sábado, 24 de março de 2012

A INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA ESPANHOLA


A INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA ESPANHOLA

O iluminismo francês, com seu discurso antimercantilista e anticolonialista, ecoou fortemente na América Latina, região que ainda vivia na periferia do Antigo Regime. Também é importante ressaltar a influência dos Estados Unidos, que, ao se tornarem independentes, deram um exemplo que os colonos hispânicos entusiasmaram-se em imitar.
Os criollos (ver quadro da sociedade colonial ibérica) recriaram na América a antiga tradição espanhola do ayuntamiento, em que a vila era governada por um alcaide escolhido entre os homens bons (brancos e ricos). Essas estruturas serviram de embrião aos movimentos de independência.
As únicas exceções a esse modelo podem ser encontradas no Haiti, onde a independência foi obra da revolta dos escravos liderados por Toussaint Louverture, e noParaguai, em que a elite militar nacionalista e os índios guaranis conquistaram sua independência.
Com a invasão napoleônica na Espanha e a prisão do Rei Fernando VII pelos franceses, os laços coloniais afrouxaram-se ainda mais, permitindo que os criollospassassem a se autogovernar. Com a restauração monárquica, ocorreu uma tentativa de recolonização que se chocou com os movimentos independentistas.
As primeiras tentativas de independência, por volta de 1810, fracassaramna Venezuela, no México e no Chile. Mas, a partir de 1818, os movimentos começaram a conseguir êxito. Em 1824, Simon Bolívar desencadeou a campanha militar que culminaria na libertação da Venezuela, da Colômbia e do Equador e, mais ao sul, José de San Martin promovia a libertação da Argentina, do Peru e do Chile - neste último, recebeu apoio do General Olgín.
Em 1822, os dois líderes se encontraram em Guayaquil, no Equador, onde San Martin entregou a Bolívar o comando supremo do exército de libertação.
Em 1824, os últimos remanescentes do exército espanhol foram derrotados pelo General Sucre, aliado de Bolívar, no interior do Peru. Ao norte, a independência do México foi realizada pelo General Itúrbide, que se sagrou imperador com o título de Agustín l. O sonho de Bolívar, e de outros dos "libertadores da América", era o de fundar uma grande confederação na América do Sul, para evitar a fragmentação política eo enfraquecimento das ex-colônias.
Em  1826,   Bolívar   convocou   a Conferência do Panamá, onde expôs seu projeto. Mas a proposta bolivariana chocou-se com os interesses das oligarquias locais.
E houve também pressão externa contrária, promovida pelos Estados Unidos e pela Inglaterra, que não se interessavam pelo aparecimento de um novo e forte país.
Assim, após o fracasso da Conferência do Panamá, a maior parte das regiões libertadas preferiu o regionalismo e constituiu uma série de pequenas unidades autônomas. Tornaram-se, na verdade, presa fácil dos impérios comerciais europeus, sobretudo o inglês e o francês, e da potência econômica nascente, os Estados Unidos.
A independência política não foi acompanhada de uma revolução social ou econômica:as velhas estruturas herdadas do passado colonial foram conservadas intactas. As novas nações assumiram o papel dependente de fornecedoras de matéria-prima e consumidores dos países industrializados.

COLONIZAÇÃO DA AMÉRICA ESPANHOLA


COLONIZAÇÃO DA AMÉRICA ESPANHOLA

Após a chegada de Colombo a um território ate então ignorado pelos europeus, o
interesse espanhol se manifestou em mais uma serie de viagens, das quais resultou a
notícia da existência de minerais preciosos. Tal situação levou à conquista do território
americano e das nações que nele habitavam. Os soldados de Cortez venceram os
astecas; Pedro de Lavarado e seus homens dominaram a região da Guatemala;
Francisco Pizarro e seus comandados destruíram o poderoso Império Inca. A Colômbia
dos Chibchas foi arrasada pelas tropas de Jimenez de Quesada; Pedro de Valdivia e
Diego de Almagro conquistaram o Chile aos araucanos e Pedro de Mendonza com suas
tropas aniquilou os Charruas, dominando a vasta região do Rio da Prata.
Terminada a conquista, a Coroa espanhola preocupou-se com a efetiva posse e
domínio de seu vasto império americano.


ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

Ao contrário das demais nações que colonizaram outras partes da América, a Espanha
conseguiu localizar e dominar vastas áreas mineratórias, onde a população já
trabalhava na extração de metais preciosos. Era necessário ampliar esta capacidade
de extração, com a finalidade de abastecer a metrópole. Tomaram-se, então, algumas
medidas que engedraram uma poderosa máquina burocrática. No entanto, na maioria
das vezes, esta máquina emperrava, devido às distancias e à cobiça dos funcionários.
Durante a fase da conquista, a Coroa não dispendeu recursos maiores. Os
“adelantados” eram pessoas que ficaram encarregadas de conquistar vários territórios,
apropriando-se de suas riquezas e de sua população, podendo utilizá-las como bem o
aprouvessem, desde que estavam obrigados a pagar determinados impostos à Coroa.
Para fazer frente aos desmandos e à cobiça dos “adelentados”, a Coroa, já na metade
do século XVI, procurou substituí-los por funcionários nos quais pudesse confiar um
pouco mais. Foram então criados os Vice-Reinados e as Capitanias Gerais. A
“audiência”, que primitivamente era um tribunal, passou a acumular funções
administrativas ao lado das judiciárias. A “audiência” era formada pelo Vice-Rei
(quando sua sede era a mesma sede do Vice-Reinado) e vários ouvidores, isto é,
juizes. Suas funções podem ser resumidas numa palavra: fiscalização, vigilância sobre
todos os funcionários,
As cidades eram administradas pelos cabildos, que poderíamos definir como sendo
uma câmara municipal, formada pelos elementos da classe dominante. Era presidida
por um alcaide e composta por um numero variável de regidores.
Na metrópole ficavam os departamentos encarregados das decisões finais: a Casa de
Contratação e o Real e Supremo Conselho das Índias.
A Casa de Contratação foi criada em 1503, para ter todo o controle da exploração
colonial. Teve sua sede em Sevilha, um dos portos privilegiados pela Coroa para
receber com exclusividade, os navios que chegassem da América. Outro porto também
privilegiado foi o de Cádiz, para onde se transferiu a Casa de Contratação
posteriormente.
Criado em 1511, o Real Supremo Conselho das Índias tinha sede em Sevilha e sua
função era a administração
das colônias, cabendo-lhe nomear os funcionários
coloniais, exercer tutela sobre os índios e fazer as leis para a América.
Não se pode esquecer de mencionar a Igreja Católica, no que se refere aos aspectos
político-administrativos, visto que ela desempenhou papel relevante também nesse
setor, atuando de forma a equilibrar e garantir o domínio metropolitano.


ECONOMIA COLONIAL

Girava em torno dos princípios mercantilistas. Tais princípios, expressos no “Pacto
Colonial” imposto pela metrópole às colônias, priorizava acima de qualquer outro

interesse, o fortalecimento do Estado Espanhol, em detrimento de uma possível
acumulação de capitais nas áreas americanas.
Assim, a estruturação imposta visava essencialmente o envio dos metais preciosos à
Espanha, sob a forma de tributos ou de simples pagamento das utilidades necessárias
aos colonos e que estes eram obrigados a adquirir através dos comerciantes
metropolitanos.
Ma não se pode pensar que todo império espanhol se limitava a fornecer ouro e prata
para a Espanha. De fato, pode-se verificar três grandes momentos ao longo da
evolução econômica colonial:

a) O saque inicial, ocorrido principalmente na região do México e Peru.

b) A agricultura, com a instalação de numerosas “haciendas” (fazendas),
produtoras de genros alimentícios ou matérias-primas. Tais propriedades
tiveram inicio em função das necessidades das áreas mineradoras, mas quando
estas se esgotavam, passavam a ter vida própria.

c) Das grandes unidades produtoras de artigos para o mercado externo,
principalmente na região do Rio da Prata e no Caribe.

Cobravam-se impostos variados dos colonos, o mais importante dos quais era o
quinto, incidente sobre a extração metálica. Mas havia também impostos de
importação e exportação, além de “contribuições” forçadas que, periodicamente, o
governo metropolitano impunha.
Aspecto de capital importância é o da organização da mão-de-obra, onde se
destacaram os sistemas da “encomienda” e a “mita”.
Com o sistema de “encomiendas”, os encomenderos recebiam da Cora direitos sobre
vastas áreas. Podiam cobrar tributos em dinheiro ou em trabalho dos índios, mas eram
obrigados a ampará-los e protegê-los, instruindo-os na fé católica. Isto dizia a lei, mas
a realidade normalmente era bastante diferente.
A “mita” era uma forma de escravidão ligeiramente dissimulada, empregada sobretudo
nas áreas de mineração. As tribos indígenas eram obrigadas a fornecer um
determinado número de pessoas para trabalhar nas minas. Os “mytaios” eram
obrigados, constantemente, a fazer deslocamentos de centenas de quilômetros
desgastando-se fisicamente e trabalhado arduamente na extração mineral.
Analisando as manifestações do comércio colonial, evidencia-se o papel do monopólio.
O comércio das colônias com a metrópole realizava-se em ocasiões pré-determinadas,
ligando dois ou três portos americanos ao porto de Sevilha. Os comboios eram
fortemente policiados, para evitar a presença de corsários, principalmente ingleses.

SOCIEDADE COLONIAL

Em muito se assemelhava à da Espanha, no que se refere ao seu caráter fechado e
aristocratizante. Nas áreas coloniais, alem dos convencionados critérios econômicos de
diferenciação de classes, temos também o caráter racial, ou étnia.

Chapetones,Criollos, Mestiços,Índios,Escravos

Chapetones –Altos funcionários ou comerciantes privilegiados.
Criollos – Brancos nascidos na América, grandes proprietários de terra e de minas.
Havia restrições a esse grupo, por serem nascidos na América.
Mestiços – Artesãos
Índios – Sobrevivente do massacre inicial.
Escravos – Estima-se que durante o período colonial entraram cerca de 1,5 milhão de
africanos, principalmente para as áreas de
grande lavoura de exportação. Na
mineração foram empregados os indígenas.