quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Investimento ajudará contra impacto da crise


Mais do que uma obra que ampliará o acesso à água no Nordeste, a Transposição do Rio São Francisco será responsável por ajudar a restringir os impactos da crise econômica mundial sobre o Brasil.

É parte dos esforços do governo federal, conforme destacou a presidente Dilma Rousseff, em conversa com a imprensa em Juazeiro do Norte, de acelerar o investimento e, a partir disso, assegurar o crescimento da economia nacional.

"Esta é uma importante etapa para o Brasil e para o mundo. Vivemos uma crise internacional. O governo disse que vai acelerar o investimento, e eu estou aqui para isso. A Transposição tem seu papel econômico, que é de gerar emprego, novas demandas e contratar gente. Vai assegurar que a economia continue se mexendo", disse.

A obra também será responsável pelo surgimento de um círculo virtuoso. A partir da Transposição do Rio São Francisco, outros projetos serão tocados no Nordeste, gerando ainda mais emprego, renda e, de acordo com a presidente, criando condições de se ter uma agricultura diferenciada, em uma região caracterizada pela seca, onde a irrigação é um grande ganho.

Entre esses intentos que seguem o rastro das intervenções no Velho Chico estão a Adutora do Agreste e o Cinturão das Águas do Ceará (CAC).

A primeira será em Pernambuco e tem o objetivo de universalizar o abastecimento de água a cerca de dois milhões de pessoas, trazendo, aproximadamente, quatro mil litros por segundo através do Ramal do Agreste, que deriva do Eixo Leste da Integração do rio São Francisco.

Já o Cinturão das Águas envolverá todo o Ceará através de um conjunto de canais e adutoras, dando segurança hídrica a 92% da população. A partir da Transposição, serão disponibilizados 45 mil metros cúbicos de água por segundo para o Estado, que será levada por seu território, perenizando todas as grandes bacias. O CAC será formado por um canal principal que margeará a Chapada do Cariri, para depois atravessar as bacias do Alto Jaguaribe e Poti-Parnaíba, atingindo a bacia do Acaraú.

Clássicos do cordel serão lançados em homenagem aos cem anos de Juazeiro


A reimpressão de 100 cordéis vai permitir um passeio pela história de Juazeiro do Norte, do Padre Cícero e das romarias. A metade desses livretos da literatura de cordel é formada pelos chamados clássicos, incluindo muitos de poetas que já faleceram. A iniciativa é parte das ações comemorativas aos 100 anos de Juazeiro do Norte que terminarão no próximo dia 22 de julho. Apaixonado por literatura de cordel, o prefeito Manoel Santana adiantou que a licitação já está sendo feita.

O resgate de muitos livretos foi feito pela Comissão Organizadora do Centenário e o relançamento ainda não tem data marcada. São cinqüenta cordéis clássicos e outros 50 contemporâneos uma decisão que incentiva a produção poética ao mesmo tempo homenageando os que se ocuparam em escrever sobre a terra de Padre Cícero. Outro entusiasta da iniciativa é o Secretário de Turismo e Romaria, José Carlos dos Santos, que apresentou a relação dos cordéis escolhidos com seus respectivos autores.

Dilma cobra cumprimento de prazo da Transnordestina


A presidente Dilma Rousseff se reuniu por mais de duas horas, em duas etapas, com os empresários responsáveis pela construção da ferrovia Transnordestina que, a exemplo da Transposição do São Francisco, enfrenta problemas de atrasos em algumas etapas. Dilma cobrou o cumprimento do cronograma de execução de obras e informações sobre metas e cronogramas preestabelecidos. A presidente assegurou que não faltarão recursos para os empreendimentos.



O presidente da Transnordestina, Tufi Daher, após o encontro, reconheceu que existem alguns problemas que estão atrasando as obras. No caso de Missão Velha, no Ceará, onde a reportagem visitou e constatou os trabalhos praticamente paralisados, Tufi comentou que ali pode haver um ou outro problema de concessão de licença ambiental, assim como em alguns outros trechos, que têm problemas de desapropriação. "A presidente cobra, e com razão, principalmente a questão dos prazos", declarou, esclarecendo que a reunião foi bastante técnica já que detalhes da obra foram discutidos com ela.


Ao falar do novo prazo de entrega das obras, que estavam previstas para 2012, Tufi primeiro disse que o prazo do empreendimento "sempre foi 2013, mas houve uma tentativa anterior de trazer a conclusão para mais perto". Em seguida, prometeu: "Quiçá em 2013, início de 2014, nós vamos ter este eixo de Eliseu Martins até o porto Suape e, no final de 2014, o percurso completo". Tufi Daher, ao citar que a ferrovia tem 1728 quilômetros e que, em um empreendimento deste tamanho porte, sempre existem muitos gargalos, acrescentou que, no encontro com a presidente, "foram firmados acordos". E garantiu: "estes prazos serão cumpridos".


Ele lembrou que a presidente Dilma é uma profunda conhecedora do projeto e que quis saber de muitos detalhes da obra, inclusive as datas nas quais estarão prontas as superestruturas em Pernambuco, Piauí e Ceará. "Ela quis ver com detalhes esse avanço físico da infraestrutura, de pontes, de viadutos, quanto tínhamos pronto, quanto estamos fazendo e quais são os gargalos", declarou em entrevista, após a reunião com Dilma.


O presidente da Transnordestina assegurou que no encontro não foram discutidos aditivos de contratos para as empresas que trabalham na construção da ferrovia. A obra de construção da Transnordestina tem um custo estimado em R$ 5,4 bilhões.

Transnordestina deve ficar pronta no fim de 2014


PARNAMIRIM, Pernambuco - Mantendo seu discurso de gerente, a presidente Dilma Rousseff afirmou hoje que o governo federal "não pretende ficar elevando indefinidamente" o preço da Ferrovia Transnordestina, atualmente orçada em R$ 5,4 bilhões.

"A gente sabe que uma obra desse tamanho, dessa dimensão tem sempre coisas não planejadas que ocorrem, mas hoje temos certeza de que o orçamento está bem próximo da realidade", disse ela, ao ver a colocação de dormentes nos trilhos da ferrovia no município de Parnamirim, a 561 quilômetros do Recife.

"O governo quer a obra realizada sem interrupções e o objetivo é concluir essa obra até o final de 2014", disse ela, bem humorada, depois de distribuir sorrisos, apertos de mão e posar para fotos ao lado de populares que assistiram ao evento.

"Não há limites para o que faremos", prometeu ela, ao reforçar que o governo irá tomar todas as medidas para o cumprimento desse prazo.

Com um atraso de dois anos - o prazo inicial de conclusão da ferrovia era dezembro de 2012 - a ferrovia terá 1,7 mil quilômetros de extensão e vai ligar o interior do Nordeste aos portos de Pecem (CE) e Suape (PE). São 10 lotes em Pernambuco, 11 no Piauí e 12 no Ceará. Com 35% do total da obra pronta, todos os lotes dos dois primeiros Estados (PE e PI) estão contratados.

No Ceará, dois estão contratados e 10 em contratação. Hoje a ferrovia conta com cerca de 10 mil trabalhadores, sete mil deles em Pernambuco.

Presidente abreviou viagem em Pernambuco e nesta tarde conversa com técnicos para discutir andamento do projeto


SALGUEIRO - A presidente Dilma Rousseff dá sequência nesta quinta-feira, 9, às visitas as obras da ferrovia Transnordestina. Ao contrário do previsto inicialmente, Dilma cancelou a visita que faria a São José do Belmonte (PE), e seguiu direto de Parnamirim para Salgueiro, ambos também em Pernambuco. Como ela veria a mesma coisa que viu em Parnamirim, resolveu antecipar a agenda e seguir direto para Salgueiro.


TV ESTADÃO: Dilma visita obras da transposição do São Francisco
Dilma fala em monitoramento online de obras no Nordeste


No início da tarde, ela reuniu-se com técnicos da Transnordestina e representantes das empresas contratadas, para discutir o andamento das obras. Acompanham a presidente, os governadores do Ceará, Cid Gomes; do Piauí, Wilson Martins; e de Pernambuco, Eduardo Campos (todos do PSB), além dos ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos; e da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

O Estado revelou nesta quinta o cancelamento da visita da presidente a um trecho da obra da ferrovia em Missão Velha (CE), após o Planalto constatar o abandono do projeto no local.

Protesto. Ao chegar a Salgueiro, um grupo de 50 manifestantes protestava, na entrada do canteiro administrativo da Transnordestina, contra a falta de recursos para a educação no campo. "Não vou sair do campo pra poder ir pra escola. Educação no campo é direito, não é esmola", gritavam.

São alunos de um programa de nível médio chamado Procampo, que denunciam a falta de recursos federais, neste ano, para os cursos de formação de professores no campo.

Após encontro de trabalho com os responsáveis pela Transnordestina Dilma se encontrará com trabalhadores e depois deve embarcar para Juazeiro do Norte (CE) de onde seguirá para Brasília.

Presidente desmarcou três vistorias a obras da Transnordestina no mesmo dia



SÃO JOSÉ DO BELMONTE - A presidente Dilma Rousseff cancelou no último minuto a visita ao município de São José do Belmonte, no Sertão pernambucano, que deveria ocorrer no final da manhã de ontem. Diferentemente de Missão Velha (CE), onde não havia obras em curso para vistoriar, o motivo para cortar da agenda o compromisso foi evitar assistir, mais uma vez, o processo de colocação de dormentes sobre os trilhos da ferrovia Transnordestina, cena vista no começo da manhã em Parnamirim, também no sertão de Pernambuco. O pragmatismo da presidente frustrou dezenas de pequenos agricultores e políticos que encararam o sol forte para vê-la. Alguns saíram às 5h da manhã de casa para chegar no local do evento.

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Tudo levava a crer que a presidente apareceria a qualquer instante quando, subitamente, por volta de 11h30, ambulâncias e carros de apoio começaram a ir embora do local. Não demorou para que a notícia do cancelamento fosse oficializada. O secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Estudos e Pesquisas Político-Institucionais, Geraldo Magela Trindade, sem saber muito o que dizer, apenas pedia desculpas, agradecia a presença e distribuia cartões à população. "Anotem o endereço e mandem uma carta com um pedido, uma reclamação para presidente", orientou.

A agricultora Maria Matilde Sobreira, 56 anos, não escondeu a decepção. "Deixei de fazer almoço para vim aqui. Nunca tinha visto a presidente, só pela televisão. Votei nela, mas ela não veio. Deveria ter vindo para ver que tem emprego, mas não tem água". Vereadores e presidentes de associações de agricultores também se ressentiram. Decidiram assistir a colocação dos dormentes para não perderem a viagem. Uma caminhonete, vinda do município vizinho de Cachoeirinha, com mais de 20 pessoas espremidas na caçamba, deu meia volta e retornou.