domingo, 9 de maio de 2010

Irã - Governo Executa Adolescentes Gays

Irã: Governo Executa Adolescentes Gays

Texto de Marc Vallée, do Socialist Party (Grã-Bretanha), traduzido e adaptado por Charlie Drews, do movimento GLBTTs Socialistas.

Ele dizia que “as pessoas pensam que um retorno aos valores revolucionários é apenas uma questão de usar o turbante. O verdadeiro problema do país é o emprego e a moradia, não a vestimenta”. Durante a campanha ele se apresentou como um defensor dos pobres e atacou a corrupção e a riqueza das elites.

Porém, o novo regime procedeu a uma terrível execução pública de dois jovens gays em 19 de julho de 2005 pelo chamado “crime” de homossexualidade.

De acordo com relatos, os jovens foram enforcados na praça Edalat (justiça) na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã. Eles foram sentenciados a morte pela Corte no. 19. “O Estado do Irã aplica a lei islâmica Sharia que inclui a pena de morte a gays”.

Conduzindo as eleições, Ahmadinejad prometeu resistir a “decadência ocidental” e construir um “poderoso e moderno Estado islâmico”. Ele utilizou a oposição popular a corrupção da ordem para ganhar a disputa eleitoral. Entretanto sua verdadeira face tem começado a aparecer com este ataque aos direitos democráticos e a liberdade de expressão. Seus oponentes muitas vezes citam a observação, por ele, de que “o Irã não tem uma revolução em ordem para se ter uma democracia”. Apesar de aparentemente atacar a corrupção e a riqueza, Ahmadinejad não tem se oposicionado de maneira clara ao capitalismo, e com essas medidas fica claro que se governo tentará atacar os direitos democráticos dos trabalhadores e da juventude.

De acordo com relatos, antes da execução os adolescentes estavam na prisão por 14 meses, sendo tratados com severidade. Suas “confissões” de homossexualidade são prováveis resultados da tortura. A razão principal para a execução foi que um deles tivesse supostamente violado alguém de 13 anos, mas campanhas em defesa dos direitos humanos acreditam que isso foi uma invenção para tentar minar a simpatia pública pelos adolescentes.

O advogado do garoto mais jovem apelou alegando que ele era novo demais para ser executado, dizendo que a corte deveria levar sua pouca idade em consideração (acredita-se 16 ou 17). Este argumento não surgiu efeito na Suprema Corte do Tehran, que ordenou o enforcamento do garoto. O código penal iraniano prevê que a idade mínima para o enforcamento é de nove para as meninas e 15 para os meninos. (que já revela uma estrutura machista).

Essas execuções viciosas são um ataque aos direitos civis e democráticos de todo o povo trabalhador do Irã.

Campanhas iranianas em defesa dos direitos humanos reportam que cerca de quatro mil lésbicas e gays foram executados desde que os Aiatolás chegaram ao poder, em 1979. De acordo com comentadores cerca de 100 mil iranianos foram assassinados durante os últimos 26 anos pelas leis do clero. Há uma estimativa de um terço dessas vítimas são mulheres.As vítimas incluem mulheres que tiveram relações fora do casamento e oponentes políticos do direitista governo islâmico.

Os socialistas fazem um chamado a unidade de todos os trabalhadores na luta pelos direitos democráticos. É urgente que um movimento de toda a classe trabalhadora iraniana seja construído, e que lute pela defesa dos direitos democráticos de todos, o que inclui o direito a livre expressão sexual.

O CIO/CWI apóia a luta pela construção de uma assembléia constituinte revolucionária, democrática e radicalmente LAICA no Irã, para permitir que a classe trabalhadora, os pobres da cidade e os camponeses decidam o futuro do Irã, sem a interferência do clero de nenhuma religião. A construção do governo dos trabalhadores deve brecar o capitalismo e inserir a implantação de medidas socialistas.

A construção de um governo socialismo, democrático e laico deverá por fim a discriminação de gênero e por orientação sexual, permitindo assim o direito como as pessoas conduzirão suas próprias vidas. Isso permitirá a expressão pessoal e a repressão será extinta para todos.

Irã Atual

Irã é o nome atual da antiga Pérsia, que foi cenário de muitas histórias bíblicas. Entre elas encontram-se a história de Daniel na cova dos leões, a luta de Ester e Mardoqueu para salvar o povo judeu, e o serviço de Neemias ao rei.

O país está estrategicamente localizado no Oriente Médio. Seu território é formado por platôs desérticos cercados de montanhas.

População

Os persas, principal etnia do Irã, compõem apenas metade da população de 65 milhões. O restante da população se divide entre os grupos: árabe, azeri, baluche, curdo, gilaki, lur, mazandarani e turcomano. São faladas 77 línguas no país.

A religião oficial do país é o islamismo, e os xiitas são a maioria. Existem pequenas minorias de zoroastras, bahaístas, judeus e cristãos.

História

A história do Irã iniciou-se em tempos bastante remotos. No século VI a.C., Ciro, o Grande, unificou os exércitos dos medos e dos persas para formar o Império Persa, um dos maiores impérios que o mundo conheceu. O rei Dario continuou a expansão do império e alcançou a cordilheira do Hindu Kush, na atual fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.

Mais tarde, Alexandre, o Grande, sobrepujou o Império Persa e o anexou a seu próprio império. O Império Alexandrino foi sucedido pelo Império Sassânida, que restaurou a cultura persa e governou até 640, quando foi derrotado pelos árabes.

Durante as dissidências e divisões ocorridas nos anos posteriores a Maomé, o Irã tornou-se intimamente associado ao islamismo xiita.

Em 1200, uma esmagadora invasão dos exércitos mongóis devastou o país. O Irã mal havia se recuperado deste golpe quando os exércitos de Tamerlão (o último grande conquistador da Ásia Central) avançaram sobre o território persa e conquistaram cidades como Shiraz e Esfahan, ainda que mais lentamente do que a primeira invasão mongol.

A dinastia Safávida chegou ao poder em 1501, após a desintegração do Império de Tamerlão, e governou até 1722, quando foi derrubada por uma efêmera invasão afegã. Em 1796, a dinastia Kajar chegou ao poder e governou até o início do século XX.

Na história mais recente, o xá Reza Pahlevi assumiu o poder em 1962 e iniciou uma série de reformas visando a modernização do país. Suas mudanças levaram as alas conservadoras a tomar o poder. O aiatolá Khomeini assumiu o governo em 1979, derrubando a monarquia e obrigando o xá ao exílio. Foi estabelecido um sistema teocrático de governo. Esse sistema dava o poder religioso à autoridade, que passava a ser conhecida como "líder supremo'". Após a morte de Khomeini, em 1989, o novo governo procurou manter-se teocrático, ao mesmo tempo em que procurava uma postura mais moderada.

Economia

A economia iraniana é baseada no petróleo. Além desse combustível e de seus derivados, o país é conhecido pela tapeçaria, que também é exportada.

O Irã se desenvolveu de forma significativa, mas grande parte do progresso foi perdida nas décadas seguintes à revolução de 1979, e o crescimento da economia tem sido moderado.

Em anos recentes, o Irã adotou uma postura mais moderada e menos oposicionista ao Ocidente. No entanto, apesar dessa abertura, o país continua fechado e mantém uma força policial secreta para exterminar qualquer oposição sem qualquer preocupação com os direitos humanos.

O país sofre com o alto índice de desemprego e com a inflação, que chegou a 26% em junho de 2008. Com o desemprego, a bem-educada juventude iraniana emigra em busca de emprego em outros países.


A Igrejavoltar ao topo

A Igreja está presente no país desde épocas remotas, como do Antigo Testamento. Mas, com a chegada do islamismo no Irã, ela começou a sofrer opressão.

Depois da Revolução Islâmica, em 1979, a situação da Igreja mudou drasticamente, resultando na queda do número de cristãos nas igrejas oficiais, principalmente por causa da emigração para outros países.

As igrejas oficiais (registradas no governo) têm, juntas, cerca de 150 mil membros. A maior parte desses é de origem armênia ortodoxa, mas há também alguns milhares de protestantes e católicos romanos. Quase todos vieram de famílias cristãs.

Não se sabe exatamente o total de ex-muçulmanos.

No geral, a Igreja tem crescido, e de forma estruturada, organizando os cristãos em congregações ou células.


A perseguiçãovoltar ao topo

Embora os direitos de cristãos, judeus e zoroastras sejam assegurados pela Constituição, na prática, todos são vítimas de retaliação e perseguição. As restrições e a perseguição ao cristianismo têm se multiplicado rapidamente nos últimos anos.

O governo do Irã está consciente do desdobramento da Igreja nas últimas décadas. Ele tem procurado impedir e tornar impossível o crescimento dos cristãos.

É permitido que igrejas ligadas à minorias étnicas ensinem a Bíblia ao seu próprio povo e em sua língua. No entanto, essas igrejas são proibidas de pregar em persa, a língua oficial do país.

Muitas igrejas recebem visitantes durante seus cultos, alguns deles, entretanto, são da polícia secreta e monitoram as reuniões.

Cristãos ativos sofrem pressão. São interrogados, detidos e, às vezes, presos e agredidos. Casos mais críticos envolvem até a execução.

Os muçulmanos que se convertem ao cristianismo são rotineiramente interrogados e espancados. Além disso, acredita-se que muitos homicídios não esclarecidos são praticados por radicais que frequentemente ameaçam os cristãos de morte.

Além da violência exercida pelas autoridades, os ex-muçulmanos são também oprimidos pela sociedade. Eles têm dificuldade em encontrar e manter um emprego, pois são demitidos quando se descobre que são convertidos. Aqueles que começam um negócio próprio têm problemas em fazer a clientela. Para esses cristãos, é difícil ganhar dinheiro.

Em 2008, aconteceu um grande número de ataques a igrejas domésticas e muitos cristãos foram presos, fazendo desse um dos anos mais difíceis para a Igreja desde a Revolução Islâmica em 1979.

Em agosto do mesmo ano, um casal cristão com cerca de 60 anos de idade morreu depois de serem atacados pela polícia secreta. Policiais invadiram o culto que era realizado na casa do casal, na cidade de Isfahan, e agrediu os dois.

A polícia prendeu Abbas Amiri, herói de guerra e ex-muçulmano, no dia 17 de julho, com outras 15 pessoas presentes no culto. O anfitrião morreu em um hospital no dia 30 de julho em decorrência dos ferimentos. A esposa dele, Sakineh Rahnama, morreu no domingo, 3 de agosto, também por não resistir aos ferimentos.

Em 2003, outro militar convertido foi preso, mas, dessa vez, foi condenado à morte. Hamid Pourmand era um ex-militar que se tornou pastor da Assembleia de Deus. Mesmo passados 25 anos de sua conversão, ele enfrentou um julgamento que poderia levá-lo à execução por deixar a fé muçulmana.

Sentenciado a três anos de cadeia, o ex-coronel foi dispensado de forma desonrosa do exército e privado de seus benefícios e pensão militar. Sua esposa e filhos, que ficaram sem sustento, tiveram de sair da casa em que viviam.

Entretanto, em uma audiência no dia 28 de maio de 2005, o tribunal islâmico considerou Hamid inocente. As autoridades prisionais de Teerã, de forma bastante discreta, mandaram o cristão Hamid Pourmand para casa informando que ele não precisaria cumprir os 14 meses restantes de sua sentença de 3 anos.

Depois da libertação, em 20 de julho de 2005, o pastor Hamid foi avisado de que frequentar cultos poderia fazer com que sua ordem de libertação fosse revogada e ele seria mandado de volta para cumprir o restante da pena.

2008 Report on International Religious Freedom

Cuba Aniversario

Lembrarão morte de José Martí em seu 115º aniversário

Idania Rodríguez Echevarría

O Comitê de Instituições Martianas lembrará a morte em combate de José Martí em seu 115º aniversário, com um programa que inclui até 28 de maio conferências, mesas-redondas, lançamentos de livros e exposições.

Em coletiva, a diretora do Centro de Estudos Martianos, Ana Sánchez, anunciou que a data que se comemora em 19 de maio teve como preâmbulo a inauguração da mostra "Martí no alto do Turquino" que permanece aberta na Frágua Martiana.

Precisou que o ato nacional será em Dos Ríos, na província de Granma, em horas da manhã, e à noite, a dupla Buena Fe oferecerá um concerto nesse próprio território.

Além disso, o movimento juvenil martiano reeditará a rota martiana de Playita de Cajobabo a Dos Rios com 7.750 jovens dessa localidade do oriente cubano.

A dirigente significou também a Mesa-Redonda Instrutiva da Televisão Cubana no mesmo dia 19, com um importante grupo de personalidades e o painel "A poesia em Martí e Lezama", que será no dia 28 na Sociedade Cultural José Martí.

Este contexto foi propício para a apresentação das reflexões "Dos Ríos e o ascensão à imortalidade", pelo doutor Armando Hart Dávalos, diretor do Escritório do Programa Martiano.

Durante sua dissertação, Hart se referiu aos momentos importantes da vida e obra do mais universal dos cubanos e insistiu na necessidade do estudo de seu pensamento pelas novas gerações. (AIN)

Costa Rica elege sua primeira presidente.

Laura Chinchilla se convierte en primera presidenta de Costa Rica

La presidenta Laura Chinchilla ha prometido escuchar y deliberar con todos los costarricenses.

La socialdemócrata Laura Chinchilla Miranda, de 51 años de edad, se ha convertido en la primera mujer que llega a la presidencia de Costa Rica al ser investida en el cargo como la mandataria número 49 del país centroamericano.

Chinchilla ha prestado juramento y recibido la banda presidencial del presidente del Congreso, Luis Gerardo Villanueva, a las 11:35 hora local (17:35 GMT) en el Parque Metropolitano La Sabana ante unas 10.000 personas y en presencia de nueve jefes de Estado y el Príncipe de Asturias.
fonte jornal el mundo

Belo Monte.

A polêmica em torno da construção da usina de Belo Monte na Bacia do Rio Xingu, em sua parte paraense, já dura mais de 20 anos. Entre muitas idas e vindas, a hidrelétrica de Belo Monte, hoje considerada a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, vem sendo alvo de intensos debates na região, desde 2009, quando foi apresentado o novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) intensificando-se a partir de fevereiro de 2010, quando o MMA concedeu a licença ambiental prévia para sua construção


O s movimentos sociais e as lideranças indígenas da região são contrários à obra porque consideram que os impactos socioambientais não estão suficientemente dimensionados. Em outubro de 2009, por exemplo, um painel de especialistas debruçou-se sobre o EIA e questionou os estudos e a viabilidade do empreendimento. Um mês antes, em setembro, diversas audiências públicas haviam sido realizadas sob uma saraivada de críticas, especialmente do Ministério Público Estadual, seguido pelos movimentos sociais, que apontava problemas em sua forma de realização.


A inda em outubro, a Funai liberou a obra sem saber exatamente que impactos causaria sobre os índios e lideranças indígenas kayapó enviaram carta ao Presidente Lula na qual diziam que caso a obra fosse iniciada haveria guerra. Para culminar, em fevereiro de 2010, o Ministério do Meio Ambiente concedeu a licença ambiental, também sem esclarecer questões centrais em relação aos impactos socioambientais.


O governo federal anuncia para o mês de abril próximo, o leilão da usina.


Veja abaixo um resumo dessa história que teve início em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará, com a realização do I Encontro dos Povos Indígenas no Xingu.


Realizado entre 20 e 25 de fevereiro de 1989, em Altamira (PA), o I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, reuniu três mil pessoas - 650 eram índios - que bradaram ao Brasil e ao mundo seu descontentamento com a política de construção de barragens no Rio Xingu. A primeira, de um complexo de cinco hidrelétricas planejadas pela Eletronorte, seria Kararaô, mais tarde rebatizada Belo Monte. De acordo com o cacique Paulinho Paiakan, líder kaiapó e organizador do evento ao lado de outras lideranças como Raoni, Ailton Krenak e Marcos Terena, a manifestação pretendia colocar um ponto final às decisões tomadas na Amazônia sem a participação dos índios. Tratava-se de um protesto claro contra a construção de hidrelétricas na região.


Encontro de Altamira reuniu 3 mil pessoas, 650 índios, entre elas, e foi considerado um marco do socioambientalismo no Brasil.

Em 2008, 19 anos depois, realizou-se em Altamira o II Encontro dos Povos Indígenas do Xingu e daí nasceu o Movimento Xingu Vivo para Sempre.
# Saiba mais no item Notícias deste Especial.

Na memória dos brasileiros, o encontro ficou marcado pelo gesto de advertência da índia kaiapó Tuíra, que tocou com a lâmina de seu facão o rosto do então diretor da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, aliás presidente da estatal durante o governo FHC. O gesto forte de Tuíra foi registrado pelas câmaras e ganhou o mundo em fotos estampadas nos principais jornais brasileiros e estrangeiros. Ocorrido pouco mais de dois meses após o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em Xapuri (AC), que teve repercussão internacional, o encontro de Altamira adquiriu notoriedade inesperada, atraindo não apenas o movimento social e ambientalista, como a mídia nacional e estrangeira.

O I Encontro dos Povos Indígenas foi o resultado de um longo processo de preparação iniciado um ano antes, em janeiro de 1988, (veja o item Histórico) depois que o pesquisador Darrel Posey, do Museu Emílio Goeldi do Pará, e os índios kaiapó Paulinho Paiakan e Kuben-I participaram de seminário na Universidade da Flórida, no qual denunciaram que o Banco Mundial (BIRD) liberara financiamentos para construir um complexo de hidrelétricas no Rio Xingu sem consultar os índios. Convidados por ambientalistas norte-americanos a repetir o depoimento em Washington lá foram eles. E, por causa disso, Paiakan e Kube-I acabaram enquadrados pelas autoridades brasileiras, de forma patética, na Lei dos Estrangeiros e, por isso, ameaçados de serem expulsos do país. O Programa Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), uma das organizações que deu origem ao Instituto Socioambiental (ISA), convidou Paiakan a vir a São Paulo, denunciou o fato e mobilizou a opinião pública contra essa arbitrariedade.
Para avançar na discussão sobre a construção de hidrelétricas, lideranças kaiapó reuniram-se na aldeia Gorotire em meados de 1988 e decidiram pedir explicações oficiais sobre o projeto hidrelétrico no Xingu, formulando um convite às autoridades brasileiras para participar de um encontro a ser realizado em Altamira (PA). A pedido de Paiakan, o antropólogo Beto Ricardo e o cinegrafista Murilo Santos, do Cedi, participaram da reunião, assessorando os kaiapó na formalização, documentação e encaminhamento do convite às autoridades. Na seqüência, uniram-se aos kaiapó na preparação do evento. O encontro finalmente aconteceu e o Cedi, com uma equipe de 20 integrantes, reforçou sua participação naquele que seria, mais tarde, considerado um marco do socioambientalismo no Brasil. Ao longo desses anos, o Cedi, e depois o ISA, acompanharam os passos do governo e da Eletronorte na questão de Belo Monte, alertas para os impactos que provocaria sobre as populações indígenas, ribeirinhas e todo o ecossistema da região.

Listada no governo FHC como uma das muitas obras estratégicas do programa Avança Brasil, a construção do complexo de hidrelétricas no Rio Xingu faz parte da herança legada ao governo Lula, eleito em novembro de 2002. Herança que era bem conhecida. Tanto assim, que o caderno temático O Lugar da Amazônia no Desenvolvimento do Brasil, parte do Programa do Governo do presidente eleito, alertava: “Dois projetos vêm sendo objeto de intensos debates: a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e o de Gás de Urucu, no Amazonas. Além desses também preocupam as 18 barragens propostas na Bacia do Rio Araguaia e Tocantins. A matriz energética brasileira, que se apóia basicamente na hidroeletricidade, com megaobras de represamento de rios, tem afetado a Bacia Amazônica. Considerando as especificidades da Amazônia, o conhecimento fragmentado e insuficiente que se acumulou sobre as diversas formas de reação da natureza em relação ao represamento em suas bacias, não é recomendável a reprodução cega da receita de barragens que vem sendo colocada em prática pela Eletronorte”.

Decisão ficou para o governo Lula

Exemplos infelizes como a construção das usinas hidrelétricas de Tucuruí (PA) e Balbina (AM), as últimas construídas na Amazônia, nas décadas de 1970 e 1980, estão aí de prova. Desalojaram comunidades, inundaram enormes extensões de terra e destruíram a fauna e flora daquelas regiões. Balbina, a 146 quilômetros de Manaus, significou a inundação da reserva indígena Waimiri-Atroari, mortandade de peixes, escassez de alimentos e fome para as populações locais. A contrapartida, que era o abastecimento de energia elétrica da população local, não foi cumprida. O desastre foi tal que, em 1989, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), depois de analisar a situação do Rio Uatumã, onde a hidrelétrica fora construída, concluiu por sua morte biológica. Em Tucuruí não foi muito diferente. Quase dez mil famílias ficaram sem suas terras, entre indígenas e ribeirinhos. Diante desse quadro, em relação à Belo Monte, é preciso questionar a forma anti-democrática como o projeto vinha sendo conduzido, a relação custo-benefício da obra, o destino da energia a ser produzida e a inexistência de uma política energética para o país que privilegie energias alternativas.

Essas questões continuam a ser repisadas pelos movimentos sociais que atuam na região, como por exemplo, o Movimento Xingu Vivo para Sempre, criado recentemente, e que reúne os que levam adiante a batalha contra a construção de Belo Monte e de outras hidrelétricas no Rio Xingu.

Empossado na presidência da Eletrobrás, em janeiro de 2003, o físico Luiz Pinguelli Rosa, declarou à imprensa que o projeto de construção de Belo Monte seria discutido e opções de desenvolvimento econômico e social para o entorno da barragem estariam na pauta, assim como a possibilidade de reduzir a potência instalada, prevista em 11 mil megawatts (MW) no projeto original.

A persistência governamental em construir Belo Monte está baseada numa sólida estratégia de argumentos dentro da lógica e vantagens comparativas da matriz energética brasileira. Os rios da margem direita do Amazonas têm declividades propícias à geração de energia, e o Xingu se destaca, também pela sua posição em relação às frentes de expansão econômica (predatória) da região central do país. O desenho de Belo Monte foi revisto e os impactos reduzidos em relação à proposta da década de 80. O lago, por exemplo, inicialmente previsto para ter 1.200 km2, foi reduzido, depois do encontro, para 400 km2. Os socioambientalistas, entretanto, estão convencidos de que além dos impactos diretos e indiretos, Belo Monte é um cavalo de tróia, porque outras barragens virão depois, modificando totalmente e para pior a vida na região.

Fonte;ISA

Nordeste

Obras do IFTE em Salgueiro estão avançadas

ifpe As obras do IFTE (ex CEFET) de Salgueiro estão praticamente concluídas, devendo a Unidade mais nova de Pernambuco entrar em funcionamento a partir do mês de julho próximo.

A escola construída com recursos do Governo Federal (cerca de três milhões de reais) constitui um complexo que ocupa área de 4.962 m², onde foram construídas 09 salas de aula com capacidade para 35 alunos cada; 08 laboratórios de cursos específicos; 01 biblioteca; 01 sala para vídeo conferência; 01 auditório com capacidade para 120 lugares; 01 laboratório para procedência de vegetais e outro para carne e leite, além do bloco administrativo.

ifpe

Segundo informações do Diretor Geral do Campus de Salgueiro, Professor Amâncio Holanda, a inauguração do IFET deve ocorrer possivelmente com a vinda do Presidente Lula a esta cidade, prevista para o mês de junho.

De acordo com Holanda, o início das aulas está previsto para 07 de julho. Acrescentou ainda que a Comissão Preparatória está trabalhando para Seleção dos alunos.

O projeto executado pela Construtora ENCOL foi concluído e o mobiliário já se encontra na Unidade Escolar.

Já foi realizado concurso para o corpo docente enquanto que para o corpo administrativo, deve ser lançado edital nos próximos dias.

Redação por Alvinho Patriota por Machado Freire.

Após o mandato

Lula afirmou que quando deixar o governo, no começo do ano que vem, quer "compartilhar" o conhecimento das "políticas públicas bem sucedidas". "Quero compartilhar esse aprendizado, uma autêntica lição de vida, com países mais pobres da América Latina e da África. Não sei se através de uma fundação. (...) Só quero transmitir aos outros a experiência que eu ganhei, porque os pobres não têm acesso aos governantes."

FONTE: G1