terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um rio que une regiões diferentes.

Rio da integração nacional, o São Francisco, descoberto em 1502, tem esse título por ser o caminho de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste. Desde as suas nascentes, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até sua foz, na divisa de Sergipe e Alagoas, ele percorre 2.700 km. Ao longo desse percurso, que banha cinco Estados, o rio se divide em quatro trechos: o Alto São Francisco, que vai de suas cabeceiras até Pirapora, em Minas Gerais; o Médio, de Pirapora, onde começa o trecho navegável, até Remanso, na Bahia; o Submédio, de Remanso até Paulo Afonso, também na Bahia; e o Baixo, de Paulo Afonso até a foz.

O rio São Francisco recebe água de 168 afluentes, dos quais 99 são perenes, 90 estão na sua margem direita e 78 na esquerda. A produção de água de sua Bacia concentra-se nos cerrados do Brasil Central e em Minas Gerais e a grande variação do porte dos seus afluentes é consequência das diferenças climáticas entre as regiões drenadas. O Velho Chico – como carinhosamente o rio também é chamado – banha os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Sua Bacia hidrográafica também envolve parte do Estado de Goiás e o Distrito Federal.

Os índices pluviais da Bacia do São Francisco variam entre sua nascente e sua foz. A poluviometria média vai de 1.900 milímetros na área da Serra da Canastra a 350 milímetros no semi-árido nordestino. Por sua vez, os índices relativos à evaporação mudam inversamente e crescem de acordo com a distância das nascentes: vão de 500 milímetros anuais, na cabeceira, a 2.200 milímetros anuais em Petrolina (PE).

Embora o maior volume de água do rio seja ofertado pelos cerrados do Brasil Central e pelo Estado de Minas Gerais, é a represa de Sobradinho que garante a regularidade de vazão do São Francisco, mesmo durante a estação seca, de maio a outubro. Essa barragem, que é citada como o pulmão do rio, foi planejada para garantir o fluxo de água regular e contínuo à geração de energia elétrica da cascata de usinas operadas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) – Paulo Afonso, Itaparica, Moxotó, Xingó e Sobradinho. É é assim que ela opera.

Depois de movimentarem os gigantescos geradores daquelas cinco hidrelétricas, as águas do São Francisco correm para o mar. Atualmente, 95% do volume médio liberado pela barragem de Sobradinho – 1.850 metros cúbicos por segundo – são despejados na foz e apenas 5% são consumidos no Vale. Nos anos chuvosos, a vazão de Sobradinho chega a ultrapassar 15 mil metros cúbicos por segundo, e todo esse excedente também vai para o mar.

A irrigação no Vale do São Francisco, especialmente no semi-árido, é uma atividade social e econômica dinâmica, geradora de emprego e renda na região e de divisas para o País – suas frutas são exportadas para os EUA e Europa. A área irrigada poderá ser expandida para até 800 mil hectares, nos próximos anos, o que será possível pela participação crescente da iniciativa privada.

O Programa de Revitalização do São Francisco, cujas ações já se iniciaram, contempla, no curto prazo, a melhoria da navegação no rio, providência que permitirá a otimização do transporte de grãos (soja, algodão e milho, essencialmente) do Oeste da Bahia para o porto de Juazeiro (BA) e daí, por ferrovia, para os principais portos nordestinos.

sábado, 9 de outubro de 2010

Da coesão social á participação demócratica.

Qualquer sociedade humana retira a sua coesão de um conjunto de actividades e projecto comuns, mas também, de valores partilhados, que constituem outros tantos aspectos da vontade viver juntos.Com o decorrer do tempo estes laços matérias e espirituais enriqueceram-se e tornaram-se, na memória individual e colectiva, uma herança cultural, no sentido mais lato do termo, que serve de base aos sentimentos de pertencer àquela comunidade,e de solidariedade.

Em todo mundo, a educação, sob as suas diversas formas, tem por missão criar, entre as pessoas, vínculos sociais que tenham a sua origem referenciais comuns.Os meios utilizados abrangem as culturas e as circunstancias mais diversas;em todos os casos, a educação tem como objectivo essencial o desenvolvimento do ser humano na sua dimensão social. Define-se como o veiculo de culturas e de valores, e como construção de um espaço de socialização, e como caminho de preparação de um projecto comum.

Actualmente, os diferentes modos de socialização estão sujeitos a duras provas, em sociedade ameaçadas pela desorganização e a ruptura dos laços sociais.Os sistemas educativos encontram-se, assim,submetidos a um conjunto a um conjunto de tensões, dado que se trata, concretamente, de respeitar a diversidade dos indivíduos e dos grupos humanos, mantendo, contudo o principio da homogeneidade que implica a necessidade de observar regras comuns.Neste aspecto, a educação enfrenta enormes desafios, e depara com uma contradição quase impossível de resolver: por um lado, é a acusada de estar na origem de muitas exclusões sociais e de agravar o desmantelamento do tecido social, mas por outro, é a ela que se faz apelo, quando se pretende restabelecer algumas das semelhanças essenciais á vida colectiva de que falava o sociólogo francês Emile Durkheim, no inicio deste século.

CONCLUSÃO.
O desenraizamento ligado as migrações e ao êxodo rural, o desmembramento das famílias, a urbanização desordenada, a ruptura das solidariedades tradicionais de vizinhança lançam muitos grupos e indivíduos no isolamento e na marginalização, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. A crise social do mundo actual conjuga-se com uma crise moral, e vem acompanhada do desenvolvimento da violência da criminalidade. A ruptura dos laços de vizinhança manifesta-se no aumento dramático dos conflitos interétnicos, que parece ser um dos traços característicos dos finais do século XX. Professor Adail.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Morales pede desculpas por agredir adversário em pelada.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu desculpas nesta quinta-feira por ter agredido um adversário com uma joelhada durante uma partida de futebol no fim de semana. Ele se disse vítima de uma armadilha em que caiu por ingenuidade.

A agressão, feita contra um jogador da equipe de funcionários da prefeitura de La Paz, governada pela oposição, foi um revide após Morales ter sofrido uma falta dura. Em entrevista coletiva, o presidente disse ainda que foi ofendido pelo adversário e que, diante disso, perdeu a cabeça e o golpeou com uma joelhada.

"Lamento muito minha reação, peço desculpas aos atletas, aos jornalistas, mas depois de me acertar uma pancada, ele me insultou. Depois me dei conta que era uma armadilha", comentou Morales, que negou ser uma pessoa violenta.



Após o incidente, o funcionário municipal envolvido decidiu tirar uma semana de férias "para relaxar e evitar o assédio da mídia", como informou a prefeitura de La Paz.

Da Agência O Globo

FMI elogia economia brasileira

A economia brasileira foi elogiada hoje (7) pelo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. De acordo com ele, as autoridades brasileiras devem aproveitar o bom momento para promover as reformas estruturais necessárias que garantam o crescimento econômico sustentado e forte.

“A economia brasileira está muito bem e segue em um ambiente econômico favorável”, afirmou o diretor-geral. “[Com tendência de] evolução favorável em termos de comércio e para os investidores internacionais em relação à economia brasileira”. A entrevista coletiva de Straus-Kahn foi concedida em Washington, as informações são do FMI.

Segundo Strauss-Kahn, com fluxos de capital forte, o momento no Brasil indica para a “melhora a médio prazo” do equilíbrio fiscal.

Agência Estado

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Excelentíssimo Rinoceronte

Quando Cacareco, um rinoceronte simpático e boa-praça, veio por empréstimo do Rio de Janeiro para participar da inauguração do Zoológico de São Paulo, em março de 1958, mal sabia que iria se tornar símbolo de protesto do eleitorado paulistano.

Filho de Britador e Teresinha, o paquiderme bonachão recebeu esse nome porque era feio e desengonçado quando filhote. Cacareco, na verdade, era fêmea e tinha dois chifres – seu problema de identidade sexual nunca foi plenamente resolvido.

A princípio, a passagem do rinoceronte pela capital paulista seria breve. Mas ele foi ficando. O presidente do zoológico na época, Emílio Varolli, alegava que ele “estava se dando muito bem em São Paulo”. Carismático, logo se tornou querido pela população.

Em 4 de outubro de 1959, 540 candidatos disputavam as 45 vagas para vereador em São Paulo. Alguns eram prá lá de esquisitos. Um pesava 230 kg e ostentava o slogan: “O candidato que vale quanto pesa”.

Outro passeava por aí com uma onça: “Eleitor inteligente vota no amigo da onça”, dizia. O partido PRT instalou uma roleta no Viaduto do Chá com os nomes de seus 45 candidatos e o cartaz: “Basta girar a roda da sorte; todos merecem seu voto”.

Por essas e outras, a eleição se transformou em algo caricato. Foi então que Itaboraí Martins, na época jornalista do Estado de S. Paulo e da Rádio Eldorado, desiludido com a baixa qualidade dos nomes à vereança, comentou entre os amigos jornalistas que votaria em Cacareco.

A brincadeira foi levada a sério. Itaboraí e seus colegas saíram pichando a cidade: “Cacareco para vereador”. E logo o paquiderme caiu nas graças da mídia e saltou aos olhos dos eleitorados.

Entretanto, três dias antes da eleição, armaram contra a mais inusitada revelação do cenário político. Cacareco seria “exilado”: embarcaram-no num caminhão que o levaria de volta ao Rio de Janeiro. Na partida, um rio de gente deu adeus àquele que seria o maior nome do pleito municipal.

Nas urnas, ele recebeu um quinhão considerável dos votos. Não se sabe o número exato – por terem sido anulados, os votos de protesto eram deixados de fora das estatísticas oficiais.

Mas, de acordo com testemunhos de quem acompanhou as apurações e com base nos cálculos feitos por jornalistas, o animal recebeu o apoio de cerca de 90 mil cidadãos votantes.

Com tudo isso, seria possível um partido eleger quase uma dezena de vereadores à Câmara. O paquiderme recebeu votos até em outros municípios paulistas.

O episódio ganhou destaque na Revista Time, que transcreveu a opinião de um eleitor: “É melhor eleger um rinoceronte do que um asno”.

Um rinoceronte-preto-africano – como era classificado Cacareco – vive em média 45 anos, se mantido em seu hábitat. Porém, o “quase-vereador” morreu alguns anos depois de ter alcançado o estrelato.

Nem sequer completou dez anos de vida. Talvez, desiludiu-se com a carreira pública, que prometia. E Cacareco, é bom registrar, nunca prometeu nada.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Os processos revolucionários na America Latina

Alfredo Stroessner (1912-)

Um dos militares mais destacados do Paraguai nos anos 40 e início dos 50, quando se tornou chefe supremo das Forças Armadas, Alfredo Stroessner sempre teve veneração pelo poder e pela exaltação de sua pessoa. Para obtê-lo, não mediu esforços e, em 1954, comandou um golpe militar que, apoiado pelo latifundiários, classe dominante do país, veio a colocá-lo no governo e instalar a primeira ditadura militar de uma série que dominaria o continente nos anos 60 e 70. Além de reforçar o caráter agrícola da economia paraguaia, favorecendo a classe que o levou ao poder, Stroessner transformou o país no paraíso mundial do contrabando, centralizado em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.

Aliás, o ditador paraguaio sempre teve nos governos militares brasileiros uma fonte de apoio a seu governo: a maior prova dessas boas reações é a construção conjunta da usina de Itaipu, inaugurada em 1974 e que abastece os dois países. No plano interno, o ditador, sempre com o reforço do Exército e do Partido Colorado, que controla até hoje a cena política paraguaia, procurou calar as oposições esquerdistas, seja por meio do exílio, das prisões e da morte. Os sindicatos se tornaram ilegais e as manifestações de rua, proibidas sob ameaça de prisão.

No entanto, o regime de Stroessner começou a se enfraquecer no final dos anos 70, junto com todas as ditaduras latino-americanas, quando os EUA, que até então eram o principal sustentáculo desses governos, passaram a criticar suas políticas repressivas e os abusos contra os direitos humanos. Aos poucos, as oposições se reacenderam no Paraguai, associadas a protestos populares contra a pobreza, o desemprego e por eleições livres. O governo teve de ceder, e em 1984 a anistia foi concedida aos exilados políticos. Diante da instabilidade da situação, a ala mais moderada dos militares retirou seu apoio a Stroessner, e houve um racha no Partido Colorado nas facções "moderada", que defendia a continuidade do ditador no comando, e "tradicionalista", defensora de uma pequena abertura para garantir o poder pela via eleitoral. Personalista, Stroessner não aceitou deixar o governo, e para mostrar que ainda tinha força colocou na reserva o general Andrés Rodríguez, o segundo homem forte no país. Esse ato, ocorrido em janeiro de 1989, pôs um ponto final à ditadura. A facção tradicionalista, aliada de Rodríguez, obteve o apoio das tropas de cavalaria do Exército e invadiu o Palácio Presidencial no mês seguinte, obrigando Stroessner a renunciar e se exilar no grande aliado de sempre: o Brasil. Hoje, morando em Brasília, Stroessner vive, apesar dos problemas de saúde, tranqüilamente e na impunidade. Há oito anos foi condenado à prisão pela justiça paraguaia por participação em assassinatos, mas, como é tradicional na América Latina, nada ocorreu a ele.


Videla
Jorge Rafael Videla (1925-)

Militar de formação tradicional e anti-comunista, Videla foi um destacado aluno do Escola Nacional das Forças Armadas. Sua lealdade aos comandantes e coragem na repressão às manifestações de estudantes durante a ditadura militar nos anos 60 lhe renderam a nomeação para as chefias do Exército argentino, em 1973, e das Forças Armadas, em 1975. Um ano depois, diante da grave crise econômica do país e da instabilidade política ainda provocada pela morte de Perón, Videla liderou um golpe militar que derrubou a presidente Isabelita Perón. No poder, o general tratou de eliminar a todo custo o terrorismo e as oposições a seu regime, por meio do exílio e principalmente dos desaparecimentos e mortes.

Seu governo, de 1976 a 1981, é visto pela Organização de Defesa dos Direitos Humanos como o que mais incentivou a perseguição contra pessoas, fossem contra o regime ou não. Um relatório de 1980 da Comissão Inter-Americana dos Direitos Humanos afirma que, nos quatro primeiros anos do mandato de Videla, mais de 6.000 argentinos haviam desaparecido somente no país. Mais tarde descobriu-se que o general mantinha uma rede de conexões de espionagem com a Junta Militar boliviana, pela qual ambos os governos denunciavam as atividades de líderes oposicionistas que atuavam nos dois países. Foram essas perseguições e assassinatos em massa que criaram o movimento das mães da Plaza de Mayo, que se reúnem todas as quintas-feiras para protestar, até hoje, pelo sumiço de seus filhos.

Mas Videla não mostrou eficiência apenas no combate a supostos oposicionistas e nas táticas para semear o medo na população. No campo econômico, ele intensificou a crise já existente, desorganizando a produção industrial com a falta de investimentos estatais e a perda de capitais internacionais, que não obtinham garantia de retorno em um clima político tão instável. Para combater a inflação, arrochou os salários, gerando insatisfação nos trabalhadores urbanos, cujas manifestações foram reprimidas pelo Exército. A total ausência de liberdade de expressão e segurança foram sendo divulgados ao redor do mundo e atraindo o protesto de vários países, ao mesmo tempo em que a crise interna tonava incontrolável a revolta popular. A saída dos militares foi sacar Videla do poder e colocar um presidente tampão, Leopoldo Galtieri, que, além de invadir as ilhas Malvinas em 1982, convocou eleições livres um ano depois.

Videla, a princípio, pagou por seus crimes. O presidente eleito, Raul Alfonsín, o levou a julgamento, no qual foi condenado à prisão. No entanto, militares descontentes com a medida pressionaram o governo, exigindo a anistia para o general. Foi-lhe concedida a prisão domiciliar, em 1985. Os protestos militares continuaram, e a ameaça de um novo golpe caso Videla não fosse libertado também. Quatro anos mais tarde, o novo presidente Carlos Menen, concedeu anistia total ao ex-ditador, evitando problemas com a cúpula militar para realizar um governo tranqüilo. No entanto, a morte não larga a vida de Videla. Em 1998, um juiz federal ordenou novamente sua prisão por participação no seqüestro e desaparecimento de crianças durante seu governo.

Mortes, medo e desaparecimentos como eixo de governo. Se relembrasse seu passado, Videla poderia mostrar ao mundo que ele já previra a utilização desse tripé caso fosse o governante da Argentina. Afinal, em 1975, na XI Conferência dos Exércitos Americanos, em Montevidéu, ele disse profeticamente: "Se for preciso, na Argentina deverão morrer todas as pessoas necessárias para logra a segurança do país".