domingo, 5 de setembro de 2010

A conquista do Brasil

Na busca por índios e ouro, bandeirantes expandiram o país
por Maria Carolina Cristianini; Tiago Cordeiro

No início do século 17, o Brasil era um território a ser explorado. O país terminava na linha do Tratado de Tordesilhas e regiões distantes do litoral eram muito pouco conhecidas. Entre o mar ocupado e o sertão, ficava uma vila pobre chamada São Paulo de Piratininga. Seus moradores precisavam sobreviver. Para alguns deles, os bandeirantes, a solução foi escravizar índios. "Era uma forma de conseguir mão de obra para as fazendas paulistas e faturar com o tráfico indígena", diz Manuel Pacheco Neto, historiador da Universidade Federal da Grande Dourados (MS).

O patriarca dos bandeirantes é João Ramalho, um português que, por volta de 1513, se estabeleceu no planalto paulista e aprisionou índios que atacavam a região. Começava assim um movimento intenso e lucrativo, que teve seu ápice entre os séculos 17 e 18. Chamadas de entradas, quando havia autorização da coroa, ou bandeiras, com financiamento particular, as expedições procuravam riquezas minerais e, principalmente, buscavam índios em quantidades gigantescas: por volta de 1630, 500 mil pessoas estavam mortas ou escravizadas.
O estrago foi tamanho que, com o tempo, a caça estava rarefeita. Do bandeirismo ficou o legado da conquista territorial para muito além de Tordesilhas. Em 1750, o Tratado de Madri reconheceria o Brasil com um formato muito próximo do atual.

Jacqueline Kennedy: a namoradinha da América

Os Kennedys: a realeza americana
- Cafajestes e irresistíveis: os Kennedys e as estrelas de Hollywood
- Corte do Rei Arthur e a família Kennedy têm muito em comum

Jacqueline Kennedy (1929-1994) foi reverenciada como uma verdadeira rainha. Linda, elegante, inteligente, ela ditava moda e costumes. Foi fundamental na ascensão política de John Kennedy. Antenada com a moda parisiense, Jackie sabia se vestir, mas tanto requinte teve que ser levado com certa parcimônia. Para não causar mal estar entre suas conterrâneas, substituiu metade de seu guarda-roupas, exclusivamente francês, por modelitos americanos, tal qual seu vestido de noiva, confeccionado no Alabama pela estilista Ann Lowe. Poliglota, Jackie abalou Paris quando acompanhou o marido em um encontro com Charles de Gaulle. Os noticiários franceses diziam que John é que a estava acompanhando. Sua figura desolada no funeral do marido comoveu a nação. Permaneceria comovendo se não tivesse se casado com Aristóteles Onassis, cinco anos depois. Foi o início do fim de "realeza" de Jackie, que acabaria de vez durante um banho de sol, quando um paparazzo a flagrou totalmente nua. As fotos vieram a público em 1975. A mídia passou a chamá-la de Jackie O. Naquele mesmo ano, Onassis faleceu. Herdeira de outros milhões de dólares, ela envelheceu discreta, com suas próprias lembranças, lembrada amiúde ora como uma Kennedy, ora como Jackie O.

Joana D’Arc: a santa guerreira

Apesar da fé e da coragem para lutar contra a ordem vigente, a ira da Igreja Católica foi implacável contra Joana D’Aarc. A história de sua vida, porém, venceu as fogueiras da Inquisição e atravessou os séculos
por Julinan Tavares

Joana D’Arc era uma garota pobre e analfabeta de 17 anos quando decidiu salvar a França dos ingleses. Guiada pelas vozes de santa Catarina, santa Margarida e são Miguel, que ela dizia ouvir desde os 13, deixou a aldeia de Domrémy, na atual Lorena, com a meta de ver o príncipe herdeiro do trono, Carlos VII, o delfim, coroado rei. A vontade tinha fundamento. Era 1429 e a França via-se em maus lençóis: um século antes, fora dizimada por pestes, intempéries e fome. Desde 1337 o país se debatia contra os ingleses, na Guerra dos Cem Anos. A região vivia uma guerra civil entre a população local e o rico ducado da Borgonha, vizinho à Lorena, que se aliara aos ingleses. Para Joana – e suas vozes –, apenas uma França forte e soberana poderia derrotar os inimigos. E isso só aconteceria quando o delfim recebesse a coroa na Catedral de Notre-Dame, em Reims, como mandava a tradição. Destemida, presunçosa e, para alguns, fanática, Joana D’Arc, sem nenhum conhecimento militar, convenceu na base da fé um pequeno grupo de soldados a acompanhá-la. Conseguiu muito mais.

Além de uma conferência com o príncipe, a camponesa obteve o que parecia impossível: seu próprio exército, de cerca de 7 mil homens, e a autorização real para marchar até Orléans (a 130 km de Paris) e livrá-la do cerco inglês. Montada num cavalo branco, a Donzela, como se denominou, inspirou os militares. Os ingleses, porém, não tardaram a chamá-la de vaqueira. De fato, Joana D’Arc havia, até então, apenas montado nas costas do gado do pai. Nunca usara uma armadura, jamais estudara táticas de guerra e nem sequer tinha visto um combate. No entanto, nada disso a intimidava. A prova é uma carta sua endereçada ao alto-comando inglês, pouco antes de invadir Orléans, na qual se afirmava chefe de guerra (posição que não lhe fora dada) e emissária de Deus. “Rei da Inglaterra”, dizia ela no comunicado, “se não entregardes o que haveis tomado e violado na França, vos matarei a todos.”

Seu desempenho como soldado, porém, não se mostrou excepcional: na Batalha de Orléans, ela pisou numa bola de cravos, que machucou seus pés e, por pouco, não a deixou fora do cerco à cidade. Durante o combate, foi ferida no peito por uma flecha, mas resistiu.

Os últimos combates

Em Jargeau, Joana foi derrubada de uma escada por uma pedra e, se não fosse seu elmo, teria sofrido um ferimento sério. Apesar das trapalhadas, a presença de Joana D’Arc foi a inspiração que faltava aos soldados franceses quando chegaram à cidade, em 29 de abril de 1429. Carregando um estandarte branco com a figura de Deus ladeada por dois anjos, ela viu as tropas protagonizarem um ataque sangrento. No dia 8 de maio, 4 mil dos cerca de 5 mil ingleses jaziam aniquilados. Encerrava-se assim a Batalha de Orléans, que alterou o cenário da guerra, até então marcada pela dominação britânica.

"O fato de ela ser mulher e ouvir vozes sagradas era algo fabuloso para as mentes da população do século 15", diz Ricardo Luiz Costa, professor de história medieval da Universidade Federal do Espírito Santo. A aura mística em torno de Joana aumentou ainda mais com novas vitórias nas vilas de Jargeau, Meung e Beauregency. As pessoas passaram a se amontoar para vê-la.

No dia 17 de julho de 1429, seu sonho se realizou: o delfim foi coroado. A missão poderia ter acabado ali, mas a garota tinha incorporado o papel de soldado. Sua nova ambição era expulsar os ingleses de Paris. Mas a total falta de preparo pesou, e Joana nunca mais conheceu a vitória. Na Batalha de Compiègne – que iniciou sem a autorização real –, a jovem, então com 19 anos, foi capturada. “Embora seu julgamento, que durou seis meses, fosse eclesiástico, Joana D’Arc terminou por ser condenada pelo governo inglês, que, ligando suas vitórias militares à bruxaria, pôde justificar suas perdas. Eram derrotas consideradas mais humilhantes por serem para uma mulher", diz a professora inglesa Mary Gordon, autora do livro Joana D’Arc. “A guerreira foi acusada de herege, relapsa e idólatra e levada a morrer na fogueira.” No dia 30 de maio de 1431, Joana caminhou acorrentada até uma praça no centro de Rouen, onde prenderam-na a uma estaca. Uma vez dentro do fogo, ela gritou mais de seis vezes ‘Jesus!’, teria contado um dos carrascos. Seu corpo carbonizado, acabou exposto em praça pública à multidão. Os restos mortais foram queimados e as cinzas atiradas ao rio Sena para impedir o culto. Mas o mito de Joana só aumentou.

Roma: nasce um império

No começo das guerras contra Cartago, Roma não era nada. Cem anos depois, estava controlando o mundo
por Textos Patrícia Pereira

Foi o reino de Cartago quem transformou Roma em uma grande potência. Quando as duas cidades entraram em guerra pela primeira vez, Roma era um vilarejo metido a besta, que tinha acabado de dominar o resto da Itália e ainda estava formando um exército. Cartago era o centro do mundo. Seus navios controlavam o Mar Mediterrâneo, que era o único pedaço de oceano que realmente importava na época. Cem anos depois, quando o terceiro conflito acabou, Cartago tinha sido destruída, enquanto Roma estava pronta para conquistar o planeta.

Para entender essa história, precisamos voltar ao ano 264 a.C.. Fundada por fenícios na atual Tunísia, no norte da África, Cartago ia muito bem até Roma começar a crescer. O primeiro choque entre as duas cidades aconteceu numa disputa pelo controle da Sicília, que deu início à Primeira Guerra Púnica (o nome esquisito vem de punici, ou “fenícios”, como os romanos se referiam aos cartagineses). As primeiras lutas foram em terra, com a vitória de Roma. Os romanos passaram a dominar quase toda a Sicília, mas Cartago ainda controlava o mar. Vieram então as batalhas marítimas, vencidas novamente pelos romanos.

Disposta a acabar de vez com a guerra, Roma enviou um forte exército direto para a África em 256 a.C. Quase venceu, mas no final Régulo acabou tendo que recuar. Em 247 a.C., Amílcar Barca assumiu o comando das forças de Cartago e atacou cidades ao sul da Itália. Roma reagiu e conseguiu recuperar quase todas as posições na Sicília e assumir a supremacia do Mediterrâneo. Cartago só teve uma alternativa: assinar um tratado de paz. Mas o filho de Amílcar não esqueceria essa humilhação.

Efeito surpresa

Depois da derrota, Cartago ocupou Espanha e Portugal disposta a se recuperar para voltar para a briga. A missão na Espanha foi confiada a Amílcar e, no ano 221 a.C., transferida a seu filho, Aníbal Barca. Aníbal começou logo a preparar uma nova guerra. Para penetrar na Itália, o novo líder apelou para o efeito-surpresa: em vez de viajar pelo mar, como qualquer um faria, resolveu invadir a Itália por terra. Acontece que existem os Alpes, uma cordilheira que protege o norte do país. Passar por ali era uma loucura sem tamanho, mas deu certo. Jogando em casa, os romanos só apanharam. Na batalha do lago Trasimeno, Aníbal criou uma armadilha espetacular: escondeu sua tropa em depressões cobertas pela névoa e atacou de surpresa.

Os romanos refugiaram-se nas montanhas, de onde passaram a fazer uma guerra de desgaste, com ataques a batalhões isolados e a grupos responsáveis pelo suprimento de armas e alimento. Os cartagineses dominavam a região, mas decidiram não avançar até Roma. Esse foi o maior erro de Aníbal: não destruir o império enquanto podia. O problema é que o general de Cartago era um cavalheiro. Naquela época, o reino que perdesse grandes batalhas tinha a obrigação de aceitar a derrota definitiva. Só que Roma era teimosa.

Teimosa mesmo. Além de não pedir trégua, ainda tentou reagir de novo, desta vez na região de Canas. Foi mais uma humilhação: Aníbal organizou as tropas para que o sol que nascia atrás de seus homens atrapalhasse a visão dos inimigos. Fez mais. Agrupou a infantaria mais fraca no meio, com uma poderosa cavalaria ao redor. No começo, os romanos pareciam ganhar fácil. Foi aí que caíram na armadilha de Aníbal: o centro cartaginês recuou, enquanto a cavalaria começou a atacar. Prensados uns contra os outros, os romanos mal conseguiam sacar as espadas. Foi um massacre.

E quem disse que os romanos desistiram? Com muita paciência e força de vontade, eles aproveitaram o cansaço das tropas adversárias para retomar a Sicília e o resto da Itália. Foi aí que entrou em cena o general romano Cipião. Primeiro ele atacou de surpresa a Espanha, onde estavam as bases do inimigo. Depois foi direto para Cartago. Aníbal teve de abandonar a Itália para defender sua terra. Esse lance final da guerra começou em 204 a.C. e terminou dois anos depois, com a batalha de Zamma, a primeira derrota de Aníbal. Então, Roma obrigou Cartago a destruir todos os seus navios de guerra.

Golpe de misericórdia

Mesmo sem marinha nem controle do Mediterrâneo, Cartago começou a se recuperar lentamente. Mas Roma estava de olho. Sem esperar que os africanos pisassem na bola e dessem pretexto para outra guerra, os romanos começaram a Terceira Guerra Púnica. Cartago fechou suas muralhas, construiu armas e resistiu heroicamente durante quatro anos. Depois de lutar casa a casa, sua população percebeu que seria vencida e decidiu atear fogo à cidade. Os romanos tomaram a fortaleza e jogaram sal no chão, para que nada mais fosse cultivado. Os sobreviventes foram vendidos como escravos, e Cartago virou uma pequena província, menor ainda do que Roma era no começo desta história.

O bigode de Charles Chaplin

Hynkel, o tirano vivido por Charles Chaplin em O Grande Ditador (1940), perseguia judeus e queria conquistar o mundo. Associar o líder da fictícia Tomânia a Adolf Hitler é fácil, mas a semelhança física entre os dois deixou ainda mais óbvia a sátira. Além do físico franzino e do fato de ambos terem a mesma idade (nasceram em abril de 1889, com quatro dias de diferença), um detalhe consolidou de vez a piada de Chaplin: o bigodinho postiço.

Duas peças foram confeccionadas para o personagem, garantindo que ninguém visse Hynkel sem pensar em Hitler. Após as filmagens, os bigodes foram dados pelo ator ao historiador francês Maurice Bessy, amigo e autor de uma biografia sobre Chaplin. Bessy, que foi diretor artístico do Festival de Cannes nos anos 70, recolheu preciosidades cinematográficas durante décadas e chegou a possuir uma coleção avaliada em torno de 130 mil euros (cerca de 340 mil reais). Ele tinha vários objetos de Chaplin, além de outras relíquias do cinema, como o veículo lunar usado por Sean Connery em 007 – Os Diamantes São Eternos (1971).

Em dezembro de 2004, em um leilão na casa Christie's, de Londres, os bigodes foram vendidos por quantias muito acima da expectativa, que girava em torno de 3 mil e 5 mil libras (15,6 mil e 26 mil reais na época). Um deles foi arrematado por 18 mil libras, cerca de 94 mil reais. O outro, usado menos vezes por Chaplin, alcançou o valor de 11,9 mil libras, aproximadamente 62 mil reais. Segundo o que um dos organizadores do leilão afirmou, o valor dos bigodes não parece tão exagerado se considerarmos a importância de O Grande Ditador para o cinema. Chaplin criou o roteiro em 1939, quando a Alemanha invadiu a Polônia e dava início à Segunda Guerra. O longa, o primeiro com som de sua carreira, foi censurado no Brasil pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) por ser considerado “comunista” e “desmoralizador das Forças Armadas.” Somente após a guerra ele pôde ser assistido no país.

Os novos donos dos bigodes não se identificaram. No mesmo leilão, foram arrematados um apito usado por Chaplin em Luzes da Cidade (1931) – vendido por cerca de 15 mil reais – e a bengala do personagem Carlitos em Tempos Modernos (1933), que saiu por módicos 250 mil reais.

A INVENSÃO DO GRITO

A imagem de d. Pedro I desembainhando a espada no alto do Ipiranga é uma das representações mais populares da história do Brasil. Há muitas décadas ela figura em livros didáticos e ilustra páginas de revistas e jornais por ocasião das comemorações da Independência. Diante dela temos a impressão de sermos testemunhas do evento histórico, aceito naturalmente como o “marco zero” da fundação da nação. No entanto, essa imagem é fruto da imaginação de um artista que nem mesmo tinha nascido no momento em que o episódio ocorreu.

Historiadores têm demonstrado que foram necessárias muitas décadas para que o hoje famoso episódio do “Grito do Ipiranga” adquirisse o status que ele possui no contexto das narrativas sobre a Independência. Como demonstra a pesquisadora Cecília Helena Salles de Oliveira em seu estudo sobre o tema, a data de 7 de setembro não foi considerada, de início, particularmente relevante como marco simbólico da formação da nação, nem pela imprensa, nem pelo próprio d. Pedro.

Em carta dirigida aos paulistas, no dia seguinte ao episódio ocorrido às margens do Ipiranga, o príncipe fala da necessidade urgente de retornar ao Rio de Janeiro em função das notícias recebidas de Portugal. Na longa carta, não há qualquer referência ao “grito”. A Independência do Brasil não estava inteiramente consumada. Dependia também de negociações políticas. Também em carta dirigida ao seu pai a 22 de setembro, d. Pedro não faz referência ao evento.

Da mesma forma, os jornais de época, que ensaiaram as primeiras narrativas sobre a Independência do Brasil, não traziam qualquer menção à data de 7 de setembro. O Correio Braziliense, por exemplo, publicou uma notícia declarando a data de 1º de agosto como marco da emancipação. Era a data em que o príncipe enviou o Manifesto às Províncias do Brasil, no qual se desobrigava de obedecer às ordens das Cortes de Lisboa. O redator do jornal Regulador Brasileiro, por sua vez, apontaria a data de 12 de outubro, na qual ocorreu a aclamação de d. Pedro I como Imperador do Brasil, como o verdadeiro marco da criação da jovem nação. Outras datas, como o 9 de janeiro, dia do “Fico”, em que d. Pedro I recusou-se a embarcar para Portugal desobedecendo as ordens dadas pelas Cortes de Lisboa, ou a de 1o de dezembro, data da coroação, foram mencionadas, mas nunca o 7 de setembro.

Laurentino Gomes dá sequência a 1808

Novo livro do jornalista, 1822, trata do processo de independência e será lançado no feriado de 07 de setembro
por Camila Carvas
Divulgação
O autor se consagrou ao utilizar a narrativa jornalística para tratar de temas históricos
Em 2007, o jornalista e escritor paranaense Laurentino Gomes abalou algumas das certezas do mercado, entre elas, a de que romance histórico poderia cair no gosto de uma grande massa de leitores, mas não um trabalho sobre fatos reais do passado, fruto de meticulosa pesquisa documental. Pois bem, naquele ano, ele colocou 1808, um livro de história do Brasil, nas listas dos mais vendidos por semanas a fio. E se tornou um fenômeno editorial.

Agora, o mesmo autor está lançando um novo provável best-seller, 1822. A narrativa é retomada exatamente do ponto onde 1808 parou, o que é um trunfo a mais para atrair os milhares de leitores que já haviam se deliciado com as aventuras vividas pela família real portuguesa na sua maior colônia. Desta vez, a narrativa se concentra no Brasil que a família real deixou, para retornar à Lisboa, em 1821.

Laurentino, em entrevista a Historia Viva em setembro passado, revelou ter lido cerca de 80 livros sobre o tema, que se somaram às mais de 150 fontes usadas na pesquisa da obra anterior. “Vou falar do Grito do Ipiranga, das enormes dificuldades do Primeiro Reinado, da abdicação de D. Pedro em 1831, da sua volta a Portugal para enfrentar o irmão, D. Miguel, que havia usurpado o trono, e sua morte em 1834”, contou na ocasião.

Com 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil, fruto de pesquisa de dez anos, Laurentino conseguiu a rara marca de mais de 500 mil exemplares vendidos aqui e em terras portuguesas.

Acordo de paz exige nova abordagem, diz Netanyahu

Um acordo de paz com os palestinos exigirá uma nova e criativa abordagem a questões que não puderam ser resolvidas no passado, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no domingo.

Netanyahu, que acaba de voltar de uma viagem a Washington para um encontro com o presidente palestino Mahmoud Abbas no qual os dois líderes concordaram em chegar a um acordo base dentro de um ano, não deu indicações sobre novas ideias que possa ter em mente.

As negociações de paz, que foram reiniciadas na quinta-feira em meio ao ceticismo em Israel e nos territórios palestinos, já enfrentarão um obstáculo logo no começo pois uma moratória na construção de novas residências de israelenses em territórios palestinos vence no dia 26 de setembro.

Netanyahu tem resistido à idéia de estender a moratória e Abbas tem ameaçado desistir das negociações se a construção de novas casas na região continuar. Os palestinos veem a construção de casas nos territórios ocupados na guerra de 1967 como obstáculo à criação do Estado que eles desejam.

Para as negociações terem sucesso, "teremos de aprender as lições dos 17 anos de experiência em negociações de paz e pensar com criatividade", disse Netanyahu a repórteres numa sessão ministerial, referindo-se ao processo de paz que começou com um acordo interino em Oslo em 1993.

"Para conseguir chegar a soluções práticas, teremos de pensar em novas soluções para problemas antigos. Acho que é possível."

Numa entrevista à TV palestina, Abbas disse que as negociações primeiro vão se concentrar nas questões de fronteiras e segurança. Isso inclui o futuro de novas construções nos territórios palestinos e a exigência de Israel de que um Estado palestino independente não represente uma ameaça militar ao país judeu.

"Se houver avanço nessas duas questões, acho que as negociações continuarão e, se não houver avanço e Israel insistir em voltar a construir, acho que a situação ficará muito difícil", disse Abbas.

Abbas e Netanyahu devem se encontrar no Egito nos dias 14 e 15 de setembro para sessões de negociação em que também deve estar presente a secretária de Estado americana Hillary Clinton.

fonte estadão


Massacre no México gera conflito entre Equador e Honduras

O Continente Sul-Americano vive nova crise, desta vez entre o Equador e Honduras. O presidente do Equador, Rafael Correa, chamou hoje (4) de "insolente" o ministro das Relações Exteriores de Honduras, Mario Canahuati. A tensão foi causada porque Correa revelou publicamente que havia um segundo sobrevivente, de origem hondurenha, do massacre que matou 72 imigrantes na fronteira entre o México e os Estados Unidos.

Horas depois da revelação de Correa, o governo do México confirmou a informação. Mas antes da confirmação sobre a existência de um segundo sobrevivente, o chanceler hondurenho chamou o presidente equatoriano de “irresponsável”. Indignado com a crítica, Correa respondeu e hoje divulgou nota reagindo ao governo de Honduras.

"Então vem este insolente chanceler ilegítimo de Honduras dizer que o presidente Correa é irresponsável. Eu não vou nem perder tempo respondendo”, disse Correa, referindo-se à polêmica sobre a suspensão de Honduras da Organização dos Estados Americanos (OEA) desde o golpe de Estado que depôs o então presidente Manuel Zelaya, em junho de 2009.

Inicialmente, as autoridades mexicanas confirmaram que havia apenas um sobrevivente – o equatoriano Luis Freddy Lala. Porém, em entrevista coletiva, Lala disse que havia outros sobreviventes, um deles hondurenho. Logo depois, a informação foi confirmada pelo governo do México.

As autoridades mexicanas mantêm sob sigilo a identidade do segundo sobrevivente e ele é protegido por um forte esquema de segurança. Há duas semanas, 72 imigrantes, inclusive um brasileiro já identificado, foram brutalmente assassinados em uma fazenda próxima a Reynosa, no estado de Tamaulipas, na fronteira do México com os Estados Unidos.

As investigações do crime ainda não apontaram os responsáveis, mas o governo mexicano atribui ao cartel denominado Los Zetas. Paralelamente é feita a identificação dos corpos. A Polícia Federal do Brasil vai ajudar nos trabalhos de perícia.

As informações são da Agência Pública de Notícias do Equador e Sulamérica (Andes), que é a imprensa estatal equatoriana. O conflito entre Equador e Honduras ocorre no momento em que Venezuela e Colômbia acabam de selar a paz, depois de um longo período de impasse por divergências no combate aos guerrilheiros que atuam na região fronteiriça dos dois países.

Mercadante reduz em oito pontos vantagem de Alckmin,

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, reduziu em oito pontos a diferença para o seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), primeiro colocado na disputa. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sábado pelo jornal "Folha de S.Paulo", Mercadante subiu quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, chegando a 24% das intenções de voto. Alckmin caiu quatro pontos, mas ainda venceria no primeiro turno com 50%.

Celso Russomanno (PP) permanece com 7%, e Paulo Skaf (PSB) continua com 3%. Os candidatos Fabio Feldmann (PV), Paulo Bufalo (PSOL) e Mancha (PSTU) têm 1% cada um, e Anaí Caproni (PCO) não pontuou. Brancos e nulos somam 5%, e 9% dos entrevistados estão indecisos.

Pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira também apontou a liderança do tucano, com 51% das intenções de votos. Mercadante teria 20%; Russomano, 7%; Skaf, 2%, e Feldman, 1%.

Se considerados apenas os votos válidos - excluídos brancos e nulos -, Alckmin venceria Mercadante por 58% a 27%.

Na pesquisa espontânea, tucano também vence o petista por 28% a 15%. Não opinaram 44%.

O Datafolha ouviu 2.050 eleitores entre os dias 1º e 2 de setembro em 60 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) sob o número 80.895/2010.

Da Agência O Globo

Vaticano se pronuncia sobre caso Sakineh

O Vaticano acompanha "há dias e com muita atenção tudo o que ocorre no Irã com relação ao caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani", a iraniana condenada à morte por adultério. A afirmação foi dada por "fontes confiáveis" vaticanas à agência de notícias italiana Adnkronos.

"A Santa Sé confirma sua oposição à pena de morte, o que não é diferente neste caso", disse o Vaticano.

Ashtiani, de 43 anos, foi condenada em 2006 por manter uma "relação ilícita" com dois homens depois da morte de seu marido. Pouco depois foi condenada à morte por apedrejamento por adultério.

A informação chegou depois que o filho de Sakineh, Sajjad Ghaderzadeh, fizesse um chamado ao governo da Itália e ao Papa Bento XVI pedindo a intervenção para evitar a execução de sua mãe.

Sakineh também foi condenada a receber 99 chicotadas sob acusação de propagar corrupção e indecência. Segundo informações do filho da ré e da ONG Comitê Internacional contra o Apedrejamento, ela foi condenada depois que teve uma fotografia publicada em um jornal britânico. O não uso do véu islâmico é crime passível de prisão no Irã.

"O advogado de minha mãe, Hutan Kian, foi informado por detentas da penitenciária que acabavam de ser libertadas", explicou Sajjad, que estava na cidade de Tabriz, noroeste do Irã. - Ele entrou em contato com o juiz independente da penitenciária, que confirmou a pena.

O jornal britânico Times publicou na edição de 28 agosto a fotografia de uma mulher sem véu que apresentou como Ashtiani. A foto era, na realidade, de uma ativista política iraniana que mora na Suécia. Na edição de sexta-feira, o Times pediu desculpas aos leitores e explicou que a imagem havia sido entregue por Mohamad Mostafaei, segundo advogado de Sakineh, que disse ter obtido a mesma do filho Sakineh. Mas Sajjad Ashtiani negou que fosse sua mãe.

A condenação à morte por apedrejamento de Sakineh provocou uma ampla campanha internacional para evitar a execução, provisoriamente suspensa.

"Mas suspensa não quer dizer anulada" destacou o filho da iraniana em uma entrevista a Bernard-Henri Lévy publicada na sexta-feira no jornal Libération.

Esta semana, Sajjad Ghaderzade fez um apelo dramático ao presidente Lula para que não abandone a luta para salvá-la. Em entrevista, Sajjad disse que foi proibido de ver a mãe há uma semana e demonstrou aflição com o sumiço dos documentos do processo sobre o homicídio de seu pai, pelo qual Sakineh foi, segundo ele, injustamente condenada. O jovem de 21 anos tem vivido, ao lado da irmã Saide, de 17, um drama que comove o mundo.

Da Agência O Globo

Separatistas bascos anunciam cessar-fogo

O grupo separatista basco ETA afirmou que não vai mais realizar atentados em sua campanha por independência na Espanha. Em um vídeo obtido pela BBC e divulgado neste domingo, o grupo afirma que a decisão foi tomada há meses para "colocar em andamento um processo democrático". O governo espanhol se recusa a negociar com o ETA enquanto o grupo mantiver a luta armada.

Autoridades do ministério do interior recusaram-se a comentar o comunicado pelo ETA, que foi responsável por cerca de 850 mortes nos 40 anos em que tem lutado pela secessão do Estado basco no norte da Espanha e no sul da França. Nas últimas décadas, o ETA já havia anunciado cessar-fogo em duas ocasiões, mas nas duas vezes acabou abandonando a iniciativa.

No vídeo, três integrantes do ETA aparecem com máscaras ao lado de bandeiras do grupo separatista. A pessoa no meio lê um pronunciamento do ETA em defesa da luta armada pela independência do País Basco, mas no final afirma que o grupo agora quer atingir seu objetivo de forma pacífica e democrática.

"O ETA confirma o seu comprometimento com a busca de uma solução democrática para o conflito", afirma. "Nós pedimos aos cidadãos bascos que continuem seu esforço, cada um na sua área, com qualquer que seja o grau de comprometimento de cada um, para que nós possamos derrubar o muro da negação e possamos dar passos irreversíveis para frente, a caminho da liberdade."

O ETA ficou enfraquecido nos últimos anos depois que o governo espanhol capturou alguns de seus líderes. O chefe do grupo foi capturado em fevereiro no norte da França junto com dois altos oficiais do grupo guerrilheiro. Partidos políticos na região, que também defendem a independência do País Basco, vinham pedindo que o grupo renunciasse à violência.

"O ETA informa que há vários meses decidiu não realizar ataques armados", diz.

Em 2006, negociações pela paz foram interrompidas depois que uma bomba do ETA matou duas pessoas em um aeroporto em Madri.

Da Agência O Globo

Como será a bala de prata na campanha

Enviado por luisnassif, dom, 05/09/2010 - 09:24

Qual a bala de prata, a reportagem que será apresentada no Jornal Nacional na quinta-feira que antecederá as eleições, visando virar o jogo eleitoral, sem tempo para a verdade ser restabelecida e divulgada?

Ontem, no Sarau, conversei muito com um dos nossos convivas. Para decifrar o enigma, ele seguiu o seguinte roteiro:

1. Há tempos a velha mídia aboliu qualquer escrúpulo, qualquer limite. Então tem que ser o episódio mais ignóbil possível, aquele campeão, capaz de envergonhar a velha mídia por décadas mas fazê-la acreditar ser possível virar o jogo. Esse episódio terá que abordar fatos apenas tangenciados até agora, mas que tenham potencial de afetar a opinião pública.

2. Nas pesquisas qualitativas junto ao eleitor médio, tem sobressaído a questão da militância de Dilma Rousseff na guerrilha. Aliás, por coincidência, conversei com a Bibi que me disse, algo escandalizada, que coleguinhas tinham falado que Dilma era "bandida" e "assassina". Aqui em BH, a Sofia, neta do meu primo Oscar, disse que em sua escola - em Curitiba - as coleguinhas repetem a mesma história.

As diversas pesquisas de Ibope e Datafolha devem ter chegado a essa conclusão, de que o grande tema de impacto poderá ser a militância de Dilma na guerrilha. A insistência da Folha com a ficha falsa de Dilma e, agora, com a ficha real, no Supremo Tribunal Militar, é demonstração clara desse seu objetivo. Assim como a insistência de Serra de atropelar qualquer lógica de marketing, para ficar martelando a suposta falta de limites da campanha de Dilma – em cima de um episódio que não convenceu sequer a Lúcia Hipólito.

Aliás, o ataque perpetrado por Serra contra Lúcia – através do seu blogueiro – é demonstração cabal da importância que ele está dando à versão da falta de limites, mesmo em cima de um episódio que qualquer avaliação comezinha indicaria como esgotado.

A quebra de sigilo é apenas uma peça do jogo, preparando a jogada final.

A partir daí, meu interlocutor passou a imaginar como seria montada a cena.

Provavelmente alguém seria apresentado como ex-companheiro de guerrilha, arrependido, que, em pleno Jornal Nacional, diria que Dilma participou da morte de fulano ou beltrano. Choraria na frente da câmera, como o José Serra chora. Aí a reportagem mostraria fotos da suposta vítima, entrevistaria seus pais e se criaria o impacto.

No dia seguinte, sem horário gratuito não haveria maneiras de explicar a armação em meios de comunicação de massa.

Será um desafio do jornalismo brasileiro saber quem serão os colunistas que endossarão essa ignomínia – se realmente vier a ocorrer -, quem serão aqueles que colocarão seu nome e reputação a serviço esse lixo.

Essa loucura - que, tenho certeza, ocorrerá - será a pá de cal nesse tipo de militância de Serra e de falta de limites da mídia. Marcará a ferro e fogo todos os personagens que se envolverem nessa história. Incendiará a blogosfera. Todos os jornalistas que participarem desse jogo serão estigmatizados para sempre.

Todas essas possibilidades são meras hipóteses que parte do pressuposto da falta de limites total da velha mídia.

Mas a hipótese fecha plenamente.