quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Palestina é reconhecida como Estado observador das Nações Unidas

 NOVA YORK - As Nações Unidas reconheceram oficialmente a Palestina como Estado observador da entidade em votação na Assembleia-Geral da entidade em Nova York. Foram 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções. Cinco países não votaram. A aprovação ocorreu no dia do aniversário de 65 anos da Partilha, que previa a criação de uma nação judaica e outra árabe na região onde hoje estão Israel, Cisjordânia e a Palestina.


O texto dos palestinos pedindo o reconhecimento afirma o "compromisso em uma resolução permanente do conflito com base em dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança". A liderança palestina acrescentou estar "comprometida com negociações para o status final de Jerusalém, refugiados palestinos, assentamentos, fronteiras, segurança e água".
Israel e os Estados Unidos estiveram entre os poucos países que se posicionaram contra a elevação de status da Palestina, que até ontem era apenas uma entidade observadora das Nações Unidas. A partir de agora, está no mesmo patamar do Vaticano e da Suíça até 2002, quando o país europeu decidiu se tornar membro pleno.
As principais potências emergentes, como Brasil, China, Índia, Rússia e Turquia, assim como algumas europeias, como a França e a Espanha, votaram a favor do reconhecimento da Palestina como Estado observador em uma vitória para o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que comandou a iniciativa.
No ano passado, Abbas começou a sua ofensiva diplomática na ONU ao tentar se tornar um membro pleno da entidade. O problema é que este status exige aprovação também do Conselho de Segurança, onde a administração de Barack Obama antecipou que usaria o poder de veto. Diante deste cenário, o líder palestino decidiu optar apenas pelo Estado Observador, onde a maioria simples na Assembleia Geral já era suficiente.
A aprovação na Assembleia-Geral não implica na independência da Palestina. O país, porém, poderá ingressar automaticamente em uma série de órgãos ligados à ONU, incluindo o Tribunal Penal Internacional (TPI). Neste caso, há o temor de que Israel ou autoridades israelenses sejam alvos de processos.
De acordo com o estatuto de Roma, que determina o estatuto do TPI, há três casos para o processo de pessoas - 1) caso ela seja de um dos países signatários,;2) caso o crime tenha sido cometido no território de um dos países signatários; e 3) caso haja recomendação do Conselho de Segurança da ONU.
Ações em Gaza e na Cisjordânia poderiam ser alvo de processo no TPI. Nos últimos dias, o governo Obama tentou, sem sucesso, convencer Abbas a se comprometer a não buscar o tribunal internacional.
Para os EUA e Israel, a iniciativa palestina na ONU é um ato unilateral e viola os Acordos de Oslo. Os dois governos insistem que não contra o reconhecimento da Palestina, mas esta deve ser criada através de negociações bilaterais. "Pedimos aos dois lados para não tomarem ações que deixam mais difícil o retorno às negociações", disse a secretária de Estado, Hillary Clinton. Não há praticamente diálogo entre israelenses e palestinos ao logo dos quatro anos da administração de Obama, a não ser por alguns hiatos.
Netanyahu disse por sua vez que "a resolução na ONU não avançará em nada o ideal palestino para o estabelecimento de seu Estado. AO contrário, apenas tornará mais distante".
Alguns países europeus, incluindo a França, adotavam discurso similar, mas mudaram de postura depois do recente conflito em Gaza. Com o aumento da popularidade do Hamas, os franceses e outros europeus avaliaram como necessário o fortalecimento de Abbas, do Fatah, através da votação na Assembleia-Geral.
O Hamas, que era contra a iniciativa de Abbas, mudou de posição e passou a apoiar a busca do reconhecimento na ONU, segundo alguns de seus porta-vozes disseram ao longo da última semana.
O Congresso dos EUA ameaça reagir tanto contra os palestinos como contra as Nações Unidas. Ambos perderiam importantes fundos de financiamento do governo americano, culminando na eliminação de importantes projetos da ONU e na dificuldade para Abbas pagar as contas. Israel também pode adotar medidas financeiras restritivas.
As Informações são do Jornal Estado de SP,  edição Online de 29/11/2012