terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um rio que une regiões diferentes.

Rio da integração nacional, o São Francisco, descoberto em 1502, tem esse título por ser o caminho de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste. Desde as suas nascentes, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até sua foz, na divisa de Sergipe e Alagoas, ele percorre 2.700 km. Ao longo desse percurso, que banha cinco Estados, o rio se divide em quatro trechos: o Alto São Francisco, que vai de suas cabeceiras até Pirapora, em Minas Gerais; o Médio, de Pirapora, onde começa o trecho navegável, até Remanso, na Bahia; o Submédio, de Remanso até Paulo Afonso, também na Bahia; e o Baixo, de Paulo Afonso até a foz.

O rio São Francisco recebe água de 168 afluentes, dos quais 99 são perenes, 90 estão na sua margem direita e 78 na esquerda. A produção de água de sua Bacia concentra-se nos cerrados do Brasil Central e em Minas Gerais e a grande variação do porte dos seus afluentes é consequência das diferenças climáticas entre as regiões drenadas. O Velho Chico – como carinhosamente o rio também é chamado – banha os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Sua Bacia hidrográafica também envolve parte do Estado de Goiás e o Distrito Federal.

Os índices pluviais da Bacia do São Francisco variam entre sua nascente e sua foz. A poluviometria média vai de 1.900 milímetros na área da Serra da Canastra a 350 milímetros no semi-árido nordestino. Por sua vez, os índices relativos à evaporação mudam inversamente e crescem de acordo com a distância das nascentes: vão de 500 milímetros anuais, na cabeceira, a 2.200 milímetros anuais em Petrolina (PE).

Embora o maior volume de água do rio seja ofertado pelos cerrados do Brasil Central e pelo Estado de Minas Gerais, é a represa de Sobradinho que garante a regularidade de vazão do São Francisco, mesmo durante a estação seca, de maio a outubro. Essa barragem, que é citada como o pulmão do rio, foi planejada para garantir o fluxo de água regular e contínuo à geração de energia elétrica da cascata de usinas operadas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) – Paulo Afonso, Itaparica, Moxotó, Xingó e Sobradinho. É é assim que ela opera.

Depois de movimentarem os gigantescos geradores daquelas cinco hidrelétricas, as águas do São Francisco correm para o mar. Atualmente, 95% do volume médio liberado pela barragem de Sobradinho – 1.850 metros cúbicos por segundo – são despejados na foz e apenas 5% são consumidos no Vale. Nos anos chuvosos, a vazão de Sobradinho chega a ultrapassar 15 mil metros cúbicos por segundo, e todo esse excedente também vai para o mar.

A irrigação no Vale do São Francisco, especialmente no semi-árido, é uma atividade social e econômica dinâmica, geradora de emprego e renda na região e de divisas para o País – suas frutas são exportadas para os EUA e Europa. A área irrigada poderá ser expandida para até 800 mil hectares, nos próximos anos, o que será possível pela participação crescente da iniciativa privada.

O Programa de Revitalização do São Francisco, cujas ações já se iniciaram, contempla, no curto prazo, a melhoria da navegação no rio, providência que permitirá a otimização do transporte de grãos (soja, algodão e milho, essencialmente) do Oeste da Bahia para o porto de Juazeiro (BA) e daí, por ferrovia, para os principais portos nordestinos.

sábado, 9 de outubro de 2010

Da coesão social á participação demócratica.

Qualquer sociedade humana retira a sua coesão de um conjunto de actividades e projecto comuns, mas também, de valores partilhados, que constituem outros tantos aspectos da vontade viver juntos.Com o decorrer do tempo estes laços matérias e espirituais enriqueceram-se e tornaram-se, na memória individual e colectiva, uma herança cultural, no sentido mais lato do termo, que serve de base aos sentimentos de pertencer àquela comunidade,e de solidariedade.

Em todo mundo, a educação, sob as suas diversas formas, tem por missão criar, entre as pessoas, vínculos sociais que tenham a sua origem referenciais comuns.Os meios utilizados abrangem as culturas e as circunstancias mais diversas;em todos os casos, a educação tem como objectivo essencial o desenvolvimento do ser humano na sua dimensão social. Define-se como o veiculo de culturas e de valores, e como construção de um espaço de socialização, e como caminho de preparação de um projecto comum.

Actualmente, os diferentes modos de socialização estão sujeitos a duras provas, em sociedade ameaçadas pela desorganização e a ruptura dos laços sociais.Os sistemas educativos encontram-se, assim,submetidos a um conjunto a um conjunto de tensões, dado que se trata, concretamente, de respeitar a diversidade dos indivíduos e dos grupos humanos, mantendo, contudo o principio da homogeneidade que implica a necessidade de observar regras comuns.Neste aspecto, a educação enfrenta enormes desafios, e depara com uma contradição quase impossível de resolver: por um lado, é a acusada de estar na origem de muitas exclusões sociais e de agravar o desmantelamento do tecido social, mas por outro, é a ela que se faz apelo, quando se pretende restabelecer algumas das semelhanças essenciais á vida colectiva de que falava o sociólogo francês Emile Durkheim, no inicio deste século.

CONCLUSÃO.
O desenraizamento ligado as migrações e ao êxodo rural, o desmembramento das famílias, a urbanização desordenada, a ruptura das solidariedades tradicionais de vizinhança lançam muitos grupos e indivíduos no isolamento e na marginalização, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. A crise social do mundo actual conjuga-se com uma crise moral, e vem acompanhada do desenvolvimento da violência da criminalidade. A ruptura dos laços de vizinhança manifesta-se no aumento dramático dos conflitos interétnicos, que parece ser um dos traços característicos dos finais do século XX. Professor Adail.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Morales pede desculpas por agredir adversário em pelada.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu desculpas nesta quinta-feira por ter agredido um adversário com uma joelhada durante uma partida de futebol no fim de semana. Ele se disse vítima de uma armadilha em que caiu por ingenuidade.

A agressão, feita contra um jogador da equipe de funcionários da prefeitura de La Paz, governada pela oposição, foi um revide após Morales ter sofrido uma falta dura. Em entrevista coletiva, o presidente disse ainda que foi ofendido pelo adversário e que, diante disso, perdeu a cabeça e o golpeou com uma joelhada.

"Lamento muito minha reação, peço desculpas aos atletas, aos jornalistas, mas depois de me acertar uma pancada, ele me insultou. Depois me dei conta que era uma armadilha", comentou Morales, que negou ser uma pessoa violenta.



Após o incidente, o funcionário municipal envolvido decidiu tirar uma semana de férias "para relaxar e evitar o assédio da mídia", como informou a prefeitura de La Paz.

Da Agência O Globo

FMI elogia economia brasileira

A economia brasileira foi elogiada hoje (7) pelo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. De acordo com ele, as autoridades brasileiras devem aproveitar o bom momento para promover as reformas estruturais necessárias que garantam o crescimento econômico sustentado e forte.

“A economia brasileira está muito bem e segue em um ambiente econômico favorável”, afirmou o diretor-geral. “[Com tendência de] evolução favorável em termos de comércio e para os investidores internacionais em relação à economia brasileira”. A entrevista coletiva de Straus-Kahn foi concedida em Washington, as informações são do FMI.

Segundo Strauss-Kahn, com fluxos de capital forte, o momento no Brasil indica para a “melhora a médio prazo” do equilíbrio fiscal.

Agência Estado

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Excelentíssimo Rinoceronte

Quando Cacareco, um rinoceronte simpático e boa-praça, veio por empréstimo do Rio de Janeiro para participar da inauguração do Zoológico de São Paulo, em março de 1958, mal sabia que iria se tornar símbolo de protesto do eleitorado paulistano.

Filho de Britador e Teresinha, o paquiderme bonachão recebeu esse nome porque era feio e desengonçado quando filhote. Cacareco, na verdade, era fêmea e tinha dois chifres – seu problema de identidade sexual nunca foi plenamente resolvido.

A princípio, a passagem do rinoceronte pela capital paulista seria breve. Mas ele foi ficando. O presidente do zoológico na época, Emílio Varolli, alegava que ele “estava se dando muito bem em São Paulo”. Carismático, logo se tornou querido pela população.

Em 4 de outubro de 1959, 540 candidatos disputavam as 45 vagas para vereador em São Paulo. Alguns eram prá lá de esquisitos. Um pesava 230 kg e ostentava o slogan: “O candidato que vale quanto pesa”.

Outro passeava por aí com uma onça: “Eleitor inteligente vota no amigo da onça”, dizia. O partido PRT instalou uma roleta no Viaduto do Chá com os nomes de seus 45 candidatos e o cartaz: “Basta girar a roda da sorte; todos merecem seu voto”.

Por essas e outras, a eleição se transformou em algo caricato. Foi então que Itaboraí Martins, na época jornalista do Estado de S. Paulo e da Rádio Eldorado, desiludido com a baixa qualidade dos nomes à vereança, comentou entre os amigos jornalistas que votaria em Cacareco.

A brincadeira foi levada a sério. Itaboraí e seus colegas saíram pichando a cidade: “Cacareco para vereador”. E logo o paquiderme caiu nas graças da mídia e saltou aos olhos dos eleitorados.

Entretanto, três dias antes da eleição, armaram contra a mais inusitada revelação do cenário político. Cacareco seria “exilado”: embarcaram-no num caminhão que o levaria de volta ao Rio de Janeiro. Na partida, um rio de gente deu adeus àquele que seria o maior nome do pleito municipal.

Nas urnas, ele recebeu um quinhão considerável dos votos. Não se sabe o número exato – por terem sido anulados, os votos de protesto eram deixados de fora das estatísticas oficiais.

Mas, de acordo com testemunhos de quem acompanhou as apurações e com base nos cálculos feitos por jornalistas, o animal recebeu o apoio de cerca de 90 mil cidadãos votantes.

Com tudo isso, seria possível um partido eleger quase uma dezena de vereadores à Câmara. O paquiderme recebeu votos até em outros municípios paulistas.

O episódio ganhou destaque na Revista Time, que transcreveu a opinião de um eleitor: “É melhor eleger um rinoceronte do que um asno”.

Um rinoceronte-preto-africano – como era classificado Cacareco – vive em média 45 anos, se mantido em seu hábitat. Porém, o “quase-vereador” morreu alguns anos depois de ter alcançado o estrelato.

Nem sequer completou dez anos de vida. Talvez, desiludiu-se com a carreira pública, que prometia. E Cacareco, é bom registrar, nunca prometeu nada.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Os processos revolucionários na America Latina

Alfredo Stroessner (1912-)

Um dos militares mais destacados do Paraguai nos anos 40 e início dos 50, quando se tornou chefe supremo das Forças Armadas, Alfredo Stroessner sempre teve veneração pelo poder e pela exaltação de sua pessoa. Para obtê-lo, não mediu esforços e, em 1954, comandou um golpe militar que, apoiado pelo latifundiários, classe dominante do país, veio a colocá-lo no governo e instalar a primeira ditadura militar de uma série que dominaria o continente nos anos 60 e 70. Além de reforçar o caráter agrícola da economia paraguaia, favorecendo a classe que o levou ao poder, Stroessner transformou o país no paraíso mundial do contrabando, centralizado em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.

Aliás, o ditador paraguaio sempre teve nos governos militares brasileiros uma fonte de apoio a seu governo: a maior prova dessas boas reações é a construção conjunta da usina de Itaipu, inaugurada em 1974 e que abastece os dois países. No plano interno, o ditador, sempre com o reforço do Exército e do Partido Colorado, que controla até hoje a cena política paraguaia, procurou calar as oposições esquerdistas, seja por meio do exílio, das prisões e da morte. Os sindicatos se tornaram ilegais e as manifestações de rua, proibidas sob ameaça de prisão.

No entanto, o regime de Stroessner começou a se enfraquecer no final dos anos 70, junto com todas as ditaduras latino-americanas, quando os EUA, que até então eram o principal sustentáculo desses governos, passaram a criticar suas políticas repressivas e os abusos contra os direitos humanos. Aos poucos, as oposições se reacenderam no Paraguai, associadas a protestos populares contra a pobreza, o desemprego e por eleições livres. O governo teve de ceder, e em 1984 a anistia foi concedida aos exilados políticos. Diante da instabilidade da situação, a ala mais moderada dos militares retirou seu apoio a Stroessner, e houve um racha no Partido Colorado nas facções "moderada", que defendia a continuidade do ditador no comando, e "tradicionalista", defensora de uma pequena abertura para garantir o poder pela via eleitoral. Personalista, Stroessner não aceitou deixar o governo, e para mostrar que ainda tinha força colocou na reserva o general Andrés Rodríguez, o segundo homem forte no país. Esse ato, ocorrido em janeiro de 1989, pôs um ponto final à ditadura. A facção tradicionalista, aliada de Rodríguez, obteve o apoio das tropas de cavalaria do Exército e invadiu o Palácio Presidencial no mês seguinte, obrigando Stroessner a renunciar e se exilar no grande aliado de sempre: o Brasil. Hoje, morando em Brasília, Stroessner vive, apesar dos problemas de saúde, tranqüilamente e na impunidade. Há oito anos foi condenado à prisão pela justiça paraguaia por participação em assassinatos, mas, como é tradicional na América Latina, nada ocorreu a ele.


Videla
Jorge Rafael Videla (1925-)

Militar de formação tradicional e anti-comunista, Videla foi um destacado aluno do Escola Nacional das Forças Armadas. Sua lealdade aos comandantes e coragem na repressão às manifestações de estudantes durante a ditadura militar nos anos 60 lhe renderam a nomeação para as chefias do Exército argentino, em 1973, e das Forças Armadas, em 1975. Um ano depois, diante da grave crise econômica do país e da instabilidade política ainda provocada pela morte de Perón, Videla liderou um golpe militar que derrubou a presidente Isabelita Perón. No poder, o general tratou de eliminar a todo custo o terrorismo e as oposições a seu regime, por meio do exílio e principalmente dos desaparecimentos e mortes.

Seu governo, de 1976 a 1981, é visto pela Organização de Defesa dos Direitos Humanos como o que mais incentivou a perseguição contra pessoas, fossem contra o regime ou não. Um relatório de 1980 da Comissão Inter-Americana dos Direitos Humanos afirma que, nos quatro primeiros anos do mandato de Videla, mais de 6.000 argentinos haviam desaparecido somente no país. Mais tarde descobriu-se que o general mantinha uma rede de conexões de espionagem com a Junta Militar boliviana, pela qual ambos os governos denunciavam as atividades de líderes oposicionistas que atuavam nos dois países. Foram essas perseguições e assassinatos em massa que criaram o movimento das mães da Plaza de Mayo, que se reúnem todas as quintas-feiras para protestar, até hoje, pelo sumiço de seus filhos.

Mas Videla não mostrou eficiência apenas no combate a supostos oposicionistas e nas táticas para semear o medo na população. No campo econômico, ele intensificou a crise já existente, desorganizando a produção industrial com a falta de investimentos estatais e a perda de capitais internacionais, que não obtinham garantia de retorno em um clima político tão instável. Para combater a inflação, arrochou os salários, gerando insatisfação nos trabalhadores urbanos, cujas manifestações foram reprimidas pelo Exército. A total ausência de liberdade de expressão e segurança foram sendo divulgados ao redor do mundo e atraindo o protesto de vários países, ao mesmo tempo em que a crise interna tonava incontrolável a revolta popular. A saída dos militares foi sacar Videla do poder e colocar um presidente tampão, Leopoldo Galtieri, que, além de invadir as ilhas Malvinas em 1982, convocou eleições livres um ano depois.

Videla, a princípio, pagou por seus crimes. O presidente eleito, Raul Alfonsín, o levou a julgamento, no qual foi condenado à prisão. No entanto, militares descontentes com a medida pressionaram o governo, exigindo a anistia para o general. Foi-lhe concedida a prisão domiciliar, em 1985. Os protestos militares continuaram, e a ameaça de um novo golpe caso Videla não fosse libertado também. Quatro anos mais tarde, o novo presidente Carlos Menen, concedeu anistia total ao ex-ditador, evitando problemas com a cúpula militar para realizar um governo tranqüilo. No entanto, a morte não larga a vida de Videla. Em 1998, um juiz federal ordenou novamente sua prisão por participação no seqüestro e desaparecimento de crianças durante seu governo.

Mortes, medo e desaparecimentos como eixo de governo. Se relembrasse seu passado, Videla poderia mostrar ao mundo que ele já previra a utilização desse tripé caso fosse o governante da Argentina. Afinal, em 1975, na XI Conferência dos Exércitos Americanos, em Montevidéu, ele disse profeticamente: "Se for preciso, na Argentina deverão morrer todas as pessoas necessárias para logra a segurança do país".

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A crise da America Latina

As bactérias e os vírus foram os aliados mais eficazes. Os europeus traziam consigo, como pragas bíblicas, a varíola e o tétano, varias doenças pulmonares, intestinais e venéreas, o tracoma, o tifo, a lepra, a febre amarela, as caries que apodreciam as bocas.

As colônias americanas foram descobertas, conquistadas e colonizadas dentro do processo da expansão do capital comercial.

A rapinagem dos tesouros acumulados sucedeu a exploração sistemática, nos socavãos e jazidas, do trabalho forçado dos indígenas e escravos negros, arrancados da áfrica pelos traficantes.

A Bolívia, hoje um dos países mais pobre do mundo, poderia vangloriar-se – se isso não fosse pateticamente inútil – de ter alimentado a riqueza dos países mais ricos.

Não faltavam justificativas ideológicas. A sangria do Novo Mundo convertia-se num ato de caridade ou uma razão de fé. Junto com a culpa nasceu um sistema de álibis para as conseqüências culpáveis.

Desterrados em sua própria terra, condenados ao êxodo eterno, os indígenas da América Latina foram empurrados para as zonas mais pobres, as montanhas áridas ou o fundo dos desertos, à medida que se estendiam a fronteira da civilização dominante.

As matanças dos indígenas começaram com Colombo e nunca cessaram.

Não se salvam atualmente, nem mesmo os índios que vivem isolados no fundo das selvas. No começo deste século, sobreviviam ainda 230 tribos no Brasil; desde então desapareceram 90, aniquiladas por obra e graças das armas de fogo e micróbios. Violência e doenças, pontas de lança da civilização: o contato com o homem branco continua sendo, para os indígenas, o contato com a morte.

Em ritimo de conquista, homens e empresas dos Estados Unidos lançaram-se sobre a Amazônia como se fosse um novo Far West.

A febre do ouro, que continua impondo a morte e a escravidão aos indígenas da Amazônia, não é nova no Brasil; muito menos seus estragos.

Ao longo do século XVIII, a produção brasileira do cobiçado minério superou o volume total do ouro que a Espanha tinha extraído de suas colônias durante os dois séculos

Portugal não se limitou a matar o embrião de sua própria indústria, mas também, de passagem, aniquilou os germes de qualquer tipo de desenvolvimento manufatureiro no Brasil.

...Minas Gerais tinha um coração de ouro num peito de ferro, porem a exploração de seu fabuloso quadrilátero ferrífero corre por conta, atualmente, da Hanna Mining Co. e a Bethlehem Steel, associadas no projeto: as jazidas foram entregues em 1964, ao fim de uma sinistra história. O ferro em mãos estrangeiras, não deixará mais do que o ouro deixou.

A busca do ouro e da prata foi, sem duvida, o motor da conquista. Porem, em sua segunda viagem, Cristóvão Colombo trouxe as primeiras raízes de cana-de-açúcar, das ilhas Canárias, e as plantou nas terras que hoje ocupa a Republica Dominicana.

Durante pouco menos de três séculos a partir do descobrimento da América, não houve para o comercio da Europa, produto agrícola mais importante que o açúcar cultivado nestas terras.
Os incêndios que abriam terras aos canaviais devastaram a floresta e com ela a fauna... A produção extensiva esgotou rapidamente os solos.

Ate a chegada de Castro ao poder, os Estados Unidos tinham em cuba uma influência de tal maneira irresistível que o embaixador norte-americano era a segunda personalidade do país, e às vezes mais importante do que o presidente cubano.

O testemunho ilustra cabalmente as dificuldades que a revolução encontrou desde que se lançou à aventura de converter a colônia em pátria.

Em 1888, aboliu-se a escravidão no Brasil, porém não se aboliu o latifúndio...

O boom da borracha e o auge do café implicaram grandes levas de trabalhadores nordestinos. Mas também o governo faz uso deste caudal de mão-de-obra barata, formidável exercito de reserva para as grandes obras públicas.

Na concepção geopolítica do imperialismo, a América Central não é mais do que um apêndice natural dos Estados Unidos.as empresas apoderam-se de terras, alfândegas, tesouros e governos; os marines desembarcavam por todas as partes para “proteger a vida e os interesses dos cidadãos americanos”, álibi exato que utilizaram, em 1965, para apagar com água benta as marcas do crime da Republica Dominicana.

Ao ataque de lança ou golpes de facão, foram os expropriados os que realmente combateram, quando despontava o século XIX, contra o poder espanhol nos campos da América Latina.
A idéia de “nação” que o patriciado latino-americano engendrou parecia-se demasiado à imagem de um ponto ativo, habitado pela clientela mercantil e financeira do império britânico, com latifúndios e socavãos à retaguarda.

Exatamente um século depois do regulamento de terras de Artigas, Emiliano Zapata pôs em pratica, em sua comarca revolucionaria do sul do México, uma profunda reforma agrária.

Em 1845, os Estados Unidos tinham anexado os territórios mexicanos de Texas e Califórnia, onde restabeleceram a escravidão em nome da civilização.
Em 1919, um estratagema e uma traição terminaram com a vida de Emiliano Zapata. Morreu com a mesma idade de Che Guevara.

No Brasil, as esplendidas jazidas de ferro de ferro do vale do Paraopeba derrubaram dois presidentes – Jânio Quadros e João Goulart – antes que o marechal Castelo Branco, que tomou o poder em 1964, os cedesse a Hanna Mining Co. Outro amigo anterior do embaixador dos Estados Unidos, o presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-51), tinha concedido a Bethlehem Steel, alguns anos antes, as quarenta milhões de toneladas de manganês do estado do Amapá, uma das maiores jazidas do mundo, ..
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A imperiosa necessidade de materiais estratégicos, imprescindíveis para salvaguardar o poder militar e atômico dos Estados Unidos, está claramente vinculada à maciça compra de terras, por meios geralmente fraudulentos, na Amazônia brasileira.

Para os Estados Unidos sai mais barato o ferro que recebem do Brasil ou da Venezuela do que o ferro que extraem de seu próprio subsolo.

O petróleo é, com o gás natural, o principal combustível dos países que põem em marcha o mundo contemporâneo, uma matéria-prima de crescente importância para a indústria química e o material estratégicos primordial para as atividades militares.

A febre da independência fervia em terras hispano-americanas. A partir de 1810, Londres aplicou uma política ziguezagueante e dúplice, cujas flutuações obedeceram à necessidade de favorecer o comercio inglês, impedir que a América Latina pudesse cair em mãos norte-americanas ou francesas e prevenir uma possível infecção de jacobismo dos novos países que nasciam para a liberdade.

A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai aniquilou a única experiência, com êxito, de desenvolvimento independente.

A invasão foi financiada, do começo ao fim, pelo Banco de Londres, a casa Baring Brothers e o banco Rothschild, em empréstimos com juros leoninos que hipotecaram o destino dos países vencedores.

Os capitalistas norte-americanos se concentram, na América Latina, mais agudamente que nos próprios Estados Unidos; um punhado de empresas controla a imensa maioria das inversões.

Os Estados Unidos, que empregam um vasto sistema protecionista – taxas, cotas, subsídios internos – já mais mereceram a menor observação do FMI. Em compensação, com a América Latina, foi inflexível: é para isso que existe.

Levando muitos dólares do que trazem, as empresas contribuem para aguçar a crônica fome de divisas da região; os países “beneficiados” se descapitalizam ao invés de se capitalizarem.

O capitalismo de nossos dias exibe, em seu centro universal de poder, uma identidade evidente dos monopólios privados e do aparato estatal.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vlad III, o verdadeiro Drácula

Quando se fala de Conde Drácula, o famoso bebedor de sangue criado pelo escritor irlandês Bram Stoker em 1897, nem sempre se sabe que o mito se origina na Idade Média. A inspiração para o nobre vampiro talvez seja até mais macabra do que o personagem a quem inspirou – por ser verdadeira e ter deixado um rastro de sangue real por onde passou. A história, como a ficção, começa na pequena cidade de Sighisoara, na Transilvânia, na Romênia. Ali, em dezembro de 1431, nasceu Vlad III Dracula, mais conhecido como Vlad, o Empalador. Coroado em 1448 como rei da Valáquia (Romênia), Vlad manteve seu reinado de terror ao se distanciar das políticas do Império Otomano. Sua fama, porém, veio de seus hábitos e da forma peculiarmente cruel com que tratava seus inimigos e qualquer um que o desagradasse. Seu estilo predileto de tortura, que o fez conhecido no mundo todo, era a morte lenta e extremamente dolorosa por empalamento. As vítimas eram amarradas e estacas não muito afiadas e cobertas de óleo eram introduzidas em seus corpos – no abdômem, no ânus ou no estômago – e em seguida puxadas por cavalos até que saíssem pela boca. Certa vez, mais de 20 mil mercadores e boiardos de Barsov, na Transilvânia, acabaram sendo empalados em uma floresta, cujas árvores foram cortadas e afiadas especialmente para esse propósito. O rei festejou entre os corpos agonizantes durante toda a noite, ocorrida em 1459. Essa não era a única forma de morrer nas mãos de Vlad. Soldados, súditos, inimigos, velhos, camponeses, mulheres e crianças poderiam sofrer dos mais variados jeitos. Esfolamento em vida, escalpo, enforcamento, mutilação, envenenamento, inserção lenta de pregos no crânio e até a prática de cozinhar em água fervente seus desafetos eram hábitos comuns durante seu reinado. Conhecido por apreciar seu pão molhado no sangue de porco – ou de suas vítimas, como dizia a população temerosa –, Vlad III era movido pela sede de vingança contra as conspirações que levaram ao assassinato de seu pai e irmão. Logo que assumiu o trono, deu uma grande festa, para a qual convidou todas as famílias nobres que acreditava estarem envolvidas na trama, comum no reinado da Valáquia, já que a coroa era passada após uma eleição feita pelos boiardos e não de forma hereditária, como na Europa. Ao fim, ele prendeu todos os seus convidados e os forçou a um trabalho escravo ao qual ficaram presos por meses: a reconstrução de seu castelo. Pouquíssimos nobres sobreviveram à prova, obrigados a trabalhar noite e dia, sem chance de trocar as roupas finas que iam se rasgando. Após sua morte, durante uma batalha contra os turcos próxima a Bucareste, em 1476, Vlad foi popularizado por centenas de histórias e lendas espalhadas por toda a Europa, especialmente na Rússia e na Turquia. Apesar da falta de dados que comprovem sua veracidade, diversos panfletos circulavam entre a população contando casos como o do cálice dourado, que o rei sanguinário teria colocado empraça pública para provar a eficácia de suas leis. O medo das conseqüências era tanto que se diz que o cálice nunca saiu do lugar.Revista aventura na historia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Como se calcula a eleição de um deputado federal.

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Índice deste (a) autor (a)
Yara Fernandes
da redação

Como se calcula a eleição de um deputado federal



O cálculo para saber quem será eleito nas eleições proporcionais utiliza diversos fatores. O primeiro é saber a quantidade de deputados por estado. Por exemplo, o estado do Rio de Janeiro tem direito a eleger 46 deputados federais. Já São Paulo tem direito a 70 deputados.

Destas vagas de cada estado, é preciso então calcular o quociente eleitoral, que define os partidos ou coligações que têm direito a ocupar as vagas. Para saber o quociente eleitoral, é preciso dividir o número total de votos válidos pela quantidade de vagas a serem preenchidas pelo estado. No Rio de Janeiro, há 10.891.293 eleitores, o que torna este estado o terceiro maior colégio eleitoral do país. O primeiro é São Paulo, com 28.037.734 eleitores.

Então, se em São Paulo forem somados cerca de 21 milhões de votos válidos, o partido ou coligação que obtiver um mínimo de 300 mil votos, somando-se todos os candidatos e os votos na legenda, terá direito a ocupar vagas na Câmara. No Rio de Janeiro, supondo-se que a quantidade de votos válidos seja de cerca de 8 milhões, o partido ou frente que superar cerca de 174 mil votos poderá eleger pelo menos um deputado.

Estes números seriam a quantidade mínima para eleger pelo menos um deputado. Entretanto, para ver se o partido elege o segundo, é preciso calcular o quociente partidário.

O quociente partidário determina o número de deputados a que cada partido ou coligação tem direito. Isso é obtido dividindo-se o número de votos obtidos pelo partido ou coligação que pode eleger pelo quociente eleitoral (que é a divisão dos votos válidos pelo número de vagas do estado). Por exemplo, um partido ou legenda que tenha 750 mil votos para deputado em São Paulo (cujo quociente eleitoral é de 300 mil), terá um quociente partidário de 2,5. Isso significa que o partido elege dois deputados e ainda tem uma sobra de 150 mil votos.

Por tudo isso, nem sempre os candidatos que são muito bem votados são eleitos, porque seus partidos ou coligações não atingem o quociente eleitoral. Da mesma forma, há candidatos que se elegem mesmo tendo menos votos, devido à mesma lógica. De fato, só dá para saber mesmo quem são os eleitos após ter em mãos todos os dados (inclusive de quantos votos não são válidos ou de quantos partidos não elegem).Adaptado do site PSTU

voto proporcional.

Voto majoritário é para o poder executivo - prefeito, governador e presidente. é eleito quem tiver o maior numero de votos, independente do partido.
Voto proporcional é para o poder legislativo - tem o coeficiente que é calculado somando-se todos os votos de cada partido. Divide-se pelo numero de cadeiras na câmara do município, do estado e da união tendo o numero de cadeiras por partido. São eleitos os mais votados por cada partido até o numero de cadeiras do partido. Por isso que pode haver como aconteceu no Prona na ultima eleição que conseguiu 5 cadeiras e tiveram deputados com 250 votos em decorrência da alta votação do Eneas
Voto distrital é um misto desse ultimo, porem se refere a uma determinada base territorial no momento de definir o coeficiente. Não tenho mais informações sobre este.

O voto de representação proporcional começou a ser cogitado em meados do século XIX no Reino Unido, onde, no entanto, nunca teve vigência. Funda-se no conceito segundo o qual o sistema majoritário pode deixar sem representação minorias consideráveis, às vezes numericamente próximas da maioria vitoriosa. O voto proporcional se aplica pelo sistema de quocientes, obtidos pela divisão do número de votantes pelo de postos a serem preenchidos. Todo candidato que atingir tal quociente estará eleito. No Brasil, o voto proporcional é preconizado desde o advento da república. Vários juristas o defenderam, depois disso, mas tal espécie de voto só encontrou aplicação na lei eleitoral de 1933.

Como ficou o parlamento venezuelano após as eleições de 26/09/10

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, no início da tarde desta segunda-feira que o resultado das eleições legislativas na Venezuela é "bom para a democracia na nossa região".

"Foi uma eleição democrática, livre, e o presidente Chávez, que aparentemente usa muito o Twitter, já disse que vai respeitar o resultado. Eu acho que isso é bom para a democracia na nossa região, é um avanço", disse Amorim à imprensa em Nova York, onde participa da 65ª Assembleia Geral da ONU.

O chanceler disse ainda achar "muito bom que a oposição tenha decidido participar desta vez, porque isso leva a um diálogo. Quando houve essa atitude anterior, do boicote --é claro que não temos que dar palpite no que eles decidem--, mas não é positivo para a democracia".

Para o ministro, a América do Sul está "caminhando na direção certa. Os países todos têm presidentes eleitos e parlamentos funcionando".

De acordo com os últimos dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, os eleitores de Caracas deram mais votos às legendas da oposição, representadas pela coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD), do que aos partidários de Hugo Chávez.

Segundo o jornal 'El Universal' a diferença é apertada, com apenas 741 votos a mais para os opositores, mas mesmo assim envia um sinal a Hugo Chávez de que a 'solidez' do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) já enfrenta mais obstáculos do que antes.

O último balanço das urnas publicado pelo CNE dá 95 assentos ao PSUV, 61 aos opositores e 2 a outros partidos.

Apesar de ter conquistado mais cadeiras no Parlamento do que a oposição, os chavistas perderam a maioria qualificada, o que deve dificultar a aprovação de leis e reformas propostas pela revolução bolivariana.

No Estado de Zulia, onde a oposição venceu 12 dos 15 assentos disponíveis, o governador Pablo Perez atribuiu a vitória à decisão da MUD de apresentar somente um candidato à cada uma das 165 vagas disputadas no Parlamento. 'Nós mostramos à Venezuela que podemos vencer se estivermos unidos', disse.

MAIORIA SIMPLES

Uma maioria simples, de até 109 das 165 vagas no Parlamento, força o governo Chávez a negociar com a oposição para a aprovação de leis orgânicas e de novos integrantes dos demais poderes públicos, como o Supremo Tribunal, a Procuradoria e o CNE, além de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A grande margem, contudo, foi recebida como uma vitória pelo presidente, que transformou as eleições deste domingo em um plebiscito de sua popularidade e um termômetro para sua disputa à reeleição em 2012.

'Bom, meus queridos compatriotas, foi uma grande jornada e conseguimos uma sólida vitória. Suficiente para continuar aprofundando o socialismo bolivariano e democrático. Devemos continuar fortale. Fonte Folha

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lei seca: A lei que foi um porre

Para acabar com os problemas sociais, os Estados Unidos decidiram banir as bebidas alcoólicas. Em vigor de 1920 a 1933, a Lei Seca se provou um fracasso retumbante - e fez a alegria da máfia
por Felipe Van Deursen

Ex-jogador de beisebol, o reverendo Billy Sunday era um dos religiosos mais populares dos Estados Unidos. Conhecido por seus eloqüentes discursos, ele adotou um tom épico naquele 16 de janeiro de 1920. A platéia de 10 mil fiéis, na cidade de Norfolk, ficou radiante. “O reino das lágrimas acabou. As favelas logo serão memória. Vamos fazer de nossas prisões fábricas e das cadeias armazéns. Homens caminharão eretos, mulheres vão sorrir e as crianças darão risadas.” No mesmo dia, a Constituição americana ganhara sua 18ª emenda, proibindo a fabricação, o comércio, o transporte, a importação e a exportação de bebidas alcoólicas. Era a Lei Seca, adotada com o objetivo de salvar o país de problemas que iam da pobreza à violência. Sunday e muitos outros americanos acreditavam que todos esses males tinham apenas uma raiz: o álcool.

Válida por 13 anos, a emenda se tornou um dos maiores fracassos legislativos de todos os tempos. Em vez de acabar com os problemas sociais atribuídos à bebida, a Lei Seca fez o contrário. A medida desmoralizou as autoridades e foi um estímulo à corrupção. Cidades como Chicago e Nova York viram a criminalidade explodir, enquanto a máfia enriquecia com o contrabando de álcool.

Em todo o país, movimentos contra as bebidas existiam desde o século 19. A campanha ganhou escala nacional e, em dezembro de 1917, o Congresso aprovou a 18ª emenda. Em pouco mais de um ano, ela foi ratificada pela maioria dos estados, o que garantiu sua entrada em vigor em 1920. O texto instituía o Ato de Proibição Nacional, também chamado de Ato de Volstead (homenagem a Andrew Volstead, deputado que liderou a iniciativa). Era considerada “intoxicante” qualquer bebida que tivesse mais de 0,5% de álcool (as cervejas mais fracas têm cerca de 2%).

Mas por que a nação mais poderosa do mundo deu tanta importância para as bebidas a ponto de proibi-las? Boa parte da resposta parece estar no protestantismo predominante nos Estados Unidos, que inclui a idéia do “Destino Manifesto”: os americanos seriam o povo eleito por Deus para guiar o mundo. Para manter a nação no caminho certo, a sobriedade deveria ser estabelecida por decreto. “Se a honra do grupo depende de todos, o pecado individual pode arrastar a todos”, diz Leandro Karnal, professor de História da América da Universidade Estadual de Campinas.

Apesar de ter o apoio de muitos setores da sociedade, a Lei Seca foi ignorada por milhões de americanos. Não importava a classe social: quem queria beber – o que era permitido, mas, em tese, impossibilitado pela lei – dava um jeitinho. Muitos iam para o Canadá e voltavam com caminhonetes e lanchas cheias de bebida. Outros faziam no quintal o próprio uísque. Havia ainda quem se passasse por padre ou médico para obter litros de vinho sacramental ou de destilados medicinais (que tinham uso controlado). Logo essa demanda começaria a ser atendida de forma organizada. Eram os gângsteres – em sua maioria, imigrantes vindos de países como Itália e Irlanda. Antes da Lei Seca, esses mafiosos viviam do jogo e da prostituição. Passaram então a dominar também os milionários negócios com bebidas, corrompendo policiais, elegendo políticos e matando seus concorrentes.

Em Nova York, o principal mafioso era o siciliano Joseph Bonanno – apontado como a inspiração de O Poderoso Chefão (livro de Mario Puzo que se tornou um clássico do cinema). Já Dean O’Banion inundava o norte de Chicago com cerveja e uísque vindos do Canadá, enquanto Johnny Torrio contratava policiais para proteger seus interesses no sul da cidade.

Mas nenhum gângster se tornou tão lendário quanto Alphonse Capone. Filho de napolitanos, ele nasceu em 1899, em Nova York. Conheceu Johnny Torrio aos 14 anos e, com a Lei Seca, passou a auxiliá-lo no contrabando de bebidas em Chicago. Quando o rival O’Banion resolveu enfrentá-los, foi morto em sua floricultura. Em 1925, Torrio se aposentou, deixando Chicago inteira para “Al” Capone, que expandiu o império ilegal para cidades como Saint Louis e Detroit.

Apesar de todos os assassinatos e outros crimes atribuídos a Capone, foi a sonegação de impostos que o pôs na cadeia. Em 1931, graças às investigações conduzidas pelo agente fiscal Eliot Ness, líder dos “Intocáveis” (grupo de agentes que combatia a máfia), Capone passou cinco anos na penitenciária de Alcatraz, na Califórnia. Morreria em liberdade, no dia 25 de janeiro de 1947 – apenas cinco dias antes de Andrew Volstead, o “pai” da Lei Seca.

Grande ressaca

Sob a Lei Seca, os bebedores se encontravam nos speakeasies. Eram bares clandestinos, muitas vezes subterrâneos, nos quais era preciso falar baixo (speak easy, em inglês) para não chamar atenção. O clima da época foi descrito em diversos livros. O mais célebre é O Grande Gatsby, de 1925, obra-prima do americano F. Scott Fitzgerald. O personagem-título é um contrabandista de bebidas que promove festas regadas a coquetéis. A Lei Seca, aliás, tem tudo a ver com a disseminação de drinques incrementados. O hábito servia para mascarar o gosto ruim dos destilados clandestinos – um exemplo é o bloody mary, à base de suco de tomate, que teria sido criado durante a proibição.

E os destilados não eram ruins só no gosto. Muitos uísques, runs e gins da época eram feitos de maneira tosca. Alguns continham substâncias tóxicas na fórmula – como alvejante, solvente de tinta e formol. A baixa qualidade das bebidas contribuiu para que os casos de morte por cirrose nos Estados Unidos praticamente não diminuíssem durante a Lei Seca.

Mas nem todas as mortes relacionadas à bebida tinham a ver com o fígado. Entre 1920 e 1935, as taxas de assassinato cresceram 30% nos Estados Unidos. Os americanos, contudo, seguiam suportando a proibição. Afinal, o país vivia uma época de prosperidade econômica. A situação mudou com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929: indústrias fecharam as portas e famílias perderam todo o dinheiro que tinham. Começava a Grande Depressão – que deixaria um em cada quatro americanos desempregado.

A crise foi decisiva para que a Lei Seca acabasse. Seus inimigos começaram a dizer que legalizar as bebidas criaria empregos, estimularia a economia e aumentaria a arrecadação de impostos. Em março de 1933, dias depois de assumir a presidência, Franklin Roosevelt pediu ao Congresso que legalizasse a cerveja. Foi atendido. Finalmente, em 5 de dezembro, a Lei Seca se tornou a única emenda da Constituição americana a ser revogada. O país viveu um clima de Réveillon antecipado, com fabricantes e bebedores saindo das sombras.

Hoje em dia, ainda há quem ache que a Lei Seca foi uma boa idéia. De fato, o volume de bebidas ingerido pela população diminuiu: o número de litros consumido em 1915 (último ano em que houve esse levantamento antes de a lei entrar em vigor) só seria atingido novamente em 1970. O problema é que, com a proibição, os americanos mudaram de hábitos. Como a cerveja era mais difícil de ser feita, eles passaram a preferir destilados, que contêm muito mais álcool. A Lei Seca fez os Estados Unidos beberem menos, mas beberem pior. Além disso, transformou os mafiosos em lendas vivas. “Nós tendemos a romancear homens como Al Capone e seus contemporâneos, mas eles eram tão violentos quanto os traficantes de drogas de hoje”, afirma a jornalista inglesa Lauren Carter, autora de Os Gângsteres mais Perversos da História.

Ahmadinejad acena a potências com possível interrupção no enriquecimento de urânio

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta sexta-feira que consideraria a possibilidade de parar de enriquecer urânio, ponto central na questão nuclear, se as potências enviarem a Teerã combustível atômico suficiente para seu reator usado em pesquisas médicas.

As declarações de Ahmadinejad, dadas a repórteres em Nova York, seguem um discurso inflamado feito por ele na Assembleia Geral da ONU, carregado de insinuações sobre os Estados Unidos já rechaçadas por Barack Obama. Chegam também numa semana em que as portas parecem se abrir um pouco mais para a retomada das negociações sobre a questão nuclear.

Há dois dias, Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia - integrantes do chamado grupo P5 1 - divulgaram um comunicado se abrindo a negociações "em breve" com o Irã. E nesta sexta, Ahmadinejad disse que seu governo está pronto para conversações iniciais e apontou outubro como um bom mês para as duas partes.

"De acordo com planos prévios, possivelmente em outubro um representante do Irã vai encontrar um membro do P5 1", disse o presidente iraniano.

"Acho que a senhora Ashton, se ela contatar o representante do Irã, ela pode marcar uma hora para as conversações", continuou Ahmadinejad em referência à chefe de política externa da União Européia (UE), Catherine Ashton, a representante do P5 1 para dialogar com Teerã.

Troca nuclear

Segundo ele, o Irã não tem interesse em enriquecer urânio a 20% de pureza, mas foi forçado a isso depois que as principais potências mundiais se recusaram a fornecer o combustível a seu país.

Tal nível de pureza ainda está distante dos mais de 90% necessários para serem usados em uma bomba atômica, mas os EUA e outras potências ocidentais acreditam que o Irã possa estar, de forma sigilosa, se aproximando disso.

Em entrevista também nesta sexta-feira, à BBC persa, o presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu as sanções aplicadas ao Irã, mas disse que preferiria a via do diálogo se o governo de Teerã mudasse de postura.

Inicialmente, o Irã não aceitou o acordo de intercâmbio nuclear mundial, mas em maio, após intervenção do Brasil e da Turquia, voltou atrás e passou a cogitá-lo.

Os EUA dizem repetidamente, no entanto, que o intercâmbio de material nuclear seria apenas uma parte de qualquer discussão mais ampla sobre o programa nuclear iraniano.

Da Agência O Globo

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

vejam porque a educação está falida

Só 53,7% das crianças e dos adolescentes matriculados no ensino fundamental conseguem concluir a 8ª série (9º ano). É o que mostra relatório divulgado pelo UNICEF e publicado hoje pelo jornal O Globo. No ensino médio, a situação é ainda pior: apenas 50,9% dos jovens chegam ao fim do curso. O Nordeste é a região com pior indicador no ensino médio: somente 44,6% de concluintes. Segundo o relatório, um em cada quatro estudantes de ensino médio no Brasil é reprovado ou abandona a escola. Citando dados de 2007, o estudo informa que 12,7% dos jovens matriculados no nível médio foram reprovados e outros 13,2% largaram o estudo, totalizando 25,9%. A realidade dos 15 aos 17 anos é um desastre. Se tem desigualdade dos 7 aos 14 anos, dos 15 aos 17 fica pior. Talvez estes índices lastimáveis expliquem a miséria e a violência juvenil que tanto assusta os cidadãos.

o futuro de Cuba

Por Leonardo Padura*

Havana, Cuba – Se algum dos mais importantes institutos de pesquisas do mundo se atrevesse a realizar um macro survey que registrasse as respostas dos 11 milhões e tanto de cubanos que moram na ilha do Caribe, e limitassem sua pesquisa à única pergunta “Para onde acredita que se dirige o futuro da nação?”, penso que uma porcentagem esmagadora dos que se atrevessem a responder com sinceridade dariam uma demolidora resposta: “Rapaz, sabe que não sei”.

O mais dramático desta afirmação seria, naturalmente, que o inescrutável futuro do país engloba também o de cada um de seus habitantes, incapazes de prever os rumos de seu próprio futuro. Se em outras ocasiões expressei minha incapacidade de fazer uma ideia das derrotas econômicas e sociais que adotará o futuro cubano, hoje, mais do que nunca, a incerteza a respeito do caráter do modelo possível me surge esgotador como – creio – para a maioria de meus compatriotas.

Algo parece claro em meio à escuridão: a direção do Partido Comunista, do governo e do Estado cubanos não contempla entre suas expectativas a modificação do sistema socialista de partido único, o mesmo que durante o século passado vigorou na URSS e nas repúblicas socialistas da Europa do Leste, e que se mantém vivo, no essencial, em alguns dos Estados comunistas asiáticos, da Coreia do Norte à China, embora com características muito díspares e, no geral, pouco desejáveis (é minha opinião) como modelos de desenvolvimento e de vida para um país como Cuba.

Feita esta ressalva cardinal, quando se olha para o restante dos fatores econômicos e sociais, quiçá os que de maneira mais direta influem na vida dos cubanos, talvez se pudesse pensar que muitos deles estariam, sim, em jogo, se não de maneira essencial, ao menos quanto a formas de aplicação que seriam muito importantes no futuro dos destinos individuais e coletivos.

Nos últimos meses, por exemplo, surgiu na mídia alternativa cubana (emails e blogs) uma significativa polêmica sobre as maneiras como a economia da Ilha poderia encontrar alívios monetários que a ajudassem a sair de suas múltiplas crises de eficiência e produtividade, geradas pelo próprio modelo atuante por cinco décadas, pela falta de controles e pela desmotivação geral que, há 20 anos, faz com que os produtores recebam um salário que insuficiente para viver.

O mais recente tema de debate é a anunciada abertura da indústria turística cubana a um visitante de alto nível que – comenta-se – inclui a construção de marinas para iates de luxo, construção de 16 campos de golfe de 18 buracos e até casas e apartamentos que poderiam ser adquiridos por estrangeiros, com licenças de propriedade válidas por 99 anos (segundo o artigo 222.1 do Decreto-Lei 273, de 19 de julho deste ano). A decisão explorou as mais diversas opiniões que vão desde a do ortodoxo, que afirma que não pegou um fuzil e fez a revolução para vender a pátria aos milionários, até o que, querendo ser compreensivo, argumenta que alguns campos de golfe não mudam nada se nada do que é importante for mudado.

Já na década de 1990, quando se fez presente a profunda crise econômica que invadiu a Ilha após o desaparecimento do socialismo do leste, o negócio das imobiliárias de capital misto, que construíam casas e apartamentos para estrangeiros, estava aberto em Cuba, embora pouco depois seu ritmo tenha diminuído até quase parar. Recordo, inclusive, ter ouvido a frase de que não se venderia ao estrangeiro nem um centímetro da pátria. Agora, o novo decreto dá um impulso extraordinário a uma abertura de investimentos nos setores turístico e residencial ligados aos visitantes estrangeiros, algo que resulta ser menos curioso em um país onde os cidadãos não podem vender ou comprar imóveis, e precisam de uma quantidade incalculável de autorizações para construir uma com seus próprios recursos ou mudar-se para outro (a famosa “permuta” cubana, toda uma instituição social e cultural no país).

No mesmo ritmo foram sendo introduzidas mudanças em toda uma série de esferas onde o protecionismo estatal vigorou durante anos, e que vão da eliminação da venda subsidiada de uma cota mensal de cigarros a todos os nascidos antes de 1956 (!) até a regulação de impostos para pessoas que, na beira da estrada, decidirem vender as mangas ou os abacates de suas árvores (pagarão 5% da venda e farão uma contribuição para a assistência social), os mesmos vendedores clandestinos de (mangas e abacates!) que, até agora, eram perseguidos e multados pela polícia.

podrán hacerlo con capital enviado por familiares o socios residentes en el extranjero que pondrían de ese modo -más que una pica en Flandes- un pie en la economía cubana?

A necessidade de encontrar alternativas trabalhistas para mais de um milhão de trabalhadores, que será necessário eliminar de seus postos em empresas estatais, está entre as razões para que se trate de revitalizar o trabalho por contra própria e, ao que parece, inclusive a microempresa. Mas, basta falar desse assunto e aparecem os chifres do touro: quem em Cuba tem capital para abrir um pequeno negócio? Poderão fazê-lo com capital enviado por familiares ou sócios residentes no exterior, que desse modo colocariam um pé na economia cubana? Como voltar a montar toda uma estrutura que foi dinamitada com a “Ofensiva Revolucionária” de 1968, e que converteu Cuba no país socialista com mais trabalhadores estatizados e menos possibilidades de realizar trabalhos como autônomo? E os insumos e o mercado, ou o aparato fiscal, sanitário, policial, que implica a reabertura deste sistema fechado no país por quatro décadas.

Uma reportagem recente da televisão cubana mostrava a situação em que se encontra um centro de armazenamento de produtos agropecuários próximo de Havana onde, por falta de transporte, são perdidas grandes quantidades de banana e batata-doce já colhidas. Poderia o setor privado ajudar a evitar tais situações? A resposta deveria ser afirmativa, mas em um país onde só se pode comprar e vender os veículos fabricados antes de 1960 (!) fica difícil imaginar que se consiga organizar uma cooperativa ou pequena empresa de transportadores privados.

Assumido o princípio de que o governo não pretende incentivar mudanças políticas, a única possibilidade de abrir algumas comportas econômicas deve ser uma reestruturação tal do sistema cubano que, ainda sendo o mesmo, já não voltaria a sê-lo. Só que a imagem que projeta para o futuro é o de uma nebulosa na qual apenas se distingue formas imprecisas. Envolverde/IPS

*Leonardo Padura é escritor e jornalista cubano. Suas novelas foram traduzidas para mais de 15 idiomas e sua obra mais recente, El hombre que amaba a los perros, tem como personagens centrais León Trotski e seu assassino, Ramón Mercader.

**Matéria originalmente publicada no site da Envolverde

Colômbia confirma morte de chefe militar das Farc

O procurador-geral da Colômbia, Guillermo Mendoza, confirmou nesta quinta-feira a morte em um bombardeio do chefe militar da guerrilha das Farc, Jorge Briceño, ou Mono Jojoy.

"Uma fonte militar confirmou que numa operação das forças militares foi dado baixa a um grupo de guerrilheiros e no dia de hoje (militares), há algumas horas, foi encontrado o corpo de Mono Jojoy", afirmou Mendoza.

Uma fonte do ministério da Defesa disse à AFP que Briceño morreu num bombardeio, que também matou cerca de 20 guerrilheiros na madrugada desta quinta-feira no município de La Macarena, província de Meta (centro).

O bombardeio teve a participação de 30 aviões de combate e 16 helicópteros.

Na operação também participaram 250 homens de todas as Forças Armadas, segundo a mesma fonte, que pediu anonimato.

Os militares colombianos procuravam Briceño, considerado o chefe militar da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), desde o início do ano.

A morte de Briceño é um dos golpes mais duros contra as Farc desde março de 2008, quando um bombardeio do exército colombiano contra um acampamento em território equatoriano, perto da fronteira, matou o segundo em comando da guerrilha, Raúl Reyes.

Briceño tinha 62 ordens de captura emitidas pela justiça colombiana por crimes como homicídio, sequestro e terrorismo.

Da AFP Paris

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Australiano de 17 anos provocou caos no Twitte

Um australiano de 17 anos admitiu nesta quarta-feira ter provocado, sem querer, o caos de terça-feira no portal de microblogs Twitter, que gerou problemas nas contas de milhares de pessoas, incluindo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Pearce Delphin, que tem uma conta no Twitter com o pseudônimo @zzap, reconheceu ter encontrado uma falha na segurança que foi aproveitada pelos hackers e espalhou o caos durante cinco horas na terça-feira.

Delphin, que mora em Melbourne com os pais, introduziu um código Javascript como texto normal em uma mensagem que desencadeava a abertura de sites apenas com o ato de passar o mouse sobre o texto, sem a necessidade de clicar nos tweets.

Os hackers aproveitaram a ideia e usaram o código para redirecionar os usuários para páginas pornográficas ou criar tweets que eram repetidos a cada vez que eram lidos.

"Fiz isso apenas para ver se era possível fazer (...) para ver se o código Javascript podia ser utilizado em um tweet", contou o jovem à AFP por e-mail.

"Ao enviar meu tweet, nunca imaginei que isto poderia acabar assim", completou.

Milhares de contas foram afetadas, como a de Sarah Brown, esposa do ex-premier britânico Gordon Brown, que tem mais de um milhão de seguidores.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, também foi afetado.

O Twitter pediu desculpas na terça-feira aos milhões de usuários. Um dos diretores da equipe de segurança do portal de microblogs, Bob Lord, afirmou que os dados das contas pessoais não foram afetados.

Da AFP Paris

Atentado durante desfile militar deixa 10 mortos no Irã

Dez pessoas morreram e 20 ficaram feridas na explosão de uma bomba nesta quarta-feira durante um desfile militar em Mahabad (noroeste do Irã), anunciaram as autoridades, que destacaram que a maioria das vítimas são mulheres e crianças.

A bomba, que segundo o canal de televisão Al-Alam estava escondida em uma bolsa, foi detonada no momento em que uma multidão assistia a um desfile militar por ocasião do 30no. aniversário do início da guerra contra o Iraque (1980-1988).

O chefe de polícia da província do Azerbaijão Ocidental, onde fica Mahabad, afirmou que a explosão aconteceu em meio a um grupo de mulheres que acompanhava o desfile, segundo a agência de notícias Mehr.

"O atentado aconteceu a 50 metros do pódio oficial e deixou 10 mortos, incluindo as esposas de dois comandantes militares da cidade", afirmou o governador da província, Vahid Jalalzade, citado pela agência oficial Irna.

"Vinte pessoas ficaram feridas, quatro delas em estado grave. Praticamente todas as vítimas são mulheres e crianças", completou.

"Elementos contrarrevolucionários cometeram este ato selvagem para vingar-se da população de Mahabad, que sempre apoiou as Forças Armadas", disse, sem esclarecer a quem fazia referência.

Mahabad é uma cidade majoritariamente curda, localizada em uma região que registrou confrontos armados nos últimos anos e atentados atribuídos por Teerã aos rebeldes curdos.


Da AFP paris

Ingrid Betancourt relata em livro tudo o que viveu como refém das Farc

Os seis anos que passou como refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão descritos pela ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt no livro No hay silencio que no termine ("Não há silêncio que não se acabe", numa tradução livre) - uma alusão a um poema do chileno Pablo Neruda - que será posto à venda ontem, na Europa, América Latina e Estados Unidos.

Ingrid Betancourt começou a escrever o livro em 2009. A mão e em francês, porque, segundo ela, o idioma permitiu a "distância necessária" para relatar o que havia vivido. Em 700 páginas, ela conta o cotidiano no cativeiro e a intervenção política dos presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e francês, Nicolas Sarkozy, determinantes para o desfecho positivo dessa história.

Candidata à presidência pelo partido Oxigênio Verde, Ingrid Betancourt foi sequestrada em 23 de fevereiro de 2002, perto de San Vicente del Caguán (sudeste) pela guerrilha das Farc, em plena campanha eleitoral. Durante o período no cativeiro, a ex-candidata passou por desespero e humilhação. Ela relembra os repentinos deslocamentos sob chuvas torrenciais, na selva que descreve como "abominável". Situações que comprometeram sua saúde e a levaram a depressão.

Em 2 de julho de 2008, 2323 dias após ser sequestrada, Ingrid foi libertada pelas Farc, junto com outros 15 reféns. Aos 48 anos, Ingrid Betancourt descreve que descobriu "outra dimensão" de si mesma durante as noites em vigília, graças a uma Bíblia, que lhe permitiu alimentar sua fé religiosa.

Gravidez - No relato, Ingrid conta que sua companheira de cativeiro Clara Rojas planejou a gravidez durante o sequestro. Betancourt narra que tentou dissuadir sua companheira de sequestro, fazenda-o ver "o que seria a vida de um bebê recém-nascido em tamanhas condições de precariedade, e sem saber se as Farc libertariam a criança".

No entanto, Rojas ficou grávida de um guerrilheiro, teve seu filho durante alguns meses na selva, mas depois o perdeu para que ele fosse entregue a uma família de camponeses no departamento colombiano de Guaviare (sul).

O garoto, chamado Emmanuel, permaneceu desaparecido por um longo tempo, até que os serviços de previdência social do Estado descobriram que tal família estava com ele.
Fonte Diário de pe

Ameaça de guerra em encontro da ONU

Nova York (EFE) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, assegurou que se os Estados Unidos comandarem ou apoiarem um ataque contra as instalações nucleares de Teerã, haverá uma guerra "sem limites". "Os EUA não compreendem o que é uma guerra. Quando uma guerra explode, não tem limites", ressaltou Ahmadinejad ontem em Nova York, durante um encontro com a imprensa norte-americana. Os EUA e outros países acusam o Irã de produzir um arsenal nuclear, enquanto o governo iraniano assegura que seu programa atômico é exclusivamente de natureza pacífica.

Para o líder iraniano, uma agressão militar por parte de Israel com o apoio de Washington seria considerada um ato de guerra e daria início a um conflito para o qual os norte-americanos não estão preparados. Ahmadinejad, que acompanha a cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ressaltou que "guerra não é só bombas". Além disso, reiterou sua disposição para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, caso haja alterações na política de Washington para seu país. Teerã não tem relações com os EUA desde 1979.

Ahmadinejad também negou que suas polêmicas declarações sobre o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial o transformassem em um antissemita e assegurou que o assassinato maciço de judeus pelo regime nazista foi "um acontecimento histórico usado como pretexto para a guerra". "Temos que nos perguntar onde ocorreu este fato e por que o povo palestino segue pagando por ele. Não sou um anti-semita, sou anti-sionista", afirmou.

Rejeição ao capitalismo - Ahmadinejad pediu ontem na ONU o estabelecimento na próxima década de uma nova ordem mundial que rejeite o capitalismo e conduza a um "governo justo e imparcial baseado na mentalidade divina". "Agora que a ordem discriminatória do capitalismo e os enfoques hegemônicos afrontam sua derrota e se aproximam do fim, é essencial sustentar relações justas e prósperas", afirmou o iraniano em seu discurso na cúpula da ONU de revisão dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

A reunião da ONU que se estende até hoje tenta acelerar o cumprimento dos compromissos em favor do desenvolvimento adotados pela comunidade há dez anos. O discurso do presidente iraniano no plenário da cúpula foi acidentado, já que os intérpretes do organismo mundial advertiram em diversas ocasiões que a fala que era traduzida não condizia com as palavras pronunciadas por Ahmadinejad. Os últimos minutos do discurso do líder iraniano não contaram com tradução simultânea.

Ahmadinejad acusou o capitalismo liberal e as multinacionais de causar o sofrimento de um incontável número de mulheres, homens e crianças no mundo todo. "As estruturas injustas e pouco democráticas das instituições internacionais, políticas e financeiras mundiais estão por trás da maioria das desgraças da humanidade", afirmou.Fonte Diario de pe

Fidel Castro se reúne com pacifistas de cruzeiro japonês

O ex-ditador cubano Fidel Castro se reuniu nesta terça-feira com os 620 tripulantes e passageiros do Cruzeiro pela Paz, oriundo do Japão, aos quais advertiu sobre as consequências "horríveis" de uma eventual guerra nuclear.

Os pacifistas foram recebidos por Fidel no Palácio de Convenções, em Havana. O ex-ditador, de 84 anos, afirmou que mais de seis bilhões de pessoas ficariam sem ter o que comer em consequência do impacto ambiental causado por um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

"Este encontro tem uma importância muito grande, justamente pela experiência que vocês acumularam sobre este tema", disse Fidel, referindo-se às bombas atômicas lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945.

Junko Watanabe, que sobreviveu ao ataque nuclear no fim da Segunda Guerra Mundial e atualmente vive no Brasil, participou da conversa com Fidel Castro.

O "Peace Boat" é uma organização japonesa, que desde 1983 organiza os cruzeiros pela paz duas vezes por ano, com o objetivo de obter soluções pacíficas para os conflitos do mundo.

O barco que está em Havana zarpou em agosto com cerca de 1.000 pessoas a bordo do porto de Harumi, em Tóquio, e chegou a Cuba na madrugada de terça-feira. A ilha faz parte do trajeto de 19 países do cruzeiro, que inclui Jamaica, Panamá, Nicarágua, Guatemala e México.

Da AFP paris

Cerca de 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico no mundo

Pelo menos 2,6 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a serviços de saneamento básico, como esgoto e água tratada. Se a tendência for mantida, o número deverá subir para 2,7 bilhões até 2015. A constatação é da Organização das Nações Unidas (ONU). O secretária-geral do órgão, Ban Ki-moon, apelou hoje (22) para que as autoridades redobrem os esforços na tentativa de reverter a tendência.

As informações são da agência de notícias das Nações Unidas. No período de 1990 a 2009, cerca de 1,7 bilhão de pessoas passaram a ter acesso à água potável. Porém, aproximadamente 900 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada. "Viver nessas condições aumenta a probabilidade de doença e morte", ressaltou Ban Ki-moon.

Os esforços, segundo Ban Ki-moon, avançam nas regiões consideradas mais delicadas – Norte da África, América do Sul, Caribe e Ásia. “Acesso à água não é só uma necessidade básica, é um direito humano”, disse ele.

O secretário-geral da ONU ressaltou que é por meio do acesso à água potável que mães e filhos podem ter uma vida mais saudável e uma melhor qualidade de vida futura. “É o início de uma vida saudável”, afirmou.

As discussões sobre Saúde Global e Política Externa estão inseridas nos debates da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O Brasil é representado pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e a do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes.

Da Agência Brasil

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Governo cubano começa por cima

Brasília - Uma semana depois de anunciar o plano de demissão de 500 mil funcionários públicos, o presidente cubano, Raul Castro, resolveu enxugar também a cúpula do governo, por "ineficiência". O Conselho de Estado, em concordância com o Birô Político do Partido Comunista e o Comitê Executivo do Conselho de Ministros, decidiu demitir a titular da Indústria de Base, Yadira García Vera. A nota oficial destaca que ela foi "liberada" do cargo "atendendo a deficiências" em seu trabalho, "refletidas de maneira particular no fraco controle sobre os recursos destinados ao processo investidor e produtivo" do setor. O texto também indica que, enquanto o novo ministro é escolhido, o ministério ficará a cargo do "companheiro primeiro vice-ministro" Tomás Benítez Hernández.

A mudança no gabinete se soma à lista que Raul Castro iniciou em fevereiro de 2008, quando assumiu a presidência como efetivo - ele substituía desde 2006 o irmão Fidel, que se retirou por problemas de saúde. O último ministro a deixar o governo foi José Ramón Balaguer Cabrera, da Saúde Pública. Em março de 2009, Raúl fez a reestruturação mais profunda da década, com a "liberação" de quatro vice-presidentes e oito ministros - entre eles o vice-presidente Carlos Lage e o chanceler Felipe Pérez Roque, que estão entre os mentores da "atualização" do socialismo cubano e ajudaram a planejar o corte de gastos, inclusive a demissão em massa no Estado.

Antes de tornar-se ministra, Yadira - venezuelana de nascimento, naturalizada cubana - foi escolhida por Fidel para cuidar do caso do menino Elian González, como encarregada de coordenar as gestões na batalha judiciária pela custódia do menino, entre os parentes de Miami e o pai, morador da província cubana de Matanzas. Engenheira química, hoje com 55 anos, a agora ex-ministra passou a ocupar a pasta da Indústria de Base em outubro de 2004. O antecessor, Marcos Portal Leon, foi criticado pelos apagões de eletricidade na ilha. Quando Yadira assumiu, o jornal oficial Granma apresentou-a como uma "jovem mas experiente líder do partido", além de "modesta, capaz e eficiente".

Colômbia // Santos anuncia política de segurança

O presidente colombiano Juan Manuel Santos anunciará na primeira semana de outubro seu novo plano de segurança, voltado especialmente para a situação das grandes cidades. Ontem, os prefeitos e governadores das principais regiões do país assistiram a uma apresentação do programa, feita pelo ministro de Interior e Justiça, Germán Vargas.

"O propósito é recolher as experiências dos senhores governadores e prefeitos para que essa política esteja bem coordenada nos níveis territoriais", explicou Vargas. O encontro ocorreu em Bogotá, com a presença dos altos comandos do Exército e da Polícia. O prefeito da capital, Samuel Moreno, considerou "fundamental" que o governo se envolva com a estratégia para obter melhorias nas principais cidades - Bogotá, Medellín e Cali, principalmente, mas também outras capitais regionais. "Celebramos essa iniciativa e sempre dissemos que a responsabilidade em matéria de segurança não pode estar apenas na cabeça dos prefeitos e governadores", disse.

Moreno também destacou que, assim como o governo anterior, do presidente Álvaro Uribe, enfatizou a política de segurança nas zonas rurais, agora seria bom que se "tomasse conta das cidades". "Os novos fenômenos de delinquência e os novos desafios que enfrentamos, autoridades regionais e governo nacional, é continuar a melhorar o tema da segurança e da convivência nos principais centros urbanos", completou.

A situação mais crítica se observa em Medellín, que sofre uma onda de violência devido a disputas entre grupos de narcotraficantes. Em 8 de setembro, Santos visitou uma das principais favelas da cidade, a Comuna 13, e prometeu aumentar o efetivo de policiais para controlar a localidade, que já registrou 1.250 homicídios neste ano. A violência, que retorna à localidade-símbolo da reconquista de território pelo Estado colombiano, obrigou 2,5 mil pessoas a abandonar o lar. Durante a visita, Santos prometeu aos colombianos o anúncio de uma nova política de segurança nacional.

Americana solta no Irã agradece empenho do governo brasileiro por sua libertação

A americana Sarah Shourd, recentemente libertada após 14 meses presa no Irã por suspeita de espionagem, foi nesta terça-feira à sede da Missão Brasileira na ONU, em Nova York, agradecer pessoalmente ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o empenho do governo brasileiro por sua libertação. Segundo a americana, Lula comentou o caso com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quando esteve em Teerã.

Sarah estava acompanhada de sua mãe e de familiares de Joshua Fattal, seu amigo que continua preso no Irã. O namorado da americana, Shane Bauer, também está numa prisão iraniana. Os três negam as acusações que os levaram à prisão e alegam ter cruzado inadvertidamente a fronteira entre Iraque e Irã quando fazia uma escalada nas montanhas, no final de julho de 2009.

"Não é momento de comemoração", afirmou Sarah à imprensa no domingo. "A única coisa que me fez cruzar o Golfo, da prisão para a liberdade, sozinha, foi a certeza de que Shane e Josh queriam, do fundo de seus corações, que o meu sofrimento chegasse ao fim."

Ahmadinejad pede libertações

Em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu que os Estados Unidos libertem oito iranianos que, segundo ele, estão detidos ilegalmente, observando que seu país soltou Sarah Shourd. Em uma entrevista com ajuda de um tradutor para o programa "This Week," da rede de televisão ABC, no domingo, Ahmadinejad chamou a libertação de "um grande gesto humanitário".

"Acredito que não seria inapropriado pedir que o governo dos EUA realize um gesto humanitário e liberte os iranianos que foram presos ilegalmente aqui nos EUA", disse Ahmadinejad, referindo-se a oito iranianos, sem dar nomes.

Da Agência O Globo

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Plínio de Arruda Sampaio não quer ser o candidato piadista

O candidato do Psol à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, chegou ao Recife na noite deste sábado para participar, na próxima segunda-feira, de um debate com os candidatos sobre questões referentes ao Nordeste. Sentado na primeira fila da aeronave em um voo comercial de São Paulo para a capital pernambucana, ele conversou com a reportagem do Diariodepernambuco.com.br sobre a campanha, suas propostas para a região, as denúncias que derrubaram a ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra e a popularidade que vem conseguindo, especialmente na internet, depois de suas participações nos debates e entrevistas na televisão.

O socialista mostrou-se um entusiasta das redes sociais e garantiu que não passa um dia sem postar nada em seu perfil no Twitter (@pliniodearruda), que tem quase 35 mil seguidores. “O que mais me agrada é poder falar com a juventude e ver que os jovens estão mais abertos e interessados em um discurso que a maioria dos adultos não quer ouvir”, afirmou. “Sou eu quem atualizo diariamente o meu perfil e, se sou popular, é porque tenho um discurso coerente. Assim, é fácil se sobressair”, completou. O que o candidato deixou claro que não quer, no entanto, é ser reduzido à imagem do candidato piadista. “Depois dos debates, a tática da mídia nacional de omitir as candidaturas menores não pôde mais ser usada. Então, a estratégia agora é a de me retratar como uma figura bizarra, que está ali se divertindo. Isso é muito injusto. Tenho 60 anos de vida pública como um homem sério e nunca fui visto com um brincalhão”, disparou.

Sobre a queda da ministra Erenice Guerra, Plínio de Arruda Sampaio disse que ainda é cedo para avaliar se haverá um impacto na corrida presidencial capaz de atingir a ex-ministra e candidata líder nas pesquisas, Dilma Rousseff. “Tudo indica que haverá um impacto, mas ainda não é possível saber. Agora, as denúncias são um fato grave porque revelam um nível muito elevado de corrupção no Brasil. Uma corrupção que não é de apenas um ou outro funcionário, mas de todo o sistema, do Estado Brasileiro, que é o grande responsável pela exclusão social no País”, afirmou o candidato, que disse achar prematuro declarar apoio a qualquer um dos candidatos, caso haja um segundo turno nas Eleições marcadas para 3 de outubro.

O candidato declarou-se amigo pessoal do ex-governador Miguel Arraes e do economista pernambucano Celso Furtado. “Minhas ideias são ligadas à Sudene, ao direito do Nordeste de receber transferências de outros estados, ao combate ao atraso que significa o latifúndio na região”, declarou o candidato, que se posicionou radicalmente contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. “Esta obra não tem nada a ver com levar água para quem precisa. O objetivo não é este, e sim criar uma base para uma grande empresa de agronegócio, além de aumentar o risco de isolamento das famílias pobres que vivem na região”.

No que considerou a reta finalíssima da campanha, ele garantiu que a visita ao Recife é a última da agenda política. “Passarei os últimos dias de campanha no Rio e em São Paulo, me preparando para os debates finais, até porque cada um deles tem uma condição diferente e exige uma preparação muito grande. Meu discurso é coletivo, não estou ali dizendo o que me vem na telha”, disse o candidato que resumiu seu programa de governo em alguns pontos principais: reformas agrária e urbana para todo o Brasil e saúde e educação exclusivamente públicas. “Se a co-relação de forças levar o Psol à Presidência, vou mostrar que isto é possível”, encerrou, antes de abrir um saco de batatas chips com torrone servidos durante o voo.

Por Carolina Monteiro, da redação do DIARIODEPERNAMBUCO

Papa chega a Roma após viagem histórica ao Reino Unido

O papa Bento XVI chegou neste domingo à noite a Roma, após uma viagem histórica de quatro dias ao Reino Unido. O avião do Papa aterrissou por volta das 22h00 locais (17h00 de Brasília) no aeroporto militar de Roma-Ciampino.

A viagem de Bento XVI a Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham, organizada em ocasião da beatificação do cardeal John Henry Newman (1801-1890), que se converteu ao Catolicismo em 1845, foi a primeira visita de Estado de um papa ao Reino Unido.

Bento XVI "falou para um país de seis milhões de católicos", mas foi "ouvido por 60 milhões de cidadãos", considerou no aeroporto o primeiro-ministro David Cameron. "Foram quatro dias incrivelmente emocionantes para o nosso país", acrescentou.

João Paulo II foi em 1982 o primeiro Sumo Pontífice a visitar esse país depois do rompimento do rei Henrique VIII com Roma e o Catolicismo, em 1534, que levou à criação da Igreja Anglicana. Mas aquela foi apenas uma "visita pastoral", segundo o Vaticano.

Da AFP Paris

Ahmadinejad: sanções ocidentais não terão efeito para o Irã

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, afirmou em uma entrevista concedida a um canal de tv americano neste domingo que as sanções do Ocidente ao programa nuclear de seu governo não terão efeito para seu país.

"Certamente que essas sanções marcarão um novo nível de progresso em nossa economia", declarou Ahmadinejad, em Nova York, falando ao canal ABC News. "Enfrentamos sanções e fizemos com que elas se convertessem em oportunidades para nós", acrescentou.

Indagado sobre os efeitos que essas sanções terão sobre a economia iraniana, respondeu: "Posso dizer que nenhum".

As declarações de Ahmadinejad diferem totalmente das da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que, em outra entrevista em Jerusalém ao mesmo canal, classificou as medidas impostas em junho pelo Conselho de Segurança da ONU como "penetrantes".

"De fato, a informação que recebemos é que o regime iraniano está bastante preocupado com o impacto em seu sistema bancário, em seu crescimento econômico, porque já encontram algumas dificuldades financeiras", afirmou.

O Irã enfrenta seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU, quatro delas acompanhadas de sanções, por seu programa nuclear e sua negativa em desistir do enriquecimento de urânio iniciado em 2005.

Teerã alega que seu programa nuclear em caráter civil, mas os ocidentais desconfiam que o Irã queira dotar-se de armas atômicas.

"Temos um plano para discutir coisas, para discutir temas", afirmou Ahmadinejad à ABC. "Sempre estivemos dispostos a discutir assuntos sempre que estejam dentro do marco legal e baseados em princípios de justiça e respeito", acrescentou.

Neste domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, indicou em um comunicado que havia pedido a Ahmadinejad que "se comprometa de maneira construtiva com as negociações" com a comunidade internacional, com o objetivo de chegar a "um acordo aceitável em conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança".

O secretário-geral se referiu às negociações, atualmente estagnadas, entre Irã, Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, China e Rússia sobre o programa nuclear de Teerã.

A última reunião de alto nível entre o Irã e as seis potências mundiais envolvidas na questão foi realizada em Genebra em outubro de 2009, quando ambas as partes estabeleceram um acordo de troca de combustível nuclear.

O líder iraniano disse ainda que Teerã está acatando plenamente as inspeções da Agência de Energia Atômica (AIEA).

"Todas as nossas atividades nucleares estão sendo controladas por câmeras", explicou. "Todo o material que se move é pesado, examinado e controlado. No que se refere à supervisão da AIEA não há obstáculos a essa supervisão", insistiu.

Consultado sobre a natureza uniforme das sanções agora impostas, Ahmadinejad respondeu que elas "não fazem sentido".

"Nós levamos as sanções a sério, mas levá-las a sério é diferente de acreditar que sejam efetivas", concluiu.

Ban Ki-moon também indicou no comunicado que lembrou ao líder iraniano, cuja reeleição no ano passado desencadeou protestos generalizados, "a importância do respeito aos direitos fundamentais civis e políticos".Fonte diário de pe

sábado, 18 de setembro de 2010

Um fim de ciculo. por Nassif.

Nassif: O fim de um ciclo em que a velha mídia foi soberana
Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

Por Luís Nassif, em seu blog
O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

Fim de um período odioso

Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um esgoto a céu aberto.

Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.

A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

O general que traiu seu exército

Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.

Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.

Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.

Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.

Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

A marcha da história

Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.

Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.

Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.

Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

Os novos tempos

A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.

De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

As ameaças à liberdade de opinião

Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo. do blog nassif.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lula fala sobre Transposição e Transnordestina

Deve começar em instantes o ato político em Garanhuns, com a presença do presidente Lula, da candidata do PT Dilma Rousseff e dos integrantes da Frente Popular de Pernambuco. O presidente deixou Caetés, pouco antes das 19h30, depois de conceder uma entrevista coletiva. Na entrevista Lula disse que os ataques da oposição, a briga entre a Venezuela e a Colômbia não afetarão a eleição brasileira.

"O que vai influenciar a eleição no Brasil é a proposta dos candidatos", opinou. O presidente, em seguida, ressaltou as qualidades de sua candidata à Presidência da República. "Dilma está num dos melhores momentos da vida. Quanto mais forte fica, tem que ser mais simples, olhar com muito carinho para o povo mais pobre do país", declarou.

Questionado sobre a Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco, algumas das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente foi enfático. "Penso que eu tenho pena das pessoas que têm os olhos, mas não querem enxergar . Essas pessoas deveriam compreender, pois já governaram. Uma ferrovia com quase dois mil quilômentros de extensão e ao custo de quase R$ 6 bilhões, tem muitos problemas. Eu mesmo participei de mais de 30 reuniões sobre a obra. Agora, depois de tanto tempo, está tudo pronto", afirmou. Lula disse que 2011 começará com nove mil homens trabalhando.

Sobre a Transposição Lula criticou a postura da oposição. "Ao invés de ficarem no Recife, eles (oposicionistas) deviam pegar um carro e visitar o canal do São Francisco para morrerem de inveja, quando esse canal tiver pronto. Até D. Pedro, vai dizer lá de cima, ‘obrigado baixinho‘", brincou.

Discurso - Durante o lançamento do programa Um Computador por Aluno, o presidente destacou as realizações do governo federal na área de educação. Lula disse, por exemplo, que construiu 214 escolas técnicas em oito anos, enquanto que o Brasul, em 100 anos, construiu 140. "Ou seja, dobramos o número de escolas técnicas em oito anos", discursou.

Também destacou o Pro-Uni, programa federal que permitiu a entrada de 706 mil jovens carentes na universidade. “Como presidente da República, hoje morreria feliz, pois um curso de Medicina custa cinco mil reais por mês, e esses 400 novos profissionais nada pagaram.”

Terra Natal - O discurso assumiu um tom emocional quando o presidente lembrou ser o único presidente sem diploma da história brasileira e ser o que construiu mais universidades. Sobre a escolha de Caetés como piloto do programa, o presidente Lula disse que foi decisão sua, pessoal, depois que conheceu a experiência obtida pela então governador Pezão, em Piraí, no Rio de Janeiro. Ali, explicou, antes havia uma evasão escolar de 70%, e hoje, com os computadores, o índice de aprovação é 100%.

Confira abaixo o discurso do presidente Lula na íntegra:

A legislação eleitoral não permite que candidato participe de ato oficial do governo. Então, isso aqui é um ato institucional, oficial, do governo, e não pode participar nem candidato a deputado, nem candidato a senador, nem candidato a governador, nem candidato a presidente da República.

Companheiros... Queridos companheiros e companheiras, eu não sei se eu chamo de Vargem Comprida ou chamo de Caetés. Porque, quando eu saí daqui, no dia 13 de dezembro de 1952, a cidade se chamava Vargem Comprida, era subdistrito de Garanhuns. E, em 1962, quando eu saí daqui, dez anos depois, a cidade, ou melhor, Vargem Comprida virou cidade e eu só voltei aqui em 1979. Eu saí com sete anos, eu só voltei aqui 27 anos depois. Eu voltei aqui, já era Caetés.

Fiquei muito decepcionado, porque eu tinha a imagem do açude na frente da nossa casa, eu tinha uma imagem do açude que parecia o mar e, quando eu voltei, o açude era tão pequenininho que eu fiquei decepcionado. Tinha um pé de mulungu, tinha um pé de mulungu na frente da casa que a gente morava, e eu tinha a impressão de que o pé de mulungu fazia sombra para todos nós aqui. E, quando eu voltei, o pé de mulungu era bem pequenininho, eu também fiquei decepcionado. A única coisa que cresceu foi o coração do povo de Caetés, a cidade e o desenvolvimento.

Eu não vou falar, aqui, de computador, primeiro... por duas razões: já falou o ministro da Educação; depois que o ministro da Educação fala de educação, não precisa o Presidente repetir o que falou o ministro da Educação.

Eu quero dizer aos meus companheiros e companheiras aqui, de Caetés, quero dizer ao companheiro prefeito Aércio da minha profunda alegria de voltar à minha terra natal e ver que a cidade está crescendo, ver que a cidade está se desenvolvendo, e poder entregar computador para os estudantes aqui de Caetés.

Vocês não sabem, mas computador virou uma paixão, sobretudo, entre as crianças e os adolescentes. Ou seja, não tem uma criança neste país que não queira um computador, não tem um adolescente neste país que não queira um computador.

Eu lembro que, quando nós discutimos, ainda em 2004, a criação de um programa para baratear o uso de computador e a compra de computador, a ideia nossa era criar um programa em que um companheiro pudesse entrar em uma loja e comprar um computador para pagar R$ 50,00 por mês, R$ 40,00 por mês, 30, 60, porque, até então, computador era coisa que só atendia à parte mais rica da população, os pobres não tinham dinheiro para comprar computador, neste país. O programa, o programa que nós criamos para baratear o computador foi uma revolução no Brasil, porque nós criamos crédito, financiávamos a loja e muita gente pobre, que só via computador pela televisão, pôde entrar em uma loja, comprar o computador e pagar R$ 40,00 ou R$ 50,00 por mês.

Mas ainda faltava uma coisa: o computador virou um instrumento muito importante para aumentar o aprendizado da sociedade brasileira e o aprendizado das nossas crianças. Eu confesso a vocês que durante muito tempo eu tive medo, e não é nenhuma vergonha um presidente falar que tinha medo, e vou dizer para as crianças por que eu tinha medo. Eu tinha medo porque eu ficava preocupado que cada um de vocês pegasse um computador, baixasse a cabeça no computador e ficasse só cada um no seu computador, sem conversar com o vizinho, e que a gente iria criar uma juventude que não conversava mais entre si porque todos estariam apenas olhando a telinha do seu computador.

Até que eu fui à cidade de Piraí, no Rio de Janeiro, que foi governada pelo vice-governador do Rio de Janeiro, o companheiro Pezão, e foi a primeira cidade brasileira onde todas as crianças tiveram um computador dentro das escolas. As crianças desistiam de ir para a escola. Antes do computador, começavam o ano com 100 alunos na escola e terminava o ano com 70, porque 30% das crianças desistiam de estudar. Depois do computador, começa 100 e termina 100. As crianças, inclusive, levam para casa um computador, a crianças fazem um círculo e, entre elas, via computador, elas conversam. Eles aprendem muito mais. Eles têm informação, hoje, do que acontece no mundo inteiro, sobre qualquer matéria, coisa que a nossa geração não teve, e vai aumentar muito.

E eu queria pedir aos jornalistas de Pernambuco, sobretudo aqueles especialistas em educação, queria pedir aos secretários de Educação, que a gente medisse, que a gente medisse a qualidade da educação das crianças de Caetés até hoje e, daqui a um ano, ou um ano e meio, vocês venham aqui – mesmo eu não sendo Presidente, Prefeito, se for convidado, eu virei – para a gente ver como é que evoluiu a educação das crianças neste país.

Na verdade, nós estamos fazendo um plano piloto, ou seja, nós estamos distribuindo 150 mil computadores para 300 escolas... para 300 cidades [escolas] no Brasil. Quero dizer que, quando esse moço aqui foi me comunicar que ia entregar os computadores, ele foi citando cidade, foi citando cidade e foi citando cidade, e foi citando cidade e quando terminou de citar eu perguntei: “E Caetés? E Caetés?” Aí ele falou: “É, mas tem um monte de gente, dos secretários municipais que estão (falha no áudio) critério não sei das quantas...” Aí eu falei: “Olha, não tem problema nenhum. Se alguém perguntar para você qual é o critério em que entrou Caetés, diga que foi o ‘critério Lula’, o critério do Lula querer trazer o computador para a cidade em que eu nasci, para que essas crianças tenham mil vezes mais oportunidades do que eu tive quando eu tinha a idade deles”.

Portanto, eu falei para o nosso Ministro, e falei para o César Alvarez: “Não adianta a gente dar computador aqui apenas para as crianças que estudam nas escolas urbanas. É preciso saber que aqueles que estão a meia hora da cidade, lá no meio do mato, trabalhando, estudando lá têm direito a um computadorzinho igualzinho a esse que essas crianças urbanas receberam. E tem jeito para fazer e vamos fazer”. Podem ficar certos, podem ficar certos de que eu não deixarei a presidência da República sem que a gente tenha entregue os computadores aqui, na zona rural de Caetés, aqui. Significa que, até dia 31 de dezembro, nós vamos ter que entregar os computadores para as crianças da área rural aqui, de Caetés.

A ideia, na verdade, a ideia, a ideia vem sendo trabalhada há alguns anos. Nós estamos trabalhando com a possibilidade de que, primeiro, a gente tenha internet banda larga em todas as escolas públicas deste país e em todas as cidades deste país. A ideia é que a gente, dentro de mais alguns anos, tenha um computador para cada criança neste país. É como um livro, é como uma caneta, ele tenha aquele material como um instrumento de aprendizado no primeiro grau, no segundo grau e no terceiro grau. As crianças vão evoluir com muito mais rapidez. É importante que as mães tomem cuidado apenas para que as crianças não queiram ficar noite e dia no computador, não queiram mais dormir e queiram ficar horas e horas e horas só viajando, só ali, me assistindo falar: “Olha aqui, falando”.

Então, eu... Nós estamos aqui nos vendo no computador, ali, olha. Então, eu queria, companheiros, dizer para vocês que eu não poderia deixar de fazer esse benefício para Caetés. Porque é uma cidade pequena, é uma cidade ainda pobre, e é uma cidade que está se desenvolvendo na medida em que Pernambuco vai se desenvolvendo.

Eu estou convencido de que o Brasil está em uma situação muito melhor do que já esteve a qualquer outro momento da nossa história. O nosso país, neste ano, vai crescer bem; a crise americana não mexeu conosco; vou terminar o meu mandato criando 14,5 milhões de empregos com carteira profissional assinada. Já sou... Veja o que é o destino: eu sou o único presidente da República do Brasil que não tive a oportunidade de ter um diploma universitário. Nem eu nem o meu vice, o Zé Alencar. O Zé Alencar era empresário e eu fui sindicalista.

E quando eu falo isso, eu não falo para que alguma criança fale: “Ah, o Lula na estudou e chegou a Presidente, por que eu vou estudar?” Não falo isso. Eu quero que toda criança estude muito mais do que eu pude estudar, muito mais. E que todos possam ter um diploma universitário, que todos possam ter um diploma universitário, que todos possam ter um diploma técnico. Mas vejam a coincidência: embora eu seja o único presidente sem diploma universitário, eu já sou o presidente que mais fez universidades no Brasil. É até uma coisa... Obviamente que com a ajuda deste extraordinário companheiro, Fernando Haddad, ministro da Educação.

Vejam que coisa, que coisa... como serve de lição para a gente. Durante 100 anos... A primeira escola técnica brasileira foi construída em 1909, na cidade de Campos, no Rio de Janeiro, pelo presidente Epitácio Pessoa. Desde a primeira, em 1909, até 2003 – quase 93 anos –, foram construídas 140 escolas técnicas no Brasil, em 100 anos. Em oito anos, nós vamos entregar 214 escolas técnicas neste país. Ou seja, em oito anos, esse moço e a equipe dele, no meu governo, em oito anos, a gente fez uma vez e meia mais do que tudo o que foi feito em 100 anos neste país, de escolas técnicas.

Este companheiro aqui me deu a ideia do ProUni. O ProUni foi um jeito que nós inventamos, enquanto a gente não construía as universidades federais, a gente precisava colocar criança pobre, da periferia, na universidade. Então, fizemos um convênio com as universidades particulares. Algumas já não pagavam imposto, então a gente não perdeu nada, na verdade. Então, nós fizemos uma isenção de impostos e trocamos o equivalente ao imposto por uma bolsa de estudo. Hoje, já tem 706 mil jovens da periferia deste país, estudantes de escola pública, fazendo universidade pelo ProUni.

Na semana passada eu vivi um dos momentos mais extraordinários que um ser humano pode viver. Eu fui, junto com este moço e junto com o ministro da Saúde, nós fomos fazer uma reunião com os primeiros quatrocentos e poucos jovens que se formaram em Medicina pelo ProUni. Um curso de Medicina custa quase R$ 5 mil por mês. A coisa mais difícil é uma criança de família de classe média baixa poder fazer um curso de Medicina, a não ser que ele passe no vestibular de uma universidade pública. Acontece que todo mundo, e muita gente, quer ser médico. Então, para uma vaga, às vezes aparecem duas mil, três mil, quatro mil pessoas para uma vaga. Aí, o vestibular é muito mais complicado, é muito mais concorrido, e a criança pobre não pode e tem que fazer na escola particular, e aí não pode pagar. E quando eu vi aquelas crianças da periferia deste país, que se a gente não tivesse criado o ProUni jamais entrariam na universidade, se formarem em médicos, eu disse: “Ó meu Deus, eu, agora, posso morrer, porque valeu a pena ser presidente deste país”.

Bem, na educação, nós ainda estamos trabalhando para que todas as escolas tenham um laboratório de informática. Nós queremos que cada criança neste país, cada criança, pode ser um filho ou a filha da pessoa mais pobre do mundo, essa criança tem o direito de ter um computador para estudar e de ter um laboratório de informática na sua escola.

Porque o Brasil é um grande exportador de minério de ferro; o Brasil é exportador da bauxita, que faz o alumínio; o Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo; o Brasil é o maior exportador de café do mundo, o Brasil é o terceiro exportador de grãos do mundo; o Brasil é o terceiro exportador de aviões do mundo. O Brasil virou um país grande. Mas, agora, nós não precisamos exportar apenas minério de ferro, ou soja, ou alumínio. Não. Nós queremos exportar conhecimento e inteligência. Não adianta a gente vender uma tonelada de ferro, uma tonelada de minério de ferro por US$ 100 e, depois, comprar um chip desse tamanhinho por US$ 1.000. Não, nós queremos é começar a produzir o chip, para gente poder fazer este país virar grande, virar rico, e o povo viver com dignidade neste país.

É por isso que eu quero dizer para vocês que este país nunca mais voltará a ser o mesmo. Este país, este país nunca mais, nunca mais um presidente da República terá que se humilhar diante do FMI. Nunca mais este país vai se humilhar diante de outro país porque é maior do que o nosso. Não, nós aprendemos a ter autoestima, nós aprendemos a gostar de nós mesmos e nós aprendemos no discurso daquela menina Raquel, de que basta a gente querer perseverar e lutar que não tem nada que seja impossível para um ser humano e, sobretudo, para um pernambucano e, sobretudo, um pernambucano de Caetés – pernambucano e pernambucana.

Por isso, meus queridos companheiros, eu quero, do fundo do coração... Eu ainda vou agora ter uma reunião com os prefeitos de todo o estado de Pernambuco, com o Governador – aí já não é coisa mais institucional – e depois eu vou participar, pela primeira vez, do Festival de Inverno.
Vocês estão brincando? Quando eu ganhei, quando eu ganhei as... quando a gente foi lá para Copenhague, que nós ganhamos as Olimpíadas, eu disse para os companheiros: “Se o Brasil continuar assim e Garanhuns continuar com frio, daqui a pouco a gente está reivindicando uma Olimpíada de Inverno para Garanhuns, daqui a pouco”.

Agora, esse Prefeito, se tivesse feito ontem o discurso que ele fez hoje, me indicando para técnico da Seleção Brasileira, quem sabe o Ricardo Teixeira, em vez de ter escolhido o Murici, hoje, teria me escolhido? E, em 2014, a gente não deixava ninguém levar o caneco aqui de jeito nenhum, de jeito nenhum. Nós cercávamos ali o campo... Principalmente os times que jogarem aqui em Pernambuco.

Então, gente, olha, do fundo do coração, eu quero, mais uma vez, agradecer a cada mulher, a cada homem. Quero dizer para vocês que eu fico muito orgulhoso de ver a alegria dessas crianças com esse computador, muito feliz, quero agradecer às diretoras das escolas, às coordenadoras do programa. E quero, sobretudo, agradecer a vocês por, mais uma vez, me tratarem com o carinho que vocês me tratam.

Um grande abraço, um grande beijo e até outro dia, se Deus quiser. E vamos pedir para as crianças estudarem muito a partir de agora. Um abraço, gente.

Da Redação do DIARIDEPERNAMBUCO.COM.BR, com informações da repórter Aline Moura