fevereiro no diário USA Today, os jovens estadunidenses vivem hoje em um ambiente de incerteza e violência pelos efeitos do colapso econômico, as mortes estadunidenses nas guerras do Oriente Médio e os tiroteios fatais nas escolas. A atual geração sofre significativamente por seu papel direto ou indireto nos conflitos internacionais, que provocaram nos últimos anos mais de seis mil mortos e 50 mil feridos, em particular no Iraque e no Afeganistão. Entre outros eventos traumáticos para a juventude nos últimos anos, o jornal citou os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que deixaram três mil mortos, e o furacão Katrina de 2005, que provocou mais de mil 800 vítimas fatais. A publicação compara os traumas atuais com as tensões similares que enfrentaram os jovens estadunidenses nas décadas de 60 e 70 em torno da possibilidade de um holocausto nuclear e sua participação forçada na guerra de agressão contra o Vietnã. O massacre em um cinema de Aurora, Colorado, em julho de 2012, que provocou 12 mortos e 58 feridos; e um crime mais grave em Newtown, Connecticut, com 26 vítimas fatais, são alguns dos incidentes que marcam as vidas dos adolescentes estadunidenses. As criançcas de hoje são mais agressivas como resultado direto da violência constante observada nas notícias e nos programas televisivos que mostram pessoas com essas atitudes, indicam especialistas. Os meios de difusão são uma arma de dois gumes, porque podem ajudar a aliviar o efeito negativo de acontecimentos violentos, mas ao mesmo tempo traumatizam crianças e adolescentes que estão expostos de forma contínua a esses acontecimentos. O flagelo das drogas é outro mau que corroe os jovens desse país. De acordo com a Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes, os Estados Unidos lideram a lista de nações consumidoras de drogas, com seus cidadãos consumindo por ano entre 150 e 160 toneladas de cocaína. A Organização Mundial de Saúde aponta que 41% dos jovens estadunidenses que assistem às escolas secundárias e 47% dos pré-universitários consomem estupefacientes. Cerca de 17 em cada 100 mil jovens no país são vítimas de atos violentos causados pelo consumo excessivo de drogas e álcool. Revelações recentes indicam que nas escolas militares a situação é preocupante, como na Academia Naval com sede em Annapolis, estado de Maryland, onde depois de uma investigação de 11 meses, as autoridades expulsaram 27 cadetes do centro. Sobre o assunto, o diário Stars and Stripes informa que os estudantes consomem maconha sintética na escola, cocaína, mefedrona, mescalina e cogumelos que produzem efeitos psicodélicos. A mefedrona é parecida com o êxtase ou com a cocaína e é às vezes vendida como sal de banho nos Estados Unidos, segundo os pesquisadores, que também identificaram que mais de 500 alunos do centro utilizavam substâncias deste tipo de uma ou outra forma. Alguns estudantes tinham garrafas de refrigerante com compartimentos secretos onde escondiam suas drogas, e dispunham de métodos para alterar as provas de urina realizadas periodicamente para detectar o consumo de drogas. Tudo isto acontece em uma instituição de ensino militar fundada em 1845 e considerada uma das mais prestigiosas dos Estados Unidos. Por outra parte, os delitos sexuais constituem outro mau que afeta a juventude estadunidense, e nos últimos meses o assunto teve um aumento substancial. Segundo a organização não governamental Rede contra os Abusos de Gênero (RAG), mais de 200 mil mulheres são estupradas anualmente nos Estados Unidos, 80% delas têm menos de 30 anos, e uma entre cinco vítimas são estudantes universitárias. Os jovens dentro das instituições armadas sofrem também os efeitos de condutas sexuais indevidas. Um relatório recente do Pentágono reconhece que metade das mulheres militares estadunidenses enviadas ao Iraque ou ao Afeganistão foram vítimas de assédio sexual e 23% delas dizem que foram estupradas. Além disso, ao redor de 30 instrutores da Base Aérea de Lackland, no estado do Texas, foram presos durante uma investigação na qual 54 mulheres recrutas dessa instalação militar denunciaram ter sido vítimas de diferentes modalidades de assédio sexual, incluindo o estupro. Estes e outros males mantêm a juventude em um estresse constante, pois um estudo publicado no princípio de fevereiro pela revista Time mostrou que os estadunidenses entre 18 e 33 anos sofrem os níveis mais altos de tensões emocionais. Ao redor de 40% deste segmento populacional reportou que seu nível de estresse aumentou nos últimos 12 meses e que as causas principais estiveram relacionadas com problemas em seus locais de trabalho, com dinheiro e a ameaça de desemprego. O incremento da violência, a incerteza sobre a economia familiar, o desemprego e as consequências da participação de Washington em conflitos em outros países é provável que se mantenham no primeiro plano como causa de frustração entre os jovens estadunidenses no futuro previsível.

 *Jornalista da redação da América do Norte da Prensa Latina. arb/jvj/rgh/cc Modificado el ( viernes, 15 de febrero de 2013 )

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Império Secreto do Vaticano

O jornal inglês The Guardian voltou a tocar em um assunto considerado “tabu” dentro da Igreja Católica: o império secreto construído pelo Vaticano graças à sua relação com o ex-ditador italiano Frederico Mussolini.
Esse conglomerado inclui, por exemplo, a rede Bulgari, de joalheiros de luxo, o banco de investimentos Altium Capital e o Pall Mall.
As empresas e propriedades do Vaticano seriam fruto de uma fortuna entregue por Mussolini em 1929, em troca do apoio papal ao regime fascista italiano, chamando o ditador de “homem de Deus” e posteriormente dando apoio similar a Hitler.
O papa Pio XI recebeu em troca terras para a criação do Estado independente do Vaticano, além de ações das empresas automotoras FIAT e Alfa Romeo, entre outros bens.
Segundo o jornal inglês, o valor internacional do pecúlio ocultado por empresas estabelecidas em paraísos fiscais ultrapassa um bilhão e meio de reais hoje.
Em 2006, no auge da bolha imobiliária europeia, o Vaticano passou a investir em prédios comerciais luxuosos no Reino Unido, na França e na Suíça.
O Guardian comentou extensivamente como o Vaticano tem usado a empresa britânica GroLux Investments Ltd, registrada em nome de dois banqueiros católicos: John Varley, executivo-chefe do Barclays Bank, e Robin Herbert, ligado ao banco comercial Joseph Leopold.
Procurados pelo periódico, a resposta de ambos foi “não estou autorizado pelo meu cliente a fornecer qualquer informação.”
O controle final do que é chamado de “império secreto” é da empresa suíça Profima, que na época da Segunda Guerra foi acusada de “engajar-se em atividades contrárias aos interesses dos Aliados”. O financiador do papa na época era Bernardino Nogara, que controlava os investimentos feitos com o dinheiro doado por Mussolini.
No início da guerra, em 1943, os britânicos acusaram Nogara de “lavagem de dinheiro”, ao manipular as finanças do Vaticano para servir a “estranhos fins políticos”.
Foi nessa época que Nogara criou a empresa de seguros Praevidentia, da qual participaram diversos senadores italianos adeptos do fascismo. Também – existiria a cumplicidade do papa na guerra de ocupação da Etiópia pela Itália (1935) ao fornecer armas ao Exército italiano por meio da Officine Meccaniche Reggiane, outra empresa criada com o fim de levantar capitais. Tudo isso em conseqüência do apoio mútuo chamado “Pacto de Latrão”, quando Mussolini reconhece o Estado do Vaticano e regulamenta seu sistema financeiro.
O dinheiro de Mussolini, segundo John Pollard, historiador da /universidade de Cambridge, foi fundamental para que o sistema papal se consolidasse financeiramente mesmo em períodos de turbulência econômica.
Os investimentos financeiros do Vaticano atualmente estão nas mãos de Paolo Mennini, que lidera uma divisão da APSA – Amministrazione del Patrimonio della Sede Apostolica, responsável pelo “patrimônio mundial da Santa Sé”.
De acordo com um relatório do ano passado do Conselho da Europa, os ativos da unidade comandada por Mennini excedem 680 milhões de euros.
O The Guardian procurou o núncio apostólico, o arcebispo Antonio Mennini, porque o papado continua mantendo segredo sobre seus investimentos bancários. O motivo da investigação era a crise de confiança nos bancos europeus atualmente, mas o porta-voz da Igreja Católica Romana disse que não tem nenhum comentário a fazer sobre o assunto. Com informações The Guardian.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

China passa os EUA e é a maior potência comercial do planeta


China passa os EUA e é a maior potência comercial do planeta


A China tornou-se a primeira potência comercial do planeta em 2012, no que economistas consideram um momento histórico. Medido pela soma de exportações e importações de mercadorias, a potência asiática pela primeira vez superou os Estados Unidos, em nova mostra de seu persistente crescimento na economia mundial. 
Por Assis Moreira
 
Os EUA totalizaram US$ 3,82 trilhões de exportações e importações. Já a China totalizou US$ 3,87 trilhões, segundo as últimas estatísticas divulgadas pelos dois países.
A China já era o maior exportador do mundo desde 2009. Agora surge como maior nação comerciante, mas ainda não é o maior importador global. Os EUA importaram US$ 2,2 trilhões de mercadorias, enquanto a nação asiática importou US$ 1,8 trilhão.
Na cena comercial em Genebra, em todo caso, mais importante é que os últimos dados das três maiores economias mostram uma retomada do crescimento.
A China e os EUA tiveram forte alta nas exportações. E a Alemanha teve seu segundo maior recorde de vendas externas em 60 anos, obtendo um saldo comercial de US$ 188 bilhões no ano passado.

Fonte: Valor Econômico