sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mino, Faoro, o PiG (*) e o Irã: “A elite brasileira é entreguista”

Deve ser muito engraçado servir de apoio aos ricos



Republicamos o editorial de Mino Carta, na Carta Capital que chega hoje às bancas.

É uma sugestão do amigo navegante Sergio Soares Tomazzini, que disse: “se o Lafer tirou os sapatos, imagina o que o FHC tirou”.

Diz o Mino:

Os interesses dos impérios e os nossos

Ao ler os jornalões na manhã de segunda 17, dos editoriais aos textos ditos jornalísticos, sem omitir as colunas, sobretudo as de O Globo, me atrevi a perguntar aos meus perplexos botões se Lula não seria um agente, ocidental e duplo, a serviço do Irã. Limitaram-se a responder soturnamente com uma frase de Raymundo Faoro: “A elite brasileira é entreguista”.

Entendi a mensagem. A elite brasileira aceita com impávida resignação o papel reservado ao País há quase um século, de súdito do Império. Antes, foi de outros. Súdito por séculos, embora graúdo por causa de suas dimensões e infindas potencialidades, destacado dentro do quintal latino-americano. Mas subordinado, sempre e sempre, às vontades do mais forte.

Para citar eventos recentíssimos, me vem à mente a foto de Fernando Henrique Cardoso, postado dois degraus abaixo de Bill Clinton, que lhe apoia as mãos enormes sobre os ombros, em sinal de tolerante proteção e imponência inescapável. O americano sorri, condescendente. O brasileiro gargalha. O presidente que atrelou o Brasil ao mando neoliberal e o quebrou três vezes revela um misto de lisonja e encantamento servil. A alegria de ser notado. Admitido no clube dos senhores, por um escasso instante.

Não pretendo aqui celebrar o êxito da missão de Lula e Erdogan. Sei apenas que em país nenhum do mundo democrático um presidente disposto a buscar o caminho da paz não contaria, ao menos, com o respeito da mídia. Aqui não. Em perfeita sintonia, o jornalismo pátrio enxerga no presidente da República, um ex-metalúrgico que ousou demais, o surfista do exibicionismo, o devoto da autopromoção a beirar o ridículo. Falamos, porém, é do chefe do Estado e do governo do Brasil. Do nosso país. E a esperança da mídia é que se enrede em equívocos e desatinos.

Não há entidade, instituição, setor, capaz de representar de forma mais eficaz a elite brasileira do que a nossa mídia. Desta nata, creme do creme, ela é, de resto, o rosto explícito. E a elite brasileira fica a cada dia mais anacrônica, como a Igreja do papa Ratzinger. Recusa-se a entender que o tempo passa, ou melhor, galopa. Tudo muda, ainda que nem sempre a galope. No entanto, o partido da mídia nativa insiste nos vezos de antanho, e se arma, compacto, diante daquilo que considera risco comum. Agora, contra a continuidade de Lula por meio de Dilma.

Imaginemos o que teriam estampado os jornalões se na manhã da segunda 17, em lugar de Lula, o presidente FHC tivesse passado por Teerã? Ele, ou, se quiserem, uma neoudenista qualquer? Verifiquem os leitores as reações midiáticas à fala de Marta Suplicy a respeito de Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador dos Estados Unidos em 1969. Disse a ex-prefeita de São Paulo: por que só falam da “ex-guerrilheira” Dilma, e não dele, o sequestrador?

A pergunta é cabível, conquanto Gabeira tenha se bandeado para o outro lado enquanto Dilma está longe de se envergonhar do seu passado de resistência à ditadura, disposta a aderir a uma luta armada da qual, de fato, nunca participou ao vivo. Nada disso impede que a chamem de guerrilheira, quando não terrorista. Quanto a Gabeira, Marta não teria lhe atribuído o papel exato que de fato desempenhou, mas no sequestro esteve tão envolvido a ponto de alugar o apartamento onde o sequestrado ficaria aprisionado. E com os demais implicados foi desterrado pela ditadura.

Por que não catalogá-lo, como se faz com Dilma? Ocorre que o candidato ao governo do Rio de Janeiro perpetrou outra adesão. Ficou na oposição a Lula, primeiro alvo antes de sua candidata. Cabe outro pensamento: em qual país do mundo democrático a mídia se afinaria em torno de uma posição única ao atirar contra um único alvo? Só no Brasil, onde os profissionais do jornalismo chamam os patrões de colegas.

Até que ponto o fenômeno atual repete outros tantos do passado, ou, quem sabe, acrescenta uma pedra à construção do monumento? A verificar, no decorrer do período. Vale, contudo, anotar o comportamento dos jornalões em relação às pesquisas eleitorais. Os números do Vox Populi e da Sensus, a exibirem, na melhor das hipóteses para os neoudenistas, um empate técnico entre candidatos, somem das manchetes para ganhar algum modesto recanto das páginas internas.

Recôndito espaço. Ao mesmo tempo Lula, pela enésima vez, é condenado sem apelação ao praticar uma política exterior independente em relação aos interesses do Império. Recomenda-se cuidado: a apelação vitoriosa ameaça vir das urnas.

fonte blog conversa afiada.

Rio são Francisco.

Irrigação
 
- Segundo dados da CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), a área irrigada da bacia do São Francisco é de aproximadamente 340 mil ha, podendo chegar, com a vazão disponível no rio, a uma área de 800 mil ha. Com os usos múltiplos do rio e respeitando as vazões ditas ecológicas (infiltrações evaporação e consumo pelas plantas) a citada companhia estima que o rio só dispusesse de uma vazão aproximada de 240 m³/s, da qual a transposição irá subtrair cerca de 127 m³/s;
- A CEIVASF (Comitê Executivo de Estudos Integrados da Bacia Hidrográfica do São Francisco) afirma que a bacia do São Francisco possui 64 milhões de ha e, desse total, pelo menos 4,2% (cerca de 2,7 milhões de ha) são de terras boas para a irrigação, mas não há água suficiente para o atendimento de toda essa área;
- O pólo de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) implantado há mais de 30 anos, não ocupa nem a metade do seu potencial disponível para irrigação (100 mil ha frente a uma área irrigável de 230 mil ha). O pólo é gerador de 55 mil empregos, 700 mil toneladas de frutas por ano e 45 milhões de dólares em exportações;
- A água representa 8% dos custos em irrigação. No caso da transposição o custo chegará a 30% das despesas por conta dos recalques elevados.
 
Energia
 
- O São Francisco concentra 25% da área represada por hidrelétricas no país;
- Aproximadamente 2/3 do rio já se encontram alterados. A partir do lago de Sobradinho, num trecho de 1.000 km até a sua foz, a vazão obedece ao volume requisitado pelas 8 hidrelétricas da CHESF;
- A barragem de Sobradinho tem operado em regimes críticos. No ano de 2000, por exemplo, chegou a apresentar volume útil de 13%, obrigando a CHESF a importar cerca de 600 MW de energia da usina de Tucuruí (PA).
- Considerada como uma das prioridades do São Francisco, a geração de energia utilizou cerca de US$ 13 bilhões na construção das unidades geradoras.
- Para a CHESF, a transposição vai levar 1,5% do volume disponível para gerar energia. Esse volume equivale a 20% do que foi consumido no Ceará em 1999 ou ainda o suficiente para o atendimento de 325 mil famílias de consumo médio por ano. A CHESF atende a 14% do território nacional (25% de sua população) o que corresponde a aproximadamente nove milhões de consumidores;
- O São Francisco tem uma vazão média de aproximadamente 2.860 m³/s. Para a geração de energia, estão reservados 75% dessa vazão ( 2.100 m³/s) . Outros 520 m³/s formam a vazão utilizada na irrigação e a vazão ecológica mínima, sem a qual a enfermidade do rio pode resvalar para o coma. Portanto, vão levar com a transposição, cerca de 130 dos 240 m³/s restantes ao fornecimento ao semi-árido setentrion