segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Plínio de Arruda Sampaio não quer ser o candidato piadista

O candidato do Psol à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, chegou ao Recife na noite deste sábado para participar, na próxima segunda-feira, de um debate com os candidatos sobre questões referentes ao Nordeste. Sentado na primeira fila da aeronave em um voo comercial de São Paulo para a capital pernambucana, ele conversou com a reportagem do Diariodepernambuco.com.br sobre a campanha, suas propostas para a região, as denúncias que derrubaram a ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra e a popularidade que vem conseguindo, especialmente na internet, depois de suas participações nos debates e entrevistas na televisão.

O socialista mostrou-se um entusiasta das redes sociais e garantiu que não passa um dia sem postar nada em seu perfil no Twitter (@pliniodearruda), que tem quase 35 mil seguidores. “O que mais me agrada é poder falar com a juventude e ver que os jovens estão mais abertos e interessados em um discurso que a maioria dos adultos não quer ouvir”, afirmou. “Sou eu quem atualizo diariamente o meu perfil e, se sou popular, é porque tenho um discurso coerente. Assim, é fácil se sobressair”, completou. O que o candidato deixou claro que não quer, no entanto, é ser reduzido à imagem do candidato piadista. “Depois dos debates, a tática da mídia nacional de omitir as candidaturas menores não pôde mais ser usada. Então, a estratégia agora é a de me retratar como uma figura bizarra, que está ali se divertindo. Isso é muito injusto. Tenho 60 anos de vida pública como um homem sério e nunca fui visto com um brincalhão”, disparou.

Sobre a queda da ministra Erenice Guerra, Plínio de Arruda Sampaio disse que ainda é cedo para avaliar se haverá um impacto na corrida presidencial capaz de atingir a ex-ministra e candidata líder nas pesquisas, Dilma Rousseff. “Tudo indica que haverá um impacto, mas ainda não é possível saber. Agora, as denúncias são um fato grave porque revelam um nível muito elevado de corrupção no Brasil. Uma corrupção que não é de apenas um ou outro funcionário, mas de todo o sistema, do Estado Brasileiro, que é o grande responsável pela exclusão social no País”, afirmou o candidato, que disse achar prematuro declarar apoio a qualquer um dos candidatos, caso haja um segundo turno nas Eleições marcadas para 3 de outubro.

O candidato declarou-se amigo pessoal do ex-governador Miguel Arraes e do economista pernambucano Celso Furtado. “Minhas ideias são ligadas à Sudene, ao direito do Nordeste de receber transferências de outros estados, ao combate ao atraso que significa o latifúndio na região”, declarou o candidato, que se posicionou radicalmente contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. “Esta obra não tem nada a ver com levar água para quem precisa. O objetivo não é este, e sim criar uma base para uma grande empresa de agronegócio, além de aumentar o risco de isolamento das famílias pobres que vivem na região”.

No que considerou a reta finalíssima da campanha, ele garantiu que a visita ao Recife é a última da agenda política. “Passarei os últimos dias de campanha no Rio e em São Paulo, me preparando para os debates finais, até porque cada um deles tem uma condição diferente e exige uma preparação muito grande. Meu discurso é coletivo, não estou ali dizendo o que me vem na telha”, disse o candidato que resumiu seu programa de governo em alguns pontos principais: reformas agrária e urbana para todo o Brasil e saúde e educação exclusivamente públicas. “Se a co-relação de forças levar o Psol à Presidência, vou mostrar que isto é possível”, encerrou, antes de abrir um saco de batatas chips com torrone servidos durante o voo.

Por Carolina Monteiro, da redação do DIARIODEPERNAMBUCO

Papa chega a Roma após viagem histórica ao Reino Unido

O papa Bento XVI chegou neste domingo à noite a Roma, após uma viagem histórica de quatro dias ao Reino Unido. O avião do Papa aterrissou por volta das 22h00 locais (17h00 de Brasília) no aeroporto militar de Roma-Ciampino.

A viagem de Bento XVI a Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham, organizada em ocasião da beatificação do cardeal John Henry Newman (1801-1890), que se converteu ao Catolicismo em 1845, foi a primeira visita de Estado de um papa ao Reino Unido.

Bento XVI "falou para um país de seis milhões de católicos", mas foi "ouvido por 60 milhões de cidadãos", considerou no aeroporto o primeiro-ministro David Cameron. "Foram quatro dias incrivelmente emocionantes para o nosso país", acrescentou.

João Paulo II foi em 1982 o primeiro Sumo Pontífice a visitar esse país depois do rompimento do rei Henrique VIII com Roma e o Catolicismo, em 1534, que levou à criação da Igreja Anglicana. Mas aquela foi apenas uma "visita pastoral", segundo o Vaticano.

Da AFP Paris

Ahmadinejad: sanções ocidentais não terão efeito para o Irã

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, afirmou em uma entrevista concedida a um canal de tv americano neste domingo que as sanções do Ocidente ao programa nuclear de seu governo não terão efeito para seu país.

"Certamente que essas sanções marcarão um novo nível de progresso em nossa economia", declarou Ahmadinejad, em Nova York, falando ao canal ABC News. "Enfrentamos sanções e fizemos com que elas se convertessem em oportunidades para nós", acrescentou.

Indagado sobre os efeitos que essas sanções terão sobre a economia iraniana, respondeu: "Posso dizer que nenhum".

As declarações de Ahmadinejad diferem totalmente das da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que, em outra entrevista em Jerusalém ao mesmo canal, classificou as medidas impostas em junho pelo Conselho de Segurança da ONU como "penetrantes".

"De fato, a informação que recebemos é que o regime iraniano está bastante preocupado com o impacto em seu sistema bancário, em seu crescimento econômico, porque já encontram algumas dificuldades financeiras", afirmou.

O Irã enfrenta seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU, quatro delas acompanhadas de sanções, por seu programa nuclear e sua negativa em desistir do enriquecimento de urânio iniciado em 2005.

Teerã alega que seu programa nuclear em caráter civil, mas os ocidentais desconfiam que o Irã queira dotar-se de armas atômicas.

"Temos um plano para discutir coisas, para discutir temas", afirmou Ahmadinejad à ABC. "Sempre estivemos dispostos a discutir assuntos sempre que estejam dentro do marco legal e baseados em princípios de justiça e respeito", acrescentou.

Neste domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, indicou em um comunicado que havia pedido a Ahmadinejad que "se comprometa de maneira construtiva com as negociações" com a comunidade internacional, com o objetivo de chegar a "um acordo aceitável em conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança".

O secretário-geral se referiu às negociações, atualmente estagnadas, entre Irã, Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, China e Rússia sobre o programa nuclear de Teerã.

A última reunião de alto nível entre o Irã e as seis potências mundiais envolvidas na questão foi realizada em Genebra em outubro de 2009, quando ambas as partes estabeleceram um acordo de troca de combustível nuclear.

O líder iraniano disse ainda que Teerã está acatando plenamente as inspeções da Agência de Energia Atômica (AIEA).

"Todas as nossas atividades nucleares estão sendo controladas por câmeras", explicou. "Todo o material que se move é pesado, examinado e controlado. No que se refere à supervisão da AIEA não há obstáculos a essa supervisão", insistiu.

Consultado sobre a natureza uniforme das sanções agora impostas, Ahmadinejad respondeu que elas "não fazem sentido".

"Nós levamos as sanções a sério, mas levá-las a sério é diferente de acreditar que sejam efetivas", concluiu.

Ban Ki-moon também indicou no comunicado que lembrou ao líder iraniano, cuja reeleição no ano passado desencadeou protestos generalizados, "a importância do respeito aos direitos fundamentais civis e políticos".Fonte diário de pe