segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Em desafio a EUA e Israel, palestinos tentarão adesão total à ONU

Obter o reconhecimento como Estado é importante para os palestinos porque abriria as portas ao comparecimento a organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional de Haia, onde poderiam denunciar as consequências da ocupação de seus territórios e as violações de direitos humanos cometidas contra sua população. Os palestinos também poderiam assinar tratados multilaterais e, segundo eles, o reconhecimento melhoraria sua posição para negociador com Israel.

Na quinta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, reiterou que as negociações seriam o único caminho viável para um Estado palestino. "Eles não podem e não conseguirão esse status por meio de uma declaração na ONU. Isso é uma distração e, na verdade, é contraproducente", disse.

Nesta sexta-feira, uma publicação da China, que também tem poder de veto no Conselho de Segurança ONU, advertiu que haverá aumento da tensão no Oriente Médio se os EUA não apoiarem a iniciativa palestina. "A comunidade internacional, de forma majoritária, acredita que ter um Estado independente é um direito inalienável dos palestinos. Se os EUA optarem por desafiar a opinião pública mundial, não apenas Israel ficará ainda mais isolado, como as tensões na região aumentarão mais", afirmou um editorial do jornal China Daily.

Nesta semana, em um artigo publicado no New York Times, o príncipe saudita Turki Faisal afirmou que a posição americana só reduz ainda mais o decadente prestígio regional dos EUA. Para ele, o veto americano enfraqueceria a segurança israelense e fortaleceria o Irã, que a comunidade internacional suspeita desenvolver um programa de armas nucleares. Por conta disse, alerta Faisal, a Arábia Saudita não poderá continuar sendo um forte aliado americano.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeita a retirada completa da Cisjordânia e diz que Israel deve manter Jerusalém Oriental, que considera como parte de sua capital indivisível. Apesar de ter se retirado da Faixa de Gaza em 2005, Israel mantém o território sob bloqueio terrestre, aéreo e marítimo.

Os palestinos dizem que recorrem à ONU depois de anos de frustração com negociações fracassadas. EUA e Israel temem que a votação na ONU desate violência e outras consequências negativas. Os palestinos planejam demonstrações em massa na Cisjordânia na próxima semana, afirmando que serão pacíficas. Por causa desses protestss, O Exército israelense aumentou seu nível de alerta e mobilizou unidades de reserva.

Com o provável veto americano, os palestinos serão forçados posteriormente a pedir um status de "Estado não-membro" observador, sem direito a voto, à Assembleia-Geral, onde precisariam de apoio de dois terços dos 192 membros. Apesar de amplamente simbólica, os palestinos têm como garantida uma vitória na câmara, dominada por nações em desenvolvimento simpáticas à sua causa.

Primavera Árabe

A tentativa dos palestinos de obter o reconhecimento de um Estado ocorre em meio aos levantes conhecidos como Primavera Árabe, que puseram fim aos regimes autocráticos de longa data da Tunísia, Egito e Líbia e vêm mudando a dinâmica da região.