quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulheres, As vitoriosas do Século.



Conquistar direitos como o do voto foi uma guerra.
E elas venceram batalha a batalha



luta das mulheres por seus direitos teve, no decorrer do século, ares de campanha militar. O avanço foi gradativo, com objetivos previamente demarcados, que caíram, um a um, como numa guerra vitoriosa. Embora haja muito ainda pelo que lutar, é razoável afirmar com boa dose de segurança que nenhuma das reivindicações feministas para o século 21 se compara em importância às conquistas obtidas neste século. A primeira foi o direito ao trabalho fora dos limites do lar. Tudo começou quando os homens partiram para a I Guerra Mundial, em 1914, e mulheres assumiram seus postos nas indústrias e no comércio. Elas experimentaram o gosto da independência financeira, gostaram, e o mercado de trabalho nunca mais foi o mesmo. A busca da cidadania veio na seqüência. Nas três primeiras décadas do século, a maior parte dos países ocidentais seguiu o exemplo pioneiro da Nova Zelândia, que em 1893 inaugurara o voto feminino. Os EUA, em 1920. O Brasil, em 1932. Nos esportes, as mulheres ingressaram na segunda edição das Olimpíadas, a de 1900, apesar de só a partir de 1924 terem sua participação assumida oficialmente. Por causa disso, o barão Pierre de Coubertin, o homem que reativou a tradicional competição dos gregos e criou o bordão "o importante é competir", demitiu-se do cargo de presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Outra característica da logística feminina durante este século é que sempre houve uma "linha de frente" nesse exército peculiar. O movimento feminista nunca foi um fenômeno de massas. As reivindicações partiram de grupos isolados, que chamaram a atenção das demais mulheres. Não sem percalços. Quando a inglesa Emmeline Pankhurst e outras sufragistas saíram pelas ruas nas décadas de 10 e 20, atirando pedras nas janelas e bradando palavras de ordem, não faltaram mulheres que as tachassem de histéricas. Nos EUA, Margaret Sanger suportou críticas pesadas de ambos os sexos, na segunda década do século, ao defender o direito à contracepção. Evitar filhos era proibido por lei. Nos anos 60, feministas de plantão como Betty Friedan suportaram as risadinhas de quem não concordava com seus discursos pela liberação do aborto, pela emancipação da mulher casada e pelo divórcio. Tudo o que parece hoje muito natural foi tabu no passado, derrubado por pioneiras que gravaram seus nomes na história dos direitos civis.

Dos réis ao real: as moedas no Brasil


A história do dinheiro no Brasil é cheia de reviravoltas

07/03/2012
 A gente sempre quis ter. Comida, roupas, terras – e coisas que pertenciam a outras pessoas. Há 10 mil anos, como não existia dinheiro, a solução era darmos algo que tínhamos de bastante valor em troca do que queríamos. De lá para cá, muita coisa foi usada para fazer essas negociações: bois (provavelmente a primeira forma de moeda), conchas (muito usadas na China e na Austrália), sal (que os gregos trocavam por escravos), sementes de cacau (adotadas pelos maias e pelos incas) e até tulipas (dadas na Holanda como dote de casamento).
No Brasil, já usamos açúcar, tabaco e até notas estrangeiras (no século 17, o florim holandês foi fabricado em Recife), além de um sem-número das nossas próprias moedas, que perdiam valor rapidamente. Com base no novo livro Linha do Tempo – Uma Viagem pela História da Humanidade, de autoria da editora de História Cláudia de Castro Lima, conheça os melhores momentos dos cinco séculos do dinheiro em nosso país.

Trocas malucas

Até concha já foi usada por aqui
1500 - Tostão
Ao chegar ao Brasil, os portugueses encontram cerca de 3 milhões de índios vivendo em economia de subsistência. Já os colonizadores usam moedas de cobre e ouro, que têm diversos nomes de acordo com a origem: tostão, português, cruzado, vintém e são-vicente.
Século 16 - Jimbo e réis
A pequena concha era usada como moeda no Congo e em Angola. Chegando ao Brasil, os escravos a encontram no litoral da Bahia e mantêm a tradição. Desde o descobrimento, porém, a moeda mais usada é o real português, mais conhecido em seu plural “réis”, que valeu até 1942.
1614 - Açúcar
Por ordem do governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, o açúcar é aceito como moeda oficial no Brasil. De acordo com a lei, comerciantes eram obrigados a aceitar o produto para pagar compras.
1695 - Cara e coroa
A Casa da Moeda do Brasil, inaugurada na Bahia um ano antes, cunha suas primeiras moedas de ouro. Em 1727, surgem as primeiras moedas brasileiras com a figura do governante de um lado e as armas do reino do outro, conforme a tradição européia. Os termos “cara” e “coroa” vêm daí.
1942 - Cruzeiro
Na primeira troca de moeda do Brasil, os réis são substituídos pelo cruzeiro durante o governo de Getúlio Vargas. Mil réis passam a valer 1 cruzeiro; é o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.
1967 - Cruzeiro novo
O cruzeiro novo é criado para substituir o cruzeiro, que levou outro corte de três zeros. Mais uma vez, isso ocorre por causa da desvalorização da moeda. Para adaptar as antigas cédulas que estavam em circulação, o governo manda carimbá-las.
1970 - Cruzeiro
A moeda troca de nome e volta a se chamar cruzeiro. Dessa vez, porém, só muda o nome, mas não o valor. Ou seja, 1 cruzeiro novo vale 1 cruzeiro.
1986 - Cruzado
Por causa da inflação, que alcança 200% ao ano, o governo de José Sarney lança o cruzado. Mil cruzeiros passam a valer 1 cruzado em fevereiro deste ano. No fim do ano, os preços seriam congelados, assim como os salários dos brasileiros.
1989 - Cruzado novo
Por causa de inflação de 1000% ao ano, ocorre uma nova troca de moeda. O cruzado perde três zeros e vira cruzado novo. A mudança é decorrência de um plano econômico chamado Plano Verão, elaborado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.
1990 - Cruzeiro
O cruzado novo volta a se chamar cruzeiro, durante o governo de Fernando Collor de Mello. O mesmo plano econômico decreta o bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes de todos os cidadãos brasileiros por 18 meses.
1993 - Cruzeiro real
No governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, o cruzeiro sofre outro corte de três zeros e vira cruzeiro real. No fim do ano, o ministro cria um indexador único, a unidade real de valor (URV).
1994 - Real
Após uma inflação de 3700% em 11 meses de existência do cruzeiro real, entra em vigor a Unidade Real de Valor (URV). Em julho, a URV, equivalendo a 2750 cruzeiros reais, passa a valer 1 real.

O drama das crianças de Chernobyl



Já se passaram quase 24 anos desde que duas explosões na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, espalharam radiação pela Europa. Na época, o acidente da madrugada de 26 de abril de 1986 deixou 32 mortos. Mas os efeitos da tragédia não ficaram no passado e muito menos têm data para acabar. "Chernobyl não parou de fazer vítimas. Suas consequências foram inesquecíveis e irreversíveis", diz Angèle Mosser, integrante da associação francesa Les Enfants de Tchernobyl (As Crianças de Chernobyl).

A área mais gravemente atingida passa por três países: Ucrânia, Rússia e Bielo-Rússia. Mesmo com os reatores fechados e isolados, quem sobreviveu ainda enfrenta vários problemas de saúde (veja na pág. ao lado). Desde que a terra e a água da região foram contaminadas por elementos radioativos, frutas, legumes, carne e pão nunca são totalmente sadios. E esse drama não atinge somente os sobreviventes. Crianças nascidas depois de 1986 têm de lidar com doenças graves. No norte da Ucrânia, a incidência de câncer na tireoide é quase 100 vezes maior que o normal. E dois em cada três adolescentes têm problemas no coração.

Para quem ficou contaminado, uma medida simples faz toda a diferença: estudos ucranianos e franceses demonstraram que a permanência de três meses em regiões não-radioativas é capaz de diminuir em 30% o césio presente no corpo. Sabendo disso, desde 1993 a associação Les Enfants de Tchernobyl leva jovens para passear no exterior. Associações semelhantes fazem o mesmo em diversos países: Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Irlanda, Canadá e Estados Unidos. "No entanto, além dos problemas de saúde, precisamos lidar também com o preconceito que essas crianças sofrem", afirma Angèle Mosser. "Como a informação ainda é escassa, há quem tema até chegar perto desses jovens."


As dificuldades de relacionamento com as vítimas resultam da falta de informação e do impacto causado pelas antigas imagens de recém-nascidos monstruosos, nascidos em regiões próximas às explosões. Entidades especializadas fazem campanhas para alertar que pessoas contaminadas não são contagiosas. Ainda assim, o desastre nuclear é um fantasma presente. "Chernobyl foi - e ainda é - o inferno", diz Monique Sene, integrante do grupo francês. 


Radiação no corpo

As áreas mais atingidas

A radioatividade ataca principalmente as células do coração, da tireoide e do cérebro, provocando baixa imunológica e problemas em órgãos vitais. Mas o maior problema são as taxas de câncer.


Incidentes em série 

A usina, antes e depois da tragédia

1977 - Inauguração
Depois de sete anos de obras, a usina começa a funcionar. A abertura é celebrada com grande festa na cidade ucraniana.


1986 - Explosão
Em 25 de abril, inicia-se um teste no sistema de resfriamento. À 1h23 do dia 26, dois reatores explodem. O desastre lança 100 vezes mais radiação que a bomba de Hiroshima.


1991 - Incêndio
Um incêndio de pequenas proporções atinge uma turbina. Mais uma vez, as autoridades locais demoram para evacuar a área.


1993 - Grupo de apoio
Surge o grupo As Crianças de Chenobyl, que procura reintegrar as vítimas. Desde então, todos os anos, 200 jovens da Ucrânia são levados para passar férias de verão na França.


2000 - O fim do pesadelo
Finalmente, o governo ucraniano decide fechar a usina nuclear de Chernobyl. A decisão é tomada logo depois de um novo vazamento em um reator.


2010 - Balanço mórbido
Desde o acidente, 7 milhões de pessoas da região foram afetadas e 30 mil pessoas morreram em decorrência dos efeitos da radiação. Ainda hoje, 9 milhões de pessoas vivem em áreas contaminadas.