quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Empresários brasileiros negociarão barreira comercial com Argentina

SÃO PAULO - Empresários brasileiros preocupados com a adoção de novas medidas protecionistas pela Argentina pedirão uma audiência com a presidente do país vizinho, Cristina Kirchner, na última semana de janeiro, assim que ela se recuperar de uma cirurgia para a retirada da glândula tireoide. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o grupo tentará uma solução amigável para a retirada da Resolução nº 3252 da Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP, a Receita Federal da Argentina), em troca de alternativas que mantenham o superávit comercial do país vizinho em torno de US$ 11 bilhões. As novas medidas decretadas pelo governo argentino podem, segundo estimativas da consultoria Abeceb.com, afetar 79% das exportações brasileiras para aquele país.

Em entrevista coletiva hoje, após reunião com representante de setores da indústria paulista e sindicatos, Skaf afirmou que o objetivo dos empresários é buscar uma solução que seja benéfica para os dois países, sem precisar recorrer a órgãos de comércio internacional. De acordo com ele, recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC), por exemplo, significaria um tempo muito longo para conseguir a liberação de mercadorias paradas na fronteira. "Uma briga assim não seria bom nem para as empresas brasileiras nem para os consumidores argentinos, que necessitam das mercadorias", afirmou.
O presidente da Fiesp informou que já fez contatos com o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e com o embaixador do Brasil na Argentina. "Está tudo sendo feito em comunicação com o governo brasileiro", disse. Skaf afirmou também que as negociações não podem esperar, já que as empresas exportadoras têm compromissos. "O tempo corre contra todo mundo, nós precisamos de uma solução e só manifestar preocupação é muito pouco", ressaltou.
Skaf sugeriu, por exemplo, que o país vizinho utilizasse seus estaleiros para a construção de navios que empresas brasileiras necessitam, sobretudo a Petrobras. Em troca, seriam retiradas as exigências de declarações obrigatórias para a importação de produtos brasileiros. "A Argentina poderia exportar produtos de alto valor, como navios que tanto a Petrobras precisa, e, com os estaleiros deles, que estão quase parados. Ficaria bom tanto para a Argentina, que manteria seu superávit comercial, quanto para o Brasil", afirmou.
O objetivo da Argentina ao editar a resolução é manter o superávit do país no comércio internacional, que, no ano passado, foi de quase US$ 11 bilhões. O comércio bilateral entre Brasil e Argentina somou no ano passado US$ 39,6 bilhões, com um superávit para o Brasil de US$ 5,8 bilhões - US$ 22,7 bilhões em exportações e US$ 16,9 bilhões em importações.
O presidente da Fiesp disse que as medidas adotadas pela Argentina, que entrarão em vigor em 1º de fevereiro, representam mais um golpe dentro do Mercosul. De acordo com ele, os países do bloco comercial deveriam unir forças para enfrentar a entrada de produtos asiáticos. "Em vez de bater cabeça com um ou com outro, deveríamos sentar à mesa de negociações, como Mercosul, e discutir dumping e pirataria de terceiros países." Skaf não deixou de manifestar indignação com a atitude da Argentina. "Todos os anos tem um problema com a Argentina, esse é mais um", completou.

Fonte: Etsado de Sp

Brasil fica em 99º em ranking sobre liberdade de imprensa

O Brasil ficou em 99º colocado em ranking anual elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteira. O resultado deixa o País 41 postos abaixo da classificação feita em 2010, quando o Brasil ocupava a 58º lugar. A organização afirmou que a queda brasileira foi a mais acentuada da América Latina e justificou o resultado em função da morte de três jornalistas no ano passado. 



No relatório divulgado nesta quarta-feira, 25, a organização destacou que o "alto índice de violência" no Brasil e mencionou a presença do crime organizado e de atentados contra o meio ambiente como os principais ameaças à atividade dos profissionais da imprensa. A organização colocou o Norte e o Nordeste como as regiões mais perigosas para os jornalistas. O relatório não cita os três crimes mencionados no estudo.

O ranking é elaborado há dez anos e avalia 179 países. Na versão 2011-2012, ficaram nos primeiros lugares Finlândia, Noruega e Estônia, países que apareceram entre os dez primeiros em 2010. Da América Latina, o Uruguai foi o melhor colocado (32º). A Argentina ficou em 47º e Chile e Paraguai, em 80º. Depois do Brasil, aparecem Equador (104º) e Bolívia (108º). Nas últimas colocações ficaram Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia.

Perigo. Na semana passada, a International News Safety Institute (Insi) colocou o Brasil como o 8º mais perigoso no mundo para o trabalho da imprensa. A classificação considera o número de mortes de profissionais. Em 2011, cinco pessoas morreram no exercício da profissão. Nas primeiras colocações ficaram Paquistão, México e Iraque.

Foco na Grécia é excessivo, diz presidente do Banco Mundial


DAVOS - O presidente do Banco Mundial (Bird, na sigla em inglês), Robert Zoellick, disse hoje que "talvez haja um foco excessivo nos temores com a Grécia". "Sei que há muita atenção na Grécia, mas o país representa apenas 2% da zona do euro", afirmou. Para ele, o foco na Itália e na Espanha é mais importante.
Zoellick afirmou ainda que a chanceler alemã Angela Merkel deveria ser direta na explicação da necessidade de ajudar a financiar o resgate dos países da zona do euro, como a Grécia, para os cidadãos alemães.
"O que Angela Merkel fez no ano passado foi bom, ela mostrou à população que havia um quadro mais amplo. Eu sugeriria à chanceler que seja mais direta (com os alemães), se ela fizer isso os políticos irão acompanhar", disse o presidente do Banco Mundial em entrevista à emissora Bloomberg Television nos bastidores do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
‘Primeira fase da crise pode ter acabado’, diz premiê
No Fórum, o primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny afirmou que a primeira fase da crise na Europa, caracterizada pela desconfiança entre os governos do bloco, pode ter acabado.
"Existia uma falta de confiança evidente não somente nos mercados, mas entre os governos em si", comentou Kenny. "Mas recentemente, eu tenho visto crescentes sinais de uma renovada confiança entre as autoridades", acrescentou, explicando que isso deve tonar mais fácil para os líderes europeus tomarem decisões conjuntas para superar a crise.
A demora dos líderes da Europa em tomar decisões e a incapacidade da zona do euro de implementar as medidas combinadas têm sido uma fonte de profunda frustração para os mercados financeiros e governos de outras regiões do mundo, muitos dos quais acreditam que a crise europeia é a maior ameaça para suas economias.
Um dos exemplos mais recentes desse problema é o chamado "pacto fiscal", anunciado em dezembro pelos líderes da zona do euro como forma de combater os déficits orçamentários. Rascunhos desse pacto têm mostrado uma significativa diluição das provisões anunciadas originalmente, especialmente em relação às sanções contra aqueles que descumprirem as regras.
O primeiro-ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, reconheceu hoje que a natureza "intergovernamental" do pacto, em vez de uma alteração no tratado da União Europeia (que foi impossibilitada pela oposição do Reino Unido), é "a única opção", mas é "melhor do que nada". As informações são da Dow Jones.