domingo, 6 de novembro de 2011

Relembre outros golpes históricos contra as Farc na Colômbia


A morte de Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano, chefe máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), se constitui nesta sexta-feira (4) em um golpe histórico e um dos mais fortes das autoridades colombianas contra a guerrilha mais antiga do continente.

Embora por enquanto o governo não tenha divulgado os detalhes da morte do chefe guerrilheiro, se especula que a morte de Cano pode ter acontecido duas semanas antes, mas somente nesta sexta foi possível confirmar sua identidade.

Relembre os golpes mais contundentes contra as Farc nos últimos anos:


4 de agosto de 2011: o guerrilheiro colombiano Miguel Ángel Ariñez, responsável pelo atendimento médico do comando central das Farc, é detido na cidade fronteiriça de Cúcuta, depois de ter retornado ao país pressionado por operações venezuelanas.










23 de setembro de 2010: morre o segundo homem ao comando e chefe militar das Farc, Víctor Julio Suárez, conhecido como "Jorge Briceño Suárez" ou Mono Jojoy, junto a outros 20 combatentes em um bombardeio no sul da Colômbia.













23 de setembro de 2010: morre o segundo homem ao comando e chefe militar das Farc, Víctor Julio Suárez, conhecido como "Jorge Briceño Suárez" ou Mono Jojoy, junto a outros 20 combatentes em um bombardeio no sul da Colômbi.

19 de setembro de 2010: morrem em vários bombardeios 27 guerrilheiros no departamento do Putumayo (sul), entre eles Domingo Biojó, grande chefe e chefe político do Bloco Sul das Farc, e encarregado das ações terroristas na fronteira com o Equador. Foi o primeiro golpe importante do governo de Juan Manuel Santos, que assumiu a Presidência no dia 7 de agosto, e também acabou com a vida de María Victoria Hinojosa, conhecido como "Lucero Palmera", responsável pela emissora "Voz de la Resistencia de las Farc".

13 de junho de 2010: a Operação Camaleão termina com o resgate nas selvas de Guaviare do general da polícia Luis Mendieta, do coronel Enrique Murillo, do coronel William Donato Gómez e do sargento do Exército Arbey Delgado Argote, que permaneceram cerca de 12 anos em poder das Farc.





26 de outubro de 2008: o ex-senador Óscar Tulio Lizcano, acompanhado de seu carcereiro, conhecido como "Isaza", foge do grupo guerrilheiro que o tinha sequestrado no dia 5 de agosto de 2000. Isso representa um duplo revés à organização guerrilheira, já que perdeu um dos sequestrados que considerava passíveis de troca, por causa da traição de um de seus homens.




2 de julho de 2008: a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e 11 soldados e policiais foram libertados pelo Exército.
Ela tem um olhar profundo e uma voz doce. A aparência de Ingrid Betancourt engana: quem vê seu rosto delicado não diz que é a mesma mulher que ficou seis anos e meio vivendo na selva, presa como refém de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Dois anos depois de sua libertação pelo Exército, a ex-candidata à Presidência e mãe de dois filhos faz uma viagem por vários países para lançar seu livro de memórias: 'Não há silêncio que não termine'





25 de maio de 2008: a cúpula das Farc confirma em um vídeo entregue ao canal internacional "Telesur" que Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda Vélez" ou "Tirofijo", fundador e máximo chefe da guerrilha, morreu em 26 de março de um infarto. A notícia tinha sido anunciada pelo então ministro da Defesa e hoje presidente Juan Manuel Santos.









18 de maio de 2008: "Karina", apelido de Nelly Ávila Moreno, chefe da frente 47 e única mulher na história das Farc com cargo de comandante, se entregou na região de Antioquia a tropas militares e ao então Departamento Administrativo de Segurança (DAS, inteligência estatal).






26 de março de 2008: morre "Tirofijo", de 78 anos e considerado o guerrilheiro mais velho do mundo, pelo qual o governo colombiano oferecia uma recompensa de 5 bilhões de pesos (US$ 2,8 milhões).







7 de março de 2008: "Ivan Ríos", apelido de Manuel Jesús Muñoz ou José Juvenal Velandia, membro do comando central das Farc, é assassinado por seu chefe de segurança, Pedro Pablo Montoya Cortés, conhecido como "Rojas", que entregou como prova ao Exército a mão direita do rebelde e um computador










1º de março de 2008: em uma operação militar colombiana contra um acampamento das Farc no Equador morreram o número dois da guerrilha, Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", e outras 25 pessoas.







25 de outubro de 2007: Gustavo Rueda Díaz ("Martín Caballero"), chefe das Farc no litoral Caribe colombiano e que sequestrou o ex-chanceler Fernando Araújo, foi abatido por militares junto a outros 19 guerrilheiros na região dos Montes de María (norte). Ele foi acusado de organizar um ataque fracassado em 2000 contra o então presidente dos EUA, Bill Clinton.


1º de setembro de 2007: o guerrilheiro Tomás Medina Caracas, conhecido como "El Negro Acacio", responsável pelo tráfico de drogas dentro das Farc e chefe da frente 16, perdeu a vida em um choque com o Exército na região de Vichada.









15 de junho de 2007: morre em combate Milton Sierra ("Jota Jota"), chefe da frente urbana Manuel Cepeda das Farc em Cali e que era acusado de participar da tomada da Assembleia de Valle del Cauca em 11 de abril de 2002, na qual sequestraram 12 deputados regionais, 11 dos quais foram assassinados em 18 de junho de 2007.





17 de fevereiro de 2006: Giovanny David Santamaría, conhecido como "Rubén" ou "Popeye", que participou do sequestro e morte do governador de Antioquia, Juan Guillermo Gaviria, e do ex-ministro de Defesa Gilberto Echeverri, morre em um confronto com o Exército.


 15 de dezembro de 2004: capturam na cidade de Ibagué Erminso Cabrera Cuevas, conhecido como "Mincho", que atualmente está detido em uma prisão dos EUA e enfrenta um processo por narcotráfico.





10 de fevereiro de 2004: Nayibe Rojas Valderrama, conhecido como "Sonia", que militou durante 14 anos nas Farc, é detida. Foi extraditada em 10 de março de 2005 para os EUA, onde cumpre condenação de quase 17 anos de prisão por narcotráfico.





2 de janeiro de 2004: Ovidio Ricardo Palmera Pineda ("Simón Trinidad"), membro do Secretariado e chefe de finanças das Farc, é capturado em Quito (Equador). Extraditado para os EUA em 31 de dezembro de 2004, foi condenado a 60 anos de prisão por conspirar para o sequestro de três americanos.












Farc afirmam que luta continua após morte de chefe máximo na Colômbia


A guerrilha colombiana das Farc assegurou que vai continuar com sua luta, apesar dos chamados à desmobilização feitos pelo governo após a morte de seu líder Alfonso Cano em uma operação militar na sexta-feira, segundo um comunicado divulgado na internet pela agência Anncol e datado de sábado.

"A paz na Colômbia não nascerá de nenhuma desmobilização guerrilheira, e sim da abolição definitiva das causas que dão origem ao levante. Há uma política definida e essa é a que continuará", disse o comunicado assinado pelo Secretariado (dirigência) do grupo insurgente, datado no sábado e que afirma que "morreu o camarada e comandante Alfonso Cano".





Cano, cujo verdadeiro nome era Guillermo León Sáenz, morreu na sexta-feira em um confronto com o Exército em uma região montanhosa do município de Suárez, no departamento (província) de Cauca (sudeste), que se seguiu a um bombardeio da Força Aérea no local onde o chefe rebelde se encontrava.



"Não será esta a primeira vez em que os oprimidos e explorados da Colômbia choram um de seus grandes líderes. Nem tampouco a primeira em que o substituirão com a coragem e a convicção absoluta na vitória", afirmaram os chefes rebeldes no comunicado.

O documento foi divulgado pouco depois do presidente Juan Manuel Santos afirmar que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas) chegaram ao seu "ponto de inflexão", após convidar os insurgentes à desmobilização.

Em um discurso transmitido pela televisão, Santos também afirmou que a cúpula da organização rebelde "irá se desmoronando como um castelo de cartas" porque "este golpe certeiro não será o único".

Cano assumiu a liderança das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após a morte do fundador e líder máximo desta organização, Manuel Marulanda (conhecido como "Tirofijo"), que, segundo porta-vozes do grupo, faleceu após um infarto em março de 2008.