terça-feira, 21 de setembro de 2010

Governo cubano começa por cima

Brasília - Uma semana depois de anunciar o plano de demissão de 500 mil funcionários públicos, o presidente cubano, Raul Castro, resolveu enxugar também a cúpula do governo, por "ineficiência". O Conselho de Estado, em concordância com o Birô Político do Partido Comunista e o Comitê Executivo do Conselho de Ministros, decidiu demitir a titular da Indústria de Base, Yadira García Vera. A nota oficial destaca que ela foi "liberada" do cargo "atendendo a deficiências" em seu trabalho, "refletidas de maneira particular no fraco controle sobre os recursos destinados ao processo investidor e produtivo" do setor. O texto também indica que, enquanto o novo ministro é escolhido, o ministério ficará a cargo do "companheiro primeiro vice-ministro" Tomás Benítez Hernández.

A mudança no gabinete se soma à lista que Raul Castro iniciou em fevereiro de 2008, quando assumiu a presidência como efetivo - ele substituía desde 2006 o irmão Fidel, que se retirou por problemas de saúde. O último ministro a deixar o governo foi José Ramón Balaguer Cabrera, da Saúde Pública. Em março de 2009, Raúl fez a reestruturação mais profunda da década, com a "liberação" de quatro vice-presidentes e oito ministros - entre eles o vice-presidente Carlos Lage e o chanceler Felipe Pérez Roque, que estão entre os mentores da "atualização" do socialismo cubano e ajudaram a planejar o corte de gastos, inclusive a demissão em massa no Estado.

Antes de tornar-se ministra, Yadira - venezuelana de nascimento, naturalizada cubana - foi escolhida por Fidel para cuidar do caso do menino Elian González, como encarregada de coordenar as gestões na batalha judiciária pela custódia do menino, entre os parentes de Miami e o pai, morador da província cubana de Matanzas. Engenheira química, hoje com 55 anos, a agora ex-ministra passou a ocupar a pasta da Indústria de Base em outubro de 2004. O antecessor, Marcos Portal Leon, foi criticado pelos apagões de eletricidade na ilha. Quando Yadira assumiu, o jornal oficial Granma apresentou-a como uma "jovem mas experiente líder do partido", além de "modesta, capaz e eficiente".

Colômbia // Santos anuncia política de segurança

O presidente colombiano Juan Manuel Santos anunciará na primeira semana de outubro seu novo plano de segurança, voltado especialmente para a situação das grandes cidades. Ontem, os prefeitos e governadores das principais regiões do país assistiram a uma apresentação do programa, feita pelo ministro de Interior e Justiça, Germán Vargas.

"O propósito é recolher as experiências dos senhores governadores e prefeitos para que essa política esteja bem coordenada nos níveis territoriais", explicou Vargas. O encontro ocorreu em Bogotá, com a presença dos altos comandos do Exército e da Polícia. O prefeito da capital, Samuel Moreno, considerou "fundamental" que o governo se envolva com a estratégia para obter melhorias nas principais cidades - Bogotá, Medellín e Cali, principalmente, mas também outras capitais regionais. "Celebramos essa iniciativa e sempre dissemos que a responsabilidade em matéria de segurança não pode estar apenas na cabeça dos prefeitos e governadores", disse.

Moreno também destacou que, assim como o governo anterior, do presidente Álvaro Uribe, enfatizou a política de segurança nas zonas rurais, agora seria bom que se "tomasse conta das cidades". "Os novos fenômenos de delinquência e os novos desafios que enfrentamos, autoridades regionais e governo nacional, é continuar a melhorar o tema da segurança e da convivência nos principais centros urbanos", completou.

A situação mais crítica se observa em Medellín, que sofre uma onda de violência devido a disputas entre grupos de narcotraficantes. Em 8 de setembro, Santos visitou uma das principais favelas da cidade, a Comuna 13, e prometeu aumentar o efetivo de policiais para controlar a localidade, que já registrou 1.250 homicídios neste ano. A violência, que retorna à localidade-símbolo da reconquista de território pelo Estado colombiano, obrigou 2,5 mil pessoas a abandonar o lar. Durante a visita, Santos prometeu aos colombianos o anúncio de uma nova política de segurança nacional.

Americana solta no Irã agradece empenho do governo brasileiro por sua libertação

A americana Sarah Shourd, recentemente libertada após 14 meses presa no Irã por suspeita de espionagem, foi nesta terça-feira à sede da Missão Brasileira na ONU, em Nova York, agradecer pessoalmente ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o empenho do governo brasileiro por sua libertação. Segundo a americana, Lula comentou o caso com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quando esteve em Teerã.

Sarah estava acompanhada de sua mãe e de familiares de Joshua Fattal, seu amigo que continua preso no Irã. O namorado da americana, Shane Bauer, também está numa prisão iraniana. Os três negam as acusações que os levaram à prisão e alegam ter cruzado inadvertidamente a fronteira entre Iraque e Irã quando fazia uma escalada nas montanhas, no final de julho de 2009.

"Não é momento de comemoração", afirmou Sarah à imprensa no domingo. "A única coisa que me fez cruzar o Golfo, da prisão para a liberdade, sozinha, foi a certeza de que Shane e Josh queriam, do fundo de seus corações, que o meu sofrimento chegasse ao fim."

Ahmadinejad pede libertações

Em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu que os Estados Unidos libertem oito iranianos que, segundo ele, estão detidos ilegalmente, observando que seu país soltou Sarah Shourd. Em uma entrevista com ajuda de um tradutor para o programa "This Week," da rede de televisão ABC, no domingo, Ahmadinejad chamou a libertação de "um grande gesto humanitário".

"Acredito que não seria inapropriado pedir que o governo dos EUA realize um gesto humanitário e liberte os iranianos que foram presos ilegalmente aqui nos EUA", disse Ahmadinejad, referindo-se a oito iranianos, sem dar nomes.

Da Agência O Globo