sexta-feira, 13 de abril de 2012

Guerras Púnicas


As Guerras Púnicas foram uma série de três conflitos deflagrados entre romanos e cartagineses pela hegemonia do Mediterrâneo que durou, ao todo, mais de cem anos – entre 264 a 146 a.C. – e teve como desfecho a destruição da cidade de Cartago e a submissão do território cartaginês em província romana.
Mas porque Roma e Cartago chegaram às vias de fato a ponto de iniciar uma guerra? Primeiro vamos falar um pouco sobre a expansão territorial romana e o comércio do Mediterrâneo na época.

Territórios de Roma e Cartago na época da 2ª Guerra Púnica. Cartago perdeu a região da Sicília e compensou a derrota conquistando a região da cidade de Sagunto, na Espanha, que era aliada de Roma. [fonte do mapa]

A expansão romana: tentando construir uma hegemonia comercial.

Após a revolta dos patrícios romanos, que levou à deposição do rei Tarquínio e a fundação da República em 509 a.C., Roma vai gradativamente ampliar seu território até o início do século III a.C., quando começou a esbarrar nos interesses comerciais de Cartago.
Nesta época a cidade de Cartago era a maior controladora do comércio do Mediterrâneo, transportando e comercializando a maioria dos produtos de toda a região. Pelo seu parentesco com as cidades fenícias da costa palestina, Cartago também comercializava os produtos vindos do oriente e do Egito. Enfim, os cartagineses eram os maiores comerciantes da época. Eles tinham entrepostos comerciais – cidades dependentes ou aliadas – espalhados por todo o Mediterrâneo, o que facilitava este domínio comercial.
Os romanos, apesar de já terem uma certa influência e alianças na costa mediterrânea, não estavam satisfeitos com as limitações impostas pelo domínio dos cartagineses na ilha da Sicília, e vão aproveitar um conflito para empreender a Primeira Guerra Púnica com o intuito de tomar o domínio completo na ilha. Mas a guerra em si tem seus desdobramentos, e vamos falar deles agora.

A Primeira Guerra Púnica:

Em 288 a.C. os mamertinos, mercenários que anteriormente lutaram ao lado de Siracusa contra Cartago resolveram tomar a cidade de Messina, na Sicília, que na época fazia parte do reino de Siracusa. Para manter uma relativa paz, os mamertinos vão estreitar seus laços comerciais com Roma e Cartago.
Quando o rei Hierão II chegou ao trono de Siracusa, decidiu retomar o controle de Messina e sitiou a cidade. Os mamertinos então pediram ajuda a Roma e a Cartago. Os cartagineses chegaram primeiro, reforçando as defesas de Messina, mas os romanos viram aí uma oportunidade de expulsar os cartagineses – e suas influências comerciais – definitivamente da Sicília.
Deslocando um considerável contingente de tropas a partir de 264 a.C., os romanos vão participar de diversas batalhas navais que vão acabar por forçar submissão de Hierão II, que sem saída estabeleceu uma aliança com Roma. As tropas cartaginesas, agora acuadas, ainda resistiram por um tempo mas não conseguiram manter o controle da Sicília.
Com a vitória os romanos vão exigir uma série de indenizações dos cartagineses, além de passar a controlar as ilhas de Córsega, Sardenha e Sicília. Para não perder muito espaço comercial no Mediterrâneo, os cartagineses vão iniciar um movimento de conquista estratégico e que vai deflagrar a segunda Guerra Púnica.

A Segunda Guerra Púnica: a marcha de Aníbal e a humilhação da Batalha de Canas (Cannae).

Cartago, que já tinha uma certa influência na Península Ibérica, vai invadir a cidade de Sagunto, que na época era aliada de Roma, em 219 a.C.. Além dos interesses comerciais na região, os cartagineses esperavam uma reação romana, que veio quase que imediatamente, com a declaração de guerra por parte de Roma.
Mesmo sabendo que enfrentariam represárias romanas, os cartagineses comandados pelo generalAníbal Barca não ficaram esperando o confronto em Sagunto. Aníbal reuniu cerca de 50 mil homens, 9 mil cavalos e 37 elefantes e partiu rumo a Roma. Mas ao invés de passar pela via que margeava o Mediterrâneo e que seria o caminho mais fácil e rápido para a Península Itálica, resolveu atravessar os Alpes.
Aníbal à frente de seu exército na Batalha de Zama.
Os elefantes assustavam por onde passavam e mesmo enfrentando o frio, as diversas tribos locais e fugindo da perseguição dos soldados romanos, o exército de Aníbal conseguiu chegar no vale do rio Pó, vencendo batalhas em Trébia e Trasimeno. Quando Quinto Máximo tomou posse como novo Consul, resolveu mudar a tática romana e preferiu esperar os avanços de Aníbal. Só que o povo romano estava interessado em ver suas legiões lutando, já que os cartagineses saqueavam e queimavam as poucas terras que os romanos não haviam queimado anteriormente – sim, já naquela época existia a tática de “terra arrasada”.
Após uns meses de relativo desinteresse dos romanos em guerrear, o consulado chega nas mãos de Caio Varrão e Lúcio Paulo, que organizam novas legiões e conseguiram reunir cerca de 80 mil homens, entre soldados e cavaleiros, mas continuaram com as legiões imóveis próximas à Roma. Aníbal tomou a iniciativa de um primeiro movimento e deslocou suas tropas para Canas, um povoado próximo do rio Áufido.
Apesar de ter a inferioridade numérica no campo de batalha, Aníbal posicionou suas tropas de maneira a garantir uma certa superioriade numérica em alguns pontos, mas principalmente na cavalaria, o que ajudou muito a vencer a batalha. Também colocou soldados teoricamente mais fracos no centro da formação, e as legiões romanas foram lutando e gradativamente caindo na armadilha, entrando cada vez mais no meio da formação cartaginesa. Enquanto isso a cavalaria dava a volta pelas legiões e fechava o caminho para uma possível fuga romana do campo de batalha.
Essa tática de fechar o adversário em uma espécie de “pinça” foi utilizada pelos soviéticos contra as tropas nazistas em Stalingrado. Na verdade este é um movimento de batalha que é estudado nas escolas militares até hoje, tamanha sua genialidade! Aníbal humilhou os romanos, que tiveram milhares de baixas – estima-se que 45 mil soldados e 7 mil cavaleiros romanos morreram e 19 mil foram feitos prisioneiros.
Só que enquanto Aníbal humilhava os romanos, os cartagineses não conseguiram enviar reforços e ainda por cima tiveram que lutar contra o cerco do general Cipião, que atravessou o mar junto com algumas legiões e atacou a cidade de Cartago. Sem muitas defesas, Cartago solicita a volta de Aníbal, que acabou derrotado na Batalha de Zama pelo próprio Cipião, já em 202 a.C.
Com a derrota, Cartago assinou um acordo de paz com Roma. Mas mesmo esta relativa paz não tinha sossego dentro do próprio Senado Romano.

A Terceira Guerra Púnica: “Delenda est Carthago!”

As duas cidades estavam em paz e Cartago não podia guerrear nem estabelecer rotas comerciais sem o consentimento de Roma. Mesmo assim os cartagineses não paravam de trabalhar e prosperar. Com as diversas restrições impostas pelos romanos após o fim da Segunda Guerra Púnica, os cartagineses passaram a centralizar suas atividades no campo.
Em pouco mais de meio século os produtos colhidos em Cartago já rivalizavam com os produtos romanos. Este “renascimento” comercial cartaginês encontrava inimigos no Senado, e o principal crítico e incentivador da destruição de Cartago era Marcus Cato, o Velho, que lutou na Segunda Guerra Púnica e sempre terminava seus discursos com a frase “Delenda est Carthago!”, que quer dizer em tradução livre: “Cartago precisa ser destruída!”.
Os discursos de Cato encontravam simpatizantes entre os patrícios, que viviam em Roma mas tinham latifúndios espalhados pelos territórios romanos e viviam justamente da renda das plantações nestas terras.
Como Cartago não podia guerrear, os romanos mandaram os numidas – um povo recém-aliado de Roma – atacar territórios cartagineses. Durante três anos Cartago pediu junto ao Senado o direito de defesa, e este foi negado todas as vezes. Quando Cartago enfim resolveu revidar, em 149 a.C., os romanos usaram o fato como motivo para atacar.
Cartago ficou cercada por mais três anos e foi completamente destruída em 146 a.C.. O cerco à cidade foi tão violento que estima-se que poucas pessoas sobreviveram às investidas das legiões romanas. No fim, apenas 50 mil pessoas foram levadas como prisioneiras. A cidade foi completamente arrasada, suas construções destruídas e, dizem, a terra da cidade foi salgada para que nada mais nascesse ali naquele chão.
Os territórios cartagineses ficaram definitivamente sob domínio romano, e após o fim da Terceira Guerra Púnica Roma ganha destaque definitivo como maior potência da Antiguidade, conquistando cada vez mais territórios e aumentando suas áreas de influência nos dois séculos seguintes.
Grato pela visita.

Guerras Médicas

Durante os séculos VI e V a.C., a civilização persa viveu um processo de ampliação territorial graças à ação militar de vários de seus reis. Ciro, Cambises e Dario I empreenderam a anexação de diversas áreas da Ásia Menor, até se aproximar de cidades formadas pelos gregos. Inicialmente, a relação entre os povos da Grécia Asiática e os persas foi marcada por uma relativa estabilidade. Contudo, a adoção de uma política de exploração deu início a uma série de conflitos que inauguraram as Guerras Médicas.


   Em um primeiro momento, entre 500 e 494 a.C., algumas cidades jônias resolveram se rebelar contra as imposições persas com o apoio militar dos atenienses. Logo em seguida, Dario I decidiu organizar tropas que invadiram a Grécia Continental com o objetivo de rebater a ofensiva ateniense. A primeira tentativa dos persas, ocorrida em 492 a.C., foi frustrada com um forte temporal que atingiu parte dos navios persas. No entanto, em 490 a.C., os persas organizaram uma nova tentativa de invasão

Dessa vez, utilizando um contingente com mais de 50 mil soldados, os persas conseguiram dominar diversas cidades da Grécia Continental. Atenas e Esparta foram as duas únicas cidades-Estado que resolveram resistir ao avanço do poderoso exército persa. Sob a liderança de Milcíades, os atenienses organizaram uma ofensiva realizada no exato momento em que os persas desembarcaram na planície de Maratona. Mesmo com um contingente muito menor, os atenienses conseguiram vencer os persas nesta batalha. 

Após essa primeira vitória dos gregos, as tropas atenienses retornaram para sua cidade natal tentando abafar um outro batalhão persa que se dirigia para lá. Mais uma vez, os atenienses conseguiram vencer os persas e, com isso, alcançaram grande prestígio militar entre os povos gregos. Após essas vitórias, o governo ateniense investiu na ampliação do poder naval da cidade e na ampliação do porto do Pireu. Enquanto isso, Dario passou a preparar uma tentativa de invasão ainda maior. 


O rei persa acabou morrendo antes de empreender uma nova ação militar contra os gregos. Essa tarefa acabou sendo assumida pelo seu filho Xerxes, que promoveu uma nova invasão à Grécia no ano de 480 a.C.. Dessa vez, a ofensiva persa contou com o apoio dos cartagineses, que se comprometeram a lutar contra as colônias gregas localizadas no sul da Península Itálica. Em contrapartida, diversas cidades gregas se uniram para a luta contra o Império Persa. 

O primeiro confronto entre persas e gregos ocorreu no desfiladeiro de Termópilas, onde um grupo de soldados espartanos tentou resistir à invasão persa. Mesmo não conseguindo abater seus inimigos, a resistência oferecida pelos espartanos ofereceu tempo hábil para que os militares atenienses pudessem organizar a fuga da população. Após incendiarem uma Atenas completamente abandonada, os persas foram atraídos até o canal de Salamina, onde as forças gregas esperavam derrotar o grande poderio naval dos persas. 

Utilizando de uma ardilosa estratégia de guerra, os gregos conseguiram sucessivas vitórias contra os persas nas batalhas de Salamina, Platéia e Micala. Com essas sucessivas vitórias, os gregos conseguiram impedir a invasão dos persas à Grécia Continental, bem como recuperaram a autonomia política das cidades localizadas na Ásia Menor. Sob a liderança dos atenienses, a Pérsia foi finalmente derrotada com a assinatura do Tratado de Susa, estabelecido em 448 a.C.. 

















Bósnia: quando a história olha para o futuro


Ao celebrar 20 anos de independência, o jovem país luta para cicatrizar as feridas da guerra que devastou a região entre 1992 e 1995 e superar os traumas do passado recente para escrever uma nova história
 
Pôr do sol em Sarajevo, 6 de julho de 2011
texto Fernando Figueiredo Melloimagem Diogo Lucato

Nos charmosos e descolados cafés espalhados por toda a bela Cidade Velha, jovens apreciam o narguilé em uma ensolarada e quente tarde de julho. Famílias passeiam pelas calçadas e olham as vitrines das lojas de roupas. Turistas, a maioria europeus, encantam-se com a beleza exótica das ruas de pedra, das mesquitas e das ruelas estreitas do centro histórico. Comem cévapi(delicioso prato típico) no restaurante Zeljo, tomam sorvete de creme na sorveteria Egipat e se surpreendem.

Sarajevo pulsa. Em todos os cantos, é possível sentir a força de uma cidade que tenta respirar, se levantar e construir uma nova história para contar. Sarajevo sonha. Em todos os rostos, é possível notar uma esperança de que dias melhores virão. Sarajevo lembra. Em quase todos os prédios, as marcas da recente Guerra da Bósnia (1992-1995). Impossíveis de apagar.

A luta diária para se reerguer expressa na cativante capital da República da Bósnia-Herzegóvina é uma realidade em todo o país. Não é fácil. Muito pelo contrário. A recente e sangrenta guerra civil, ponto final do desmembramento da ex-Iugoslávia do marechal Tito, deixou cicatrizes profundas, não só no país, mas em toda a região dos Bálcãs.

Não sem muita dor e memória, os bósnios tentam olhar para a frente. Os mais velhos ainda falam com muito pesar da guerra e, principalmente, sentem saudade dos tempos de Tito, único capaz de trazer paz à região, unificando seis repúblicas sob a bandeira da Iugoslávia por quase 30 anos. Depois de sua morte, em 1980, veio o colapso.

Os mais jovens falam com mais naturalidade e desprendimento sobre o conflito. Querem cortar o fio de ódio e rancor e fechar a ferida aberta. Andrea Baotic e Tea Mijan não querem mais pensar em guerra. Vivem a vida. E so-nham. Sempre. Nascidas no início dos anos 1980, elas guardam lembranças de amigos e parentes que se foram, mas não guardam mágoa.

Garotas fumam narguilé em bar no centro histórico de Sarajevo. Submetida ao maior cerco da história moderna, a capital é hoje uma cidade pulsante que, com sua beleza exótica, atrai milhares de turistas


Andrea estudou na Faculdade de Filosofia de Sarajevo, onde é professora assistente desde 2007. Tea graduou-se em direito e pretende estender a formação fora do país. As amigas demonstram carinho pela pátria, apesar de tudo. Gostam de contar histórias sobre a infância e adolescência. Expressam-se com extrema desenvoltura em inglês.

“O Rio de janeiro deve ser lindo, mas muito perigoso! Vi naquele filme...”, diz Andrea, referindo-se, claro, a Tropa de elite. Pergunto se é essa visão que tem do Rio e do meu país. Ela responde que sim. “Mas é complicado acreditar somente na visão que a mídia internacional tem de um país ou de um povo”, pondera, em alusão clara a como o mundo ainda vê a região dos Bálcãs.

“Curioso”, respondo, “essa imagem de violência que você tem aqui sobre o Rio e o Brasil é muito semelhante à que temos lá, sobre os Bálcãs, a Bósnia...” Andrea sorri, e a conversa segue, dentro de um clube noturno abarrotado e esfumaçado, o Cinemas Club. Não existe lei antifumo em Sarajevo. E como eles fumam, principalmente os jovens!

Os turistas se misturam aos locais e formam uma fauna interessante na noite de Sarajevo. E pensar que, pouco tempo atrás, a cidade não podia viver, sitiada pelo exército de Slobodan Milosevic e Radovan Karadzic por quase quatro anos. De 5 de abril de 1992, um dia antes do reconhecimento da independência do país pela ONU, até 29 de fevereiro de 1996 (mais de 1.300 dias), a capital ficou sob o mais longo cerco da história moderna.

Marcas de bala em muro na rua principal de Mostar, capital da região da Herzegóvina. As lembranças da guerra ainda estão por toda parte
[continuação]

Durante o período, a solidariedade foi fundamental para a sobre-vivência dos habitantes de Sarajevo. Um símbolo de resistência é o “Túnel da Esperança”, que hoje virou ponto turístico. Localizado a 12 km do centro da cidade, fica próximo do aeroporto internacional, que na época da guerra era a única saída para o chamado território livre, área controlada pela ONU. O trajeto de pouco mais de 800 metros embaixo da terra era o único caminho possível para a entrada de alimentos, armas e munição.

O túnel foi construído em pouco mais de seis meses, sem equipamentos ou projeto de engenharia, já que a resistência bósnia não poderia ser descoberta pelas forças inimigas. A partir do dia 30 de julho de 1994, ele foi fundamental para a sobrevivência de Sarajevo.

Outro símbolo de resistência é a Sarajevsko, a gostosa cerveja local, motivo de orgulho para os habitantes da capital, que hoje tem mais de 400 mil habitantes. A fábrica da cerveja fica muito próxima de uma das maiores fontes de água potável de Sarajevo. Com o corte da água – além de energia e gás de cozinha – durante o cerco, a cervejaria se tornou a grande responsável pelo abastecimento de milhares de habitantes. Hoje, existe um amplo bar anexo à fábrica, que é bastante frequentado por turistas.

Ao sul do país está Mostar, outra cidade muito visitada na Bósnia. É a capital da região da Herzegóvina, no sudoeste, e tem pouco mais de 130 mil habitantes. A exemplo de outros municípios da Herzegóvina, tem no rio Neretva a sua principal fonte de água e vida. Uma simpática cidade, pequena, porém bela, também muito marcada pela guerra civil.

No centro histórico, a ponte sobre o Neretva é símbolo de resistência. Construída em 1566-1567 pelos otomanos, foi destruída em 1993, após meses de ataques do exército bósnio-croata em Mostar. Em 2001, esse símbolo da cidade começou a ser reconstruído com patrocínio de instituições como a Unesco e de países como Itália, Holanda e Turquia, entre outros.

As revoluções do Elvis baiano


As revoluções do Elvis baiano
Documentário sobre a vida de Raul Seixas recupera riquíssimo material de arquivo e traça um retrato honesto de um dos artistas mais populares da história do país
 
Divulgação
O cantor com um visual à la Elvis Presley: o do rock clássico dos anos 50 com o ocultismo se tornaria marca registrada


Raul Seixas é, sem sombra de dúvida, um dos artistas mais populares do país. A maioria dos brasileiros, independentemente de idade ou gosto musical, conhece pelo menos uma dezena de suas canções, e sua figura facilmente reconhecível – óculos escuros, barba, roupas com símbolos místicos – já se tornou parte do nosso repertório cultural coletivo.

Passadas mais de duas décadas desde sua morte, em agosto de 1989, já é possível avaliar a real importância do cantor para a música nacional? Seria difícil encontrar uma resposta precisa, mas o documentário Raul – O início, o fim e o meio, que estreia em março nos cinemas de todo o país, ajuda a esclarecer um pouco as coisas.

Dirigido por Walter Carvalho – conhecido do público por produções como Madame SatãCarandiru e Cazuza, o filme acompanha a vida do “maluco beleza”, trazendo depoimentos de praticamente todos aqueles que influenciaram sua trajetória e recuperando uma quantidade impressionante de fotografias, gravações e filmagens de arquivo.

Por sorte, Raul não é tratado como um santo ou uma figura mística, equívoco tão comum a esse tipo de filme com cara de “biografia oficial”. O artista brilhante é justamente reverenciado, mas o abuso de drogas (que não teve nada de poético) e as mágoas de suas várias ex-companheiras também vêm à tona. Raul, felizmente, é representado como um ser