sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Políticas de Obama para Israel podem custar votos de judeus.

Desde Jimmy Carter (1977-1981), nenhum candidato democrata à presidência dos EUA deixou de conquistar a maior parte dos votos judeus.

Os republicanos veem uma chance de mudar isso em 2012, já que o presidente Barack Obama tem mantido uma relação tensa com os líderes de Israel e é criticado por muitos judeus americanos por ser firme demais com este aliado.

Antecipando problemas, a campanha de Obama e líderes do Partido Democrata têm efetuado mudanças para solidificar a popularidade do presidente com eleitores judeus. O Comitê Nacional Democrata estabeleceu um programa de divulgação que busca atingir grupos, doadores e outros partidários judaicos com ligações e emails para combater a ideia republicana de que Obama é hostil a Israel.

Entre esses esforços encontra-se um documento com o título: "A Postura do Presidente Obama sobre Israel: Mitos e Fatos". David Axelrod, um conselheiro de Obama, enviou emails a eleitores judeus compartilhando com eles um discurso do Ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, elogiando Obama e dizendo que ele havia contribuído com a cooperação militar entre os Estados Unidos e Israel.

Além disso, a Casa Branca tem chamado atenção para a recente manifestação de gratidão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de outros oficiais israelenses na sexta-feira passada, após Obama ter intervindo para prevenir a violência após o ataque de uma multidão à Embaixada Israelense no Cairo, colocando em risco diplomatas israelenses que se encontravam lá dentro.

Foi um momento raro na relação entre eles. Desde as últimas eleições, Netanyahu tem parecido colocar mais energia nas relações com a nova maioria republicana na Câmara do que em sua relação com Obama.

"Há muitas pessoas mentindo sobre o histórico do presidente e temos de desmentir tais afirmações", disse a congressista Debbie Wasserman Schultz, da Flórida, que é presidente do Comitê Nacional Democrata. "O presidente tem um histórico impecável em relação a Israel e iremos contar isso de forma detalhada para obter a maioria dos votos novamente."

Ela participou de um ato de "validação" recentemente em Miami, quando apareceu diante dos repórteres com o Vice-Ministro de Assuntos Internacionais de Israel, Danny Ayalon, e ficou ao seu lado enquanto ele elogiava Obama.

Segundo Debbie, pesquisas mostram que a maioria dos judeus continua apoiando Obama e que o seu nível de aprovação demonstra seu desempenho e popularidade com a maioria do eleitorado.

Ainda assim, os judeus americanos estão claramente simpatizando menos com Obama do que estavam em 2008, quando cerca de oito em cada 10 votaram nele (em uma pesquisa Gallup realizada em julho do ano passado, um dos meses mais recentes para o qual há dados disponíveis, o seu índice de aprovação foi de 60%). Legisladores judeus vêm alertando a Casa Branca de que este descontentamento poderá prejudicar o presidente na hora da arrecadação de verba e do entusiasmo para votarem nele.

"Já faz um tempo que tenho ouvido de uma grande quantidade de eleitores uma insatisfação com as declarações sobre Israel feitas pelo presidente e por seu governo", disse o deputado Eliot L. Engel, democrata de Nova York. "Ele pode até receber a maioria dos votos judeus, mas eu não ficaria surpreso ao ver uma queda de 10 a 20 pontos percentuais".

Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) deve apresentar nesta sexta-feira pedido de adesão plena de um Estado palestino às Nações Unidas. Veja a seguir as principais datas que marcam o conflito de mais de 60 anos entre palestinos e Israel:

- 29 de novembro de 1947: Assembleia Geral da ONU adota a resolução 181 sobre a partilha da Palestina, então sob mandato britânico, e a criação de dois Estados, um judeu e outro árabe, deixando Jerusalém sob status internacional. Resolução é rejeitada por países árabes.

- 14 de maio de 1948: É proclamado o Estado de Israel e começa a Primeira Guerra Árabe-Israelense. Conflito termina em 24 de fevereiro de 1949, com Israel ampliando seu território. Gaza fica sob controle egípcio, enquanto a Jordânia passa a controlar a Cisjordânia.

- 28 de maio de 1964: Criação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) durante o Primeiro Congresso Nacional palestino (CNP, Parlamento). Adoção de uma Carta reivindicando o direito à autodeterminação e à soberania para os palestinos e rejeitando a criação de Israel.

- 5-10 de junho de 1967: Guerra dos Seis Dias. Israel anexa Gaza, o Sinai egípcio, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as colinas do Golan sírias.

- 6-26 de outubro de 1973: Guerra do Yom Kippur. A ONU adota a resolução 338, que estabelece um cessar-fogo e faz um apelo ao diálogo.

- 22 de novembro de 1974: A Assembleia Geral da ONU reconhece o direito dos palestinos à autodeterminação e à independência e autoriza um status de observador para a OLP.

- 27 de março de 1979: Israel e Egito assinam os Acordos de Camp David, e Israel devolve o Sinai.

- 6 de junho de 1982: Israel invade o Líbano para expulsar a OLP e estabelece uma presença militar no país durante 18 anos.

- 6-9 de setembro de 1982: A Liga Árabe adota o plano de Fez, que retoma o apresentado em agosto de 1981 pelo príncipe herdeiro Fahd. O plano reconhece implicitamente Israel e prevê a criação de um Estado palestino e a retirada israelense de todos os territórios ocupados em 1967.

- 10 de novembro de 1987: Explode a Primeira Intifada (levante palestino).

- 13 de setembro de 1993: Após seis meses de negociações secretas em Oslo, Israel e a OLP se reconhecem mutuamente e assinam em Washington a Declaração de Princípios sobre uma autonomia palestina transitória de cinco anos, que outorga autonomia a Gaza e Jericó. O primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, e o chefe da OLP, Yasser Arafat, apertam as mãos, um acontecimento histórico.

- 1 de julho de 1994: Arafat chega a Gaza após 27 anos de exílio e cria a Autoridade Palestina, da qual será eleito presidente em janeiro de 1996.

- 17 de maio de 1999: Benjamin Netanyahu não consegue ser reeleito após derrota para o trabalhista Ehud Barak, o que permite recuperar a fórmula "paz por territórios", cunhada por Rabin.

- Julho de 2000: Fracassam as conversas de Camp David II entre Arafat e Barak, com a mediação do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

Palestino entra em choque com soldados israelenses durante a Segunda Intifada, iniciada em 28/9/2000

- 28 de setembro de 2000: O líder opositor israelense Ariel Sharon visita a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, e explode a Segunda Intifada.

- Dezembro de 2001: Sharon, o novo primeiro-ministro, decreta o confinamento de Arafat em Ramallah, capital da Cisjordânia, culpando-o por onda de atentados.

- 12 de março de 2002: Resolução 1.397 do Conselho de Segurança menciona pela primeira vez o Estado palestino.

- 16 de junho de 2002: Começa a construção do muro na Cisjordânia.

- 30 de abril de 2003: Publicação do mapa do caminho elaborado pelo Quarteto para o Oriente Médio (EUA, ONU, Rússia e UE), que prevê um Estado palestino até 2005. Os palestinos aceitam, Israel adota o plano em maio, mas faz 14 objeções.

- 11 de novembro de 2004: Arafat morre em Paris.

- 9 de janeiro de 2005: Mahmud Abbas ganha as eleições para a presidência da ANP.

- 15 de agosto de 2005: Israel inicia o plano de desligamento, pelo qual retira de Gaza seus soldados e 8 mil colonos.

- 25 de janeiro de 2006: Grupo islâmico Hamas ganha as legislativas por maioria absoluta.

- Março de 2007: Hamas e partido laico Fatah, da ANP, formam um governo de união nacional, que dura apenas três meses.

- 15 de junho de 2007: Hamas toma o controle de Gaza pela força. Abbas dissolve governo e forma outro, com Salam Fayyad como primeiro-ministro.



Tanques israelenses destroem casa em 16/1/2009 na em Gaza

- 27 de dezembro de 2008 a 18 de janeiro de 2009: Israel lança operação contra Hamas em Gaza, sua maior ofensiva em 40 anos, e deixa 1,3 mil mortos.

- 10 de fevereiro de 2009: Netanyahu ganha as eleições.

- 2 de setembro de 2010: Começam em Washington, sob a mediação do presidente dos EUA, Barack Obama, as primeiras negociações diretas com a participação de Abbas e Netanyahu, após 20 meses de paralisação. Elas, porém, terminam sem sucesso, após Israel não renovar moratória de construção de assentamentos na Cisjordânia.

- 19 de maio de 2011: Obama pede que fronteiras israelenses anteriores à Guerra dos Seis Dias sejam base para formação de Estado palestino. Netanyahu rejeita proposta, falando que divisas de 1967 são 'indefensáveis'.

- 16 de setembro de 2011: Abbas anuncia que pedirá a Conselho de Segurança adesão plena à ONU, afirmando que Palestina precisa ser aceita como membro da organização para negociar paz. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/saiba-os-principais-fatos-do-conflito-entre-israel-e-palestinos/n1597223990085.html

Com liderança dividida, palestinos esperam discurso 'histórico' na ONU.

Ramallah, na Cisjordânia, já está preparada para acompanhar o discurso em que o presidente Mahmoud Abbas deverá pedir o reconhecimento do Estado Palestino, durante a Assembleia Geral da ONU, nesta sexta-feira (23).

A Autoridade Palestina já colocou telões no centro de Ramallah para que o público possa assistir, ao vivo, o discurso de Abbas (às 18h30 locais, 12h30 em Brasília).

Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.

Uma cadeira gigante foi montada, para simbolizar assento pedido por Abbas na ONU, para que o Estado Palestino se torne o membro número 194 da organização internacional.

A campanha 'Palestina 194' foi iniciada há vários meses e deverá atingir seu auge nesta sexta-feira, com o discurso do presidente palestino.

A Autoridade Palestina espera a participação de centenas de milhares de pessoas em manifestações de apoio a Abbas, nas principais cidades da Cisjordânia, durante o discurso.

Para muitos palestinos esta sexta feira é um dia histórico, pois 44 anos após a guerra de 1967 e 63 anos após a fundação do Estado de Israel, um presidente palestino se dirigirá aos 193 países membros da ONU e pedirá o reconhecimento da Palestina.

Hamas
O Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza desde 2007, proibiu a manifestações em favor da iniciativa palestina no território.

O Hamas já declarou que é contra o pedido de reconhecimento pois, segundo o grupo, um Estado Palestino nas fronteiras pré-1967 significaria aceitar implicitamente o Estado de Israel na área estabelecida em 1948.

Apesar de pedidos por parte do Fatah, partido de Abbas, o Hamas não permite que a parte da população da Faixa de Gaza que apoia a iniciativa se manifeste nas ruas.

De acordo com a pesquisa de opinião realizada pelo instituto Halil Shkaki, 83% dos palestinos apóiam o pedido de reconhecimento na ONU, o que significa que entre os habitantes da Faixa de Gaza grande parte é a favor de um Estado Palestino nas fronteiras de 1967, apesar da oposição do Hamas.

Israel
As autoridades israelenses decretaram estado de alerta no país inteiro e nos territórios ocupados, principalmente na área de Jerusalém e nos pontos de checagem militares nas passagens entre Israel e a Cisjordânia.

O Exército israelense se prepara para manifestações de palestinos junto aos pontos de checagem e providenciou diversos tipos de armamentos não letais para dispersar os manifestantes.

No arsenal estão novas invenções da indústria bélica israelense denominadas 'gambá' e 'o grito'.

O 'gambá' consiste em uma substância quimica com forte cheiro de cadáveres em estado adiantado de putrefação. A substância é misturada com água e lançada contra manifestantes por meio de canhões d'água.

A pele e as roupas das pessoas atingidas ficam impregnadas com o cheiro, que demora vários dias para se dissipar. Outra nova arma não letal é 'o grito' - um aparelho que emite ondas sonoras que produzem sons insuportáveis para os ouvidos humanos e faz com que as pessoas queiram se distanciar rapidamente da fonte do barulho.

O 'grito' já foi utilizado contra manifestantes na última quarta feira, quando jovens palestinos protestaram junto ao ponto de checagem de Kalandia, na entrada de Ramallah. De acordo com porta-vozes militares o armamento 'produziu bons resultados', pois os manifestantes se dispersaram rapidamente.

Alem das novas armas, o Exército israelense também costuma utilizar meios 'mais tradicionais' para dispersar manifestações, como balas de metal revestidas de borracha, gas lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

O governo de Israel autorizou a entrega de grandes quantidades desses armamentos para a policia palestina. De acordo com o jornal Haaretz, a polícia da Autoridade Palestina teria se comprometido a impedir que os manifestantes entrem em atrito com tropas ou colonos israelenses.
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