quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Liga de Delos

Confederação ou Liga de Delos surgiu durante as Guerras Médicas  com o propósito de preparar as cidades gregas para o caso de uma nova invasão do Império Persa. Atenas era a cidade líder da Confederação e tirou muito proveito da situação se tornando a cidade grega hegemônica durante algum tempo na Grécia.
No século V a.C. o Império Persa promoveu ataques contra as cidades gregas motivado pela revolta na Jônia, que tinha liderança da cidade de Mileto contra a presença dos persas. O rei persa, Dario I, descontente com a revolta das cidades gregas decidiu enviar seu exército como ação punitiva e tiveram assim início as Guerras Médicas.
Em 490 a.C. aconteceu a primeira Guerra Médica na qual os persas foram derrotados pelos gregos na Batalha de Maratona. Dez anos mais tarde o filho de Dario I, Xerxes, então na condição de rei dos persas, resolve promover nova investida na Grécia Continental e chega inclusive a invadir a cidade de Atenas, mas o ateniense Temístocles leva os gregas à vitória na Batalha de Salamina. Os persas permaneceram em terreno grego e foram finalmente derrotados no ano 479 a.C. em Platéia, sob liderança do espartano Pausânias.
Embora fosse a segunda vez que os persas eram derrotados, os gregos sabiam que a qualquer momento uma nova tentativa de invasão poderia acontecer. Receosos e precavidos, no ano seguinte, em 478 a.C., os gregos resolvem se organizar para elaborar uma estrutura que fosse capaz de barrar novo ataque persa. A cidade de Atenas se coloca então na liderança de tal organização e é criada a Confederação de Delos ou Liga de Delos. Por causa da preponderância da cidade de Atenas, alguns também chamam a Liga de Delos de Liga Marítima Ateniense.
A Confederação de Delos reunia as cidades gregas, incluindo Esparta. Como integrantes da Liga, as cidades se comprometiam a realizar contribuições anuais para a mesma e fornecer homens e barcos em casos de batalhas. O principal objetivo da Confederação de Delos era a defesa das cidades gregas de uma nova invasão persa, mas esta demorou acontecer.
Os anos passaram após a criação da Liga e a nova invasão persa ainda não havia ocorrido. A cidade que liderava a Liga, Atenas, administrava todas as contribuições e as riquezas da Confederação de Delos. Com o tempo, Atenas passou a utilizar a Confederação de Delos em benefício próprio. Péricles, governante de Atenas, usou o dinheiro da Liga para promover obras de embelezamento de sua cidade e transformá-la em um grande império marítimo e comercial. Atenas modernizou-se e prosperou de tal forma que estabeleceu sua hegemonia no mundo grego.
Em meio ao tempo transcorrido após a criação da Confederação de Delos até chegou a haver uma terceira Guerra Médica, a qual aconteceu no ano 468 a.C, mas as cidades gregas já estavam bem preparadas e foram capazes de derrotar mais uma vez os persas, na Ásia Menor, e ainda assinar um acordo de soberania dos gregos no Mar Egeu.
Atenas se tornou a cidade hegemônica na Grécia e em determinado momento passou a não permitir que as cidades saíssem da Confederação de Delos. Já no século IV a.C os atenienses transformaram a contribuição das cidades gregas em impostos. Tal atitude gerou indignação de outras cidades, especialmente Esparta. Esta tinha um desenvolvimento bem diferente e independente de Atenas, a cidade por sua vez organizou outra liga, a Liga do Peloponeso, reunindo as cidades que contestavam o poderio de Atenas. O confronto entre as duas Ligas foi inevitável, como Esparta era uma cidade mais ligada à militarização, a hegemonia de Atenas chegou ao fim após a Guerra do Peloponeso.

Massacre na Noite de São Bartolomeu



Na Noite de São Bartolomeu de 1572, os católicos massacraram os huguenotes na França. Somente em Paris, três mil protestantes foram exterminados nessa noite. A violência estava espalhada por todo o país, o número de huguenotes mortos foi de dezenas de milhares.
Poucos dias antes, era calmo o ambiente na capital. Celebrara-se um matrimônio real, que deveria encerrar um terrível decênio de lutas religiosas entre católicos e huguenotes. Os noivos eram Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos huguenotes, e Margarida Valois, princesa da França, filha do falecido Henrique 2º e de Catarina de Médici.
Margarida era irmã do rei Carlos 9º. Alguns milhares de huguenotes de todo o país – a nata da nobreza francesa – foram convidados a participar das festas de casamento em Paris. Uma armadilha sangrenta, como se constataria mais tarde.
Casamento sobre o Sena
A guerra entre católicos e protestantes predominou na França durante anos, com assassinatos, depredações e estupros. E agora, um casamento deveria fazer com que tudo fosse esquecido?
O casamento não foi realizado na catedral. O noivo protestante não deveria entrar na Notre Dame, nem assistir à missa. Diante do portal ocidental da catedral, foi construído um palco sobre o rio Sena, no qual celebrou-se o casamento. Margarida não respondeu com um "sim" à pergunta, se desejava desposar Henrique, mas fez simplesmente um aceno positivo com a cabeça. Como era comum na época, o casamento tinha motivação exclusivamente política.
No século 16, o maior esteio da França não era o rei, mas sim a Igreja. E ela estava inteiramente infiltrada pela nobreza católica. Uma reforma do clero significaria, ao mesmo tempo, o tolhimento do poder dos príncipes. Assim, a nobreza – tendo à frente os Guise – buscava a preservação do status quo.
Casamento forçado seguido de atentado
Os Guise – a linhagem predominante na França – observavam com profunda desconfiança a cerimônia ao lado da Notre Dame. O casamento foi realizado por determinação da poderosa rainha-mãe Catarina de Médici – uma mulher fria, detentora de um marcante instinto de poder.
Poucos dias depois da cerimônia, almirante Coligny sofreu um atentado em rua aberta. O líder huguenote teve apenas ferimentos leves. Ainda assim, os huguenotes pressentiram uma conspiração. Estava em perigo a trégua frágil, lograda através do casamento. Por trás do atentado, estavam os Guise e Catarina de Médici.
O casamento era parte de um plano preparado a longo prazo. Carlos, o rei com olhar de louco, ficou furioso ao saber do atentado a Coligny, que era seu conselheiro e confidente. Os católicos espalharam então o boato de que os huguenotes estavam planejando uma rebelião para vingar-se do atentado.
Começa o plano diabólico
O rei Carlos foi pressionado por sua mãe, Catarina. Carlos vacilou, ficou inseguro. Mas cedeu, finalmente, e ordenou a execução de Coligny. E exigiu, de repente, um trabalho completo: não deveria sobrar nenhum huguenote que pudesse acusá-lo posteriormente do crime.
Coligny foi assassinado com requintes de crueldade na noite de São Bartolomeu. Com ele, milhares de pessoas que professavam a mesma fé.
Henrique de Navarra sobreviveu à noite de São Bartolomeu nos aposentos do rei, que tinha dado a ordem para o massacre. Henrique teve de renegar a sua fé e foi encarcerado no Louvre. Quatro anos mais tarde, ele conseguiu fugir. Retornou ao seu reino na Espanha e, anos depois, subiu ao trono francês.
Henrique, que permaneceu católico, mas irmão espiritual dos huguenotes, concedeu-lhes a igualdade de direitos políticos através do Édito da Tolerância de Nantes. Uma compensação tardia para os huguenotes. Henrique defendia a coesão do país: "A França não se dividirá em dois países, um huguenote e outro católico. Se não forem suficientes a razão e a Justiça, o rei jogará na balança o peso da sua autoridade."