domingo, 7 de outubro de 2012

Vitoria de Chaves na Venezuela 2012


vitória a Chávez na Venezuela

Do Brasil 247
Parceira comercial estratégica do Brasil, sócia recente do Mercosul e dona das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela deve confirmar neste domingo a vitória de Hugo Chávez. 247 teve acesso exclusivo a dados de uma pesquisa de boca de urna, que mostram a vitória do atual presidente, com 54,8% dos votos. O opositor Henrique Capriles teria 43,8%. Com a possível vitória, Chávez poderá permanecer no poder até 2019, completando um ciclo de vinte anos no poder, iniciado em 1999. Leia, abaixo, o noticiário do Opera Mundi:
Foram ao todo 96 dias de campanha eleitoral. Neste domingo (07/10), resta ao povo venezuelano decidir nas urnas quem deverá ser o próximo presidente do país: o atual, Hugo Chávez, ou o candidato da oposição, Henrique Capriles. Se por um lado o líder venezuelano coloca à prova 14 anos de governo, cujo impacto maior foi a drástica redução da pobreza no país, o ex-governador de Miranda aposta em um desejo de “mudança”, traduzido no slogan da campanha, denominada “Há um caminho”.
Quase 19 milhões de venezuelanos estão aptos a decidir quem dirigirá o destino do país para os próximos 6 anos, entre 10 de janeiro de 2013 e 9 de janeiro de 2019. Além de Chávez e Capriles.
Neste sábado (06/10), Chávez concedeu uma coletiva de imprensa no Palácio de Miraflores, onde disse que os resultados que serão divulgados pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) são a garantia de “paz e tranquilidade” e que o vitorioso dessas eleições é o “povo venezuelano”. . Ele não assinou documento do CNE (Conselho Nacional Eleitoral), que garantia o reconhecimento das eleições.
A previsão é que o resultado seja divulgado ainda neste domingo, por volta das 22h (20h30 em Brasília). Em caso de suspeitas de fraudes e irregularidades, a Justiça Eleitoral faz advertências e promove auditorias. O vitorioso, segundo a legislação venezuelana, é aquele que obtiver a maioria dos votos. Não há segundo turno no país, nem é necessário alcançar mais de 50% da totalidade dos votos válidos.
Retrospecto
Nas últimas três eleições presidenciais, Chávez derrotou seus adversários com grande vantagem, a maior delas em 2006, quando o presidente conquistou 26 pontos a mais do que o opositor, Manuel Rosales. Em 1998 e 2000, as diferenças foram de 16 e 22 pontos, respectivamente.
As pesquisas divulgadas pela Datanalisis apontam 47,3%para Chávez e 37,2% para Capriles. A pesquisa Varianzas apresenta Chávez com 49,7% e Capriles com 47,7%. Já a pesquisa da Consultores 30.11 mostra Chávez  reeleito com 57,2% e Capriles conquistando 35,7% dos votos. A pesquisa Consultores 21 diz que Capriles terá 48,1%, superando Chávez, com 46,2%.
Chávez tem a seu favor as expressivas transformações, sociais e econômicas, levadas a cabo desde 1998 por meios das missões sociais. De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), a pobreza, que em 1999 atingia 47% da população, caiu em 2010 para 27,8%, e a pobreza extrema passou de 21,7% para 10,7%. O analfabetismo também caiu, de 9,1% para 4,9% em 2011, assim como a taxa de desemprego e a taxa de emprego informal.
Também foi na gestão chavista que a Venezuela ingressou no Mercosul como membro pleno, um resultado do investimento do presidente em mecanismos de integração regional, como a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e Alba (Aliança Bolivariana para as Américas).
Por sua vez, Capriles, de 40 anos, se lançou em um frenético percurso pelo país, em uma campanha de “porta em porta”. O ex-governador de Miranda se apresenta como o “candidato do progresso”, contra a “continuidade” representada por Chávez, assegura que está “confortável” quando colocado na centro-esquerda e aposta em um “modelo brasileiro” de governo, unindo uma economia de mercado com avanços sociais.
No começo da campanha, Capriles afirmou se inspirar no brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, mas parou de mencioná-lo após o ex-presidente declarar publicamente apoio a Chávez durante o Foro de São Paulo, em Caracas. A campanha de Capriles foi afetada pelo vazamento de um suposto “pacotão neoliberal” da MUD (Mesa de Unidade Democrática) e a debandada de políticos da coligação, que denunciaram mudanças no projeto inicial.
Fonte elmundo

500 Mil Pessoas Vão as Ruas da Venezuela Pro-Hugo Chaves



Imagens que resumem o que é a imprensalona da Venezuela.
Capa dos sites dos dois principais jornais na tarde em que Hugo Chávez reuniu, nos cálculos de seus apoiadores, 500 mil pessoas nas ruas de Caracas (a foto na capa do El Nacional é do comício de encerramento da campanha do oposicionista Capriles Radonski, acompanhada pela manchete que diz que o TRE local pediu à mídia um comportamento inatacável


Venezuela voto a voto



 “A perspectiva mais provável é de que o desgastado presidente receberá mais um mandato de seis anos”.
Frase final de um editorial da Folha sobre as eleições na Venezuela. Pena que o jornal tenha extinto a revisão. Caso contrário, o revisor certamente apontaria a contradição evidente na frase. O presidente “desgatado” será reeleito. “Desgastado” com a Folha? Com o Merval?
Se vencer, Hugo Chávez não estará com certeza desgastado com a maioria dos eleitores venezuelanos.
Não é a única incoerência do texto. Outra diz respeito à afirmação de que o Executivo venezuelano, ou seja, Hugo Chávez, domina o Legislativo. Como se não tivesse havido, lá atrás, boicote da oposição às eleições parlamentares e como se, mais recentemente, a surpreendente votação oposicionista nas eleições para o Congresso não tivesse sido saudada na mídia brasileira como sinal de enfraquecimento de Chávez.
O jornal também reclama que, no ano passado, a PDVSA repassou R$ 79 bilhões para o governo gastar em projetos sociais. Certamente a Folha preferiria que a petroleira venezuelana tivesse repassado o dinheiro aos investidores de Wall Street.
Vamos agora ao que tem dito publicamente o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz, sobre as eleições:
1. Pela primeira vez a classe alta venezuelana dispensou intermediários e disputa a eleição diretamente, com um herdeiro de família tradicional, Henrique Capriles; trata-se, portanto, de uma clara disputa de classes;
2. O núcleo duro do chavismo conta com 40% dos votos; o núcleo duro da oposição, com 20%; os outros 40% estão em jogo;
3. É fato que os números de Capriles melhoraram nas últimas semanas; a margem, hoje, é de 10 a 12% em favor de Chávez;
4. Uma vitória de Chávez por pequena margem pode abrir espaço para outra aventura oposicionista, no estilo de denúncias e manifestações que tentem colocar em dúvida o processo eleitoral.
Eu diria que pesquisas de última hora devem ser vistas com grande desconfiança.
Nunca se deve esquecer do referendo revogatório de 2004: 58,25% apoiaram a permanência de Hugo Chávez no poder, contra 41,54% (a Constituição venezuelana prevê o recall dos eleitos depois do cumprimento da metade do mandato).
Porém, uma pesquisa de boca-de-urna da empresa Penn, Schoen & Berland, dos Estados Unidos, promovida com a ajuda de um grupo de oposição a Chávez, o Súmate, anunciou que o presidente venezuelano perderia o mandato por 60% a 40%.
Como a lei eleitoral venezuelana proíbe a divulgação de pesquisas de boca-de-urna enquanto a votação estiver em andamento, os números foram divulgados em Nova York e retransmitidos dali para o mundo. As urnas ainda estavam abertas na Venezuela e é possível que a pesquisa tivesse triplo objetivo: desmobilizar os chavistas que ainda não tinham votado, animar os que pretendiam derrotá-lo e preparar o terreno para protestos questionando a legitimidade do referendo. Por Luis Carlos Azenha