quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vlad III, o verdadeiro Drácula

Quando se fala de Conde Drácula, o famoso bebedor de sangue criado pelo escritor irlandês Bram Stoker em 1897, nem sempre se sabe que o mito se origina na Idade Média. A inspiração para o nobre vampiro talvez seja até mais macabra do que o personagem a quem inspirou – por ser verdadeira e ter deixado um rastro de sangue real por onde passou. A história, como a ficção, começa na pequena cidade de Sighisoara, na Transilvânia, na Romênia. Ali, em dezembro de 1431, nasceu Vlad III Dracula, mais conhecido como Vlad, o Empalador. Coroado em 1448 como rei da Valáquia (Romênia), Vlad manteve seu reinado de terror ao se distanciar das políticas do Império Otomano. Sua fama, porém, veio de seus hábitos e da forma peculiarmente cruel com que tratava seus inimigos e qualquer um que o desagradasse. Seu estilo predileto de tortura, que o fez conhecido no mundo todo, era a morte lenta e extremamente dolorosa por empalamento. As vítimas eram amarradas e estacas não muito afiadas e cobertas de óleo eram introduzidas em seus corpos – no abdômem, no ânus ou no estômago – e em seguida puxadas por cavalos até que saíssem pela boca. Certa vez, mais de 20 mil mercadores e boiardos de Barsov, na Transilvânia, acabaram sendo empalados em uma floresta, cujas árvores foram cortadas e afiadas especialmente para esse propósito. O rei festejou entre os corpos agonizantes durante toda a noite, ocorrida em 1459. Essa não era a única forma de morrer nas mãos de Vlad. Soldados, súditos, inimigos, velhos, camponeses, mulheres e crianças poderiam sofrer dos mais variados jeitos. Esfolamento em vida, escalpo, enforcamento, mutilação, envenenamento, inserção lenta de pregos no crânio e até a prática de cozinhar em água fervente seus desafetos eram hábitos comuns durante seu reinado. Conhecido por apreciar seu pão molhado no sangue de porco – ou de suas vítimas, como dizia a população temerosa –, Vlad III era movido pela sede de vingança contra as conspirações que levaram ao assassinato de seu pai e irmão. Logo que assumiu o trono, deu uma grande festa, para a qual convidou todas as famílias nobres que acreditava estarem envolvidas na trama, comum no reinado da Valáquia, já que a coroa era passada após uma eleição feita pelos boiardos e não de forma hereditária, como na Europa. Ao fim, ele prendeu todos os seus convidados e os forçou a um trabalho escravo ao qual ficaram presos por meses: a reconstrução de seu castelo. Pouquíssimos nobres sobreviveram à prova, obrigados a trabalhar noite e dia, sem chance de trocar as roupas finas que iam se rasgando. Após sua morte, durante uma batalha contra os turcos próxima a Bucareste, em 1476, Vlad foi popularizado por centenas de histórias e lendas espalhadas por toda a Europa, especialmente na Rússia e na Turquia. Apesar da falta de dados que comprovem sua veracidade, diversos panfletos circulavam entre a população contando casos como o do cálice dourado, que o rei sanguinário teria colocado empraça pública para provar a eficácia de suas leis. O medo das conseqüências era tanto que se diz que o cálice nunca saiu do lugar.Revista aventura na historia