domingo, 25 de março de 2012

Em busca do Eldorado africano

No século XIX, os relatos sobre Timbuktu, cidade repleta de riquezas às portas do deserto do Saara, fascinaram os europeus. A procura pela vila perdida abriu caminho para a conquista do interior do continente


Biblioteca Nacional da França, Paris / (C) The Art Archive / Other Images
A cidade retratada no caderno de viagem de Caillié
No início do século XIX, o interior da África ainda era um universo desconhecido para os europeus. Instalados havia séculos no litoral, eles não tinham se aventurado por aquelas terras, e as informações que tinham daquela parte do continente se resumiam aos relatos dos gregos antigos e dos viajantes árabes que exploraram a região a partir da Idade Média.

Entre esses relatos destacava-se a Descrição da África, obra de um viajante muçulmano chamado Hasan al-Wazzan (1488-1548). Nascido na Espanha e radicado no Marrocos, ele ficou conhecido como Leão, o Africano. Em seu texto, Hasan descreve a visita que fez a Timbuktu, principal entreposto das caravanas comerciais que cruzavam o deserto do Saara no século XVI. O relato, que fala de uma cidade maravilhosa, próspera, misteriosa e atraente, fascinou os europeus.

A única pista para esse eldorado africano era o curso do rio Níger, mas o seu traçado ainda era um enigma para os europeus nas primeiras décadas do século XIX. Não é à toa que a busca pelas fontes do Níger mobilizava exploradores desde 1795, quando a sociedade científica inglesa African Association financiou uma expedição liderada pelo médico escocês Mungo Park.



Reprodução
O francês René Caillié, que encontrou em 1828 a cidade lendária


Partindo da Gâmbia, em julho de 1796, Park chegou ao Níger na altura da cidade de Ségou, no atual Mali, constatou que o rio corria para o leste. Em uma segunda expedição, organizada em 1805, ele percebeu que o curso do rio, depois de se dirigir ao norte, fazia uma curva e rumava para o golfo da Guiné. Mungo Park e seus companheiros, porém, morreram naquele mesmo ano nas corredeiras de Boussa, na atual Nigéria. O mistério da foz do Níger só seria desvendado em 1830, quando os irmãos Richard e John Lander finalmente chegaram ao delta do rio.

Enquanto isso, os franceses preparavam sua própria expedição pela região. No dia 3 de dezembro de 1824, a Sociedade de Geografia do país lançou o “Estímulo a uma viagem a Timbuktu e ao interior da África”, oferecendo um prêmio ao primeiro viajante que chegasse à cidade do deserto. A convocação atraiu a atenção de um jovem chamado René Caillié, então com 25 anos. Fascinado pelas aventuras de Robinson Crusoé, Caillié já havia viajado duas vezes para a África e vivido por oito meses entre os mouros braknas no norte do Senegal, onde aprendera árabe e entrara em contato com os costumes muçulmanos.

Munido dessa bagagem cultural, René Caillié aceitou o desafio de partir em busca de Timbuktu. Começou sua viagem pelo norte da atual República da Guiné, onde desembarcou em março de 1827. Em 19 de abril, iniciou a marcha rumo ao interior acompanhando o curso do rio Nunez a partir da vila de Kakondy, próxima à cidade de Boké. Levava trezentos francos em ouro e prata, remédios, pólvora, papel, fumo, vidrilhos, âmbar, coral, lenços de seda, tesouras, facas, espelhos, cravo-da-índia, três peças de tecido de algodão azul e um guarda-chuva para se proteger do sol. E ia acompanhado de um pequeno grupo de africanos da etnia dos mandingos.

Biblioteca Nacional da França, Paris
Além da paisagem, o viajante retratou a população local, como essa mulher e seu filho em Timbuktu


Não levava consigo nenhum instrumento de astronomia nem relógio, apenas duas bússolas. Apresentava-se como muçulmano para não arriscar ser expulso ou mesmo assassinado como europeu infiel. Vestia o coussabe, uma blusa sem mangas de pano azul, e sandálias. Adotou o nome de Abdala, “escravo de deus”, e se fazia passar por pobre para não despertar a cobiça dos locais.

Embrenhou-se na floresta tropical de Fouta-Djalon, ainda na atual Guiné. Em terras mandingas, conheceu a fome, contraiu febres, e machucou seriamente os pés. Ao chegar a Tiemé, no extremo norte da atual Costa do Marfim, foi obrigado a parar, pois adoeceu de escorbuto. Durante cinco meses, de agosto de 1827 a janeiro de 1828, uma “boa negra velha”, segundo suas palavras, tratou dele, o que lhe possibilitou seguir viagem. Em março, chegou a Djenné, grande cidade localizada no atual Mali, com um florescente comércio. A partir de então, continuou seu périplo pelo rio Níger.

Finalmente, no dia 20 de abril de 1828, entrou em Timbuktu. Ao avistar a cidade, ficou simultaneamente feliz e decepcionado. Estava contente por ter atingido seu objetivo, mas terrivelmente frustrado por se ver diante de um local muito menos fastuoso, populoso e próspero do que aquele descrito pelos viajantes medievais. De lá saiu em 4 de maio de 1828, ansioso em anunciar na França que chegara à misteriosa cidade. Seu retorno pelo Saara foi uma provação terrível. Caillié se uniu a uma caravana formada por 600 dromedários e caminhou por 1.200 quilômetros ao longo do deserto.
Biblioteca Naiconal da França, Paris
No caderno de Caillié, a mesquita da cidade é representada com um detalhado plano de sua localização.
[continuação]

No dia 9 de maio, chegou ao lugar onde morrera o major inglês Gordon Laing, primeiro europeu a entrar em Timbuktu, em 1826. A “longa marcha” de René Caillié terminou em Tanger em agosto de 1828. No dia 27 de setembro, finalmente embarcou para a França. “O vencedor de Timbuktu”, o primeiro homem a abrir caminho pelo Saara, desembarcou em Toulon em 8 de outubro de 1828 e foi internado em quarentena no lazareto de Saint-Mandrier. Lá escreveu duas cartas a membros da Sociedade de Geografia, uma a Edmé François Jomard e outra a Georges Cuvier.

O explorador teve de dar provas de suas descobertas e responder às perguntas dos membros da Sociedade. Convencidos, estes decidiram, no dia 27 de novembro, que ele merecia o prêmio pelo descobrimento mais importante do ano em geografia. No dia 5 de dezembro de 1830, diante de toda a Paris erudita, o ministro da Marinha da França entregou a René Caillié o prêmio de cerca de 9 mil francos e a Legião de Honra.

Apesar da glória, o resto da vida do explorador não foi fácil. A deposição de Carlos X e a ascensão de Luís Felipe ao trono da França, em 1830, mudaram a situação política do país, e Caillié precisou lutar para obter a prometida pensão anual de 7 mil francos. Atormentado pela doença e pelo desânimo, deixou Paris e voltou para sua terra natal, onde foi prefeito de um pequeno município. O desejo de retornar à África, no entanto, o dominava. Ele tentou conseguir patrocínio para uma nova expedição, mas não teve sucesso. Debilitado, morreu no dia 17 de maio de 1838, após cinco dias de febre e agonia.

Os 10 Maiores Ditadores de Todos Os Tempos.


Augusto Pinochet, Chile
Responsável por mais de 3 mil mortes
Pinochet governou o Chile entre 1973 e 1990. Antes disso, no governo de Salvador Allende, comandou o exército (1970-1973), mas acabou aderindo à conspiração que derrubou o então presidente. Como chefe da Junta Militar, assumiu o poder após o golpe que culminou com o suicídio de Allende.. Segundo números divulgados pela Comissão Nacional pela Verdade e Reconciliação do Chile, o governo Pinochet foi responsável pela morte de 3.172 presos políticos, além aplicar táticas de tortura em quase 30 mil chilenos.

Apesar de o Chile ter elegido um novo presidente em 1990, Pinochet seguiu como comandante do Exército do país até 1998, quando se tornou senador vitalício. Contudo, em outubro daquele ano, dois juízes espanhóis iniciam uma investigação sobre a ligação do ex-ditador com o desaparecimento de cidadãos espanhóis durante o seu regime militar. Ele foi preso em novembro em uma clínica de reabilitação no Reino Unido. Seus problemas de saúde o levam à morte em 10 de dezembro de 2006, antes que pudesse ser condenado pelas mais de 300 acusações pendentes contra ele.
Jorge Rafael Videla, Argentina
Responsável por mais de 40 mil mortes
Jorge Rafael Videla Redondo (Mercedes, 21 de agosto de 1925) é um ex-militar argentino que ocupou de fato a presidência de seu país entre 1976 e 1981. Chegou ao poder em um golpe de estado que depôs a presidente María Estela Martínez de Perón, exercendo uma cruel ditadura. Foi o maior e mais selvagem dos ditadores da América do Sul. Apesar de ter sido uma ditadura curta, (1976/1983), é considerada a que matou mais. Os cálculos ficam entre 40 e 50 mil mortos. Seu período esteve marcado por violações aos direitos humanos e por um conflito fronteiriço com Chile, que esteve a ponto de se tornar um conflito armado. A democracia foi restaurada no país em 1983 e, em 22 de novembro de 2010, Videla foi julgado e condenado a prisão perpétua e destituído da patente militar pela morte de apenas 31 cidadãos
Charles Taylor, Libéria
Responsável por 75 mil mortes em duas guerras civis na Libéria
Ex-líder da Frente Nacional Patriótica de Libertação da Libéria (1989-1997) e presidente do país (1997-2003), Taylor comandou os exércitos rebeldes na guerra civil (1989-1997) da Libéria. Contudo, os piores flagelos à humanidade infligidos por ele foram realizados no exterior. Ele está sendo julgado pela Corte Especial para Serra Leoa pela participação na guerra civil desse país entre novembro de 1996 e janeiro de 2002, quando o conflito foi encerrado.Taylor é acusado de liderar os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) em Serra Leoa, abastecendo-os com armas e munições em troca de diamantes.
Taylor foi indiciado por 11 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e outras sérias violações dos direitos humanos. Ele é acusado de ser responsável pelo assassinato e mutilação de civis, a transformação de mulheres e meninas em escravas sexuais, o sequestro de adultos e crianças para que eles realizassem trabalhos forçados ou lutassem no conflito, com base no seu apoio aos rebeldes da Serra Leoa. Taylor também é responsabilizado pelo envio de tropas da Libéria em ajuda aos guerrilheiros. A Guerra Civil na Serra Leoa (1991-2002) causou 75 mil mortes e obrigou metade da população do país a deixar suas casas.
Slobodan Milosevic, Iugoslávia
Responsável por até 230 mil mortes
Milosevic foi presidente da Sérvia (1989-1997) e depois presidente da Iugoslávia (1997-2000). Durante o período, a Iugoslávia foi marcada por guerras separatistas que culminaram na sua divisão. Os primeiros países a proclamarem independência após a chegada de Milosevic ao poder foram Eslovênia, Croácia e Macedônia, todas em 1991, após confrontos, em especial na Croácia, que deixaram 20 mil mortos
Contudo, foi em 1992, quando a Bósnia-Hezergovina declarou sua independência, que o verdadeiro banho de sangue começou na região. Milosevic apoiou as milícias sérvio-bósnias lideradas pelos generais Radovan Karadzic e Ratko Mladic, que promoveram um conflito ao longo de três anos, e respingou na Croácia, provocando a morte de até 200 mil pessoas – mais de 100 mil apenas nos primeiros meses -, tirou de suas casas 3 milhões de pessoas e deixou dezenas de milhares desaparecidas. Além disso, milhares foram enviados a campos de concentração e campos de estupros, para onde estima-se que mais de 20 mil mulheres muçulmanas foram mandadas.
Três anos após a Guerra da Bósnia, foi a vez do Kosovo buscar sua independência em mais um sangrento conflito iniciado em setembro de 1998 e encerrado apenas em junho do ano seguinte, após Belgrado, capital da Sérvia, ser bombardeada ao longo de 78 dias por tropas da Otan. O conflito deixou cerca de 10 mil mortos e até 740 mil albano-kosovares sem moradia. Milosevic só deixou o poder em outubro de 2000. Ele foi preso em abril de 2001 pelo governo sérvio acusado dos crimes de abuso de poder e de corrupção e extraditado dois meses mais tarde para ser julgado pelo tribunal da ONU em Haia, na Holanda, por crimes de guerra, se tornando o primeiro chefe de estado a ser julgado por essa acusação. Milosevic foi encontrado morto em 11 de março de 2006 após sofrer um ataque cardíaco, antes que o veredicto de seu julgamento pudesse ser pronunciado.
Harry Truman, EUA
Responsável por até 250 mil mortes
Os Bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ataques nucleares ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial contra o Império do Japão realizados pela Força Aérea dos Estados Unidos da América na ordem do presidente americano Harry S. Truman nos dias 6 de agosto e 9 de agosto de 1945. Após seis meses de intenso bombardeio em 67 outras cidades japonesas, a bomba atômica "Little Boy" caiu sobre Hiroshima numa segunda-feira. Três dias depois, no dia 9, a "Fat Man" caiu sobre Nagasaki. Historicamente, estes são até agora os únicos ataques onde se utilizaram armas nucleares. As estimativas, do primeiro massacre por armas de destruição maciça, sobre uma população civil, apontam para um número total de mortos a variar entre 140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação. A maioria dos mortos eram inocentes civis.

As explosões nucleares, a destruição das duas cidades e as centenas de milhares de mortos em poucos segundos levaram o Império do Japão à rendição incondicional em 15 de agosto de 1945, com a subsequente assinatura oficial do armistício em 2 de setembro na baía de Tóquio e o fim da II Guerra Mundial.

O papel dos bombardeios atômicos na rendição do Japão, assim como seus efeitos e justificações, foram submetidos a muito debate. Nos EUA, o ponto de vista que prevalece é que os bombardeios terminaram a guerra meses mais cedo do que haveria acontecido, salvando muitas vidas que seriam perdidas em ambos os lados se a invasão planejada do Japão tivesse ocorrido. No Japão, o público geral tende a crer que os bombardeios foram desnecessários, uma vez que a preparação para a rendição já estava em progresso em Tóquio.
Benito Mussolini, Itália
Responsável por mais de 440 mil mortes
Mussolini foi ditador durante o regime fascista que vigorou no país entre 1922 e 1943. Sob o comando do “Duce”, a Itália se tornou um regime militar marcado pela repressão e pelo controle do Estado sobre a economia.
Em 1935, ele ordenou a invasão da Abissínia (atual Etiópia), que levaria a execução de mais de 30 mil etíopes. Durante a Guerra Civil Espanhola, Mussolini concedeu apoio militar ao general Franco. Em 1938, seguindo comando de Hitler, o regime fascista aprovou leis antissemitas na Itália que levaram à deportação de 7 mil judeus italianos para campos de concentração na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, dos quais 5.910 foram mortos. A aliança de Mussolini com Hitler e o Terceiro Reich alemão levou à morte aproximadamente 410 mil italianos durante a guerra.
O pacto com a Alemanha resistiu até a invasão aliada da Itália em 1943. Mussolini foi deposto em 24 de julho e preso no dia seguinte. No entanto, uma operação de paraquedistas alemães conseguiu resgatá-lo no dia 12 de setembro. Mussolini foi enfim preso em 27 de abril de 1945, próximo à cidade de Como, e executado um dia depois ao lado de sua mulher, Claretta Petacci. Os corpos do casal foram levados para Milão, onde foram pendurados e expostos para humilhação pública.
Idi Amin Dada, Uganda
Responsável por até 500 mil mortes
Idi Amim foi o presidente de Uganda entre 1971 e 1979. Apesar de não saber ler nem escrever, ele comandou um brutal regime militar que lhe valeu o apelido de “Açougueiro da África”. Estimativas feitas pela ONG Anistia Internacional apontam que até 500 mil pessoas morreram durante o período por perseguições étnicas, políticas e religiosas.
Entre as suas excentricidades, acredita-se que ele comia os restos mortais de seus inimigos assassinados e que teria se oferecido como parceiro sexual da rainha britânica Elizabeth. Em 1971, ele e o presidente do Zaire Mobutu Sese Seko mudaram os nomes dos lagos Albert e Edward para Lago Mobutu Sese Seko e Lago Idi Amim Dada, respectivamente. Em 1978, ele se proclamou presidente vitalício de Uganda, mas seu regime ruiu após a guerra com a Tanzânia. Ele morreu em 2003, exilado na Arábia Saudita. Idi Amim foi retratado no cinema no filme O Último Rei da Escócia (2006).
Hadji Mohamed Suharto, Indonésia
Responsável por até 750 mil mortes
A 30 de Setembro de 1965, Suharto orquestrou um golpe, apoiado pela CIA, que foi acompanhado pelo massacre de comunistas e democratas indonésios e que resultou num genocídio que fez entre 750 mil, perante a indiferença mundial. Durante as três décadas em que esteve à frente dos destinos da Indonésia, Suharto construiu um governo nacional forte e centralista, forçando a estabilidade no heterogéneo arquipélago indonésio através da supressão dos dissidentes políticos e dos separatismos regionais. As suas políticas levaram a um substancial crescimento económico do país, apesar de muitos dos ganhos no nível de vida tenham sido perdidos com a crise financeira asiática que começou em 1997 e acabou por precipitar a sua queda. Com a prosperidade económica, Suharto enriqueceu pessoalmente, tendo criado um pequeno círculo de privilegiados através da implementação de monopólios estatais, subsídios e outros esquemas menos lícitos.
Theoneste Bagosora, Ruanda
Responsável por até 800 mil mortes
Apelidado de “Coronel Morte” e de “Milosevic de Ruanda”, Bagosora é apontado como o principal responsável pelo genocídio de pessoas da etnia Tutsi em Ruanda, em 1994. Ele assumiu o controle do Ministério da Defesa em 1992 e, apesar de se aposentar no ano seguinte, se manteve à frente do exército até o fim do genocídio.
Ele é acusado de ser responsável pela morte de mais de 500 mil tutsis e de milhares de hutus moderados. O Tribunal Penal Internacional para Ruanda da ONU estima que 800 mil pessoas foram mortas durante o genocídio em Ruanda. O confronto ainda obrigou milhões de pessoas a deixarem o país em direção a nações vizinhas, o que levaria a novos conflitos na região.
Bagosora, que havia fugido após o fim do conflito, foi detido em Camarões em 9 de março de 1996. Em 2008, ele foi condenado à prisão perpétua pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) para Ruanda por genocídios, crimes contra humanidade e crimes de guerra.
Pol Pot, Camboja
Responsável por 1,9 milhões de mortes
Pot foi ditador do Camboja e o líder do Khmer Vermelho, um sangrento regime que vigorou no país entre 1975 e 1979 e levou à morte, segundo estimativas, entre 1,7 milhão e 2 milhões de pessoas – um dos maiores genocídios do século passado. As leis do país no período eram tão assustadoras que previam a condenação por traição de pessoas que chegavam ao trabalho atrasadas.
O governo entrou em colapso em 1979 após o país ser invadido pelo Vietnã. Pot e a cúpula do Khmer Vermelho foram obrigados a fugir para as florestas, de onde seguiram lutando para permanecer no comando do país.
Ele morreu em 1998, após o general Ta Mok, que então governava o país, ameaçar entregá-lo para ser julgado nos EUA. Oficialmente, ele morreu após sofrer uma parada cardíaca, mas há suspeitas de que ele tenha cometido suicídio ou sido envenenado.
Saddam Hussein, Iraque
Responsável por 2 milhões de mortes
Saddam foi o presidente do Iraque entre 1979 e 2003 e acumulou o cargo de primeiro-ministro do país entre 1979 e 1991 e depois entre 1994 e 2003. As maiores vítimas de seus crimes contra a humanidade foram as minorias curdas do norte do país. Estimativas apontam que, entre 1986 e 1989, cerca de 185 mil homens, mulheres e crianças curdas foram assassinados. Somente em Halabja, em 1988, aproximadamente 5 mil pessoas morreram após Saddam autorizar o uso de gás contra a população.
Após a primeira Guerra do Golfo, no início dos anos 90, ele iniciou uma campanha de perseguição aos xiitas marsh, além de aumentar a repressão aos curdos, por eles terem servido de informantes dos Estados Unidos no confronto. Os marsh, uma cultura milenar descendente dos povos mesopotâmios, foram praticamente erradicados do sul do país, seu número caiu de 250 mil para 30 mil, apesar de não existirem informações precisas de quantos morreram de fome e quantos se tornaram refugiados. Em relação aos curdos, especula-se que em alguns momentos soldados de Saddam chegaram a matar cerca de 2 mil por dia e que centenas de milhares morreram tentando cruzar as montanhas entre Irã e Turquia.
Além disso, o regime de Saddam levou à morte mais centenas de milhares de pessoas nos conflitos com o Irã (1980 e 1988) – em que teve o apoio dos EUA –, Kuwait (1990) e nas duas Guerras do Golfo (1990 a 1991 e 2003). Somente no confronto com o Irã, estima-se que morreram até 1 milhão de pessoas, entre iraquianos e iranianos. Além disso, aproximadamente 500 mil crianças iraquianas morreram devido às sanções internacionais implementadas após a primeira Guerra do Golfo. Saddam foi capturado por soldados americanos em 13 de dezembro de 2003, durante a invasão dos EUA ao Iraque. Ele foi enforcado em 30 de dezembro de 2006, após ser condenado pela execução de 148 muçulmanos xiitas na cidade de Dujail, em 1982.
Joseph Stalin, União Soviética
Responsável por mais de 20 milhões de mortes
Stalin assumiu o posto de secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética em 1922 e tornou-se chefe supremo e ditador do país em 1924, após a morte de Vladimir Ilyich Lênin. Apesar de governar com braço de ferro um estado fortemente militar, Stalin durante muito tempo conseguiu omitir do Ocidente as mortes perpetradas pelo seu regime, especialmente devido à decisiva participação soviética para a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial.
Contudo, após a sua morte, em 1953, descobriu-se que pelo menos 1 milhão de pessoas foram executadas sob o seu regime por ofensas políticas e no mínimo outras 9,5 milhões foram deportadas, exiladas ou enviadas para o Arquipélago Gulag – campos de trabalhos forçados –, de onde 5 milhões de pessoas nunca teriam retornado com vida. Outras estimativas apontam que o número de deportados poderia chegar a 28 milhões, incluindo 18 milhões enviadas para os Gulag. Além disso, 14,5 milhões teriam morrido de fome durante o seu regime, sem contar as vítimas do exército vermelho, do qual era o comandante, durante a Segunda Guerra Mundial.
Adolf Hitler, Alemanha
Responsável por mais de 40 milhões de mortes
Hitler foi o líder no Partido Nazista alemão de 1921 até a sua morte, em 1945. As suas ideias inicialmente o levaram à prisão, mas seu partido ganhou força após a crise econômica de 1929 e em 30 de janeiro de 1933 ele foi nomeado chanceler alemão. Em 27 de fevereiro, os nazistas orquestram o incêndio do Reichstag (Parlamento alemão), que levou à suspensão dos direitos civis no país e a um estado de repressão policial. Em agosto de 1934, Hitler assumiu também a presidência do país, o controle total das forças armadas e se tornou o Füher do Terceiro Reich.
Embora existam diversas estimativas sobre o número total de mortos no conflito propagado por Hitler, acredita-se que o líder nazista seja o responsável, direta ou indiretamente, por no mínimo 40 milhões de mortes. Deste total, 6 milhões seriam judeus, perseguidos implacavelmente durante o Holocausto e, na maioria dos casos, mortos em campos de concentração e de trabalhos forçados. O restante das vítimas seria composto, na maioria, por soviéticos, poloneses, chineses, iugoslavos, japoneses, franceses, italianos, ingleses e americanos. Além disso, estima-se que tenham morrido 9 milhões de pessoas do lado nazista.
Hitler cometeu suicídio em 30 de abril de 1945, quando os exércitos soviéticos se preparavam para tomar o bunker em que ele estava escondido. Os corpos dele e de sua mulher Eva Braun, que também cometeu suicídio no mesmo dia, foram queimados de acordo com suas ordens.
Mao Tsé-Tung, China
Responsável por mais de 70 milhões de mortes
Líder do Partido Comunista Chinês desde 1931, Mao foi presidente da República Popular da China de 1949 a 1959 e presidente do Partido até sua morte. Neste período, implantou um regime de terror, com o assassinato de “contra-revolucionários”, proprietários rurais e inimigos políticos, sendo responsabilizado pela execução até mesmo de vários ex-companheiros, militantes comunistas expurgados sob as mais variadas justificativas. A partir de 1950, lançou um programa de reforma agrária e coletivização da agricultura que desorganizou a economia do país e provocou a maior onda de fome já registrada pela História. Pouco depois deste episódio, Mao e seus assessores mais próximos lançaram em meados da década de 1960 a Revolução Cultural, esforço justificado como uma tentativa de mudar a mentalidade da população chinesa e prepará-la para o socialismo. A campanha levou a prisões em massa, fechamento de escolas e perseguições que causaram a morte de mais de 70 milhões de pessoas.

O Chile de Pinochet


Augusto Pinochet Ugarte entrou na cena pública no dia 23 de agosto de 1973, ao ser nomeado Comandante em Chefe do Exército chileno, pelo então presidente Salvador Allende. Pinochet asumiu este cargo quando o Chile vivia uma conturbada situação política interna. Desde então, até hoje, este homem segue sendo notícia no Chile e no mundo.Dentro de uma conturbada situação política interna, em 23 de agosto de 1973, Augusto Pinochet é nomeado Comandante em Chefe do Exército. Menos de um mês depois, no dia 11 de setembro, as Forças Armadas e os Carabineiros do Chile se insurgiram contra o governo de Salvador Allende, assumindo o controle do governo e o compromisso de restaurar a institucionalidade nacional. A partir de então se iniciou, entre outras coisas, a Reforma Administrativa iniciada em 1975, que estruturou a divisão político-administrativa do Chile em torno de 13 regiões.
Em 1976 uma Comissão de Estudos Constitucionais iniciou a analise para a formulação de uma nova Constituição, que foi aprovada em um plebiscito em 1980.
Depois de superar com exito uma primeira crise fronteiriça com o Peru, que colocou o país a beira de um conflito armado, o governo de Pinochet se vê enfrentado, em 1978, uma delicada situação com a Argentina. O problema foi resolvido depois da intervenção do Papa João Paulo II, diante de quem as duas nações firmaram o Tratado de Paz e Amizade, em 1984.
A partir de 1986 depois de superar uma grave recessão econômica internacional, se inicia no país um período de crescimento sustentado. Em setembro do mesmo ano, Augusto Pinochet sofre um atentado terrorista no setor de Achupallas. O general se salva com vida, mas cinco de seus guarda-costas morrem no incidente.
De acordo com o estabelecido na Constituição, em 5 de outubro de 1988 se realizou um plebiscito a través do qual a maioria dos chilenos decidiu que se efetuariam eleições presidenciais livres e democráticas em dezembro do próximo ano. Nestas eleições é escolhido Don Patricio Aylwin Azocar, candidato democrata cristão, que assume em março de 1990. A partir dessa mesma data, Augusto Pinochet continua como Comandante em Chefe do Exército. Neste cargo o ex-ditador busca consolidar a modernização da instituição.
No dia 18 de julho de 1994, Pinochet apresenta publicamente seu conceito geopolítico para aconquista das Fronteiras Interiores. No mesmo ano, em uma Classe Magistral na Escola Militar e em ocasião do início do Mês do Exército, faz público o Plano de Modernização "ALCAZAR", que aponta a estruturação de uma força militar com um alto grau de instrução e treinamento.
Por um acordo do Corpo de Generais da Instituição, acontecido em 6 de março de 1998, Pinochet recebe o título honorífico de Comandante em Chefe Benemérito do Exército do Chile. Em 10 de março de 1998, conforme o estabelecido na Constituição, ele entrega o comando do Exército ao Tenente General Ricardo lzurieta Caffarena, designado pelo Presidente da República.
Conforme a Carta Fundamental e atendendo a sua condição de ex-Presidente da República, no dia 11 de março de 1998, Pinochet toma posse como senador vitalício, no Congresso Nacional na cidade de Valparaíso.
No dia 16 de outubro do mesmo ano, enquanto viajava pela Europa, é detido em Londres por ordem do juiz espanhol Baltasar Garzón. O senador é notificado na London Clinic da ordem de prisão expedida pelo juiz metropolitano de Londres, Nicholas Evans. 

11 de setembro de 1973 Para os Chilenos


A queda de Salvador Allende

O presidente do Chile,Salvador Allende,declarou logo após sua eleição:“A história nos ensinou que os grupos ultra-revolucionários não desistem do poder e lutam para conquistá-lo”. Ao custo de sua própria vida,a história lhe provaria isso.
Em 1970,o Chile,aliado dos Estados Unidos,vê com ansiedade o líder marxista Salvador Allende subir ao poder. Em 1964 ele já concorrera às eleições,quase vencendo o candidato democrata cristão Eduardo Frei. Fidel Castro apóia Allende. Os objetivos básicos de Allende são a nacionalização das minas de cobre do Chile –Kenecott Copper e Anaconda,duas imensas multinacionais americanas –e a redistribuição da terra aos camponeses. Apesar dos milhões de dólares dados pela CIA aos opositores de Allende,ele é eleito em 4 de setembro de 1970. A CIA tenta evitar a posse do presidente. Os investimentos privados do Chile caem a zero e o desemprego aumenta.
Allende afirma seu direito de chefe de Estado eleito e,em 4 de novembro de 1970,a presidência é confirmada pelo Congresso. É o triunfo do partido de Unidade Popular. O governo de Allende declara-se socialista.
Ao descobrir que os trusts americanos levavam lucros excessivos para fora do país,Allende nacionaliza as minas de cobre. Logo surge o espectro da ala da direita e dos militares. A companhia americana Telefone e Telégrafo Internacional –ITT -,com mais de duzentos milhões de dólares investidos no Chile,organiza o estrangulamento econômico do país. Prova-se isso por este telegrama:“As linhas de crédito bancário não devem ser renovadas e nem os prazos dilatados. As companhias devem adotar um ritmo lento no envio de verbas,nas entregas e no embarque de peças sobressalentes. Devemos retirar toda ajuda técnica e não daremos assistência técnica no futuro.”
4 de setembro de 1972. Allende denuncia em vão,nas Nações Unidas,as tentativas norte-americanas de desestabilização do Chile. A situação econômica logo torna-se catastrófica. O povo protesta em manifestações turbulentas. A organização da extrema direita “País e Liberdade”torna-se violenta. As mulheres protestam contra a penúria e falta de alimentos básicos. Os caminhoneiros organizam um boicote na estrada,bloqueando o tráfego com cinqüenta mil caminhões. A economia entra em colapso. Por todo lado vê-se o caos.
11 de setembro de 1973. Apoiada e possivelmente subornada pela CIA,a maioria do exército e da polícia subleva-se. O governo de Allende é derrubado. Cercados no palácio presidencial e bombardeados pela Força Aérea,Allende e alguns colaboradores leais resistem de armas na mão. São todos mortos em circunstâncias até hoje desconhecidas.
O exército chileno –liderado por Augusto Pinochet -,que naquele dia derrubara Allende,é pouco misericordioso com os revolucionários do Partido de Unidade Popular. A repressão militar é vingativa. Mais de cem mil pessoas são presas e torturadas;trinta mil são assassinadas. A ditadura sangrenta de Pinochet dura mais de 16 anos.

Marx e Friedrich Engles

 I – IntroduçãoNa Alemanha do século XVIII, surgia outra forma de vida da sociedade, devido a Revolução Industrial, a população se tornava capitalista, tendo acumulo de riquezas para uns e pobreza para outros.Entre o século XVIII e XIX, surge dois grandes sociólogos na Alemanha, Karl Marx e Friedrich Engles, que também se destacaram em outras áreas como na filosofia e história na época do surgimento do capitalismo, no qual se destacava o materialismo da sociedade em suas diversas formas.Com eles nasceu o Marxismo ou socialismo científico, que gerava inquietação com as mesmas causas da época, como o modo de produção, luta das classes, materialismo histórico, mais-valia  e entre outros.II – Desenvolvimento1. Bibliografia de Karl Heinrich Marx Nascido em 5 de maio de 1818, em Tréveris na Alemanha, falecido em 14 de março de1883 em Londres, foi economista, sociólogo e filósofo, considerado um dos fundadores da sociologia tendo no Marxismo e Hegelianismo como seu principal marco. Tinha sua visão voltada para as causas trabalhistas como o modo de produção, mais-valia, acumulação primitiva, materialismo histórico, luta de classes, materialismo dialético.Quando estudava na Universidade de Berlim foi influenciado pelos pensamentos de Hegel, participando do movimento dos Jovens Hegelianos, foi impedido de prosseguir seus estudos e expulso da Alemanha, sustentou-se com artigos que publicava ocasionalmente em jornais alemães e estadunidenses, bem com por diversos auxílios financeiros vindos de seu amigo e colaborador Friedrich Engels. Casou-se teve 5 filhos, 3 faleceram na infância devido às péssimas condições financeiras, mas casou bem suas 2 filhas para não passarem mais por dificuldades.Hoje é considerado um dos maiores pensadores, principalmente dos preceitos alemães e o maior filósofo de todos os tempos.2. Bibliografia Friedrich EngelsNascido em 28 de novembro de 1820 em Wuppertal na Alemanha falecido em 5 de agosto de 1895 em Londres na Inglaterra, possuía visão voltada para Filosofia política, Política, Economia, Luta de Classes, Evolucionismo, Dialética da natureza, materialismo histórico, mais-valia, ideologia, alienação, fundador junto com Marx do Marxismo.Foi um filósofo alemão parceiro de Karl Marx em publicações de obras literárias, em fundação do Marxismo e um grande amigo. Soube analisar a sociedade de forma muito eficiente, influenciado pelo Marxismo.3. O pensamento de Marx e EnglesA parti desses dois a sociologia tem um conhecimento crítico e negador da sociedade capitalista, disciplinando-a especifica oferecendo explicação  e colocando em evidencia as dimensões globais, seus trabalhos foram realizados com experiência em lutas políticas.Acreditavam que era necessário empreender uma análise histórica da sociedade capitalista, colocando às claras suas leis de funcionamento e de transformação, destacado ao mesmo tempo os agentes históricos capazes de transforma-la.A filosofia alemã  da época estava em contato com a dialética hegeliana que possuía caráter revolucionário e idealista.Assinalavam que a sociedade capitalista o interesse econômico individual foi tomado como um verdadeiro objetivo social, sendo voz corrente nessa sociedade que a melhor maneira de garantir a felicidade de todos seria os indivíduos se entregarem a realização de seus negócios  particulares. No entanto, admitir que a produção da sociedade fosse realizada por indivíduos isolados uns dos outros não passava de ficção.Para os Marxistas o interesse era a luta as classes e ao a harmonia pois para eles os socialistas e os comunistas constituíam os representantes da classes operaria pois o tinham uma visão diferente do positivismo que via a divisão do trabalho fonte de solidariedade, quanto para eles era uma forma de realização de exploração, antagonismo e alienação.Mostraram que a alienação da industria, a propriedade privada e o assalariamento separavam o trabalhador  do fruto do seu trabalho apropriado pelo capitalismo. A classe de estado  representa apenas a classe  de estado  representa penas  a classe dominante e age conforme o interesse desta.Segundo Marx as desigualdades são a base da formação das classes sociais, ele identificou a burguesia e o proletariado. A sociedade encontrou nesses pensamentos inspiração para se tornar um empreendimento critico e militante, desmistificador da civilização burguesa, e também um compromisso com a construção de uma ordem social na qual fossem eliminadas as relações de exploração entre as classes sociais.
III – Conclusão Os pensamentos de Marx e Engles forneceram uma importante contribuição para a analise de ideologia, para a compreensão das relações entre as classes sociais, para o entendimento da natureza e das funções do Estado, para a questão da alienação etc. De considerável valor, destacando às ciências sociais.




Teoria de Malthus

 teorias foram elaboradas para tentar explicar o crescimento populacional. Dentre elas, é comum se destacarem três, que estão profundamente inter-relacionadas: a malthusiana, a neomalthusiana e a reformista.Teoria Malthusiana
A teoria demográfica formulada pelo economista inglês Thomas Robert Malthus (1776-1834) foi publicada em 1798, no livro Ensaio sobre o princípio da população

Segundo Malthus, a população mundial cresceria em um ritmo rápido, comparado por ele a uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64...), e a produção de alimentos cresceria em um ritmo lento, comparado a uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6...). 

Assim, segundo a visão de Malthus, ao final de um período de apenas dois séculos, o crescimento da população teria sido 28 vezes maior do que o crescimento da produção de alimentos. Dessa forma, a partir de determinado momento, não existiriam alimentos para todos os habitantes da Terra, produzindo-se, portanto, uma situação catastrófica, em que a humanidade morreria de inanição.

Malthus chegou a propor como única solução - para o problema da defasagem entre população e alimentos - o que ele chamou de "sujeição moral", ou seja, a própria população deveria adotar uma postura de privação voluntária dos desejos sexuais, com o objetivo de reduzir a natalidade, equilibrando o crescimento demográfico com a possibilidade de expansão da produção de alimentos.

Naquela época, a obra fez muito sucesso, mas hoje suas idéias são consideradas ultrapassadas pela maioria dos estudiosos. Para os críticos de Malthus, não se elimina a falta de alimentos diminuindo o número de nascimentos entre a população mundial, mas redistribuindo a riqueza produzida no mundo. 

Na realidade, ocorre grande concentração de alimentos nos países ricos e, consequentemente, má distribuição nos países pobres. Porém, em nenhum momento a população cresceu conforme o cálculo de Malthus.

Teoria Neomalthusiana

É uma teoria que começa a se desenvolver nas primeiras décadas do século 20, baseada no pensamento de Malthus, razão pela qual passou a ser denominada de neomalthusiana. 

O neomalthusianismo somente se firmou entre os estudiosos da demografia após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em função da explosão demográfica ocorrida nos países subdesenvolvidos. Esse fenômeno foi provocado pela disseminação, nos países subdesenvolvidos, das melhorias ligadas ao desenvolvimento da medicina, o que diminuiu a mortalidade sem, no entanto, que a natalidade declinasse.

Os neomalthusianos analisam essa aceleração populacional segundo uma ótica alarmista e catastrófica, argumentando que, se esse crescimento não for impedido, os recursos naturais da Terra se esgotarão em pouco tempo.

Para conter o avanço populacional, esses teóricos utilizam várias propostas, principalmente a da adoção de políticas visando o controle de natalidade, que se popularizaram com a denominação de Planejamento Familiar.

Algumas medidas adotadas por entidades mundiais (ONU, FMI, Banco Mundial, UNICEF, entre outros) nos países subdesenvolvidos, ajustadas a cada população, são exemplos de políticas de controle de natalidade: esterilização em massa de populações pobres (como foi feito na Índia e na Colômbia); distribuição gratuita de anticoncepcionais; assistência médica para uso de dispositivos intrauterinos (DIUs); divulgação de um modelo de família bem-sucedida, com no máximo dois filhos, em programas de televisão, na publicidade e no cinema.

Teoria Reformista

As idéias básicas desta teoria são todas contrárias às de Malthus: sua principal afirmação nega o princípio malthusiano, segundo o qual a superpopulação é a causa da pobreza. Para os reformistas, é a pobreza que gera a superpopulação.

De acordo com a teoria reformista, se não houvesse pobreza as pessoas teriam acesso a educação, saúde, higiene, etc., o que regularia, naturalmente, o crescimento populacional. Portanto, é exatamente a falta dessas condições o que acarreta o crescimento desenfreado da população. 

Neste caso, é necessário explicar a origem da pobreza: os reformistas atribuem sua origem à má divisão de renda na sociedade, ocasionada, sobretudo, pela exploração a que os países desenvolvidos submetem os países subdesenvolvidos. Assim, a má distribuição de renda geraria a pobreza - e esta, por sua vez, geraria a superpopulação.

Outra crítica dos estudiosos reformistas aos malthusianos diz respeito ao crescimento da produção. Como vimos, para Malthus esta crescia em ritmo inferior ao da população. Para os reformistas, contudo, isso também não é verdadeiro, pois, com o início da revolução industrial e a consequente revolução tecnológica, tanto a agricultura quanto a indústria aumentaram sua capacidade produtiva, resolvendo, dessa forma, o problema da produção.

Os reformistas defendem que os governos deveriam implantar uma política de reformas sociais - na tecnologia, para aumentar a produção e resolver definitivamente o problema da sobrevivência humana, e na distribuição da renda, visando o acesso da maioria às riquezas produzidas. Só assim o problema da pobreza se resolveria. E, resolvendo o problema da pobreza, se resolveria também o problema da superpopulação. Ou seja, não haveria mais desequilíbrio entre uma e outra.