segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Egito


Centenas de
CURIOSIDADES EGÍPCIAS
Parte 3


Um pouco de tudo...
O TESOURO DE TUTANKHAMON
Em Novembro de 1922 foi descoberto o túmulo de Tutankhamon, resultado dos esforços de Howard Carter e do seu mecenas, o aristocrata Lord Carnarvon.
O túmulo encontrava-se inviolado, com exceção da antecâmara onde os ladrões penetraram por duas vezes, talvez pouco tempo depois do funeral do rei, mas por razões pouco claras, ficaram-se por ali.
    
A câmara funerária foi aberta de forma oficial no dia 18 de Fevereiro de 1923.  Estava preenchida por quatro capelas em madeira dourada (espécie de caixas do tamanho de um pequeno quarto), encaixadas umas nas outras, que protegiam um sarcófago em quartzito de forma retangular, seguindo a tradição da forma dos sarcófagos da XVIII dinastia. Em cada um dos cantos do sarcófago estão representadas as deusas Ísis, Néftis, Neit e Selket. Dentro do sarcófago encontravam-se três caixões antropomórficos, encontrando-se a múmia no último destes caixões; sobre a face a múmia tinha a famosa máscara funerária. Decorados com os símbolos da realeza (a cobra e o abutre, símbolos do Alto e do Baixo Egito, a barba postiça retangular e cetros reais), o peso dos três caixões totalizava 1375 quilos, sendo o terceiro caixão feito de ouro.
Na câmara funerária foram colocadas também três ânforas, estudadas em 2004 e 2005 por arqueólogos espanhóis coordenados por Rosa Lamuela-Raventós. Os estudos revelaram que a ânfora junto à cabeça continha vinho tinto, a colocada do lado direito do corpo continha shedeh (variedade de vinho tinto mais doce) e a terceira, junto aos pés, continha vinho branco. Esta pesquisa revelou-se importante pois mostrou que os egípcios fabricavam vinho branco, mil e quinhentos anos antes do que se pensava.
Na câmara do tesouro estava uma estátua de Anúbis, várias jóias, roupas e uma capela, de novo em madeira dourada, onde foram colocados os vasos canópicos do rei. Neste local foram achadas duas pequenas múmias correspondentes a dois fetos do sexo feminino, que se julgam serem as filhas do rei, nascidas de forma prematura.
Embora os objetos encontrados no túmulo não tenham lançado luz sobre a enigmática vida de Tutankhamon, revelaram-se bastante importantes para um melhor entendimento das práticas funerárias e da arte egípcia.
Em torno da abertura do túmulo e de acontecimentos posteriores gerou-se uma lenda relacionada com uma suposta "maldição", lançada por Tutankhamon contra aqueles que perturbaram o seu descanso eterno. O mecenas de Carter, Lord Carnarvon, faleceu a  de Abril de 1923, não tendo por isso tido a possibilidade de ver a múmia e o sarcófago de Tutankhamon. No momento da sua morte ocorreu na capital egípcia uma falha elétrica sem explicação e a cadela do lorde teria uivado e caído morta no mesmo momento na Inglaterra. Nos meses seguintes morreriam um meio-irmão do lorde, a sua enfermeira, o médico que fizera as radiografias e outros visitantes do túmulo.  Para além disso, no dia em que o túmulo foi aberto de forma oficial o canário de Carter foi engolido por uma serpente, animal que se acreditava proteger os faraós dos seus inimigos. Os jornais da época fizeram eco destes fatos e contribuíram de forma sensacionalista para lançar no público a idéia de uma maldição. Curiosamente, Howard Carter, descobridor do túmulo, viveu ainda durante mais treze anos.
O Tesouro de Tutankhamon encontra-se hoje no Museu do Cairo.  Ele é uma das grandes atrações no museu, havendo um setor inteiro somente para abrigar e exibir tudo o que foi encontrado.
     
PAPIROS
O papiro é um tipo de papel feito a partir da planta do papiro (Cyperus papyrus - a planta daninha mais difundida no mundo).
A planta do papiro é considerada sagrada e fartamente encontrada no Delta do Nilo.
O talo do papiro pode atingir até 6 metros de comprimento. A flor da planta, composta de finas hastes verdes, lembra os raios do sol e é exatamente por ter esta analogia com o sol, divindade máxima desse povo, que o papiro era considerado sagrado. O miolo do talo era transformado em papiros e a casca, bem resistente depois de seca, utilizada na confecção de cestos, camas e até barcos.
Acredita-se que a técnica dos papiros foi desenvolvida pelos egípcios desde 4000 a.C.
Como se faz papiro
Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas.  Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar.  Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A seqüência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, por cima e por baixo, sendo então mantidas prensadas por seis dias. E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papel pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita.
CAFÉ ÁRABE
A palavra café vem do árabe "Ahwe" (lê-se "árrue"), que significa vinho. O café era conhecido como “Vinhos das Arábias” quando chegou à Europa no século VIV. E foram os árabes que iniciaram o hábito de tomar a bebida. No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca. Com o tempo, começou a ser  Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água.  Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje.
No deserto ou em uma casa árabe moderna, a maneira tradicional de preparar e servir o café é sempre a mesma. Depois de preparado com temperos especiais como hal (cardamomo), é servido em racues e acompanhado de pequenas xícaras sem alça. A bebida não é coada. Espera-se a borra decantar no fundo para servir.
O café árabe é conhecido também com o nome de Turkish Coffee.
GEOGRAFIA & PANORAMA
O Egito é um país árabe do norte da África e do Médio Oriente, limitado a norte pelo mar Mediterrâneo, a leste com a Faixa de Gaza, com Israel, com o Golfo de Aqaba (através do qual faz fronteira com a Jordânia e com a Arábia Saudita)  e com o mar Vermelho, a sul com o Sudão e a oeste com a Líbia. Sua capital é o Cairo.
O Egito é uma república governada pela constituição de 11 de Setembor de 1971. Esta constituição estabelece no Egito um estado socialista cuja religião oficial é o Islã.
O chefe de estado é o presidente da República, cargo ocupado por Hosni Mubarak desde 14 de Outubro de 1981.  O presidente é eleito para um mandato de seis anos, sem limite de termos.
O Egito encontra-se dividido em 26 Cidades-Estado, cada uma administrada por um governador nomeado pelo presidente. Os governadores são auxiliados na sua ação governativa por conselhos locais, cujos membros são eleitos.
Além da capital, Cairo, as outras cidades importantes do Egito são Alexandria, al-Mansurah, Asuan, Asyut, El-Mahalla El-Kubra Gizeh, Hugharda, Luxor, Kom Ombo, Port Safaga, Porto Said, Sharm el Sheikh, Shubra-El-Khema, Suez e Zagazig.
O Egito inclui partes do deserto do Sahara e do deserto Líbio, onde existem alguns oásis, como o oásis de Bahariya, o de Dakhleh, o de Farafra, o de Kharga e o de Siwa.
O país controla o canal de Suez que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho.
O papel importante que o Egito desempenha na geopolítica vem da sua posição estratégica como ponte terrestre entre a África e a Ásia e como ponto de passagem entre o Mediterrâneo e o oceano Índico.
NEFERTITI
Nefertiti (1380 - 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito, esposa principal do faraó Amen-hotep IV, mais conhecido como Akhenaton.
As origens familiares de Nefertiti são pouco claras. O seu nome significa "a Bela chegou", o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni (império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amen-hotep III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do rei, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adaptou um nome egípcio e os costumes do país.
Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ai, alto funcionário egípcio responsável pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser faraó após a morte de Tutankhamon. Ai era irmão da rainha Tié, esposa principal do rei Amen-hotep III, o pai de Akhenaton; esta hipótese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a família de Ai era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a mãe de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Tié.
De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado.
Não se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amen-hotep (o futuro Akhenaton). A idade média de casamento  para as mulheres no Antigo Egito eram os treze anos e para os homens os dezoito.  É provável que tenha casado com Amen-hotep pouco tempo antes deste se tornar rei.
O seu marido não estava destinado a ser rei. Devido à morte do herdeiro, o filho mais velho de Amen-hotep III, Tutmés, Amen-hotep ocupou o lugar destinado ao irmão. Alguns autores defendem uma co-regência entre Amen-hotep III e Amen-hotep IV, mas a questão está longe de ser pacífica no meio egiptológico.  A prática das co-regência era uma forma do rei preparar uma sucessão sem problemas, associando um filho ao poder alguns anos da sua morte.
Nos primeiros anos do reinado de Amen-hotep começaram a preparar-se as mudanças religiosas que culminariam na doutrina chamada de "atonismo" (dado ao fato do deus Aton ocupar nela uma posição central). Amen-hotep ordenou a construção de quatro templos dedicados a Aton junto ao templo de Amon em Karnak, o que seria talvez uma tentativa por parte do faraó de fundir os cultos dos dois deuses. Num desses templos, de nome Hutbenben (Casa da pedra Benben), Nefertiti aparece representada como a única oficiante do culto, acompanhada de uma filha, Meketaton. Esta cena pode ser datada do quarto ano do reinado, o que é revelador da importância religiosa desempenhada pela rainha desde o início do reinado do seu esposo.
No ano quinto do reinado, Amen-hotep IV decidiu mudar o seu nome para Akhenaton, tendo Nefertiti colocado diante do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, "perfeita é a perfeição de Aton".  Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias.
Nefertiti teve seis filhas com Akhenaton: Meritaton, Meketaton, Ankhesenpaaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré.  Acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amen-hotep ela esvaece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.
A 6 de Dezembro de 1912 foi encontrado em Amarna o famoso busto da rainha Nefertiti, por vezes também designado como o "busto de Berlim" em função de se encontrar na capital alemã.
O busto de Nefertiti mede 50 cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea incrustada;  estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada.
SERPENTE
Serpente é uma palavra de origem do latim (serpens, serpentis) que é normalmente substituída por "cobra" especificamente no contexto mítico, com a finalidade de distinguir tais criaturas do campo da biologia.
A serpente é um antigo deus da sabedoria no Médio Oriente e na região do mar Egeu, sendo, intuitivamente, um símbolo telúrico. No Egito, Rá e Aton ("aquele que termina ou aperfeiçoa") eram o mesmo deus. Aton o "oposto a Rá", foi associado com os animais da terra, incluindo a serpente.
Embora seja usada como símbolo de regeneração e imortalidade, a serpente, quando formando um anel com a cauda em sua boca (ouroboros), é também um claro símbolo da unidade em tudo e todos, a totalidade da existência.

AKHENATON
Akhenaton (que se traduz por "o espírito atuante de Aton"), cujo nome inicial foi Amen-hotep IV (ou, na versão helenizada, Amenófis IV), foi um grande faraó da XVIII faraó da XVIII dinastia.  A historiografia credita esta personalidade com a instituição de uma religião de cunho monoteísta entre os egípcios, numa tentativa de retirar o poder político das mãos dos sacerdotes, principalmente aqueles do deus Amon da cidade de Tebas.  Para concentrar o poder na figura do faraó, ou para apenas retirar o poderio dos sacerdotes, Akhenaton instituiu o deus Aton (Sol) como a única divindade que deveria ser cultuada, sendo, talvez, o próprio faraó o único representante dessa divindade. Outras fontes acreditam que Akhenaton apenas queria retirar o poder dos sacerdotes, que em muito influenciavam a vida política dos egípcios, de forma muitas vezes nociva.
Akhenaton deixou-se absorver por sua devoção a Aton, ou talvez pela sua personalidade artista e pacifista, descuidando os aspectos práticos da administração do Egito.  Perante este desinteresse, Ai e o general Horemheb, duas personalidades que mais tarde se tornariam faraós, desempenharam um importante papel no governo.
Entre o ano 8 e o ano 12 sabe-se que Akhenaton desencadeou uma perseguição aos antigos deuses, e em particular, aos deuses que estavam associados à cidade de Tebas, Amon, Mut  (ao lado) e Khonsu.  O faraó ordenou que os nomes destes deuses fossem retirados de todas as inscrições em que se encontravam em todo o Egito. Esta situação atingiu diretamente não só os sacerdotes, mas a própria população. As descobertas da arqueologia mostram que os donos de pequenos objetos retiraram os hieróglifos do deus Amon deles, numa atitude de auto-censura, temendo represálias.
Akhenaton reinou por cerca de 17 anos. Aproximadamente no ano 15 do seu reinado surge um misterioso co-regente chamado Smenkhkare. Alguns egiptólogos acreditam que Smenkhkare era a rainha Nefertiti que assumiu atributos de faraó para tornar suave a transição de governo para o herdeiro do trono que, nessa época, deveria ter uns quatro anos de idade. Outros acreditam que ele era, na verdade, o filho mais velho de Akhenaton e irmão de Tutankhamon, que lhe sucedeu.
Seja como for, nada se sabe sobre Nefertiti após o ano 15. Na opinião de Cyril Aldre, Nefertiti morreu no ano 13 ou 14 do reinado de Akhenaton.  Kia também teria desaparecido mais ou menos na mesma altura que Nefertiti e Meriaton, filha de Akhenaton e Nefertiti, tornou-se a primeira dama do reino.
Nada se sabe sobre a morte de Akhenaton a não ser que faleceu no ano 17 de seu reinado.  A sua múmia foi talvez queimada ou colocada no Vale dos Reis.  Suspeita-se que tenha sido assassinado a mando dos sacerdotes, prejudicados por sua administração austera.
Durante algum tempo defendeu-se que Akhenaton teria introduzido pela primeira vez na história do mundo o conceito do monoteísmo, impondo às classes sacerdotais e populares o conceito de um só deus, o deus do sol, onde o disco solar representava o deus sol que regia sobre tudo na face da terra. Hoje em dia porém considera-se que seria um henoteísmo (crença religiosa que postula a existência de várias divindades, mas que atribui a criação de todas a uma divindade suprema, que seria objeto de culto) exacerbado.
Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolução, entre outros possíveis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e importância do faraó.
Após o reinado de Aquenaton, o Egito antigo voltaria às suas práticas religiosas politeístas.

O VÉU
Mulheres simbolizam a paixão, homens a razão. Eva era a mulher sedutora, e todos os sistemas patriarcais através das eras tem se inclinado a tomar todas as mulheres como tal.
A história de Adão e Eva aparece no Judaísmo como demonstração de que a mulher é pecadora e seu pecado é o sexo. A história afirma a separação do corpo e da alma, a qual o Cristianismo abraçou e exagerou por representar Cristo como um homem sagrado, nascido de uma mulher que havia concebido assexuadamente. Cristo era tão casto que foi desprovido das mulheres e da expressão sexual.
Esta pedra fundamental da crença Judaico-Cristã separou os seres humanos deles mesmos, opondo-se a convicção humanitária da bondade essencial do corpo, herdada das antigas religiões egípcia e greco-romana, uma crença em que a realidade física do aqui e agora era para ser desprezada em pró dos sonhos de outro mundo de infinita e sutil espiritualidade.
Deus havia criado o homem de acordo com sua própria imagem e semelhança. Deus era espírito. Mas mulheres eram carne ou corpo, e o corpo era um animal dominado por paixão, sexualidade e desejo. Homens personificavam os céus, e uma mulher nunca seria inteira antes de se casar com um homem.
No século XIII Tomás de Aquino e Alberto Magno haviam promulgado sua crença de que mulheres eram capazes de travar relações com satã. Nessas bases, a Inquisição identificou a condenou certas mulheres a serem queimadas vivas. A submissão espiritual feminina foi então consumada e era agora completa.
Homens, por outro lado, permitiram a si mesmos completa liberdade sexual sob o sistema patriarcal. A prostituição cresceu rapidamente, e grande parte da renda da Igreja Católica vinda dos bordéis; a reforma de Martinho Lutero foi de certa forma uma tentativa de acabar com esta hipocrisia.
Para o mundo muçulmano, isto impôs segregação e o véu sob as mulheres, a alegação de que não eram dignas de confiança e deveriam ser mantidas a certa distância dos homens, aos quais não poderiam ajudar, mas apenas seduzir.

COPTAS
Coptas são os cristãos do Egito.  Tendem até mesmo a considerar-se mais egípcios que os outros, uma vez que sua igreja existia antes da conquista muçulmana no século VII.  Aliás, copta em árabe significava "egípcios".  Os coptas são os egípcios que não se converteram ao islã.
Segundos dados oficiais os coptas representam 6% da população egípcia.  Mas acredita-se que cheguem a 10%.
A Igreja Copta e foi construída sobre um local histórico, abençoado pela Sagrada Família. Esta igreja, a mais antiga do mundo árabe é também uma das mais antigas do planeta, porque teria sido fundada por Marcos, o evangelista no século I. 
O calendário copta não começa no nascimento de Cristo, mas sim em 284, data da ascensão ao trono de Diocleciano, o imperador sanguinário.
No Egito, reza-se com todo o corpo, abraçam-se os ícones, aspergem-se os fiéis, imergem-se os batizados.
Acredita-se que o copta seja a última forma de escrita utilizada no Egito Antigo, no qual foram transcritos alguns textos do novo testamento e utilizados pelos Ortodoxos na cidade de Alexandria.
Embora seja descendente direta da antiga linguagem encontrada nas escritas hieroglífica, hierática e demótica, é escrita em uma forma modificada do alfabeto grego. Floresceu, como língua falada, por volta dos anos 200 a 1100 d.C.
Há muito tempo o copta é uma língua usada só na liturgia.

 

DELTA DO NILO
Em geografia, designa-se por delta a foz de um rio em forma de leque ou triângulo - que é a forma da letra grega com este nome -, caracterizada pela presença de inúmeros canais e ilhas.  Esse tipo de foz é comum em rios de planícies devido à pequena declividade e, conseqüentemente, pequena capacidade de descarga de água.  Isto acontece devido à acumulação de areia na foz do rio e à pouca velocidade do rio.
O Delta do Nilo é o local onde o rio Nilo deságua no mar Mediterrâneo através de vários canais (em forma de leque).
É uma região pantanosa e povoada por crocodilos.  Na Antiguidade era onde se localizava o chamado Baixo Império Egípcio, que consequentemente foi a região que mais sofreu a influência do período helênico (grego).
A região do delta é bastante úmida, pois é atravessada por muitos canais do Rio Nilo que acaba indo desaguar no mar Mediterrâneo.
Consequentemente é a região mais povoada (90% da população vive nela).
As águas altas do Nilo são resultado das monções de verão da África Central, que atingem seus níveis mais elevados entre Setembro e Outubro. O Nilo fertiliza a terra no outono e os grãos podem crescer no início da primavera, quando ocorrem as cheias. Além do mais, o Nilo, alimentado por outros rios ao longo de uma grande superfície, tem um fluxo mais constante e carrega mais sais solúveis e limo para o mar.
ALTO EGITO (sul do Egito)
BAIXO EGITO (norte do Egito)
Para entender melhor pense o seguinte:
Alto Egito era ao sul do país e Baixo Egito ao Norte.
Existia uma divisão administrativa no Antigo Egito que eram chamadas de "nomos".
Alto Egito = nomos do Vale do Nilo (ao sul) - mais perto do Sahara
Baixo Egito = nomos do Delta do Nilo (ao norte) - do Cairo a Alexandria
O que era um "nomo" ?Nomo era uma divisão administrativa do Antigo Egito.  A palavra nomo deriva do grego nomos (plural:nomoi).  Para se referirem a estas regiões administrativas os egípcios usaram primeiro a palavra sepat e mais tarde, durante o período de Amarna, qâb.
O número de nomos variou ao longo da história egípcia entre os 35 e 42.  Cada nomo tinha a sua capital, um emblema próprio, um número e uma divindade tutelar, à qual era dedicado um templo. Cada nomo dispunha igualmente das suas próprias regras e de festas locais.
À frente de cada nomo encontrava-se o nomarca (de " nomos"). Este cargo foi em geral hereditário, embora em teoria o faraó podia nomear quem entendesse para desempenhar o cargo. Em geral, quando o poder real era sólido, era o faraó que nomeava o nomarca.  Em outros casos, como na altura das guerras civis ou de invasões estrangeiras, os nomos organizavam-se por si próprios, colocando à frente do governo o filho do último administrador.
A existência de nomos no Antigo Egito remonta ao período pré-dinástico, quando várias cidades se uniram para formar um território unificado sob determinado poder.
O Egito estava dividido em duas partes: O Alto Egito, situado a sul (mais no deserto do Sahara), e o Baixo Egito, ao norte (mais perto do mar Mediterrâneo).
O Alto Egito era, portanto, a parte mais pobre, e por esta mesma razão, foi daqui que partiu a conquista do Baixo Egito, encabeçada por Narmer aproximadamente no ano 3200 a.C., que levou a uma conseqüente unificação de todo o território.
Narmer é muitas vezes identificado com Menés, o fundador da primeira dinastia de faraós egípcios.

Paleta de NarmerFrente e Verso da célebre Paleta de Narmer que se encontra exposta no Museu Egípcio, Cairo.   A frente mostra o rei com a coroa branca do Alto Egito castigando um inimigo com uma clava piriforme tendo à sua frente o deus Hórus segurando a cabeça de um inimigo pelas narinas. No verso, ostentando a coroa vermelha do Baixo Egito, Narmer inspeciona um desfile de inimigos decapitados e com as cabeças metidas entre as pernas, sendo acompanhado pelos seus porta estandartes, porta sandálias e um alto oficial com o seu equipamento de escriba.  Em 3100 a.C.
Os dialetos e os costumes egípcios dos que vivem nos níveis mais baixos (ao norte) do país, variam historicamente.  Mesmo em épocas modernas o Baixo Egito (norte) é muito mais industrializado e influenciado pelo comércio com o resto do mundo.
MAR VERMELHO
O mar Vermelho (em árabe: Bahr el-Ahmar) é um golfo no oceano Índico entre a África e a Ásia.  Ao sul, o mar Vermelho comunica com o oceano Índico pelo estreito de Bab el Mandeb e o golfo de Aden.  Ao norte se encontram a península do Sinai, o golfo de Aqaba e o canal de Suez (que permite comunicação com o Mar Mediterrâneo).
O mar Vermelho tem um comprimento de aproximadamente 1900 km, por uma largura máxima de 300 km e uma profundidade máxima de 2500 metros na fossa central, com uma profundidade média de 500 metros, sua água tem um percentual de salinidade de 40%. O mar Vermelho é famoso pela exuberância de sua vida submarina, sejam as inúmeras variedades de peixes e magníficos corais.   A superfície do mar Vermelho é de aproximadamente 450 000 km², com uma população de mais de 1000 espécies de invertebrados, de 200 espécies de corais e de ao menos 300 espécies de tubarões.
As temperaturas na superfície do mar Vermelho são relativamente constantes, entre 21 e 25ºC.  A visibilidade se mantém relativamente boa até 200 metros de profundidade, mas os ventos podem surgir rapidamente e as correntes se revelarem traiçoeiras.
A criação do mar Vermelho é devida à separação das placas tectônicas da África e da península arábica.  O movimento começou há cerca de trinta milhões de anos e continua atualmente, o que explica a existência de uma atividade vulcânica nas partes mais profundas e nas margens.
Os pontos vermelhos são os vulcões na África, os amarelos são vulcões de outras regiões (figura a esquerda).
Admite-se que o mar Vermelho transformar-se-á em um oceano.

Placas tectônicas
Repare no nordeste da África, como a junção da placa tectônica, passa exatamente pelo mar Vermelho.
O mar Vermelho também é um destino turístico privilegiado, principalmente para os amantes de mergulho submarino.
Os países banhados pelo mar Vermelho são o Djibuti, a Eritréia, o Sudão, o Egito, Israel, a Jordânia, a Arábia Saudita e o Iêmen.

fauna e flora marinha riquíssima em Sharm el Sheikh, no Mar Vermelho
Algumas cidades costeiras do mar Vermelho: Assab, Port Soudan, Port Safaga, Hurghada, Suez, Sharm el Sheikh, Eilat, Aqaba, Dahab, Jedda, Al Hudaydah.
Ao contrário do que possa parecer, o Mar Vermelho não tem esse nome por causa de sua cor. De longe suas águas têm um aspecto azulado.  Normalmente são também bastante límpidas, o que faz que a região seja utilizada para atividades de mergulho. A mais provável origem do nome são as bactérias trichodesmium erythraeum, presentes na superfície da água. Durante sua proliferação elas deixam o mar com manchas avermelhadas em alguns lugares. Outra possibilidade são as montanhas ricas em minerais na costa arábica, apelidadas de "montanhas de rubi" por antigos viajantes da região.
PEDRA DE ROSETA
A Pedra de Roseta é um bloco de granito negro (muitas vezes identificado incorretamente como "basalto") que proporcionou aos investigadores um mesmo texto escrito em egípcio demótico, grego e em hieróglifos egípcios. Como o grego era uma língua bem conhecida, a pedra serviu de chave para a decifração dos hieróglifos por Jean François Champollion, em 1822 e por Thomas Young em 1823.
Foi descoberta por soldados do exército de Napoleão em 1799, enquanto conduziam um grupo de trabalho de engenheiros para o Forte Julien, próximo a Roseta, no Egito, cerca de 56 km ao leste de Alexandria.
Devido ao tratado de Capitulação, assinado em 1801, a pedra foi cedida às autoridades militares britânicas e levada para preservação no Museu Britânico em Londres.
O bloco de pedra tem estranhos glifos cunhados separados em três partes distintas. Cada parte apresenta uma espécie de escrita que em nada se assemelhava com as outras duas. Estas três formas de escrita, constatou-se depois, eram textos nas seguintes línguas:
  • hieróglifos
  • demótico
  • grego
Suas inscrições registram um decreto instituído em 196 a.C. sob o reinado de Ptolomeu V Epifânio, escrito em duas línguas: Egípcio Tardio e Grego. A parte da língua egípcia foi escrita em duas versões, hieróglifos e demótico, sendo esta última uma variante cursiva da escrita hieroglífica.

CAIRO
Cairo é a capital e maior cidade do Egito.  É chamada de al-Qahira em árabe.  Situada nas margens do Rio Nilo, tem cerca de 15.9 milhões de habitantes.  Foi fundada em 969 para servir de capital do Egito árabe.  Foi conquistada em 1517 pelos turcos.  Entre 1798 e 1801 foi ocupada pelos franceses.  É a sede da Liga Árabe.  Uma cidade que é um museu   aberto composto por uma mistura de antigo e moderno, que convivem nos seus bairros, ruas, ruelas e becos. O Cairo religioso, cheio de vida e de contrastes, cidade cosmopolita em culturas e gentes que revela diferentes civilizações.

Monumentos Faraônicos

  • Mênfis, é a mais antiga capital do Egito datando de 3200 a.C..  Situa-se a 25 kms a sudoeste do Cairo e as suas maravilhas arquitetônicas e culturais são encabeçadas pelo Colosso de Ramsés II com 13 metros de comprimento e um peso de 120 toneladas, assim como a esfinge em alabastro datada da IXX dinastia.
  • Sakkara, a mais antiga necrópole do Egito faraônico, situa-se numa plataforma do deserto a sudoeste de Gizeh.
  • A Pirâmide Escalonada, pertence ao faraó Zozer, da III dinastia, está dividida em seis grandes níveis de 60 m de altura total.
  • A Pirâmide de Unas, pertencente ao último faraó da V dinastia, deve a sua importância aos hieróglifos que cobrem as paredes da câmara funerária.
  • O Serapeum, uma construção muito semelhante a catacumbas, contém os túmulos do deus em forma de boi Apis e remonta à XVIII dinastia.  A descoberta do lugar foi feita em 1851 pelo arqueólogo frances Mariette.
  • As Mastabas, túmulos de nobres das V e VI dinastias, as suas paredes são testemunhos fiéis que revelam através dos hieróglifos as atividades da vida quotidiana, assim como cenas religiosas e de oferendas aos deuses, sendo as mais interessantes os túmulos de Ptah-hotep e Kagemni e o de Mira Ruca.
  • As Pirâmides de Gizeh, pertencentes aos faraós Kufru (considerada uma das sete maravilhas do mundo), Kefren e Mikerinos,nas proximidades do Cairo, elevando-se majestosas e desafiando o passar dos séculos, datam do Império Antigo, concretamente da IV dinastia.
  • A esfinge de Gizeh, localiza-se junto do templo do Vale; possui cabeça humana (do Rei Kefren) e corpo de leão.  Tem 70 metros de comprimento e 20 metros de altura. No interior deste monumento parecem estar guardados mistérios e segredos não revelados até aos nossos dias.
Monumentos Modernos
  • O Museu do Cairo, situado na praça de Tahrir, foi construído em 1902.
      
  • Palácio e centro de conferências, situado em Madinet Nasr, foi inaugurado em 1989 e é ideal para congressos e conferências internacionais.
  • A Aldeia Faraônica, onde se pode assistir a uma demonstração da vida quotidiana no Antigo Egito.
  • O Museu Islâmico, situado em Bab El Khalk, possui a mais importante coleção de arte islâmica do Egito.
  • Os Museus de Arte Moderna de Mukhtar e de Mohmoud Khalil, possuem coleções de escultura e pintura de elevada importância.
  • Bazaar Khan El Khalili, é um dos mais originais mercados orientais. A sua história remonta ao século XIV.  Possui grande número de tendas com exposições de artigos em ouro, prata, madeira, marfim e cobre, assim como peles, vestidos bordados, especiarias. O elevado nível arquitetônico dos edifícios converteu este local num verdadeiro museu islâmico.

ISLAMISMO
O islã, islão, islame ou islamismo (do árabe, al- islām) é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Muhammad (Maomé) e numa escritura sagrada, o Alcorão.
Cerca de duzentos anos após o seu nascimento na Arábia, o islã já se tinha difundido em todo o Médio Oriente, no Norte da África e na Península Ibérica, bem como na direção da antiga Pérsia e Índia.  Mais tarde, o islã atingiu a Anatólia, os Balcãs e a África subsariana.  Recentes movimentos migratórios de populações muçulmanas no sentido da Europa e do continente americano levaram ao aparecimento de comunidades muçulmanas nestes territórios.
A mensagem do islã caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadã, pagar dádivas rituais e efetuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.
O islã é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da atividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou inter-pessoais.
A distinção ocidental entre o espiritual e temporal é, em teoria, alheia ao islã.
Os 5 pilares do Islã
Os cinco pilares do islã são cinco deveres básicos de cada muçulmano:
  • A recitação e aceitação do credo (Chahada ou Shahada);
  • Orar cinco vezes ao longo do dia (Salat ou Salah);
  • Pagar dádivas rituais (Zakat ou Zakah);
  • Observar o jejum no Ramadã (Saum ou Siyam)
  • Fazer a peregrinação a Meca (Hajj ou Haj)
O Jejum do Ramadã
Durante o Ramadã (o nono mês do calendário islâmico) cada muçulmano adulto deve abster-se de alimento, de bebida, de fumar e de ter relações sexuais desde o nascer até ao pôr-do-sol.
Os doentes, os idosos, os viajantes, as grávidas ou as mulheres lactantes estão dispensados do jejum.  Em compensação estas pessoas devem alimentar um pobre por cada dia que faltaram ao jejum ou então realizá-lo em outra oportunidade do ano.
O jejum é interpretado como uma forma de purificação, de aprendizagem do auto-controle e de desenvolvimento da empatia por aqueles que passam fome ou outras necessidades. O mês de Ramadã termina com o festival de Eid ul-Fitr, durante o qual os muçulmanos agradecem a Deus a força que lhes foi concedida para levar a cabo o jejum. As casas são decoradas e é hábito visitar os familiares. Este festival serve também para o perdão e a reconciliação entre pessoas desavindas.
ALCORÃO
O Alcorão ou Corão é o livro sagrado do Islã.  Os muçulmanos acreditam que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Muhammad  (Maomé) ao longo de um período de 22 anos. A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa ler ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.
Os muçulmanos podem se referir ao Alcorão usando um título que denota respeito, como al-Karim (o Nobre) ou al-Azim(o Magnífico).
Os ensinamentos de Allah (a palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão. Os muçulmanos acreditam que Muhammad recebeu estes ensinamentos de Allah por intermédio do anjo Gabriel (Jibreel) através de revelações que ocorreram entre 610 e 632.  Muhammad recitou estas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição (omoplatas de camelo, folhas de palmeira, pedras...).
As revelações a Muhammad foram mais tarde reunidas em forma de livro. Considera-se que a estruturação do Alcorão como livro ocorreu entre 650 e 656 durante o califado de Otman.
O Alcorão está estruturado em 114 capítulos chamados suras.  Cada sura está por sua vez subdividida em versículos chamados ayat. Os capítulos possuem tamanho desigual (o menor possui apenas 3 versículos e os mais longo 286 versículos) e a sua disposição não reflete a ordem da revelação. Considera-se que 92 capítulos foram revelados em Meca e 22 em Medina.  As suras são identificadas por um nome, que é em geral uma palavra distintiva surgida no começo do capítulo (A Vaca, A Abelha, O Figo...).
Uma vez que os muçulmanos acreditam que Muhammad foi o último de uma longa linha de profetas, eles tomam a sua mensagem como um depósito sagrado, e tomam muito cuidado assegurando que a mensagem tenha sido recolhida e transmitida de uma maneira a não trair esse legado. Esta é a principal razão pela qual as traduções do Alcorão para as línguas vernáculas são desencorajadas, preferindo-se ler e recitar o Alcorão em árabe. Muitos muçulmanos memorizam uma porção do Alcorão na sua língua original; aqueles que memorizaram o Alcorão por inteiro são conhecidos como hafiz (literalmente "guardião").
A mensagem principal do Alcorão é a da existência de um único Deus, que deve ser adorado. Contém também exortações éticas e morais, histórias relacionadas com os profetas anteriores a Muhammad (que foram rejeitados pelos povos aos quais foram enviados), avisos sobre a chegada do Dia do Juízo Final, bem como regras relacionadas com aspectos da vida diária como o casamento e o divórcio.
Além do Alcorão, as crenças e práticas do islã baseiam-se na literatura Hadith, que para os muçulmanos clarifica e explica os ensinamentos do profeta.
EGITO PTOLOMAICO
O Egito ptolomaico é um período da história do Egito que decorre entre 305 a.C., (ano em que um antigo general de Alexandre Magno, Ptolomeu I Sóter, se tornou rei do Egito), e 30 a.C quando a rainha Cleópatra VII foi derrotada e o Egito passou a ser integrado no Império Romano como província.
Em 332 a.C. Alexandre Magno conquistou o Egito, onde foi acolhido pela população local como um libertador do país face ao domínio do Império Persa Aqueménida. Alexandre foi levado ao trono como faraó pelos sacerdotes egípcios e permaneceu durante seis meses no Egito para estabelecer o modelo administrativo do país. A cerimônia de coroação de Alexandre teve provavelmente lugar em Mênfis em 332 a.C.; segundo os relatos, Alexandre visitou no ano seguinte o oráculo de Amon no oásis de Siuá, onde o deus o teria reconhecido como seu filho, ao qual concedeu o domínio de todo o mundo.
No dia 7 de Abril de 33 a.C. Alexandre fundou na região ocidental do Delta do Nilo, a cidade de Alexandria, segundo um modelo de cidade grega. Alexandria seria a nova capital política do país, bem como o grande centro cultural e econômico do Mediterrâneo Oriental durante os próximos séculos.
Alexandre abandonou o Egito em Abril de 331 a.C. para prosseguir as suas conquistas territoriais que o levariam às portas da Índia, destruindo o Império Aqueménida. No seu regresso da Índia Alexandre adoeceu, vindo a falecer na Babilônia em 323 a.C., com apenas trinta e três anos de idade. Alexandre foi sucedido pelo seu filho, mas em pouco tempo o seu império foi dividido entre os seus generais. Em 305 a.C. um desses generais, Ptolemeu, que tinha sido governador do Egito, tomou o título de basileus (rei) e inaugurou a dinastia ptolomaica.

Ptolemeu I

A primeira parte do reinado de Ptolemeu I foi dominada pelas guerras entre os vários reinos que resultaram da fragmentação do império de Alexandre Magno. O seu primeiro objetivo foi assegurar a sua posição sobre o Egito; em seguida partiria à conquista da Líbia, Cele Síria e Chipre.
Ptolemeu I tomou o título de faraó, que lhe concedeu legitimidade religiosa para governar o Egito e consequentemente explorá-lo economicamente. Em 285 a.C. fez do seu filho co-regente.
Do ponto de vista da religião, Ptolemeu foi responsável pela introdução do culto de Serápis, divindade híbrida que resultou da fusão do popular deus egípcio Osíris com Ápis.  Ptolemeu procedeu igualmente à deificação de Alexandre Magno.

Ptolemeu II

Ptolemeu II Filadelfo sucedeu ao pai em 283 a.C.. Procurou prosseguir a política de hegemonia do Egito, travando duas guerras contra Antíoco I. Procurou atrair ao Egito as elites helênicas, conhecendo o seu reinado um desenvolvimento cultural, que se manifestou na fundação do museu e biblioteca de Alexandria. Em Alexandria seria igualmente construído o famoso farol, que foi uma das Setes Maravilhas do Mundo Antigo.
O seu primeiro casamento foi com Arsínoe I, filha de Lísimaco, com a qual teria três filhos. Depois de repudiá-la, adotou o costume egípcio do casamento entre irmãos, contraindo núpcias com a sua irmã Arsínoe II, rainha que teria influência política e que seria deificada pelo irmão após a sua morte. Foi devido a este casamento com a irmã - que chocou os Gregos - que Ptolemeu adquiriu o cognome de "Filadelfo", o que significa "que ama a sua irmã".

Ptolemeu III

Ptolomeu III Evérgeta I, filho de Ptolemeu II e de Arsínoe I, sucedeu ao pai em 246 a.C.. Nesse mesmo ano casou com Berenice, filha do rei de Cirene, reino que incorporou no Egito. Sob o pretexto de vingar a morte da sua irmã, também chamada Berenice, entrou em guerra com o reino selêucida de Seleuco II Calinico. No fim da terceira guerra da Síria (246-241), o Egito continuava a dominar a Síria, a Cilícia, a Panfília, Chipre, a Cária e as ilhas do norte do mar Egeu. Foi durante o seu reinado que o Egito ptolemaico conheceria o apogeu.

O declínio dos Ptolemeus

Ptolemeu III faleceu em 221 a.C., sendo sucedido pelo seu filho, Ptolemeu IV Filopator, um monarca fraco e cruel com o qual se iniciaria a fase descendente do Egito ptolemaico. Influenciado pelos ministros Agátocles e Sosíbio, perdeu em 219 a.C. Seleucia de Piéria para Antíoco III, o Grande, mas a grande vitória egípcia na Batalha de Ráfia (217 a.C.), na Palestina, durante a Quarta Guerra Síria, permitiu repelir Antíoco III que se preparava para atacar o Egito.
Ptolomeu V Epifânio era apenas uma criança quando se tornou rei em 204 a.C., pelo que o governo efetivo do Egito estava nas mãos dos ministros Agatócles e Sosíbio. Nas próximas duas décadas o Egito conheceria uma série de revoltas locais contra os Ptolemeus. Antíoco III e Filipe V da Macedônia realizaram um pacto com o objetivo de derrotar o Egito e dividir os territórios por este controlados, e a partir de 204 a.C. o país perderia as suas possessões na Síria, Palestina, Ásia Menor e Egeu.
Ptolemeu V fez a paz com Antíoco III, e realizou uma aliança com a potência em ascensão, Roma. O rei faleceu envenenado, sendo sucedido por Ptolemeu VI Filometor, uma criança.
Aproveitando a situação, Antíoco IV invadiu o Egito, fez Ptolemeu VI prisioneiro e substitui-o pelo irmão, Ptolomeu VII, em 170 a.C.. Porém, Roma obrigou Antíoco a deixar o Egito e os dois irmãos concordaram em reinar em conjunto com a irmã, Cleópatra II. No entanto os dois Ptolemeus envolveram-se em disputas e em 163 a.C. Roma resolveu o litígio, dividindo o que restava do império ptolemaico entre ambos: Ptolemeu VI governaria o Egito e Ptolemeu VIII a Cirenaica. Quando Ptolemeu VI faleceu, Ptolemeu VIII tentaria apoderar-se do trono do Egito, mas Cleópatra fez do filho de Ptolemeu VI o novo rei (Ptolomeu VII), que seria assassinado pelo tio.
O Egito ptolemaico caracteriza-se pela centralização do governo na pessoa do rei, que administra o país através de leis (nomos), regulamentos (diagrammata) e ordenações (prostagmata). Esta pessoalização do poder já é detectável logo no primeiro monarca da dinastia, Ptolemeu I.